quarta-feira, 23 de julho de 2008

Jornada em defesa da terra e dos direitos dos canavieiros

Lara Tapety[1]

No mês de abril aconteceu em Alagoas e Pernambuco a “Jornada em defesa da terra e dos direitos dos canavieiros”. Em Alagoas, a atividade realizou-se entre os dias 22 e 25, no município de Messias. A jornada foi assessorada por Isidoro Revers, da CPT-Nacional, que tem acompanhado o debate sobre os agrocombustíveis no país.
A equipe visitou canaviais, os acampamentos Bota Velha e Mumbuca e a Feira Camponesa no município Murici; fez panfletagem em comunidades, convidando a população para exibição do filme “Tabuleiro de Cana, Xadrez de Cativeiro” nas noites e; por fim, realizou uma pesquisa com objetivo de descobrir incidência de trabalho escravo para combatê-lo e conhecer a opinião dos messienses sobre o trabalho no corte da cana.
A pesquisa entrevistou 184 pessoas, sendo a maioria homens entre 18 e 59 anos de idade. Entre os dados mais alarmantes da pesquisa, estão os acerca da carteira de trabalho e das perspectivas de melhoria de vida dos trabalhadores. Quando questionados se possuem carteira assinada, 56,88% alegam que sim e 43,12% que não. Sobre a perspectivas no corte da cana, 88,59% acham que sua vida não pode melhorar se continuar no corte, e apenas 10,33% acham que sim. 1,09% não opinaram nesta questão. A justificativa mais comum foi que no corte o trabalhador ganha muito pouco, com 58,17%; outras respostas tratavam da falta de perspectivas, da exploração e péssimas condições de trabalho, instabilidade no emprego com o fim da safra, roubo na pesagem e do trabalho escravo.
Alguns afirmaram que o trabalho nos canaviais “não tem futuro”; outros, que não sabem fazer outra coisa, pois sempre trabalharam no corte, muitos desses falaram da falta de oportunidade para estudar. Somente 1,96% se conformam com a situação. Quando questionados sobre o que fariam se tivessem oportunidade de sair dos canaviais, entre tantas respostas mais diferentes, 35%, que corresponde à maioria, afirmou que trabalharia na roça.
Messias possui plantação de cana-de-açúcar em 52,36% de seu território, o que corresponde a 99% de sua área agrícola. Sendo assim, boa parte da sua população trabalha no setor canavieiro, que concentra terra e renda. Apesar de ser próximo à capital de Alagoas, o município ocupa a 38ª posição do ranking do IDH-M (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal) do Estado.
[1] Assessoria de Comunicação CPT/AL

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