terça-feira, 18 de abril de 2017

Vigília encerra primeiro dia da Jornada Nacional em Defesa da Reforma Agrária




Cerca de 3 mil camponeses e camponesas ocuparam Maceió nesta segunda-feira, 17 de abril, em defesa da Reforma Agrária, contra a violência e por direitos no campo. Após uma grande marcha pelo Centro da cidade, foi realizada, durante toda a noite,  uma bonita vigília em frente ao Tribunal de Justiça de Alagoas em memória aos assassinados no massacre de Eldorado dos Carajás - PA.

A atividade faz parte da Jornada Nacional em Defesa da Reforma Agrária, realizada em 14 Estados e no Distrito Federal, a qual relembra os 19 trabalhadores rurais mortos pelo latifúndio no dia 17 de abril de 1996 e luta contra a paralisia na Reforma Agrária

Em Alagoas, a mobilização está sendo realizada conjuntamente pela na Comissão Pastoral da Terra (CPT), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), Movimento de Luta pela Terra (MLT), Movimento Unidos pela Terra (MUPT), Movimento Terra Trabalho e Liberdade (MTL), Terra Livre e Movimento Via do Trabalho (MVT).



Para Carlos Lima, coordenador da Comissão Pastoral da Terra de Alagoas, a data é importante para fazer memória e tornar viva a história. “Essa é a vigília da memória, mas também é a vigília da esperança. A esperança que não morre nunca, porque se a esperança morrer morre o sonho dos pobres. Ter esperança não é ficar esperando, mas ela é justamente a força que nos move a seguir na luta”, afirmou Lima.

Diante do Tribunal de Justiça, foram lembradas as vítimas do latifúndio em Alagoas e no Brasil. Além dos 19 assassinados em Eldorados, a vigília homenageou os 12 alagoanos que tombaram na luta por Reforma Agrária, entre eles Edmilson Alves da Silva (2016), Jaelson Melquíades (2005), Luciano Alves (2003), José Elenilson (2000) e Chico do Sindicato (1995).


“Estamos em frente ao tribunal de injustiças. Desse prédio saem mais ordens de despejos do que punição aos latifundiários que concentram a terra e matam trabalhadores. Queremos o fim da violência no campo e, por isso, estamos nessa jornada lutando pela Reforma Agrária”, disse José Roberto, dirigente do MST.

Após o ato em frente ao TJ, os trabalhadores e as trabalhadoras rurais retornaram à Praça Sinimbu e encerraram a vigília com falas dos representantes do Fórum Alagoano em Defesa da Previdência, compostos por sindicatos, movimentos sociais e partidos de esquerda, que se somaram à luta.

Jornada de Lutas
Passeata foi realizada no Centro de Maceió. Foto: Gustavo Marinho

A mobilização dos movimentos sociais do campo teve início no domingo, quando os trabalhadores e trabalhadoras rurais montaram acampamento na Praça Sinimbu, no Centro de Maceió. Nesta segunda-feira, o movimento ocupou as ruas, marchou até o Palácio do Governo, onde protocolou reivindicações, e encerrou o dia com a vigília em frente ao Tribunal de Justiça. A Jornada de lutas segue nesta terça-feira (18), com uma intensa agenda de mobilizações na capital.  

Movimentos protocolam pauta no Governo de Alagoas. Foto: Marrom



segunda-feira, 17 de abril de 2017

Jejum reafirma compromisso cristão com os pobres da terra


A Comissão Pastoral da Terra de Alagoas realizou na sexta-feira que antecedeu a semana santa, dia 7 de abril, o 18º Jejum em solidariedade aos que passam fome e outras necessidades no mundo. A atividade reuniu religiosos e agentes pastorais durante todo o dia no prédio Walmap, sede do Incra. O ato de fé consiste em substituir o alimento orgânico pelo alimento espiritual, por cânticos e pela leitura bíblica.

Este ano, a atividade refletiu sobre o tema da campanha da fraternidade, cultivar e guardar a criação, a partir das palavras da Irmã Gelda da Congregação Filhas do Sagrado Coração de Jesus. Para ela, o papel do homem e da mulher é cultivar e guardar a obra de Deus.



“O jardim do Éden, quando foi criado por Deus, não tinha nenhuma planta, porque ainda não tinha chovido e não tinha o homem para cultivar. Então, o que está dito é que a presença do homem na terra não era para explorar, mas para cultivar e guardar a natureza. Hoje, está faltando homens e mulheres que façam crescer e guardar a natureza”, afirmou a Irmã Gelda.

“Não é esta aqui a natureza que eu quis./ Que tomba indefesa, perdendo a beleza./ Trazendo a tristeza, na terra que eu quis”. Embalados pela canção de Benedito Prado, a Construção do Plano, os presentes no jejum cantaram e pediram perdão a Deus, na esperança de construir um mundo novo.

O jejum da solidariedade contou ainda com reflexões conduzidas pela Irmã Cícera e pelo coordenador da Pastoral da Terra, Carlos Lima. Ao fim do dia, o pão foi repartido e compartilhado entre os presentes.





Confira a edição de abril de O Caminho da Roça

A Comissão Pastoral da Terra (CPT/AL) publicou no início do mês de abril uma nova edição de seu jornal, O Caminho da Roça.

O informativo, destinado a camponeses e camponesas, apresentou os resultados da 28ª Assembleia Estadual da CPT e da jornada de lutas, inciada logo após a assembleia.

O material tem o resumo de uma semana de intensas atividades, como ocupações prédios públicos e importantes reuniões para barrar os golpes contra a Reforma Agrária e os direitos sociais.

Clique aqui e confira O Caminho da Roça.


quinta-feira, 6 de abril de 2017

Amanhã: CPT realiza Jejum em solidariedade aos que passam fome


Pelo 18º ano consecutivo, a Comissão Pastoral da Terra realiza, nesta sexta-feira, 7 de abril, a partir das 8 horas, o Jejum em Solidariedade aos que passam fome e outras necessidades no mundo. Sob o tema cultivar e guardar a criação, agentes pastorais, camponeses e religiosos ficarão sem se alimentar no prédio do Incra, localizado no Edifício Walmap, na Rua do Livramento, Centro de Maceió.

Tradicionalmente realizada na sexta-feira que antecede a Semana Santa, a atividade se baseia na palavra bíblica de Isaías, que já antes de Cristo, falava sobre a importância da solidariedade e, ao mesmo tempo, defendia o Jejum em prol de quem passa fome e sofre com as injustiças. “O jejum que eu quero é este: acabar com as prisões injustas, desfazer as correntes do jugo, pôr em liberdade os oprimidos e desfazer qualquer jugo” (Is 58,6).

Este ano, o Jejum da solidariedade lembra em seu tema a campanha da fraternidade da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Durante todo o dia, acotecem leitura bíblica, cântigos e reflexões coordenadas por católicos. A programação conta também com o pastor Marcos Monteiro da Igreja Batista do Pinheiro.


Confira a Programação

8h – Celebração inicial: O sentido do Jejum – Irmã Cícera Menezes (CPT)
9h – Cultivar e Guardar a Criação – Irmã Gelda (Sagrado Coração de Jesus)
12h – Somos chamados a cultivar e guardar a criação – Carlos Lima (CPT)
15h – Terra e Justiça – Pastor Marcos Monteiro (IBP)
17h30 – Celebração final: O pão que desce do céu (maná)

Serviço
Jejum da Solidariedade
Dia 7 de abril de 2017
Das 8h às 18h
Local: Incra, Edifício Walmap - Rua do Livramento, Centro



quinta-feira, 30 de março de 2017

Carta da 28ª Assembleia Estadual da CPT de Alagoas

Enquanto a gente acreditar no maior, não vamos pra lugar nenhum. Nós temos que fazer o maior acreditar no menor. Se não for assim estamos perdidos” (senhor José Maria, “Azarias”. Mora no acampamento Bota Velha, há 17 anos, em Murici-AL).


Somos filhas e filhos da luta. Esse é o nosso chão, o nosso caminho. Somos comunidades Camponesas que vivem em acampamentos e assentamentos no sertão, na mata e no litoral. Somos um povo lutador e resistente afetado por uma longa estiagem, as nossas roças e animais sofrem com a falta d’agua e nós sofremos junto. Mesmo assim insistimos em cultivar a esperança e os sonhos.

Enfrentamos uma ofensiva política/econômica contra os nossos direitos, que foram duramente conquistados. O governo e seus aliados querem impor uma Reforma na Previdência, o que retiraria qualquer perspectiva de aposentadoria. A intenção é elevar a idade mínima para 65 anos e para 49 anos o tempo de contribuição. Também deseja igualar a idade mínima entre homens e mulheres, ignorando a jornada dupla exercida pelas mulheres. Outro ataque, em forma de armadilha, é a proposta de emancipação dos assentamentos do INCRA, mais uma tentativa de iludir nossa gente com a entrega do título da terra às famílias que vivem em assentamento, para encobrir a irresponsabilidade em não cumprir com o dever de consolidar os assentamentos através da infraestrutura necessária. A verdadeira intenção é fazer com que essas terras conquistadas, que estavam nas mãos de camponesas e camponeses, voltem ao mercado. São tocaias montadas contra o povo trabalhador do campo e da cidade, para continuar a dar conforto e regalias aos mesmos que vivem a dominar.

Os tempos nunca foram fáceis. A conjuntura atual é, apenas, a revelação do processo histórico contra os empobrecidos e a natureza. A nossa existência, o nosso jeito de viver, nossas crenças, nossas roças, é a forma de confrontar o poder de mando e modo de produção da classe dominante.

Nós, filhos e filhas da luta, seguiremos na marcha da rebeldia, nas ruas e nas roças, preservando a nossa identidade. Guardando as sementes, cuidando da água. “Cultivando e Guardando a Criação”.

Barra de São Miguel, 27 a 29 de março de 2017.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Camponeses mantém ocupação no Incra

Negociações serão retomadas nesta quinta-feira (30), às 14h




Os camponeses e camponesas que ocupam o prédio do Incra contra o golpe na Reforma Agrária decidiram permanecer no local, mesmo após o primeiro contato com o novo superintendente do órgão, César Lira. As cerca de 500 pessoas passarão a noite no prédio de 13 andares localizado no Centro de Maceió e retomarão as negociações às 14h desta quinta-feira, 30 de março.

A gente veio para ser atendido e se não for atendido não vamos desocupar. Estamos cansado de vir à Maceió e ser enrolado. Se for preciso podemos trazer 100 kg de macaxeira para ficar e resistir. Só vamos sair com tudo resolvido, para a gente poder levar felicidade para nosso povo”, afirmou o acampado José Maria Azarias.

Seu Azarias há 15 anos luta por Reforma Agrária

A reivindicação de “seu Azarias” no INCRA é a Reforma Agrária. Além de sua família, outras 101 lutam há 15 anos pela posse da terra onde moram, no acampamento Bota-velha, em Murici. No mesmo município há acampamento com 17 anos de espera.

A ocupação do prédio do INCRA aconteceu por volta das 16h e antes do anoitecer o superintendente do órgão, César Lira (PSD), empossado na manhã desta quarta-feira (29), foi ao encontro dos camponeses e camponesas. Já em seu primeiro dia de trabalho como chefe do órgão que deveria servir para fazer a Reforma Agrária, o sobrinho de Benedito de Lira foi recepcionado com muitas palavras de ordem e pressão de homens e mulheres que lutam por melhores condições de vida no campo.

Aqui já vivemos com superintendentes de direita, de esquerda, e voltamos a viver com superintendente de direita. O tratamento é o mesmo, é um completo descompromisso com o povo pobre do campo. Estamos aqui porque o povo está cansado. Nós temos áreas de 17 anos esperando a reforma agrária, problemas com água, estrada. Uma tolisse que é desbloquear uma DAP o Incra não faz”, afirmou Carlos Lima, coordenador da Comissão Pastoral da Terra.

O novo superintendente do INCRA se colocou para discutir cada problema apresentado. Informou, desde já, que ainda está tomando pé da situação do órgão, que iria conversar com o antigo superintendente e com os servidores da casa e que não poderia se comprometer com as antigas promessas feitas por gestores passados.


César Lira se desresponsabilizou pelas gestões anteriores do INCRA

O que aconteceu, aconteceu. Vocês podem me cobrar daqui para frente. Minha vida é limpa e não respondo um processo. Não vai ser no Incra que vou sujar meu nome. Temos um quadro escasso, com técnicos para se aposentar, com dificuldades financeiras. Vou passar uma chuva aqui e espero tirar bons frutos dela”, disse César Lira em meio à manifestação, dentro de seu gabinete.

Uma reunião de trabalho para elencar os problemas de cada área rural e se comprometer com soluções ficou agendada para às 14h desta quinta-feira, 30 de março.




Camponeses ocupam o INCRA conta o golpe na Reforma Agrária

Mobilização começou nesta quarta e promete ocupar as ruas e prédios públicos até sexta, em Maceió 


Cerca de 500 camponeses e camponesas, organizados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT/AL), ocupam o prédio do INCRA, no Centro de Maceió,  para lutar em defesa da Reforma Agrária e da Previdência.

A mobilização acontece após a realização da assembleia estadual da CPT, que reuniu representantes de Assentamentos e Acampamentos da região da mata, litoral e sertão. As famílias estão na luta por direitos para o homem e a mulher do campo.

Os camponeses e camponesas permanecem até sexta em mobilização ocupando as ruas e prédios públicos para reivindicar justiça social. A marcha ocupou o prédio do INCRA por volta das 16h e aguarda a presença do novo superintendente. As famílias prometem passar a noite no local.




segunda-feira, 27 de março de 2017

28ª Asssembleia Estadual da CPT tem início em Alagoas

Primeiro dia foi marcado por debates e reflexões acerca dos direitos dos camponeses




A 28ª Assembleia Estadual da Comissão Pastoral da Terra de Alagoas teve início nesta segunda-feira, 27 de março, no Centro Catequético dos Irmãos Maristas, na Barra de São Miguel. São 80 camponeses e camponesas reunidos, até o dia 29, para debater a atuação da Pastoral da Terra e a luta por direitos para o homem e a mulher do campo.

Com o tema “Campesinato: cultivando e guardando a criação”, o encontro contou, já em seu primeiro dia, com celebrações, reflexões, homenagens, cânticos e muito debate sobre a realidade do país, em especial da situação dos camponeses e camponesas que lutam pela terra e por dignidade.


O indígena coordenador da CPT do Maranhão, Inaldo Gamella, convidado para assessorar a atividade, afirmou que o Brasil passa por tempos difíceis e a luta o único caminho capaz de romper as cercas e construir novos tempos.

“A gente tem que seguir nosso caminho, aquele que sempre seguimos, o caminho da luta. Esse é o caminho de nossos antepassados e é o caminho capaz de nos dar um futuro. Os tempos sempre foram difíceis para os camponeses, negros e indígenas e temos que seguir lutando”, afirmou Inaldo.

Refletindo sobre o tema da assembleia e o da campanha da fraternidade, Inaldo afirmou: “O bom-viver passa por a gente olhar a terra como espaço de encontro de gente com bichos, com a água, com a terra, com a natureza. Nosso modo de se relacionar com a terra não é vê-la como mercadoria ou de onde apenas tiramos nosso sustento. A gente pertence à terra e esse nosso pertencimento à terra faz a gente lutar por ela”, disse o coordenador da CPT/MA que entende a terra como um espaço de memoria, celebração, um lugar sagrado.

Homenagens

Durante a cerimônia de abertura, a Pastora da Terra prestou homenagem ao Acampamento Padre André, localizado em União dos Palmares. O acampamento erguido sobre as terras da falida Usina Laginha foi reconhecido como o destaque do ano de 2016. Os representantes do acampamento presentes na assembleia receberam um certificado conferido por sua determinação e persistência na luta.


Participação



Além do convidado do Maranhão, a mesa de abertura com a presença de Josival Oliveira, representante do Movimento Libertação dos Sem-Terra (MLST); Zé Roberto, representante do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST); Zenus do Conselho Indigenista Missionário (CIMI); e Ângelo Máximo, da Cáritas Arquidiocesana de Maceió.

Já pela tarde, a assembleia contou com a presença da dirigente nacional do MST, Débora Nunes, facilitando o debate sobre a situação do país após o golpe parlamentar e as investidas do governo Temer contra os direitos dos trabalhadores, especialmente contra os povos do campo.


Mobilização



A assembleia estadual da CPT/Alagoas prossegue até a manhã desta quarta-feira, 29. Ainda nesse mesmo dia, os seus participantes do evento se juntam a outros 500 camponeses e camponesas dos assentamentos e acapamentos acompanhados pela Pastoral para iniciar um jornada de luta na capital alagoana. As reivindicações da mobilização são em defesa da reforma agrária, contra a reforma da previdência, por infraestrutura nos assentamentos, entre outras.


quinta-feira, 23 de março de 2017

Encontros regionais mobilizam para Assembleia Estadual da CPT

Preparação reuniu 97 camponeses e camponesas em três regiões de Alagoas

Heloísa Amaral coordenando o encontro regional do litoral


Durante o mês de março, a Comissão Pastoral da Terra de Alagoas (CPT/AL) visitou as três regiões do estado para aprofundar o debate sobre reforma agrária e direitos sociais e mobilizar os camponeses e camponesas para a Assembleia Estadual da CPT, que inicia próxima segunda-feira, 27 de março. Ao todo, 87 camponeses e camponesas participaram dos encontros realizados no sertão, região da mata e litoral. 

O Encontro regional do Sertão foi realizado dias 9 e 10 de março, no assentamento Nossa Senhora Aparecida em Água Branca, com a participação de 28 pessoas; o da região da Mata aconteceu nos dias 13 e 14 de março, no assentamento Flor do Bosque, em Messias, com 30 presentes; e, no litoral norte de Alagoas, o encontro foi realizado dia 21 de março, no ginásio municipal da cidade de Porto de Pedras, com 29 participantes.

Encontro Regional do Sertão aconteceu no início de março


Para o coordenador da CPT/Alagoas, Carlos Lima, os encontros foram importantes para aprofundar o debate sobre a situação do país, os 200 anos de Alagoas e a luta camponesa. “Foi um momento importantíssimo, simbolizou um retorno da Pastoral às suas bases. Foi importante também pelas reflexões e os trabalhos em grupo construídos a partir da fala dos camponeses. Sem dúvida, foi fundamental para engrandecer a assembleia e permitir uma reflexão maior sobre as prioridades da CPT para 2017”, afirmou Lima.

Nos três encontros, o debate se iniciou em torno da situação do país após o golpe parlamentar. Os camponeses e camponesas ficaram assustados e revoltados com a Reforma da Previdência. Uma parte deles desconhecia quais as medidas estão sendo tomadas pelo governo. 

A coordenadora regional da CPT,   Heloísa Amaral, nos debates, fez o alerta da importância do povo ir às ruas. “O governo Temer tem buscado aprofundar as desigualdades sociais e retirar direitos historicamente conquistados. Atacar a aposentadoria dos trabalhadores e trabalhadoras é um crime, principalmente pelas mudanças que estão propondo para a mulher e o homem do campo. É necessário lutar para defender a previdência”, afirmou Heloísa. 

Outro tema em destaque, foi o bicentenário de Alagoas. Os participantes dos encontros se organizaram em grupos para refletir sobre perguntas como “que Alagoas nós temos?”, “quem somos nós e qual nossa importância nessa Alagoas?”, “quais os desafios, em nossa região, para a produção?” e “o que podemos fazer para superar esse desafio?”.


Encontro da Região da Mata foi realizado no For do Bosque

A socialização das discussões em grupos foi feita ainda nos encontros regionais e deverá ser realizada entre as regiões na assembleia estadual na próxima semana. Em setembro, o tema será aprofundado no Seminário sobre 200 anos de Alagoas. Esse será um momento de compartilhar as experiências de resistência de lutadores sociais em defesa de um estado mais justo e igualitário.

Por fim, os camponeses e camponesas inciaram uma discussão sobre a Romaria da Terra e das Águas, que este ano completa sua 30ª edição. Desde já, foi debatida a importância das regiões se organizarem e mobilizarem para participar da Romaria, nos dias 4 e 5 de novembro, na Serra da Barriga, em União dos Palmares. 

Assembleia
 
A 28ª Assembleia Estadual da CPT/Alagoas inicia na próxima segunda-feira, 27 de março de 2017. Realizada anualmente, a atividade avalia a atuação da pastoral no ano anterior e debate as prioridades para o ano vigente. Neste ano, os camponeses e camponesas anteciparam o início das discussões nos Encontro Regionais e se comprometeram a ainda mais com a preparação do evento que reunirá 115 representantes dos acampamentos e assentamentos acompanhados pela Pastoral.

Ao final da assembleia, a partir do dia 29, a CPT e as famílias camponesas realizarão uma mobilização em Maceió contra o golpe na reforma agrária e contra a reforma da previdência, além de políticas específicas para jovens e mulheres. A previsão é que mais 500 pessoas se juntem aos 115 presentes na Assembleia.





quinta-feira, 9 de março de 2017

Reunião abre caminho para a 30ª Romaria da Terra e das Águas



Representantes de pastorais sociais e religiosos participaram, nesta terça-feira, 7 de março, da primeira reunião preparatória para a 30ª Romaria da Terra e das Águas. A reunião, convocada pela Comissão Pastoral da Terra, marcou a construção da celebração de 30 anos de Romaria.

A edição celebrativa da Romaria pretende reunir cerca de 5 mil romeiros e romeiras da cidade e do campo, nos dias 4 e 5 de novembro, para caminhar rumo à terra sem males, a terra de Zumbi e Dandara. A proposta da organização é refazer o mesmo trajeto, na Serra da Barriga, da primeira Romaria na Terra de Zumbi, realizada em 1988. E para coroar essa grande festa de fé e profecia, o poeta e compositor Zé Vicente já está confirmado.

O aniversário de 30 anos de Romaria tem por objetivo alimentar a espiritualidade do caminhante, preservar a memória de luta do Quilombo dos Palmares, incentivar a luta pela democratização do uso da terra e estimular a prática da justiça, da partilha e da solidariedade.

“A Romaria vai ser esse momento grande e forte para a gente fazer uma bela homenagem à trajetória da CPT e dos camponeses. Será a celebração de toda essa caminhada de homens e mulheres que lutam todo dia por dignidade para gerar vida e esperança”, afirmou o Padre Rogério Madeiro.

Para Rosário de Fátima da Silva, representante das Comunidades Eclesiais de Base, essa Romaria será um momento de integração, resgate da história, partilha e construção. “Vejo essa construção nos alimentar de vigor, esperança e luta, mostrar que não estamos parados e que vamos avançar. Espero que a Romaria toque as minorias que estão excluídas por essa conjuntura e mostre que, unidos, temos força para mudar”, afirmou Rosário.

A reunião deliberou pela criação de duas comissões para facilitar a organização. Uma equipe para preparar o documento de subsídio de cantos, reflexões e músicas da Romaria, com a presença da Irmã Cícera Menezes e de Carlos Lima, coordenadores da CPT, do Irmão João Batista, monge missionário do campo e a Irmã Diene, da congregação Nossa Senhora da Assunção.

A segunda equipe será a responsável pela mobilização da comunidade, que articulará a Romaria no campo e na cidade, visitando as comunidades e estimulando os religiosos e movimento sociais. Essa será composta por pessoas ligadas às Comunidades Eclesiais de Base e a própria CPT.

Sobre Zé Vicente

O convidado especial da 30ª Romaria da Terra e das Águas será o compositor de diversas músicas que são cantadas desde a primeira romaria em Alagoas. Zé Vicente é um artista ligado à Igreja Caminhante. Natural de Orós, Ceará, canta e compõe desde 1981, fazendo de suas músicas instrumento de esperança, luta e transformação.








terça-feira, 7 de março de 2017

Camponesas ocupam sede do Incra e do INSS em Alagoas


Jornada de lutas unifica mulheres por direitos e contra a reforma da previdência

Prédio do INCRA ocupado. Foto: Ascom/MST

Em preparação para o Dia Internacional da Mulher, camponesas de diversos movimentos ocuparam nesta terça-feira, 7 de março, a superintendência do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e prédio da Gerência do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), ambos no centro de Maceió.

As ocupações fazem parte da jornada unificada as mulheres do campo contra a reforma da previdência do governo Temer, a paralisia na reforma agrária e luta por direitos das mulheres.

Para Heloísa Amaral, coordenadora regional da Comissão Pastoral da Terra, essa jornada é necessária para defender as conquistas históricas das mulheres e dos trabalhores rurais. “Temer, de uma vez só, quer acabar com a aposentadoria especial para trabalhador rural e prejudicar ainda mais as muheres. Nossa Jornada é uma grande resposta aos ajustes desleais desse governo com o povo, em especial com as mulheres”, afirmou Amaral.

Ocupação do prédio do INSS. Foto: cortesia

A jornada das mulheres começou ao amanhecer com 1500 mulheres ocupando o prédio do INCRA. Já pela tarde, cerca de 500 trabalhadoras ocuparam o segundo prédio, o do INSS.

Débora Nunes, da coordenação nacional do MST, ressaltou que as ocupações em Alagoas fazem parte de uma luta nacional contra o governo e em defesa de direitos. “Nossa ocupação aqui, soma-se aos atos em todo o país contra qualquer postura que ameace as nossas conquistas. Defendemos uma Previdência pública, universal, solidária e que garanta aos trabalhadores e trabalhadoras, que por toda a sua vida trabalham para construir esse país e uma sociedade melhor, uma aposentadoria digna”, afirmou Débora.

A coordenadora do MLST, Diana Aleixo, complementou: “Não vamos aceitar o golpe na Reforma Agrária, nem o golpe na Previdência! Cada uma dessas medidas do governo golpista afeta diretamente a vida das mulheres que vivem no campo. Estamos mobilizadas para denunciar cada ataque à vida das mulheres e para demonstrar nossa disposição de construir lutas na defesa da democracia e dos direitos das mulheres que vivem no campo ou na cidade”.

Participam da jornada o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), o Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL) e o Movimento Via do Trabalho (MVT), além da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Alagoas (Fetag) e sindicatos filiados a Central Única dos Trabalhadores (CUT).

As mobilizações continuam nesse dia 8 de março.





Com informações: MST

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Assentados de Maragogi reivindicam acesso ao Pronaf



Representantes do Assentamento Margarida Alves estiveram, no dia 14 de fevereiro, na sede do Incra, para reivindicar acesso ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

As 48 famílias que vivem na área de reforma agrária, localizada em Maragogi, buscam no Incra suas Declarações de Aptidão ao Pronaf (DAPs) para encaminhar projetos ao Banco do Nordeste, através do Pronaf.

O Programa financia planos ou projetos de agricultores familiares e assentados da reforma agrária que tenham como base o compromisso com o uso adequado dos recursos naturais, a disseminação de tecnologias apropriadas e o incentivo ao sistema de produção de base ecológica, bem como apoio a projetos inclusivos e propulsores da equidade de gênero e da valorização de minorias.

O Incra, entretanto, tem se recusado entregar as DAPs sob a alegação de que os assentados precisam acessar primeiro o Crédito Fomento do próprio Instituto para depois acessar o Pronaf.

“Eles estavam se baseando numa lei onde os assentados só pegam o PRONAF depois de pegar o Crédito Fomento do Incra. O detalhe é que para acessar os créditos do Incra precisa ter assistência técnica e Maragogi está sem assistência técnica desde que o Incra acabou convênio em 2012”, explicou a coordenadora da Pastoral da Terra, Heloísa Amaral.



A pressão dos agricultores fez com que a funcionária responsável pela entrega das DAPs se comprometesse a contatar Brasília para dar solução à emissão das declarações diante desse quadro. 

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Primeira Feira Camponesa de 2017 começa nesta quinta-feira, 2


A Feira Camponesa inicia suas atividades em 2017 já nesta quinta-feira, 2 de fevereiro. Em sua versão itinerante, o evento reunirá camponeses e camponesas para comercializar alimentos saudáveis ao lado da Igreja Menino Jesus de Praga, no Bairro do Pinheiro. A Feira funcionará das 6 horas às 20 horas, até o meio-dia do sábado (4).

Banana, mel, macaxeira, batata-doce, inhame, ovos, galinha são alguns dos alimentos trazidos do litoral, sertão e zona da mata diretamente para a mesa do maceioense. “Nossa feira possibilita o contato direto dos camponeses e das camponesas com a população de Maceió, sem atravessadores. Isso permite que o consumidor adquira o alimento fresquinho e por um preço justo”, afirmou Heloísa Amaral, coordenadora da Comissão Pastoral da Terra.

Além de bons para o bolso, os alimentos cultivados nas áreas de reforma agrária também são benéficos para saúde. “Os produtos comercializados nos supermercados estão cheios de veneno. Nos assentamentos e acampamentos temos uma discussão para avançar na agroecologia e a feira só conta com produtos agroecológicos, que são saudáveis e de qualidade”, completou Amaral.

A Feira Camponesa Itinerante no Pinheiro é uma realização da Pastoral da Terra e conta com o apoio da Paróquia Menino Jesus de Praga e do Iteral.

Serviço

Feira Camponesa Itinerante
Dias: 2 a 4 de fevereiro de 2017
Local: Ao lado da Igreja Menino Jesus de Praga, Pinheiro
Horário: 6h às 20h (sábado encerra às 12h)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Um adeus para Irmã Lúcia Nazarena



A Irmã Lúcia Nazarena Missio, da congregação Filhas do Sagrado Coração de Jesus, faleceu no dia 11 de janeiro de 2017. A coordenação da CPT de Alagoas, comovida com sua páscoa definitiva, ressalta a importância da missionária junto aos empobrecidos e seu compromisso com o evangelho libertador de Jesus de Nazaré.

Ir. Nazarena iniciou sua vida religiosa em 1946. Trabalhou como professora em Colégios no Rio Grande do Sul – sua terra natal – durante 20 anos e chegou em Alagoas na década de 1970. Na ocasião, o Arcebispo da época, Dom Adelmo Machado, convidou a congregação Sagrado Coração de Jesus para a missão de evangelizar o povo da área norte do Estado. Na década de 1990, a religiosa foi para Bahia, e depois, retornou à Maceió.

A CPT Alagoas, em sua homenagem, publica abaixo uma entrevista concedia pela irmã em 2008 para o Jornal Caminho da Roça, imortalizando sua contribuição aos oprimidos.


Como a senhora se interessou pela causa dos pobres, dos oprimidos?

Sempre tive muito carinho pelos negros. Quando percebi que Deus me chamava para a vida religiosa, a primeira coisa que eu falei para meus superiores era que eu queria ser missionária na África. Depois, quando foi aceita a missão aqui no nordeste, mandaram uma lista para as irmãs que queriam se inscrever pra essa vida missionária. Eu sempre quis ser missionária para trabalhar na base, então vim para o nordeste.

Quantas missionárias vieram para Maceió? Foram essas irmãs que fundaram a Congregação na cidade?

Nós chegamos em 4 missionárias em Alagoas, para começar a evangelizarão na área norte. Mas depois teve toda uma divulgação, chegaram outras irmãs, já são 38 anos. Hoje já somos província no nordeste. 

Como iniciou a missão com os oprimidos?

Começamos a missão na área norte. Mas a gente tinha muito contato aqui em Maceió porque nós assumimos também a orientação interna do Concílio de Cristandade, então iniciamos o trabalho com a periferia. 

Qual era o público?

Nós começamos com as mulheres que faziam o Concílio de Cristandade. Colaborávamos com a espiritualidade, isso inclui retiros, encontros etc. E a gente fez com que a palavra de Deus se voltasse para a realidade de Maceió, já que na periferia não tinha um trabalho como esse. A história é muito comprida, mas começou assim, aos poucos atingindo a base, preparando agentes missionários.

Como se aproximou da luta do povo do campo?

Na Bahia, nós assumimos a missão de Tanquinho, que fica a 40km de Feira de Santana. Ali tinha Padres missionários italianos que trabalharam no campo, com a Pastoral Rural. Lá havia problemas sérios, então nos associamos à Pastoral da cidade de Paulo Afonso para fazer todas as reivindicações juntos aos trabalhadores rurais. Era luta de reforma agrária, de ocupação de terras que os fazendeiros não deixavam plantar. Depois nós assumimos uma missão em Canudos, aí é outra história linda.

Como era o trabalho em Canudos?

Trabalhávamos naquela questão da seca, com problemas sérios de falta de água. Foi um trabalho de base belíssimo. Fazíamos trabalhos de evangelização e projetos, construção de cisternas, luta para que o povo tivesse recursos para viver dignamente.

Como a senhora enxerga a CPT?

Eu vejo a CPT como algo muito bom. Minha opinião é que é muito importante e atuante em Alagoas. A CPT é uma Pastoral, então é a palavra de Deus que deve ser vivida nos grupos. A CPT é aquela semente de transformação porque a palavra de Deus deve ser vida para eles.

Em sua opinião, como a CPT deve atuar?

A CPT deve dar a força para a luta, estimular o protagonismo. Mas para ser protagonista é preciso desenvolver valores nas pessoas. 

Hoje, que a senhora mora no Recanto Sagrado Coração de Jesus, qual seu trabalho?

Fazem dois anos que estou aqui, mas eu vim aqui por causa da minha saúde. Aqui eu trabalho na Pastoral da Sobriedade, e agora estamos com a Pastoral da Família, atingindo a terceira idade. Já estamos há 2 anos preparando as articuladoras, porque através dos idosos nós chegamos à família, principalmente àquelas que têm problemas com as drogas. A Pastoral da pessoa idosa estudou os valores da pessoa humana. Quais valores? Todos. Os valores espirituais, sociais, religiosos, psicológicos. Com isso estamos contribuindo para que haja mais vida na sociedade, para que haja menos violência. 

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Trator para o Assentamento Santo Antônio é fruto da luta, afirma CPT


O assentamento Santo Antônio, localizado em Major Isidoro, recebeu na manhã desta segunda-feira, 16 de janeiro, um trator para servir à produção camponesa na região. A máquina fez parte do conjunto de 23 tratores, seis caminhões isotérmicos e outros 59 itens doados pelo governo de Alagoas, principalmente, a Prefeituras da região sertaneja.


O assentamento acompanhado pela Comissão Pastoral da Terra foi uma das únicas organizações de trabalhadores contempladas com o investimento de R$ 4,6 milhões. O recurso foi angariado através de emendas parlamentares do senador Benedito de Lyra e do deputado federal Paulão.

Para Carlos Lima, coordenador da CPT/Alagoas, o trator só foi destinado ao assentamento Santo Antônio devido à luta dos camponeses. “A máquina é uma conquista de uma luta coletiva, nós estivemos na Secretaria de Agricultura por três vezes, ocupamos duas vezes, e um dos pontos da pauta era a aquisição de tratores. A gente fica feliz com essa aquisição e vamos continuar lutando, fazendo novas atividades para que os trabalhadores possam ter uma vida melhor a partir do uso da tecnologia auxiliando numa agricultura responsável, sem uso de agrotóxicos, e que gere renda para aqueles que lutaram pela reforma agrária”, declarou Lima.

A presidenta da Associação Comunitária do Assentamento Santo Antônio em Major Isidoro, Fábia Silva, afirmou que o trator doado auxiliará no preparo da terra para o plantio de milho, feijão e palma; além de limpar a barragem, que acumula a lama no período de estiagem.


O camponês Marciano Ferreira Balbino espera que, com o trator, a produção do assentamento cresça com o uso da máquina, já que a terra do sertão é muito seca e o poder público se mostrava insuficiente para os trabalhadores. “O trator da Prefeitura sempre chega atrasado, deixa os assentamentos para o final. Ano passado, o milho que a gente plantou não cresceu. Agora, toda vez que tiver chuva, é só colocar o trator em funcionamento. Com fé em Deus, vamos aumentar a produção e melhorar de vida”, afirmou o camponês.

A associação do Assentamento Santo Antônio garantiu ainda que a máquina estará à disposição de outras famílias camponesas do sertão alagoano e que será criado um fundo entre os camponeses para a manutenção do trator.


Com informações Iteral