terça-feira, 1 de abril de 2008

Caminho da ROÇA - fev/mar/abr - E.D.I.T.O.R.I.A.L

Nesta Edição, o Caminho da ROÇA faz referência aos 10 anos de ocupações coordenadas pela CPT-AL, celebrados em sua 19ª Assembléia Estadual, realizada no mesmo período da Conferência dos Povos da Bacia do São Franscisco e do Semi-árido Brasileiro.
Na madrugada do dia 28 de novembro de 1998 – tempo do advento - um grupo de 353 famílias sem-terra vindo de Messias, Murici e Branquinha, ocupou a fazenda Flor do Bosque em Messias. Ali nascia um embate que durou nove anos. Com a Flor do Bosque, o rosto da CPT de Alagoas se modificou e o testemunho tomou outra dimensão. A Flor do Bosque se tornou a trincheira da luta e da resistência dos camponeses sem terra contra o latifúndio alagoano. A Arquidiocese de Maceió, na época, pastoreada por Dom Edvaldo Amaral, tirou uma nota histórica de apoio as famílias e conclamou a sociedade a lutar por reforma agrária. A solidariedade não parou por ai, pessoas e entidades de Alagoas, do Brasil e de outros países se mobilizaram e assumiram a luta do povo do Bosque. Destacamos a atuação da irmã Mariette Millot, da congregação das irmãs de Assunção, e membro do Comitê pela Eliminação da Pobreza (CPEP) com sede no Canadá, que visitou algumas vezes o acampamento e fez vários comunicados as autoridades brasileiras cobrando a desapropriação do imóvel. A terra da Flor do Bosque, cerca de 500 hectares, era insuficiente para abrigar a quantidade de famílias acampadas, foi preciso buscar a herança deixada por Deus (gênese,12). Da semente do Bosque brotaram outras ocupações e conquistas, atualmente a CPT acompanha 598 famílias organizadas em 13 assentamentos e 1114 famílias em 20 acampamentos, a luta que começou na Mata Norte se espalhou pelas regiões do litoral e do sertão. Na caminhada de volta pra roça, além das cercas e dos arrames, encontrou-se a força do latifúndio e a “mão” do aparato do Estado, que nasceu pra defender a propriedade. Forças reacionárias que não aceitam o raiar da madrugada do dia 29 de novembro de 1998, dia da Flor, dia do Bosque, dia da conquista da terra...tempo novo, tempo de graças! Boa leitura!

20 anos de Caminhada – Da Conquista da Serra à Luta pela Terra*

Nos dias 24 e 25 de novembro de 2007, romeiros e romeiras da terra, celebraram em Alagoas duas décadas de Romaria da Terra no Brasil. Com o tema “20 anos de Caminhada – Da Conquista da Serra à Luta pela Terra”, a vigésima Romaria seguiu o histórico das demais do país. Inspirou-se na luta do povo Hebreu, dos Quilombolas pela liberdade e na luta dos Sem-Terra por Reforma Agrária, todos à procura de vida digna. O “povo de Deus” foi até a Serra da Barriga em União dos Palmares, região símbolo da liberdade dos negros liderados por Zumbi dos Palmares, onde aconteceu a primeira Romaria do estado. Romaria é sinônimo de boa nova, de esperança, fortalece a luta justa pela conquista de terra e a união do campo com a cidade. Aonde vai este povo que marcha em romaria, vai buscar um tempo novo, o nosso Deus à frente é luz e guia.

*Caminho da ROÇA - fev/mar/abr

Artigo: Agroecologia em CUBA*

Encontro Internacional discute um novo modelo sustentável de produção
Entre os dias 20 e 25 de setembro de 2007 aconteceu, em Havana-Cuba, o Encontro Internacional de Agroecologia.O Encontro foi muito bom, principalmente as visitas de campo. A organização do Encontro pensou muito bem esses espaços, pois serviram para mostrar que a agroecologia é possível, e é o futuro da agricultura global.
No momento em que vivemos, onde o que mais se discute é o aquecimento global, a agroecologia pode ser uma das soluções. Porém, o lobby das grandes multinacionais ainda é muito forte e dificulta a construção da agroecologia. Cuba dá mais uma vez exemplo para o mundo, encabeçando as discussões sobre a necessidade de uma mudança de matriz de produção agrícola, enquanto o resto do mundo somente discute os biocombustíveis, como caso do governo brasileiro e outros governos de países subdesenvolvidos. Cuba mostra que é possível à construção de um novo modelo sustentável de produção. Segundo o presidente da ANAP (Associação Nacional de Agricultores Pequenos), “o que nós visitamos durante esses dias não foi construído de uma hora para outra, são quase duas décadas de construção”.
Apesar de Cuba ser um país pobre em minerais, a sua agricultura recebia enviados pela URSS. Após o fim da URSS, Cuba se viu perdida e sem outra opção, a não ser mudar sua matriz produtiva. Então, o governo cubano, através de uma política de Estado, começou a estudar e organizar os agricultores para construir uma saída conjunta para este problema. Hoje, 18 anos após a queda do muro de Berlim, Cuba tem as melhores e mais sistematizadas experiências de agroecologia do mundo. No Brasil, os movimentos sociais estão construindo a agroecologia em suas áreas, mas ainda de forma muito dispersa, pelo menos no nordeste.
A partir da visita a Cuba, pode-se perceber que a agroecologia somente pode ser construída em sua totalidade se estiver uma política de estado de verdade. Pois, a agroecologia e o agronegócio são modelos distintos e antagônicos. Enquanto a agroecologia busca a planificação e diversificação da agricultura, o agronegócio é um modelo vertical e monolítico.
A construção da agroecologia requer todo um trabalho de mudança de consciência, se os agricultores não estiverem organizados e conscientes, a agroecologia não será efetivada de
verdade e não passará de pequenas experiências pontuais de ONGs e Movimentos Sociais. A agroecologia somente poderá ser construída através de um Movimento Agroecológico forte,
acompanhado de toda uma política de incentivo. O que ajudou para que a agroecologia fosse massificada em Cuba foi a alta escolaridade do povo cubano. É comum se vê agricultores cubanos formados em agronomia, biologia e outras profissões de nível superior.
A plenária final do Encontro contou com a exposição dos relatórios das visitas de campo. A exposição serviu para dá mais ânimo para os participantes e lutadores populares para a intensificação da luta e a construção da agroecologia na América Latina e no Mundo. Foram 6 dias de intensas discussões e aprendizagem para todos os participantes, onde a partir da prática, juntamente com as conversas com os campesinos cubanos, nós aprendemos muito. A experiência cubana pode ajudar muito, porém, o estado brasileiro tem que fazer a sua parte.
Cícero Adriano (Eng. Agrônomo da CPT/AL)
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Estudantes canadenses visitam acampamentos Bota Velha e Mumbuca*

No dia 11 de janeiro de 2008, 10 estudantes de Holy Cross, no Canadá, visitaram os acampamentos Bota Velha e Mumbuca, localizados no município de Murici, em Alagoas.
As ocupações de Mumbuca e Bota Velha aconteceram em 1998. Hoje, Pe. Leslie, da Paróquia de São Sebastião do município de Ibateguara, vê grandes mudanças no acampamento de Mumbuca, no sentido que muita terra está sendo cultivada e aproveitada. Para ele, os agricultores estão animados e firmes em sua luta. Em Bota Velha aconteceram várias mudanças de local, mas o povo continua com coragem e perseverança. Muitas famílias desistiram do acampamento, mas muitas vêm lutando desde o início.
Segundo o jovem Bruno Batista Gonçalves Sebastião, nascido em Angola e residente no Canadá, os estudantes, entre 17 e 18 anos de idade, estavam numa missão do Pe.Leslie, com objetivo de “conhecer a cultura e os problemas, ver a pobreza e aprender muitas coisas sobre o Brasil”. Durante a atividade, os estudantes fizeram perguntas aos(às) trabalhadores(as) campesinos(as), como por exemplo, quais as dificuldades enfrentadas no acampamento que, para o trabalhador Manoel, são os conflitos com os fazendeiros na luta pela terra. A visita terminou na Escola Itinerante de Mumbuca.
Como resultado, Pe. Leslie espera que os estudantes aprendam a ser mais solidários, abram sua visão do mundo, questionem os seus valores, objetivos e sonhos. A partir da visita, o estudante Bruno deseja crescer espiritualmente, além de conhecer a realidade da cana-de-açúcar, os problemas dos(as) trabalhadores(as) e o que o governo brasileiro faz pelo povo.

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Arquidiocese realiza 10ª Assembléia Pastoral*

Entre os dias 22 e 24 de fevereiro do corrente ano aconteceu a primeira etapa da Assembléia Pastoral, no Teatro do Colégio Marista. Foi uma Assembléia histórica, visto que não acontecia há cinco anos. Segundo o Pe. Rogério, “Hoje, como nos tempos passados, deparamo-nos com um cenário complexo, que se transforma rapidamente, de situações humanas deploráveis, de degradação ambiental, de expressões religiosas que revelam certo relativismo ou fundamentalismo que nos deixam perplexos, pois a partir de nossa fé vemos que essa realidade é uma ofensa a Deus”. Esta Assembléia vai acontecer em quatro etapas que culminará com a elaboração do Plano de Pastoral da Arquidiocese.
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8 de Março, dia da mulher, dia de luta...*

O Dia da Mulher hoje é uma data marcada pelo consumismo e pela suposta conquista da igualdade das mulheres em relação aos homens, principalmente com sua entrada no mercado de trabalho. No entanto, o que vemos são mulheres exploradas e oprimidas numa dupla jornada de trabalho: em casa e no mercado ou mesmo no campo. A plena obrigação pelas tarefas domésticas é uma opressão que vai muito além dela mesma, e é também no lar que ocorre o maior índice de violência física e psicológica contra as mulheres.
A celebração do Dia Internacional da Mulher ocorre porque no dia 8 de março de 1857, 129 tecelãs de uma indústria, em Nova Iorque, fizeram a primeira greve norte-americana conduzida unicamente por mulheres; os patrões e a polícia trancaram as lutadoras dentro da própria fábrica e atearam fogo, as tecelãs morreram carbonizadas. Em 1921, a Conferência das Mulheres Comunistas adotou o dia como data unificada para o Dia Internacional das Mulheres Socialistas. Mas, somente no ano de 1975 que o direito de manifestação pública foi reconhecido, através da Organização das Nações Unidas (ONU) que em celebração do Ano Internacional da Mulher, instituiu universalmente o 8 de março como o Dia Internacional da Mulher.
Apesar de o capitalismo ter se apropriado desta data tão importante, precisamos regatar seu sentido de luta. O 8 de março, na verdade, não é um dia de qualquer mulher, é o dia da mulher trabalhadora, da mulher que luta por melhores condições de trabalho e vida.
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CPT-AL participa de grande manifesto contra a corrupção no Estado*

No dia 19 de fevereiro foi realizado um grande ato público nas ruas de Maceió para exigir a prisão de deputados que integraram o esquema de desvio de 280 milhões de reais da Assembléia Legislativa (ALE) de Alagoas. Aproximadamente 5 mil pessoas participaram do ato que teve início às 11h, com concentração na Praça dos Martírios e encerrou 17h na sede provisória da ALE, na Associação Comercial da região. A manifestação foi organizada pelo O Movimento Social contra a Criminalidade (MSCC), formado por diversas entidades, entre elas, a CUT e a CONLUTAS.

*Caminho da Roça - fev/mar/abr