quinta-feira, 23 de março de 2017

Encontros regionais mobilizam para Assembleia Estadual da CPT

Preparação reuniu 97 camponeses e camponesas em três regiões de Alagoas

Heloísa Amaral coordenando o encontro regional do litoral


Durante o mês de março, a Comissão Pastoral da Terra de Alagoas (CPT/AL) visitou as três regiões do estado para aprofundar o debate sobre reforma agrária e direitos sociais e mobilizar os camponeses e camponesas para a Assembleia Estadual da CPT, que inicia próxima segunda-feira, 27 de março. Ao todo, 87 camponeses e camponesas participaram dos encontros realizados no sertão, região da mata e litoral. 

O Encontro regional do Sertão foi realizado dias 9 e 10 de março, no assentamento Nossa Senhora Aparecida em Água Branca, com a participação de 28 pessoas; o da região da Mata aconteceu nos dias 13 e 14 de março, no assentamento Flor do Bosque, em Messias, com 30 presentes; e, no litoral norte de Alagoas, o encontro foi realizado dia 21 de março, no ginásio municipal da cidade de Porto de Pedras, com 29 participantes.

Encontro Regional do Sertão aconteceu no início de março


Para o coordenador da CPT/Alagoas, Carlos Lima, os encontros foram importantes para aprofundar o debate sobre a situação do país, os 200 anos de Alagoas e a luta camponesa. “Foi um momento importantíssimo, simbolizou um retorno da Pastoral às suas bases. Foi importante também pelas reflexões e os trabalhos em grupo construídos a partir da fala dos camponeses. Sem dúvida, foi fundamental para engrandecer a assembleia e permitir uma reflexão maior sobre as prioridades da CPT para 2017”, afirmou Lima.

Nos três encontros, o debate se iniciou em torno da situação do país após o golpe parlamentar. Os camponeses e camponesas ficaram assustados e revoltados com a Reforma da Previdência. Uma parte deles desconhecia quais as medidas estão sendo tomadas pelo governo. 

A coordenadora regional da CPT,   Heloísa Amaral, nos debates, fez o alerta da importância do povo ir às ruas. “O governo Temer tem buscado aprofundar as desigualdades sociais e retirar direitos historicamente conquistados. Atacar a aposentadoria dos trabalhadores e trabalhadoras é um crime, principalmente pelas mudanças que estão propondo para a mulher e o homem do campo. É necessário lutar para defender a previdência”, afirmou Heloísa. 

Outro tema em destaque, foi o bicentenário de Alagoas. Os participantes dos encontros se organizaram em grupos para refletir sobre perguntas como “que Alagoas nós temos?”, “quem somos nós e qual nossa importância nessa Alagoas?”, “quais os desafios, em nossa região, para a produção?” e “o que podemos fazer para superar esse desafio?”.


Encontro da Região da Mata foi realizado no For do Bosque

A socialização das discussões em grupos foi feita ainda nos encontros regionais e deverá ser realizada entre as regiões na assembleia estadual na próxima semana. Em setembro, o tema será aprofundado no Seminário sobre 200 anos de Alagoas. Esse será um momento de compartilhar as experiências de resistência de lutadores sociais em defesa de um estado mais justo e igualitário.

Por fim, os camponeses e camponesas inciaram uma discussão sobre a Romaria da Terra e das Águas, que este ano completa sua 30ª edição. Desde já, foi debatida a importância das regiões se organizarem e mobilizarem para participar da Romaria, nos dias 4 e 5 de novembro, na Serra da Barriga, em União dos Palmares. 

Assembleia
 
A 28ª Assembleia Estadual da CPT/Alagoas inicia na próxima segunda-feira, 27 de março de 2017. Realizada anualmente, a atividade avalia a atuação da pastoral no ano anterior e debate as prioridades para o ano vigente. Neste ano, os camponeses e camponesas anteciparam o início das discussões nos Encontro Regionais e se comprometeram a ainda mais com a preparação do evento que reunirá 115 representantes dos acampamentos e assentamentos acompanhados pela Pastoral.

Ao final da assembleia, a partir do dia 29, a CPT e as famílias camponesas realizarão uma mobilização em Maceió contra o golpe na reforma agrária e contra a reforma da previdência, além de políticas específicas para jovens e mulheres. A previsão é que mais 500 pessoas se juntem aos 115 presentes na Assembleia.





quinta-feira, 9 de março de 2017

Reunião abre caminho para a 30ª Romaria da Terra e das Águas



Representantes de pastorais sociais e religiosos participaram, nesta terça-feira, 7 de março, da primeira reunião preparatória para a 30ª Romaria da Terra e das Águas. A reunião, convocada pela Comissão Pastoral da Terra, marcou a construção da celebração de 30 anos de Romaria.

A edição celebrativa da Romaria pretende reunir cerca de 5 mil romeiros e romeiras da cidade e do campo, nos dias 4 e 5 de novembro, para caminhar rumo à terra sem males, a terra de Zumbi e Dandara. A proposta da organização é refazer o mesmo trajeto, na Serra da Barriga, da primeira Romaria na Terra de Zumbi, realizada em 1988. E para coroar essa grande festa de fé e profecia, o poeta e compositor Zé Vicente já está confirmado.

O aniversário de 30 anos de Romaria tem por objetivo alimentar a espiritualidade do caminhante, preservar a memória de luta do Quilombo dos Palmares, incentivar a luta pela democratização do uso da terra e estimular a prática da justiça, da partilha e da solidariedade.

“A Romaria vai ser esse momento grande e forte para a gente fazer uma bela homenagem à trajetória da CPT e dos camponeses. Será a celebração de toda essa caminhada de homens e mulheres que lutam todo dia por dignidade para gerar vida e esperança”, afirmou o Padre Rogério Madeiro.

Para Rosário de Fátima da Silva, representante das Comunidades Eclesiais de Base, essa Romaria será um momento de integração, resgate da história, partilha e construção. “Vejo essa construção nos alimentar de vigor, esperança e luta, mostrar que não estamos parados e que vamos avançar. Espero que a Romaria toque as minorias que estão excluídas por essa conjuntura e mostre que, unidos, temos força para mudar”, afirmou Rosário.

A reunião deliberou pela criação de duas comissões para facilitar a organização. Uma equipe para preparar o documento de subsídio de cantos, reflexões e músicas da Romaria, com a presença da Irmã Cícera Menezes e de Carlos Lima, coordenadores da CPT, do Irmão João Batista, monge missionário do campo e a Irmã Diene, da congregação Nossa Senhora da Assunção.

A segunda equipe será a responsável pela mobilização da comunidade, que articulará a Romaria no campo e na cidade, visitando as comunidades e estimulando os religiosos e movimento sociais. Essa será composta por pessoas ligadas às Comunidades Eclesiais de Base e a própria CPT.

Sobre Zé Vicente

O convidado especial da 30ª Romaria da Terra e das Águas será o compositor de diversas músicas que são cantadas desde a primeira romaria em Alagoas. Zé Vicente é um artista ligado à Igreja Caminhante. Natural de Orós, Ceará, canta e compõe desde 1981, fazendo de suas músicas instrumento de esperança, luta e transformação.








terça-feira, 7 de março de 2017

Camponesas ocupam sede do Incra e do INSS em Alagoas


Jornada de lutas unifica mulheres por direitos e contra a reforma da previdência

Prédio do INCRA ocupado. Foto: Ascom/MST

Em preparação para o Dia Internacional da Mulher, camponesas de diversos movimentos ocuparam nesta terça-feira, 7 de março, a superintendência do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e prédio da Gerência do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), ambos no centro de Maceió.

As ocupações fazem parte da jornada unificada as mulheres do campo contra a reforma da previdência do governo Temer, a paralisia na reforma agrária e luta por direitos das mulheres.

Para Heloísa Amaral, coordenadora regional da Comissão Pastoral da Terra, essa jornada é necessária para defender as conquistas históricas das mulheres e dos trabalhores rurais. “Temer, de uma vez só, quer acabar com a aposentadoria especial para trabalhador rural e prejudicar ainda mais as muheres. Nossa Jornada é uma grande resposta aos ajustes desleais desse governo com o povo, em especial com as mulheres”, afirmou Amaral.

Ocupação do prédio do INSS. Foto: cortesia

A jornada das mulheres começou ao amanhecer com 1500 mulheres ocupando o prédio do INCRA. Já pela tarde, cerca de 500 trabalhadoras ocuparam o segundo prédio, o do INSS.

Débora Nunes, da coordenação nacional do MST, ressaltou que as ocupações em Alagoas fazem parte de uma luta nacional contra o governo e em defesa de direitos. “Nossa ocupação aqui, soma-se aos atos em todo o país contra qualquer postura que ameace as nossas conquistas. Defendemos uma Previdência pública, universal, solidária e que garanta aos trabalhadores e trabalhadoras, que por toda a sua vida trabalham para construir esse país e uma sociedade melhor, uma aposentadoria digna”, afirmou Débora.

A coordenadora do MLST, Diana Aleixo, complementou: “Não vamos aceitar o golpe na Reforma Agrária, nem o golpe na Previdência! Cada uma dessas medidas do governo golpista afeta diretamente a vida das mulheres que vivem no campo. Estamos mobilizadas para denunciar cada ataque à vida das mulheres e para demonstrar nossa disposição de construir lutas na defesa da democracia e dos direitos das mulheres que vivem no campo ou na cidade”.

Participam da jornada o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), o Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL) e o Movimento Via do Trabalho (MVT), além da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Alagoas (Fetag) e sindicatos filiados a Central Única dos Trabalhadores (CUT).

As mobilizações continuam nesse dia 8 de março.





Com informações: MST

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Assentados de Maragogi reivindicam acesso ao Pronaf



Representantes do Assentamento Margarida Alves estiveram, no dia 14 de fevereiro, na sede do Incra, para reivindicar acesso ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

As 48 famílias que vivem na área de reforma agrária, localizada em Maragogi, buscam no Incra suas Declarações de Aptidão ao Pronaf (DAPs) para encaminhar projetos ao Banco do Nordeste, através do Pronaf.

O Programa financia planos ou projetos de agricultores familiares e assentados da reforma agrária que tenham como base o compromisso com o uso adequado dos recursos naturais, a disseminação de tecnologias apropriadas e o incentivo ao sistema de produção de base ecológica, bem como apoio a projetos inclusivos e propulsores da equidade de gênero e da valorização de minorias.

O Incra, entretanto, tem se recusado entregar as DAPs sob a alegação de que os assentados precisam acessar primeiro o Crédito Fomento do próprio Instituto para depois acessar o Pronaf.

“Eles estavam se baseando numa lei onde os assentados só pegam o PRONAF depois de pegar o Crédito Fomento do Incra. O detalhe é que para acessar os créditos do Incra precisa ter assistência técnica e Maragogi está sem assistência técnica desde que o Incra acabou convênio em 2012”, explicou a coordenadora da Pastoral da Terra, Heloísa Amaral.



A pressão dos agricultores fez com que a funcionária responsável pela entrega das DAPs se comprometesse a contatar Brasília para dar solução à emissão das declarações diante desse quadro. 

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Primeira Feira Camponesa de 2017 começa nesta quinta-feira, 2


A Feira Camponesa inicia suas atividades em 2017 já nesta quinta-feira, 2 de fevereiro. Em sua versão itinerante, o evento reunirá camponeses e camponesas para comercializar alimentos saudáveis ao lado da Igreja Menino Jesus de Praga, no Bairro do Pinheiro. A Feira funcionará das 6 horas às 20 horas, até o meio-dia do sábado (4).

Banana, mel, macaxeira, batata-doce, inhame, ovos, galinha são alguns dos alimentos trazidos do litoral, sertão e zona da mata diretamente para a mesa do maceioense. “Nossa feira possibilita o contato direto dos camponeses e das camponesas com a população de Maceió, sem atravessadores. Isso permite que o consumidor adquira o alimento fresquinho e por um preço justo”, afirmou Heloísa Amaral, coordenadora da Comissão Pastoral da Terra.

Além de bons para o bolso, os alimentos cultivados nas áreas de reforma agrária também são benéficos para saúde. “Os produtos comercializados nos supermercados estão cheios de veneno. Nos assentamentos e acampamentos temos uma discussão para avançar na agroecologia e a feira só conta com produtos agroecológicos, que são saudáveis e de qualidade”, completou Amaral.

A Feira Camponesa Itinerante no Pinheiro é uma realização da Pastoral da Terra e conta com o apoio da Paróquia Menino Jesus de Praga e do Iteral.

Serviço

Feira Camponesa Itinerante
Dias: 2 a 4 de fevereiro de 2017
Local: Ao lado da Igreja Menino Jesus de Praga, Pinheiro
Horário: 6h às 20h (sábado encerra às 12h)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Um adeus para Irmã Lúcia Nazarena



A Irmã Lúcia Nazarena Missio, da congregação Filhas do Sagrado Coração de Jesus, faleceu no dia 11 de janeiro de 2017. A coordenação da CPT de Alagoas, comovida com sua páscoa definitiva, ressalta a importância da missionária junto aos empobrecidos e seu compromisso com o evangelho libertador de Jesus de Nazaré.

Ir. Nazarena iniciou sua vida religiosa em 1946. Trabalhou como professora em Colégios no Rio Grande do Sul – sua terra natal – durante 20 anos e chegou em Alagoas na década de 1970. Na ocasião, o Arcebispo da época, Dom Adelmo Machado, convidou a congregação Sagrado Coração de Jesus para a missão de evangelizar o povo da área norte do Estado. Na década de 1990, a religiosa foi para Bahia, e depois, retornou à Maceió.

A CPT Alagoas, em sua homenagem, publica abaixo uma entrevista concedia pela irmã em 2008 para o Jornal Caminho da Roça, imortalizando sua contribuição aos oprimidos.


Como a senhora se interessou pela causa dos pobres, dos oprimidos?

Sempre tive muito carinho pelos negros. Quando percebi que Deus me chamava para a vida religiosa, a primeira coisa que eu falei para meus superiores era que eu queria ser missionária na África. Depois, quando foi aceita a missão aqui no nordeste, mandaram uma lista para as irmãs que queriam se inscrever pra essa vida missionária. Eu sempre quis ser missionária para trabalhar na base, então vim para o nordeste.

Quantas missionárias vieram para Maceió? Foram essas irmãs que fundaram a Congregação na cidade?

Nós chegamos em 4 missionárias em Alagoas, para começar a evangelizarão na área norte. Mas depois teve toda uma divulgação, chegaram outras irmãs, já são 38 anos. Hoje já somos província no nordeste. 

Como iniciou a missão com os oprimidos?

Começamos a missão na área norte. Mas a gente tinha muito contato aqui em Maceió porque nós assumimos também a orientação interna do Concílio de Cristandade, então iniciamos o trabalho com a periferia. 

Qual era o público?

Nós começamos com as mulheres que faziam o Concílio de Cristandade. Colaborávamos com a espiritualidade, isso inclui retiros, encontros etc. E a gente fez com que a palavra de Deus se voltasse para a realidade de Maceió, já que na periferia não tinha um trabalho como esse. A história é muito comprida, mas começou assim, aos poucos atingindo a base, preparando agentes missionários.

Como se aproximou da luta do povo do campo?

Na Bahia, nós assumimos a missão de Tanquinho, que fica a 40km de Feira de Santana. Ali tinha Padres missionários italianos que trabalharam no campo, com a Pastoral Rural. Lá havia problemas sérios, então nos associamos à Pastoral da cidade de Paulo Afonso para fazer todas as reivindicações juntos aos trabalhadores rurais. Era luta de reforma agrária, de ocupação de terras que os fazendeiros não deixavam plantar. Depois nós assumimos uma missão em Canudos, aí é outra história linda.

Como era o trabalho em Canudos?

Trabalhávamos naquela questão da seca, com problemas sérios de falta de água. Foi um trabalho de base belíssimo. Fazíamos trabalhos de evangelização e projetos, construção de cisternas, luta para que o povo tivesse recursos para viver dignamente.

Como a senhora enxerga a CPT?

Eu vejo a CPT como algo muito bom. Minha opinião é que é muito importante e atuante em Alagoas. A CPT é uma Pastoral, então é a palavra de Deus que deve ser vivida nos grupos. A CPT é aquela semente de transformação porque a palavra de Deus deve ser vida para eles.

Em sua opinião, como a CPT deve atuar?

A CPT deve dar a força para a luta, estimular o protagonismo. Mas para ser protagonista é preciso desenvolver valores nas pessoas. 

Hoje, que a senhora mora no Recanto Sagrado Coração de Jesus, qual seu trabalho?

Fazem dois anos que estou aqui, mas eu vim aqui por causa da minha saúde. Aqui eu trabalho na Pastoral da Sobriedade, e agora estamos com a Pastoral da Família, atingindo a terceira idade. Já estamos há 2 anos preparando as articuladoras, porque através dos idosos nós chegamos à família, principalmente àquelas que têm problemas com as drogas. A Pastoral da pessoa idosa estudou os valores da pessoa humana. Quais valores? Todos. Os valores espirituais, sociais, religiosos, psicológicos. Com isso estamos contribuindo para que haja mais vida na sociedade, para que haja menos violência. 

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Trator para o Assentamento Santo Antônio é fruto da luta, afirma CPT


O assentamento Santo Antônio, localizado em Major Isidoro, recebeu na manhã desta segunda-feira, 16 de janeiro, um trator para servir à produção camponesa na região. A máquina fez parte do conjunto de 23 tratores, seis caminhões isotérmicos e outros 59 itens doados pelo governo de Alagoas, principalmente, a Prefeituras da região sertaneja.


O assentamento acompanhado pela Comissão Pastoral da Terra foi uma das únicas organizações de trabalhadores contempladas com o investimento de R$ 4,6 milhões. O recurso foi angariado através de emendas parlamentares do senador Benedito de Lyra e do deputado federal Paulão.

Para Carlos Lima, coordenador da CPT/Alagoas, o trator só foi destinado ao assentamento Santo Antônio devido à luta dos camponeses. “A máquina é uma conquista de uma luta coletiva, nós estivemos na Secretaria de Agricultura por três vezes, ocupamos duas vezes, e um dos pontos da pauta era a aquisição de tratores. A gente fica feliz com essa aquisição e vamos continuar lutando, fazendo novas atividades para que os trabalhadores possam ter uma vida melhor a partir do uso da tecnologia auxiliando numa agricultura responsável, sem uso de agrotóxicos, e que gere renda para aqueles que lutaram pela reforma agrária”, declarou Lima.

A presidenta da Associação Comunitária do Assentamento Santo Antônio em Major Isidoro, Fábia Silva, afirmou que o trator doado auxiliará no preparo da terra para o plantio de milho, feijão e palma; além de limpar a barragem, que acumula a lama no período de estiagem.


O camponês Marciano Ferreira Balbino espera que, com o trator, a produção do assentamento cresça com o uso da máquina, já que a terra do sertão é muito seca e o poder público se mostrava insuficiente para os trabalhadores. “O trator da Prefeitura sempre chega atrasado, deixa os assentamentos para o final. Ano passado, o milho que a gente plantou não cresceu. Agora, toda vez que tiver chuva, é só colocar o trator em funcionamento. Com fé em Deus, vamos aumentar a produção e melhorar de vida”, afirmou o camponês.

A associação do Assentamento Santo Antônio garantiu ainda que a máquina estará à disposição de outras famílias camponesas do sertão alagoano e que será criado um fundo entre os camponeses para a manutenção do trator.


Com informações Iteral


Assentamento Quilombo dos Palmares promove 1º Festival do Abacaxi


O abacaxi é uma fruta popular, bastante consumida no Brasil. Por ser rica em nutrientes, saudável e bem saborosa, é comumente consumida in natura ou em sucos, saladas de frutas, doces, geleias, em combinação com pratos salgados e até mesmo assado, para acompanhar o churrasco.

Para prestigiar a fruta e ao mesmo tempo promover seu consumo, o assentamento Quilombo dos Palmares, localizado em São Miguel dos Milagres, realizou, no dia 7 de janeiro, o 1º Festival do Abacaxi.

O evento contou com a degustação de diversos pratos preparados com abacaxi, seja como ingrediente principal ou como parte da receita, com música e rainha do abacaxi. Ailton José da Silva e Maria Flaviana da Silva, a "Nova", estiveram à frente do festival que contou com o apoio da CPT, MLST, Iteral, Prefeitura e diversos parceiros locais.

José Ailton, Heloísa Amaral e Nova no Festival do Abacaxi

Também conhecido como ananás pelos indígenas, o abacaxi é o fruto da reforma agrária mais plantado atualmente pelos assentados da região. A promoção desse evento pretende consolidar o consumo da fruta e se estabelecer no calendário gastronômico do litoral norte de Alagoas.

Prefeito e da Vice-Prefeita de São Miguel dos Milagres prestigiaram a festa






segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Famílias camponesas celebram natal nas áreas de reforma agrária

Celebração natalina em Major Isidoro - AL

A Comissão Pastoral da Terra celebrou o nascimento do menino Jesus em acampamentos e assentamento de Alagoas. O Natal das Famílias Camponesas ocorreu em áreas do sertão, litoral e zona da mata durante o mês de dezembro.

Em todas as celebrações, conduzidas por padres parceiros da Pastoral da Terra, houve uma reflexão sobre o verdadeiro significado do Natal. Ao final delas, os camponeses e as camponesas realizaram momentos de comunhão e partilha com grandes almoços coletivos para confraternizar e festejar a passagem de mais um ano. Em algumas celebrações ocorreram batismo de crianças.

“A tradição da pastoral é levar aos camponeses e às camponesas a reflexão sobre o nascimento do menino Jesus, que semeou o amor e a fraternidade, enfrentou os poderosos e morreu sob tortura por defender a justiça e a liberdade”, afirmou Heloísa Amaral, coordenadora da CPT.

No sertão, ocorreram duas celebrações no dia 21 de dezembro, em Major Isidoro, no assentamento Santo Antônio, e Água Branca, no assentamento Padre Cícero. Outros acampamentos e assentamentos da região também participaram da celebração conduzida pelo Padre Aparecido.

No litoral, ocorreu uma missa celebrada pelo Padre Ronaldo no assentamento Quilombo dos Palmares, em São Miguel dos Milagres. O Assentamento Jubileu 2000 também esteve presente.


Na região da Mata, ocorreram duas celebrações do Natal em Murici, no Assentamento Bota Velha (dia 17) e no Assentamento Dom Helder (dia 29). Em Flexeiras, no dia 30 de dezembro, também foi comemorado o aniversário do Assentamento Rio Bonito.

Assentamento Padre Cícero - Água Branca 

Padre Ronaldo na celebração em São Miguel dos Milagres

Almoço de aniversário do assentamento Rio Bonito

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Almoço em solidariedade à CPT reúne mais de 100 pessoas na Itália


Voluntárias nos preparativos do almoço

A entidade italiana Pachamama (Terra Mãe) realizou no último domingo, 4 de dezembro, na Paróquia de São Caetano, na cidade de Torino, um almoço ítalo-brasileiro em solidariedade ao trabalho da Pastoral da Terra em Alagoas.

Mais de 100 pessoas degustaram a comida brasileira, como a feijoada, a caipirinha e a macaxeira frita, preparados por 20 voluntários vinculados à associação. Os presentes também obtiveram informações sobre a realidade do nordeste do Brasil e dos projetos desenvolvidos pela Pachamama com a CPT em Alagoas.

“Essa atividade faz parte do conjunto de ações que realizamos para arrecadar dinheiro para ajudar os projetos realizados em parceria com a CPT Alagoas e ajudar também a divulgar um pouco a realidade do campo no nordeste do Brasil”, descreveu Omar Bório, um dos sócios da associação.



A Pachamama colabora de forma técnica e financeira, desenvolvendo projetos, atividades de arrecadação e propagando a missão CPT na Europa. O almoço ítalo-brasileiro é uma dessas atividades que chega a sua sétima edição. Para Omar, a atividade “já se tornou uma tradição e o nosso público sempre participa com alegria de ajudar pessoas que precisam”.

Os sócios da entidade italiana têm uma formação cristã e se preocupam em ajudar ao próximo, aos mais necessitados. “Penso que não seja nem uma opção e sim uma obrigação porque a gente não fez nada para merecer de ter nascido em famílias que teve a possibilidade de nos dar comida, educação e tudo mais. Então temos obrigação de pensar e agir em prol de quem não teve esta sorte”, concluiu Omar.

Para o represente da CPT em Alagoas, Carlos Lima, o que faz do almoço realizado na Itália ser especial é o “tempero do amor ao próximo (mesmo quando este próximo esteja do outro lado do oceano), do voluntariado e a contribuição daqueles que acreditam que o mundo pode ser melhor e que a distância não deve ser motivo para ignorar uma situação de sofrimento ou de justiça”.





quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Seminário debate questão agrária nos 200 anos de Alagoas




A Comissão Pastoral da Terra e o Movimento de Libertação dos Sem Terra realizam, nesta quarta-feira (23), quinta-feira (24) e sexta-feira (25), o seminário A Questão Agrária em Alagoas: propriedade, lutas camponesas e produção agroecológica. O evento acontece no Centro Social da Fetag, Mangabeiras, das 8 horas às 17 horas. Sua abertura oficial está marcada para às 9h30 desta quarta-feira.

O seminário é gratuito, aberto ao público e tem como foco a formação de camponeses e camponesas na produção agroecológica e na história agrária de Alagoas. Sua programação conta com a participação dos professores Sávio de Almeida e Cícero Albuquerque, que palestram sobre Terra em Alagoas e Campesinato em Alagoas, respectivamente.

Além de palestras, haverá uma oficina, durante a tarde desta quarta-feira, com o tema agroecologia: um modelo de vida. A oficina será ministrada pela agrônoma e coordenadora da CPT, Heloísa Amaral.

Para o historiador e coordenador da Pastoral da Terra, Carlos Lima, o evento será um encontro do saber popular e acadêmico para recontar a história de Alagoas, que completa 200 anos em 2017. “Essas terras são marcadas por conflitos e lutas antes mesmo de sua emancipação política. Queremos, com esse seminário, abrir as discussões sobre esta data e seus significados”, afirmou Lima.

Serviço
Seminário A Questão Agrária em Alagoas: propriedade, lutas camponesas e produção agroecológica Programação
Dias: 23 a 25 de novembro de 2016
Local: Centro Social da Fetag, Mangabeiras
Horário: 8h às 17h

Programação
23 de novembro
8 horas - Credenciamento e Acolhimento
9h30 – Mística e Mesa de abertura;
10 horas - Palestra Terra em Alagoas com o Professor Sávio de Almeida;
12 horas – Almoço;
14 horas - Oficina A agroecologia: um modelo de vida.

24 de novembro
8 horas - Café da manhã;
9h30 - Palestra Campesinato em Alagoas com o Professor Cicero Albuquerque;
12 horas – Almoço;
14 horas  - Desafios e propostas.

25 de novembro
9 horas  - Encaminhamentos e avaliação.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Feira Camponesa começa nesta quinta-feira, 24, no Pinheiro


A população do bairro do Pinheiro acolherá mais uma edição da Feira Camponesa Itinerante. De 24 a 26 de novembro, ao lado da Igreja Menino Jesus de Praga, cerca de 30 camponeses e camponesas comercializarão alimentos saudáveis e com sabor de justiça social.

Banana, laranja, macaxeira, inhame, feijão, batata, ovos e hortaliças são alguns dos alimentos cultivados de maneira agroecológica nos assentamentos da reforma agrária que estarão disponíveis à população. Além dos frutos da terra, a Feira contará ainda com uma casa de farinha.

“Queremos convidar a comunidade do Pinheiro e região para prestigiar a nossa feira e adquirir alimentos livres de agrotóxicos diretamente com os camponeses. É bom para a saúde e para o bolso”, afirmou a agrônoma Heloísa Amaral, coordenadora da Comissão Pastoral da Terra.


A Feira funcionará das 6h às 20 horas. Esta edição é uma realização da CPT, com o apoio da Paróquia Menino Jesus de Praga e do Iteral. 

terça-feira, 15 de novembro de 2016

29ª Romaria da Terra clama pelo fim das injustiças


Inspirada na encíclica papal Laudato Si - “Casa comum, nossa responsabilidade”, a 29ª Romaria da Terra e das Águas clamou pelo fim das injustiças e convocou a população a se engajar na luta por um mundo melhor. A edição de 2016 da Romaria foi realizada nos dias 12 e 13 de novembro, em São Miguel dos Milagres. O ato de fé e penitência reuniu mais de mil romeiros e romeiras para um percurso de 13 km, da Igreja Matriz da Paróquia de Nossa Senhora Mãe do povo até o assentamento Jubileu 2000.


Sob a luz da lua cheia e de velas, religiosos e movimentos sociais e pastorais caminharam pela madrugada cantando e rezando. Em quatro paradas, foram realizadas reflexões sobre a “Casa Comum”, a “Água Bem Comum”, a “Terra Bem Comum” e a “Reforma Agrária”. Mesmo com o trio elétrico tendo quebrado ainda no primeiro quilômetro, o povo não desaminou, continuou a cantar e rezar durante todo o longo percurso.

Para Leandro Enoque, jovem da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, do Vergel do Lago, Maceió, a ausência da banda tocando ao trio não diminuiu a importância do evento. "É minha primeira vez, gostei. Mesmo sem o trio, a gente fez o som e cantou, pois sempre que tem um problema a gente pode dar uma solução. Antigamente, não existia trio e o povo fazia suas romarias. Pretendo voltar ano que vem”, afirmou Leandro.


Pessoas de todas as idades e de diversas regiões estiveram nessa Romaria, de idosos a crianças de colo. A assentada Maria do Bobó, 70 anos, veio de Água Branca, sertão de Alagoas. Maria enfrentou uma viagem que durou quase 8 horas, mas garantiu: “valeu à pena, virei sempre enquanto Deus me der vida e condições de caminhar” afirmou.

A anfitriã Irmã Cícera Menezes, coordenadora da CPT assentada no Jubileu 2000, ficou bastante contente a realização da romaria e afirmou: “apesar do contratempo, foi um momento importante de fé do povo e que serve como combustível para se alimentar e continuar sonhando com um mundo melhor”.

Lutar contra a PEC 241 é cuidar da casa comum




A Santa Missa foi recheada de místicas e reflexões sobre a Terra Mãe. Do início ao fim da celebração, coordenada pelo Padre Ronaldo, os fiéis ouviram a palavra de Deus e os ensinamentos do Papa Francisco. As presenças do Pe Alex Cauchi, Pároco da Arquidiocese da Paraíba, e do Pe Luciano Lima, coordenador diocesano das Pastorais Sociais da Diocese de Salgueiro, engradeceram ainda mais a cerimônia.



Na homilia, os padres convidados, apresentaram o chamado do Papa para cuidar da terra e da vida, como uma responsabilidade de todos, e citaram o momento político que o Brasil vive. “Não é o fim do mundo, mas essa PEC é quase isso, ela é contra a gente, o povo. Vivemos tempos difíceis em nosso país. Os estrangeiros estão doidos para pegar nosso petróleo e estamos correndo o risco de voltar ao tempo de o povo passar fome e a ter saques por comida. Se a gente não cuidar, vamos perder o que já conquistamos”, afirmou o Pe Alex Cauchi, lembrando os 16 anos de vitória do assentamento Jubileu 2000.

A Proposta de Emenda Constitucional 241, agora PEC 55, já foi aprovada na câmara de deputados e agora tramita no Senado Federal. Esse projeto visa congelar durante 20 anos os recursos para as despesas primárias, incluindo saúde e educação. Se aprovado, mesmo que a economia cresça, o Brasil só poderá reajustar os investimentos limitado à inflação e todo excedente será destinado aos banqueiros e detentores da dívida pública.


Para o Padre Luciano Lima, o papel de todo cristão é lutar contra as injustiças e as paróquias devem se posicionar nessa batalha contra o congelamento de recursos nas áreas sociais. “Eu não chamo PEC, chamo ‘peste’. Essa peste significa acabar o SUS e estudante ter que pagar para estudar. E o que dói não é só a PEC, é muita gente que está na Igreja balançando a cabeça e aceitando a injustiça”, afirmou o coordenador das Pastorais Sociais em Pernambuco.

E prosseguiu: “Dom Hélder dizia que uma varinha sozinha é fácil de quebrar, mas 5 já é difícil. O Papa diz: casa comum, nossa responsabilidade. Então não podemos fechar os olhos. Não basta os bispos dizerem que são contra, é preciso que a Igreja se posicione, que a gente fale nas missas e vá organizando varinha por varinha para ter um mundo melhor", concluiu o religioso convocando os homens e mulheres presentes a participarem das pastorais e grupos da Igreja com o objetivo de se engajar nas lutas sociais.