quarta-feira, 23 de julho de 2008

CPT encontra irregularidades na Usina Santa Clotilde

A pesagem da cana de açúcar continua sendo feita sem a presença dos trabalhadores


Josiane Calado[1]

A Comissão da Pastoral da Terra (CPT) encontrou várias irregularidades na Usina Santa Clotildes, localizada na cidade de Rio Largo, após a deflagração da força-tarefa pelo grupo móvel do Ministério do Trabalho. Os trabalhadores denunciaram que não houve tantas mudanças depois do trabalho da força-tarefa. Muitos estão sem luva e sem o amolador de foice. A pesagem da cana de açúcar continua sendo feita sem a presença dos trabalhadores. O cortador de cana Cícero Silva aponta que cada trabalhador retira 30 braços de cana. Para eles, de cinco a seis braços corresponde a uma tonelada. Os ficais apenas olham para a quantidade de cana amontoadas, e não fazem a medição, registram o suposto número. José da Silva e os colegas confirmaram que não conferem o que o fiscal marcou. A maioria dos cortadores de cana só possui o primeiro grau incompleto. Muitos nem sabem ler. Eles confessaram que só trabalham no corte da cana porque precisam. “Isso não é vida para ninguém”. O alimento é trazido de casa pelo trabalhador. Eles começam sua jornada às 5 horas e só termina às 17 horas. O trabalhador rural Adriano Silva denunciou que todo o material de proteção (luva, bota, óculo, garrafa, bota etc) está sendo descontado no salário. Eles recebem em torno de R$ 220,00 por quinzena no corte da cana. Trabalham de segunda a sábado. O trabalhador rural José Robson fez mais uma grave denúncia. Disse que, se adoecer, tem que ir a junta médica da usina para ter direito à licença. Se a licença não for da usina, não tem valor, e o trabalhador levará falta. O seu colega José da Silva, que trabalha no corte da cana desde 8 anos de idade, hoje com 58 anos, teve forte dor de cabeça, foi hospitalizado, e recebeu 15 dias de licença médica. Ele precisou fazer vários exames, foi internado, mas quando se apresentou no setor médico da usina, só recebeu dois dias de licença, e recebeu treze dias de falta. Eles também denunciaram que nos dias em que a Usina Santa Clotildes ficou parada, por conta da interdição do MPT, os trabalhadores receberam dois dias de faltas. O sistema de escravidão do corte da cana nas usinas, não dá espaço para as mulheres. Elas só trabalham no plantio, adubando ou colocando veneno, por conta da produção. A usina tabela a tonelada da cana da seguinte maneira: De uma a três toneladas: R$ 3,50 De quatro a cinco: R$ 4,00
De cinco toneladas por diante: R$ 5,00

[1] Assessoria de Imprensa do Sindicato dos Servidores da Justiça e do Ministério Público de Alagoas (SINDJUS/AL)

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