quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Jornal Caminho da ROÇA – out/nov/dez 2008

EDITORIAL


Adeus ano do agrocombustível,
Feliz Reforma Agrária!

O ano de 2008 foi marcado no cenário nacional e internacional como o ano de propagação do combustível “limpo” e renovável, o ano que o presidente Lula, chamou os usineiros de heróis e colocou a mala em baixo do braço pra vender ao mundo que não há outro caminho pra resolver a “crise energética” que não passe pela produção de etanol e que o Brasil está disposto a resolver o problema energético dos países do norte... “Aqui temos terra, mão de obra e um clima favorável”, dizia o presidente aos quatro cantos do mundo. “E a Amazônia? Não se preocupem, não vai ser devastada pra produção de etanol, isto é conversa de ONGs, Movimentos Sociais e Ministérios Públicos. Gente que não enxerga o futuro. O meu governo tem respeitado o meio ambiente”. Para qualquer questionamento, o presidente estava preparado para defender os interesses dos usineiros brasileiros.
Enquanto isto no Brasil real, o grupo móvel, ligado ao Ministério do Trabalho, autuava trabalho escravo na cana de açúcar no estado do Pará (Amazonas), libertando 1.108 trabalhadores em condições análogas a escravidão, numa fazenda da empresa Pagrisa (Pará Pastoril e Agrícola S/A), em Ulianópolis; Uma ação do IBAMA em Pernambuco multou as 24 usinas por desrespeito as leis ambientais, aplicando uma multa total de 120 milhões de reais; em Alagoas, 16 usinas foram autuadas pelo grupo móvel e foram libertos 650 trabalhadores, sendo 400 destes na usina Santa Clotilde. O Caderno de Conflitos da CPT de 2007, lançado em abril de 2008, registrou 5.974 libertados, sendo 52% assalariados da cana. Em 2008 o trabalho escravo resistiu, os dados mais recentes apontam 4.418 libertos.
O propagado combustível limpo - o qual não sobrevive sem a ajuda “generosa” do Estado - é resultado da devastação da mata atlântica, do uso histórico da mão-de-obra escrava e da super exploração de trabalhadores. Bastou a crise do capital financeiro para a velha turma se articular para tirar mais dinheiro público.
Alagoas, com seu extenso canavial, comprova que a exploração do uso da terra para produção de cana-de-açúcar só trouxe prejuízo à população: a terra e a renda foram concentradas. A miséria é a face deste modelo de desenvolvimento, isto é demonstrado através dos Índices de Desenvolvimento Humanos e econômicos.
A crise é do modelo capitalista, aliás, é uma crise global profunda. Não podemos abrir mão da nossa soberania alimentar para continuar alimentando um sistema que está esgotando o planeta. É preciso rever o modelo e buscar alternativas que garanta autonomia energética e soberania alimentar aos povos.
Em 2009, vamos fazer novas lutas e trazer a reforma agrária para pauta da sociedade, vamos buscar unidade nos movimentos sociais do campo e da cidade, denunciar as atrocidades produzidas nos canaviais e construir um Brasil justo, fraterno e soberano.


TERRA MÃE:

Cultivar, Cuidar, Partilhar!



No final da década de 90, atendendo ao chamado das famílias camponesas sem terra, a CPT modificou a sua atuação no campo e inclinou para luta direta contra o latifúndio improdutivo em Alagoas, iniciando pela mata norte com a ocupação do imóvel Flor do Bosque no município de Messias. Aos pouco a luta foi se alastrando para a região do sertão e litoral, atualmente a CPT acompanha áreas de posseiros (2), acampamentos (23) e assentamentos (13), totalizando 38 grupos espalhados por 21 municípios.

    Da luta pela terra surgiram os assentamentos da reforma agrária - na sua maioria em locais de difícil acesso e sem água potável – e o desafio de contrariar a "lógica" da monocultura da cana e produzir alimentos.

    Refletindo a realidade das famílias nasceu a necessidade de criar um corpo técnico para assistir aos camponeses. Uma equipe capacitada profissionalmente, que entendesse o processo histórico da luta em defesa da reforma agrária e que tivesse a mística de cultivar e cuidar da terra. A missão é orientar os camponeses e camponesas numa produção agroecologica, em harmonia com a natureza e que leve dignidade para as famílias assentadas e acampadas, respeitando os conhecimentos dos agricultores.

Foi assim que germinou a "Terra Mãe", equipe técnica composta por duas agrônomas, um biólogo e cinco técnicos agrícolas. E o lema escolhido foi: Cultivar, Cuidar, Partilhar.


9ª Feira Camponesa foi a maior organizada pela CPT/AL

Mais de 260 toneladas de produtos foram comercializadas


    A equipe da Terra Mãe – assistência técnica aos camponeses e camponesas – formada por engenheira agrônoma e técnicos agrícolas, fez o levantamento dos dados da 9ª Feira Camponesa, que aconteceu entre os dias 14 e 17 de outubro de 2008.

    Com base no cadastro dos feirantes e de seus produtos, a equipe contabilizou mais de 260 (duzentos e sessenta) toneladas de produtos. Vale ressaltar que este não é o número exato de produtos comercializados, a quantidade de alimentos vendidos é superior a esta. "Os dados apurados não são exatos, pois chegaram alguns caminhões após o levantamento e o cadastro dos feirantes foi feito no primeiro dia do evento", disse a engenheira agrônoma da CPT, Heloísa Amaral.

    Levando em consideração os dados, fica claro o crescimento das Feiras Camponesas e também da produção dos sem-terra acompanhados pela CPT. Na edição anterior, foram comercializadas 206 toneladas de alimentos, a 9ª edição comercializou 50 toneladas a mais. Foram tantos feirantes que faltaram barracas. A organização, que esperava 130 feirantes, contabilizou mais de 180.

    Muito além do escoamento de alimentos produzidos por sem-terra, as Feiras refletem a viabilidade da Reforma Agrária e a necessidade de que os governos a levem a sério. Elas foram conquistadas pelos trabalhadores rurais através de manifestos muitas vezes mal interpretados pela população em geral. Para que tivessem o apoio dos Governos Federal e Estadual foram necessárias grandes mobilizações. E, se preciso, novas mobilizações serão realizadas para manter e expandir o apoio.

    As dificuldades enfrentadas pelo homem e pela mulher do campo são muitas. Sem o devido apoio dos governos, eles produzem em condições de trabalho arcaicas. Faltam instrumentos de trabalho modernos que possam diminuir a degradante mão-de-obra na relação dos camponeses com a terra, irrigação, estradas para levar os alimentos às cidades e para que os trabalhadores tenham acesso à educação e serviços de saúde.

    A CPT considera que ainda é preciso mais infra-estrutura, padronização e organização do evento e também a capacitação dos feirantes. Para o coordenador estadual, Carlos Lima, "Não basta desapropriar a terra que não cumpre sua função social, é preciso viabilizar a assistência técnica e infra-estrutura para que os camponeses tenham melhores condições de trabalho e vida".


21ª ROMARIA DA TERRA E DAS ÁGUAS DE ALAGOAS

5 mil pessoas do campo e da cidade do Estado caminham de Flexeiras ao Assentamento Flor do Bosque, em Messias


    Trabalhadores da cidade e do campo, assentados e acampados e religiosos reuniram-se para refletir e celebrar na 21ª Romaria da Terra e das Águas de Alagoas. A lua cheia iluminou os passos dos 5 mil peregrinos e peregrinas que percorreram 13km até o assentamento Flor do Bosque, no município de Messias.

    Antes da caminhada, às 20h, houve a exibição do Filme da "Campanha Nacional pelo Limite da Propriedade de Terra: em defesa da reforma agrária e da soberania territorial e alimentar". A programação contou com momento cultural, com o show do missionário baiano Manoel de Jesus e apresentação do Balé Popular do município de Flexeiras – local de onde partiu a caminhada. Em seguida, houve a celebração presidida pelo Arcebispo Metropolitano de Maceió, Dom Antônio Muniz. As bandas das Paróquias de Flexeiras e Joaquim Gomes e Manoel de Jesus animaram a 21ª Romaria da Terra e das Águas com os cantos da terra.

    Chegando ao assentamento Flor do Bosque, o público foi recepcionado com faixas e cartazes das famílias assentadas, desejando as boas-vindas e contando um pouco da história da ocupação à conquista da terra. Um "museu" com artefatos dos 10 anos de luta e resistência foi montado na Escola Camponesa Irmgard Margaretha George (Irmã Rita).

    Ao final, um café da manhã camponês foi partilhado para acabar com o cansaço daqueles que viraram a noite caminhando. Beijus feitos na Casa de Farinha do assentamento, arroz doce e café foram servidos para todos.

    A 21ª Romaria da Terra e das Águas foi organizada pela Comissão Pastoral da Terra e as Comunidades Eclesiais de Base (CEB's), teve o apoio da Arquidiocese, da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) e das Paróquias de São Benedito (Flexeiras) e São Sebastião (Messias).


FLOR DO BOSQUE:

10 anos de luta e resistência

Assentados comemoram aniversário da ocupação


O povo do assentamento Flor do Bosque - localizado no município de Messias, zona da mata de Alagoas – celebrou, no dia 27 de novembro de 2008, 10 anos da ocupação da fazenda. A terra, ocupada em 1998, foi destinada aos sem-terra 8 anos depois.

Às 4h da manhã fogos anunciavam o aniversário da ocupação da área. A celebração iniciou com uma caminhada que fez o percurso desde o primeiro acampamento à terra conquistada. Nas paradas, os assentados e assentadas relembravam a história do Bosque.

     Chegando ao assentamento, houve uma celebração presidida pelo Pe. Alexander Cauchi que, segundo os trabalhadores, teve um papel fundamental na construção dessa história. Quando a celebração encerrou, foi partilhado o almoço. À tarde foi de muita alegria, com churrasco e música.

    A confraternização aconteceu o dia inteiro, teve a presença de pessoas que apoiaram e fortaleceram a luta do Bosque como as irmãs Rita, Daniela, Teresa, Celine, Carmem Lúcia; Josival Oliveira, do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST); Major Antônio Casado, do Centro de Gerenciamento de Crise da PM; Lenilda Lima, vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e; a senhora Maria José Viana. O apoio intenacional também foi marcado pela presença de Maria, da Associação Amigos de Joaquim Gomes, da Itália e pela mensagem e fotos do Comitê de Erradicação da Pobreza, do Canadá.

    Emocionado, o assentado Del desabafou: "Nós sofremos pelo objetivo que a gente queria. Não vamos destruir o que ganhamos com tanto sofrimento. Temos que valorizar nossa luta, porque nós tivemos coragem de lutar por isso que nós temos hoje. 10 anos de sofrimento e agora estamos dentro da terra que conquistamos".


IMPUNIDADE

Movimentos Sociais relembram assassinato de liderança em Atalaia


    O sem-terra Jaelson Melquíades dos Santos, 25 anos, uma das principais lideranças do MST no município de Atalaia em 2005, foi morto com 5 tiros na cabeça na estrada de acesso ao assentamento Timbozinho, onde morava com a mãe e a mulher.

    De acordo com o Incra, a área onde o agricultor foi assassinado não era ainda um assentamento e estaria em processo de desapropriação. Na época, o Incra confirmou que a terra era um dos focos de conflito agrário no Estado.

    Até hoje o crime está impune. O executor, Heleno Pedro da Silva está foragido e é procurado, não apenas no Brasil, mas também pela Polícia Internacional (Interpol). Mas os mandantes continuam livres em Alagoas.

    No dia 29 de novembro de 2008, os movimentos do campo realizaram uma marcha para denunciar os 3 anos do assassinato.



Manifestações acompanhadas pela CPT em 2008




    Atos contra a corrupção na Assembléia Legislativa de Alagoas, Jejum por Justiça e Pão, ato contra a grilagem de terra e as fraudes feitas no Cartório de Murici, fechamentos de rodovias AL e BR, grito dos excluídos, ocupações de prefeituras – a exemplo de São Miguel dos Milagres e Belo Monte –, mobilizações na capital e no interior do Estado. No total foram cerca de 10 manifestações das mais variadas formas. Destas, 5 aconteceram em Maceió.

    Em maio, trabalhadores/as acamparam na cidade reivindicando infra-estrutura nos assentamentos, sementes, agilização de licenças ambientais entre outras questões que envolvem o acesso aos direitos humanos. Como desdobramento dessa mobilização, os camponeses retornaram com reforços em novembro. Aproximadamente 800 pessoas acamparam na Praça dos Martírios para discutir com os Governos as pendências da mobilização ocorrida no mês de maio.

    Os trabalhadores rurais chegaram à Maceió na terça-feira, 25/11. Na tarde do dia seguinte, o Governo Estadual resolveu atender a solicitação de reunião feita pela CPT com 15 dias de antecedência. Entre os 21 pontos de pauta, estava a construção de Casas de Farinha, água potável, apoio às feiras camponesas, liberação dos kits do Projeto Quintal Produtivo, energia elétrica nos assentamentos e estradas.

    Mais uma vez, o Governo se comprometeu em atender todas as reivindicações. Durante o acampamento na cidade, os sem-terra também se reuniram com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e com a Companhia de Energia Elétrica de Alagoas (Ceal), onde também firmaram acordos.


Irmã Nazarena fala dos anos acompanhando a luta dos oprimidos

Ir. Lúcia Nazarena Missio está na vida religiosa desde 1946. Trabalhou como professora em Colégios no Rio Grande do Sul – sua terra natal – durante 20 anos. Ela chegou a Alagoas na década de 1970, quando o Arcebispo da época, Dom Adelmo Machado, convidou a Congregação Sagrado Coração de Jesus para a missão de evangelizar o povo da área norte do Estado. Na década de 1990, a religiosa foi para Bahia. Depois, retornou à Maceió.


Como a senhora se interessou pela causa dos pobres, dos oprimidos?

Sempre tive muito carinho pelos negros. Quando percebi que Deus me chamava para a vida religiosa, a primeira coisa que eu falei para meus superiores era que eu queria ser missionária na África. Depois, quando foi aceita a missão aqui no nordeste, mandaram uma lista para as irmãs que queriam se inscrever pra essa vida missionária. Eu sempre quis ser missionária para trabalhar na base, então vim para o nordeste.

Quantas missionárias vieram para Maceió? Foram essas irmãs que fundaram a Congregação na cidade?

Nós chegamos em 4 missionárias em Alagoas, para começar a evangelizarão na área norte. Mas depois teve toda uma divulgação, chegaram outras irmãs, já são 38 anos. Hoje já somos província no nordeste.

Como iniciou a missão com os oprimidos?

Começamos a missão na área norte. Mas a gente tinha muito contato aqui em Maceió porque nós assumimos também a orientação interna do Concílio de Cristandade, então iniciamos o trabalho com a periferia.

Qual era o público?

Nós começamos com as mulheres que faziam o Concílio de Cristandade. Colaborávamos com a espiritualidade, isso inclui retiros, encontros etc. E a gente fez com que a palavra de Deus se voltasse para a realidade de Maceió, já que na periferia não tinha um trabalho como esse. A história é muito comprida, mas começou assim, aos poucos atingindo a base, preparando agentes missionários.

Como se aproximou da luta do povo do campo?

Na Bahia, nós assumimos a missão de Tanquinho, que fica a 40km de Feira de Santana. Ali tinha Padres missionários italianos que trabalharam no campo, com a Pastoral Rural. Lá havia problemas sérios, então nos associamos à Pastoral da cidade de Paulo Afonso para fazer todas as reivindicações juntos aos trabalhadores rurais. Era luta de reforma agrária, de ocupação de terras que os fazendeiros não deixavam plantar. Depois nós assumimos uma missão em Canudos, aí é outra história linda.

Como era o trabalho em Canudos?

Trabalhávamos naquela questão da seca, com problemas sérios de falta de água. Foi um trabalho de base belíssimo. Fazíamos trabalhos de evangelização e projetos, construção de cisternas, luta para que o povo tivesse recursos para viver dignamente.

Como a senhora enxerga a CPT?

Eu vejo a CPT como algo muito bom. Minha opinião é que é muito importante e atuante em Alagoas. A CPT é uma Pastoral, então é a palavra de Deus que deve ser vivida nos grupos. A CPT é aquela semente de transformação porque a palavra de Deus deve ser vida para eles.

Em sua opinião, como a CPT deve atuar?

A CPT deve dar a força para a luta, estimular o protagonismo. Mas para ser protagonista é preciso desenvolver valores nas pessoas.

Hoje, que a senhora mora no Recanto Sagrado Coração de Jesus, qual seu trabalho?

Fazem dois anos que estou aqui, mas eu vim aqui por causa da minha saúde. Aqui eu trabalho na Pastoral da Sobriedade, e agora estamos com a Pastoral da Família, atingindo a terceira idade. Já estamos há 2 anos preparando as articuladoras, porque através dos idosos nós chegamos à família, principalmente àquelas que têm problemas com as drogas.A Pastoral da pessoa idosa estudou os valores da pessoa humana. Quais valores? Todos. Os valores espirituais, sociais, religiosos, psicológicos. Com isso estamos contribuindo para que haja mais vida na sociedade, para que haja menos violência.



FELIZ NATAL E ANO NOVO!


Meus queridos irmãos e irmãs,

Me dá muita alegria estar um pouquinho com vocès para desejar-lhes um feliz Natal e Ano Novo de 2009! Queria que não faltasse entre nós o principal da festa: Jesus. Cabe a nós cristãos manifestar a presença deste Menino Salvador num mundo que o ignora completamente em favor de um velho Papai Noel já caduco e inúmeras ofertas vazias que o mundo do consumismo nos faz! A vida da gente não precisa destas coisas: precisa é encontrar o verdadeiro sentido da vida, a Estrela que nos orienta, que nos dá coragem e alegria profunda na peregrinação sofrida deste mundo. Precisa lembrar que nesta lapinha deitou o Verbo de Deus, a Palavra da Verdade, a única que pode salvar o mundo, se a aceitarmos e se soubermos reconhecê-la em todo pobre que 'não achou lugar nas hospedarias' da nossa sociedade: que pelo menos a encontre no seio da nossa família!    

    

São os votos e o abraço do Pe. Luis Canal (Um dos fundadores da CPT/AL, de Beluno - Itália

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Cartão de Natal e Ano Novo da CPT/AL

Índios fecham a Funai em Maceió

Ainda sem solução para as ameaças de segurança, os índios Xukuru-Kariri da Aldeia Monte Alegre estão fechando neste momento as dependências da Funai como medida de protesto. A emergência somente seria resolvida, segundo eles, a partir do acompanhamento da comitiva por policiais federais até Palmeira dos Índios. Com o clima tenso também na cidade, os índios vêem nessa atitude desesperada uma possibilidade de garantir mais segurança para suas famílias (que há mais de cinco dias, estão isoladas sem as lideranças na Monte Alegre).



Mais informações:

Cacique Chiquinho - 9943-3919 / 9919-6316

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Primeiras providências começam a ser tomadas para garantir segurança dos Xukuru-Kariris em Palmeira dos Índios

Uma reunião entre a Funai a Polícia Federal e representantes dos índios Xukuru-Kariri, da comunidade Monte Alegre, de Palmeira dos Índios, promete dar mais tranqüilidade às populações em processo de retomadas de terras, depois das ameaças de fazendeiros no último fim de semana. A reunião acontece hoje (17.12), às 14h30, na sede da Polícia Federal em Maceió, no bairro de Jaraguá.
Há ainda a promessa do Procurador Federal José Sila de acompanhar os Xukuru Kariri até a Delegacia de Palmeira dos Índios para prestar queixa contra a aproximação de Val Basílio à comunidade, no último domingo. O clima de tensão em Palmeira dos Índios começou a ganhar destaque após a aprovação do relatório que torna irreversível a demarcação de terras indígenas no município, o que mobilizou políticos e proprietários de terra contra os povos indígenas da região.

Mais informações:
Cacique Chiquinho – (82) 9943-3919
Administrador regional da Funai em Maceió – Dr. José Heleno – (82) 9931-4154
Rafael Soriano (Assessoria de Comunicação) – (82) 9916-8547

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Ameaças de fazendeiro intimidam os Xukuru-Kariri

Índios da Aldeia Monte Alegre do povo Xukuru-Kariri buscam em caráter emergencial uma solução na delegacia regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Maceió.


Por Rafael Soriano

Uma comitiva de catorze índios Xukuru-Kariri da Aldeia Monte Alegre, liderados pelo cacique Chiquinho Xukuru-Kariri, estão em Maceió dormindo na delegacia regional da Funai até terem seu apelo de segurança atendido. Eles ficaram intimidados neste último domingo (14.12) depois da visita de Val Basílio, ex-proprietário das terras retomadas pela comunidade, em Palmeira dos Índios (139km de Maceió).
A presença de quatro funcionários de Val Basílio não foi a única intimidação. O ex-vereador, indiciado pela Operação Carranca da Polícia Federal (ainda na espera pelo julgamento), esbravejou um suposto poder sobre aqueles territórios. Segundo relatam os indígenas, disse que ainda mandava ali, já que seu irmão era o dono e que se a Funai não indenizasse logo, não haveria outra solução senão expulsar a comunidade. Os índios esperam uma reunião com órgãos responsáveis até amanhã, mas já têm garantido o acompanhamento do procurador federal João Sila, que irá até a Delegacia de Palmeira dos Índios nesta quinta-feira (18.12) prestar queixa de Val Basílio.
Entre as ameaças, uma provocação de que se mais famílias chegassem à comunidade, ele mesmo ia ter que tratar de botá-las pra fora. São os próprios índios que rebatem: “A Aldeia Monte Alegre está nos mapas de demarcação aprovados no relatório da Funai”, segundo Gilmar, uma das lideranças da tribo. A tramitação deste relatório, elaborado pela antropóloga da Funai Siglia Zambrotti e que torna irreversível a demarcação, trouxe à cidade um clima ainda maior de tensão.
Para os índios, somente um ação do Ministério Público e Polícia Federal em articulação com a Funai pode reverter o pensamento já comum em Palmeira dos Índios de que, com essa demarcação vem também um derramamento de sangue. “É só o que se espera em Palmeira. Eu estou com medo! Já ameaçaram matar até procurador!” externa o cacique Chiquinho, lembrando das reportagens recentes de circulação nacional sobre a iminência de mortes de índios no interior de Alagoas.
Sempre depositando no poder de sua cultura a esperança para continuarem essa luta, os índios dançaram um Toré para celebrar mais um passo perante o Estado. Desde março deste ano que a comunidade Monte Alegre passa por um difícil processo de retomadas de suas terras imemoriais. Um curta documentário sobre essa luta está sendo produzido num projeto de produção cultural em parceria com o Núcleo de Pesquisa e Extensão Cultura, Identidade e Movimentos Sociais da Universidade Federal de Alagoas(Ufal).








Mais informações:
Cacique Chiquinho – (82) 9943-3919
Administrador regional da Funai em Maceió – Dr. José Heleno – (82) 9931-4154
Rafael Soriano (Assessoria de Comunicação) – (82) 9916-8547

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

A farinhada e o governo Teotônio Vilela

*Carlos Lima

A farinha é resultado de um processo de beneficiamento da mandioca ou macaxeira. Segundo o mestre Aurélio Buarque de Holanda a farinha é o pó em que se transformam, uma vez trituradas, certas sementes e raízes.

O nome mandioca advém de uma lenda indígena, a qual reza que a filha de um cacique apareceu grávida e foi expulsa da aldeia. A criança nasceu branca e foi chamada de Mani, quando completou três anos morreu e foi enterrada próximo da oca onde vivia, das lágrimas da mãe, que caiam em cima da cova, brotou uma planta com uma raiz branca. A origem do nome vem da junção de Mani e oca.

Em Alagoas, do sertão ao litoral encontramos na agricultura camponesa a prática da produção de macaxeira ou mandioca. Uma parte da produção é consumida in natura e a outra é beneficiada como forma de agregar valores à renda familiar.

A farinhada (prática de fabricar farinha), mantém viva a história da comunidade através da oralidade, possibilita a unidade territorial e cria uma identidade de grupo. A noite de farinhada é rodeada de cantorias e causos. É a tradição mantendo acesa a memória dos mais novos e o saudosismo dos mais velhos. A farinha é mais que alimento, é um elemento cultural e histórico.

A farinha é utilizada como figura de linguagem constantemente, é comum as pessoas fazerem uso de expressões que fazem alusão à mesma, quem nunca se referiu a alguém que achamos chato dizendo: fulano é "farinha azeda"; ou "é farinha do mesmo saco", quando comparamos os candidatos que estão disputando algum pleito; ou ainda "comeu a farinha e rasgou o saco", quando se trata de ingratidão.

Qual a relação entre esta "farinhada" toda e o governo do tucano Teotônio Vilela? Explico aos leitores: as famílias do assentamento Jubileu 2000 em São Miguel dos Milagres há cinco anos lutam pra construir uma casa de farinha no assentamento, o compromisso foi assumido pelo governo anterior, que levantou o prédio e instalou os maquinários, restando poucos detalhes para o funcionamento, contudo não honrou os compromissos com a construtora e a obra não foi entregue.

Na primeira audiência com o governador Teotônio Vilela, em 2007, foi feita uma exposição da situação e o governador de imediato assumiu o compromisso de realizar os pequenos reparos e fez questão de afirmar que iria fazer a inauguração oficial, participando assim, da primeira farinhada. Quem sabe contar alguns causos.

As famílias continuam aguardando os reparos e estão ansiosas para o dia que a autoridade máxima do Estado, bote os pés no assentamento para inaugurar a tão sonhada casa de farinha, enquanto este dia não chega vão trabalhando de forma artesanal pra produzir a companheira inseparável do feijão, a farinha nossa de cada dia.

*Historiador e coordenador da CPT de Alagoas

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Anistia Internacional realiza pesquisa em Alagoas

Os membros da AI visitaram canaviais e áreas de reforma agrária


A Anistia Internacional (AI) – um movimento global que realiza campanha por direitos humanos – veio pesquisar em Alagoas incidência de exploração de trabalho e violação dos direitos humanos. O foco da visita foram áreas do setor sucroalcooleiro.

Na sexta-feira, 28 de novembro, o pesquisador Tim Cahill e o responsável por campanhas, Patrick Wilcken, junto a membros da equipe da CPT/AL, foram ao Assentamento Flor do Bosque e a Fazenda Esperança, no município de Messias. No dia seguinte, acompanhados também por liderança do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), eles entrevistaram pessoas do povoado ao lado da antiga indústria Agrisa e visitaram as ruínas da Usina Peixe.

Domingo, houve uma reunião da AI com representantes da CPT, do MLST, MST, o economista e professor da Universidade Federal de Alagoas Cícero Péricles e o cientista social Geraldo Majella.


Debate entre movimentos e pesquisadores



    Wilcken explicou que a AI é uma instituição sem fins lucrativos, movimento global com cerca de 2,2 milhões de voluntários que fazem campanhas por direitos humanos. A AI visita o mundo fazendo pesquisa, para conhecer cada realidade, fazer relatórios e enviar cartas aos representantes públicos, entre outras ações que tentam acabar com os abusos aos direitos humanos. A organização é financiada por contribuições dos membros e doações privadas.

    Durante a reunião, o professor Cícero Péricles explanou sobre a conjuntura da monocultura da cana-de-açúcar no Estado. Segundo ele, "as usinas de Alagoas devem à previdência social cerca de R$860.000000,00 (oitocentos e sessenta milhões de reais). Todas devem. Mas são dívidas negociáveis, que não prejudicam as empresas. São dívidas significativas porque representavam 50% da dívida do Estado com o INSS". Péricles afirmou que as usinas empregam 60.000 (sessenta mil) pessoas e, ao tempo que o setor tem potencial econômico, tem relações sociais primitivas semelhantes às relações do século XVI.

    De acordo com Débora Nunes, do MST, há um processo de expulsão do povoado que, por sua vez, torna-se público em potencial para a Reforma Agrária, a exemplo do caso da Fazenda Esperança, visitada pela AI. "Quando as usinas falem, as famílias são descartadas, uma massa de pessoas fica sem trabalho e sem perspectivas. Além da questão dos direitos sociais e humanos, há violência e omissão por parte do Estado. Se a lei fosse cumprida, a questão da Reforma Agrária em Alagoas estaria resolvida", disse a representante do MST.

    Falando em violência, um dos assuntos comentados foi a criação do Centro de Gerenciamento de Crises da Polícia Militar. Ao que parece, há um consenso entre os movimentos locais que a criação do centro foi um fato importante, mas que não resolve verdadeiramente os problemas. Para Débora, "Dizer que não há mudança não podemos dizer. Há mudança: nós apanhamos menos. Mas o problema em si não é resolvido. Não acontece alteração na estrutura".

    Josival, do MLST, falou de uma das dificuldades do movimento: "O movimento tem a contradição de conseguir organizar os trabalhadores, mas não consegue segurar os trabalhadores na luta. O desafio é tentar, além de organizar os trabalhadores, estimular a consciência deles".


Visite o site da Anistia Internacional: www.amnesty.org

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Povo de Flor do Bosque celebra 10 anos de luta

Assentados comemoram aniversário da ocupação com muita alegria




"Já chega de tanto sofrer, já chega de tanto esperar.
A luta vai ser tão difícil, na lei ou na marra nós vamos ganhar"



O povo do assentamento Flor do Bosque - localizado no município de Messias, zona da mata de Alagoas – celebrou ontem (27/11) 10 anos de luta e resistência. A fazenda Flor do Bosque foi ocupada em 27 de novembro de 1998. A terra foi destinada aos sem-terra 8 anos depois.

Às 4h da manhã fogos anunciavam o aniversário da ocupação da área. A celebração iniciou com uma caminhada que fez o percurso desde o primeiro acampamento à terra conquistada. Nas paradas, os assentados e assentadas relembravam a história do Bosque.







"A primeira vez que chegamos acampamos dentro da fazenda. Recebemos despejo e fomos pra pista. Depois viemos para esse lugar e daqui saiu a decisão de ocupar definitivamente a Flor do Bosque. Isso aqui era tudo barraco. E isso que hoje é cana, era tudo roça, era bem bonito. Tivemos muitos momentos bons aqui". Disse a assentada e técnica agrícola da CPT, Maria do Bosque, mostrando onde foi o primeiro acampamento.

Chegando ao assentamento, houve uma celebração presidida pelo Pe. Alexander Cauchi que, segundo os trabalhadores, teve um papel fundamental na construção dessa história. Quando a celebração encerrou, foi partilhado o almoço. À tarde foi de muita alegria, com churrasco e música.







A confraternização aconteceu o dia inteiro, teve a presença de pessoas que apoiaram e fortaleceram a luta do Bosque como as irmãs Rita, Daniela, Teresa, Celine, Carmem Lúcia; Josival Oliveira, do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST); Major Antônio Casado, do Centro de Gerenciamento de Crise da PM; Lenilda Lima, do Sindicado dos Trabalhadores da Educação de Alagoas (SINTEAL) e; a senhora Maria José Viana. O apoio intenacional também foi marcado pela presença de Maria, da Associação Amigos de Joaquim Gomes, da Itália e pela mensagem e fotos do Comitê de Erradicação da Pobreza, do Canadá.







Emocionado, o assentado Del desabafou: "Nós sofremos pelo objetivo que a gente queria. Não vamos destruir o que ganhamos com tanto sofrimento. Temos que valorizar nossa luta, porque nós tivemos coragem de lutar por isso que nós temos hoje. 10 anos de sofrimento e agora estamos dentro da terra que conquistamos".

Maiores informações:

Carlos Lima (Coordenador Estadual da CPT) – (82) 9127-5773 / Jaílson Tenório (Coordenação Estadual da CPT) – (82) 9127-2364

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Amanhã, 27 de novembro de 2008: 10 anos de resistência e luta do povo de Flor do Bosque

A partir das 4h, os/as trabalhadores/as rurais do Assentamento Flor do Bosque, celebram 10 anos na área.
A antiga fazenda Flor do Bosque pertencia a falida Usina Bititinga, localizada no município Messias. A terra foi ocupada em 27 de novembro de 1998 e, após 8 anos, foi comprada pelo Governo de Alagoas e doada às famílias camponesas ali acampadas.
As famílias enfrentaram muitas dificuldades antes da desapropriação da área e ainda hoje lutam para ter melhores condições de trabalho e vida. Elas ainda não tiveram acesso aos créditos iniciais (liberado pelo Incra) e ainda vivem em barracos de lonas e palhas.
Despejos, destruição e envenenamento da lavoura e da água, companheira atropelada em atividade na BR101, criança ferida a tiro, o natal do Bosque... fazem parte da história dos/as lutadores/as do local.

Segue a programação da atividade no assentamento:
04h - Alvorada (Solta de fogos)
07h - Caminhada da vitória
10h - Celebração
11h20 - Coral das crianças do Bosque
13h - Almoço

Trabalhadores rurais levantam acampamento na Praça dos Martírios e levam para o campo novas promessas do Governo



Governo Estadual se reuniu com os camponeses acompanhados pela CPT ontem à tarde



Depois de um dia de silêncio diante da mobilização dos trabalhadores rurais que estavam acampados na Praça dos Martírios, o Governo Estadual marcou reunião com a Comissão Pastoral da Terra (CPT) para às 15h45 de ontem (25/11).

Há cerca de 15 dias a CPT havia protocolado pedido de reunião com o Estado. Uma pauta de reivindicações foi entregue com as pendências da última manifestação da Pastoral em Maceió, que ocorreu em maio de 2008.
A reunião começou à tarde e só foi encerrada às 20h, depois de discutir a pauta com 21 reivindicações. Construção de Casas de Farinha, água potável, apoio às feiras camponesas, liberação dos kits do Projeto Quintal Produtivo, energia elétrica nos assentamentos e estradas foram alguns dos itens debatidos.


Obra de Casa de Farinha não concluída:
Uma vergonha para o Governo Estadual!


A Casa de Farinha do Projeto de Assentamento (PA) Jubileu 2000 já foi ponto de pauta de diversas reuniões com o Governo do Estado. Em audiência ocorrida em maio deste ano, o Governador afirmou ir ao local inaugurar a Casa de Farinha. No entanto, os trabalhadores rurais esperam o encerramento da obra para tal visita.

O presidente do assentamento fez um apelo para os representantes do Governo: “Eu peço atenção a vocês para apoiarem os trabalhadores, porque nós a cada dia perdemos a esperança nesses governos que só dão atenção ao latifundiário”. O secretário do Gabinete Civil, Álvaro Machado, representando o Governador, respondeu: “...Nós realmente avaliamos que estamos parados. É uma pendência nossa com vocês em relação à esse ponto. É uma vergonha para o Governo a não execução desta obra por ‘problemas internos’”.

"Casas de farinha, estradas, água potável, kits produtivos... Honestamente, nunca vimos tantas promessas!"


Sobre a construção das estradas de acesso a todos os 13 assentamentos acompanhados pela CPT, o secretário Álvaro Machado e o diretor-presidente do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Ronaldo Lopes, comprometeram-se em buscar soluções a curto e médio prazos para garantir o acesso às áreas, especialmente onde há mais dificuldade.

Segundo Geraldo Magela, presidente do ITERAL - órgão responsável pelos kits - estes seriam entregues apenas para o PA Pe. Emílio. Porém, a engenheira agrônoma da CPT explicou que a reivindicação é que os Kits devem ser entregues também para outros assentamentos. Para a CPT, eles podem melhorar a vida dos camponeses e podem, inclusive, qualificar as hortas das famílias assentadas. O governo se comprometeu em garantir kits para os demais PAs.

O apoio às Feiras Camponesas de 2009 e ampliação, realizando-as mais duas vezes ao ano; doação de sementes mediante edital para o plantio de 2009; articulação e intermediação junto à Telemar para implantação de orelhões nos assentamentos e; o apoio à 22ª Romaria da Terra e das Águas estão entre os compromissos assumidos pelo Governo.

Trabalhadores rurais também fizeram reuniões com CEAL e INCRA


Energia elétrica nos assentamentos foi uma das reivindicações dos sem-terra. Por isso, nesta terça-feira (25/11), uma reunião foi realizada com a CEAL, que se comprometeu em fazer visitas de funcionários à três assentamentos (Jubileu 2000, em São Miguel dos Milagres; Delmiro Gouveira, em Inhapi e; Santa Maria Madalena, em União dos Palmares e Joaquim Gomes) para verificar a possibilidade da mudança da energia monofásica para trifásica

No final da tarde de segunda-feira (24/11), os camponeses caminharam até o Incra e reuniram-se com o superintendente Gilberto Coutinho. No dia seguinte, aconteceu uma nova reunião com o procurador-chefe da Procuradoria Incra, Dr. Bruno Lemes, mas foi tão improdutiva como as terras ocupadas pelos camponeses que há muitos anos lutam por reforma agrária.

Camponesas são agredidas em frente à Secretaria da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos


No Dia Internacional Contra a Violência às Mulheres e Meninas, as trabalhadoras acompanhadas pela Pastoral da terra são agredidas ao tentar reivindicar direitos

Ontem (25/11), as trabalhadoras rurais acompanhadas pela Comissão Pastoral da Terra de Alagoas (CPT/AL) caminharam até a Secretaria da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos para se reunir com a secretária, Wedna Miranda. Ao tentarem entrar no prédio, foram agredidas por um segurança ainda não identificado.

O objetivo das mulheres era agradecer as ações de cidadania realizadas nas regiões do sertão, zona da mata e litoral de Alagoas e discutir reivindicações feitas em maio de 2008. Apesar do ocorrido, a reunião aconteceu, a secretária desculpou-se pelo incidente e se comprometeu em realizar mais ações de cidadania, inclusive no agreste do Estado – onde o a secretaria do Governo não cumpriu com o acordo de fazer a atividade.

Ao contrário do que noticiado em alguns meios de comunicação, os servidores não foram impedidos de sair do local. O tumulto aconteceu devido à truculência de um homem na porta do prédio.

As camponesas contaram que sempre foram bem recebidas na Secretaria da Mulher e jamais esperavam uma recepção daquela forma. Duas mulheres sem-terra fizeram exame de corpo de delito no IML e vão fazer o boletim de ocorrência. A CPT pretende entrar com um processo contra os responsáveis pelo ocorrido.


Maiores informações: Heloísa Amaral (Agrônoma da CPT) - 9341-4025 / Carlos Lima (Coordenador da CPT) - 9127-5773

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Trabalhadores rurais acompanhados pela Pastoral da Terra partem dos Martírios para o INCRA



Os camponeses que estavam na Praça dos Martírios ocuparam o órgão federal para se reunir com o Superintendente



Os trabalhadores rurais que ocupam a Praça dos Martírios, no Centro de Maceió, saíram em passeata para a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) – onde estão ocupando desde às 16h de hoje (24/11). Em torno das 16h45, Gilberto Coutinho, superintendente do órgão, chegou ao local para se reunir com as lideranças dos assentamentos e acampamentos acompanhados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT).


A CPT já havia entregado uma pauta de reivindicações, tanto ao Incra, quanto ao Governo Estadual e até à tarde esperava que uma reunião fosse marcada. Na reunião com Coutinho, o debate vai em torno das terras ocupadas há anos e que os processos parecem estáticos e acerca da estrutura dos Projetos de Assentamento – com destaque para a construção de estradas – e as licenças ambientais.


Faixas com as frases: “Sem licença ambiental não temos terras demarcadas, nem acesso aos créditos... Honestamente, por que demora tanto?” e “Casas de farinha, estradas, água potável, kits produtivos... Honestamente, nunca vimos tantas promessas!” foram colocadas em frente do prédio do Incra.







Maiores informações:
Carlos Lima (Coordenador Estadual da CPT) – (82) 9127-5773
Jailson Tenório (Coordenador Estadual da CPT) – (82 9127-2364

Camponeses acompanhados pela CPT ocupam Praça dos Martírios


Aproximadamente 800 trabalhadores rurais vieram exigir do Governo o cumprimento de promessas


Desde o fim da tarde de ontem (23/11), trabalhadores rurais acompanhados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) estão ocupando a Praça Floriano Peixoto (Praça dos Martírios), no Centro de Maceió.

Eles vieram de várias regiões do Estado para exigir ao Governo Estadual e ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) o cumprimento de acordos feitos em reuniões no início do corrente ano. A CPT entregou aos órgãos uma pauta de reivindicações.

As famílias acampadas pretendem ficar em Maceió até conseguirem audiências com o governador Teotônio Vilela Filho e o superintendente do Incra, Gilberto Coutinho. "Nós protocolamos um pedido de reunião com o Governo há cerca de 15 dias e ainda não tivemos resposta. Agora vamos ficar até que aconteça a reunião, para discutirmos questões pendentes", explicou o coordenador estadual da CPT, Carlos Lima.

A demarcação de lotes no Projeto de Assentamento Flor do Bosque, agilização de processos de fazendas ocupadas há muitos anos, a construção de estradas e as licenças ambientais são alguns dos pontos da pauta entregue ao Incra. Já na pauta do Governo de Alagoas, consta a construção de Casas de Farinha em 4 áreas; agilização de outras obras estruturantes dos assentamentos; encaminhamento e ampliação do novo convênio da escola itinerante nos acampamentos; implementação do projeto para abastecimento de água tratada nos novos assentamentos e; a liberação de kits produtivos.

Entre as reivindicações, a construção de estradas nas áreas de reforma agrária e as licenças ambientais se destacam. A falta de estradas é um dos maiores problemas enfrentados pelos assentados para escoar sua produção. E sem o licenciamento ambiental, não há demarcação das terras e os trabalhadores não têm acesso aos créditos produtivos.


    



Maiores informações:     

Carlos Lima (Coordenador Estadual da CPT) – (82) 9127-5773 / Jailson Tenório (Coordenador Estadual da CPT) – (82 9127-2364

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

21ª Romaria da Terra e das Águas em Alagoas aconteceu neste último final de semana

5 mil pessoas do campo e da cidade do Estado caminham de Flexeiras ao Assentamento Flor do Bosque, em Messias

Trabalhadores da cidade e do campo, assentados e acampados e religiosos reuniram-se para refletir e celebrar na 21ª Romaria da Terra e das Águas de Alagoas. A lua cheia iluminou os passos dos 5 mil peregrinos e peregrinas que percorreram 13km até o assentamento Flor do Bosque, no município de Messias.

Antes da caminhada, às 20h, houve a exibição do Filme da “Campanha Nacional pelo Limite da Propriedade de Terra: em defesa da reforma agrária e da soberania territorial e alimentar”. A programação contou com momento cultural, com o show do baiano Manoel de Jesus e apresentação do Balé Popular do município de Flexeiras – local de onde partiu a caminhada. Em seguida, houve a celebração presidida pelo Arcebispo de Metropolitano de Maceió, Dom Antônio Muniz.






As bandas das Paróquias de Flexeiras e Joaquim Gomes e Manoel de Jesus animaram a 21ª Romaria da Terra e das Águas com os cantos da terra. Senhoras e senhores, adultos, jovens e crianças cantavam alegremente as músicas de romaria, fé, esperança e da luta pela terra.







“Meu povo é um povo romeiro desde os tempos de Abraão.
Vamos nesta marcha Santa. Esta terra é tanta em tão poucas mãos!
Salve, salve a caminhada. Salve, salve a romaria.
Em busca da nova aurora de um novo dia”.
(Salve a Romaria, de Zé Vicente)








Chegando ao assentamento Flor do Bosque, o público foi recepcionado com faixas e cartazes das famílias assentadas, desejando as boas-vindas e contando um pouco da história da ocupação à conquista da terra. Um “museu” com artefatos dos 10 anos de luta e resistência foi montado na Escola Camponesa Irmgard Margaretha George (Irmã Rita). A escola foi nomeada em homenagem a esta mulher que faz parte da história do assentamento, colaborou – e ainda colabora – com os assentados, levando-os a palavra de Deus e motivação.







Ao final, um café da manhã camponês foi partilhado para acabar com o cansaço daqueles que viraram a noite caminhando. Beijus feitos na Casa de Farinha do assentamento, arroz doce e café foram servidos para todos.

A 21ª Romaria da Terra e das Águas foi organizada pela Comissão Pastoral da Terra e as Comunidades Eclesiais de Base (CEB's) e teve o apoio da Arquidiocese e das Paróquias de São Benedito (Flexeiras) e São Sebastião (Messias).

“Aonde vai esse povo que marcha em romaria.
Vai buscar o tempo novo.
O nosso Deus a frente é luz e guia”
(Em romaria, de Socorro Lira)