terça-feira, 1 de abril de 2008

Artigo: Agroecologia em CUBA*

Encontro Internacional discute um novo modelo sustentável de produção
Entre os dias 20 e 25 de setembro de 2007 aconteceu, em Havana-Cuba, o Encontro Internacional de Agroecologia.O Encontro foi muito bom, principalmente as visitas de campo. A organização do Encontro pensou muito bem esses espaços, pois serviram para mostrar que a agroecologia é possível, e é o futuro da agricultura global.
No momento em que vivemos, onde o que mais se discute é o aquecimento global, a agroecologia pode ser uma das soluções. Porém, o lobby das grandes multinacionais ainda é muito forte e dificulta a construção da agroecologia. Cuba dá mais uma vez exemplo para o mundo, encabeçando as discussões sobre a necessidade de uma mudança de matriz de produção agrícola, enquanto o resto do mundo somente discute os biocombustíveis, como caso do governo brasileiro e outros governos de países subdesenvolvidos. Cuba mostra que é possível à construção de um novo modelo sustentável de produção. Segundo o presidente da ANAP (Associação Nacional de Agricultores Pequenos), “o que nós visitamos durante esses dias não foi construído de uma hora para outra, são quase duas décadas de construção”.
Apesar de Cuba ser um país pobre em minerais, a sua agricultura recebia enviados pela URSS. Após o fim da URSS, Cuba se viu perdida e sem outra opção, a não ser mudar sua matriz produtiva. Então, o governo cubano, através de uma política de Estado, começou a estudar e organizar os agricultores para construir uma saída conjunta para este problema. Hoje, 18 anos após a queda do muro de Berlim, Cuba tem as melhores e mais sistematizadas experiências de agroecologia do mundo. No Brasil, os movimentos sociais estão construindo a agroecologia em suas áreas, mas ainda de forma muito dispersa, pelo menos no nordeste.
A partir da visita a Cuba, pode-se perceber que a agroecologia somente pode ser construída em sua totalidade se estiver uma política de estado de verdade. Pois, a agroecologia e o agronegócio são modelos distintos e antagônicos. Enquanto a agroecologia busca a planificação e diversificação da agricultura, o agronegócio é um modelo vertical e monolítico.
A construção da agroecologia requer todo um trabalho de mudança de consciência, se os agricultores não estiverem organizados e conscientes, a agroecologia não será efetivada de
verdade e não passará de pequenas experiências pontuais de ONGs e Movimentos Sociais. A agroecologia somente poderá ser construída através de um Movimento Agroecológico forte,
acompanhado de toda uma política de incentivo. O que ajudou para que a agroecologia fosse massificada em Cuba foi a alta escolaridade do povo cubano. É comum se vê agricultores cubanos formados em agronomia, biologia e outras profissões de nível superior.
A plenária final do Encontro contou com a exposição dos relatórios das visitas de campo. A exposição serviu para dá mais ânimo para os participantes e lutadores populares para a intensificação da luta e a construção da agroecologia na América Latina e no Mundo. Foram 6 dias de intensas discussões e aprendizagem para todos os participantes, onde a partir da prática, juntamente com as conversas com os campesinos cubanos, nós aprendemos muito. A experiência cubana pode ajudar muito, porém, o estado brasileiro tem que fazer a sua parte.
Cícero Adriano (Eng. Agrônomo da CPT/AL)
*Caminho da ROÇA - fev/mar/abr

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