terça-feira, 30 de setembro de 2008

Camponeses ocupam o INCRA exigindo estrada em assentamento

Os camponeses do Assentamento Santa Maria Madalena, localizado nos municípios de Joaquim Gomes e União dos Palmares, ocupam na manhã de hoje (30/9) a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) em Alagoas.

A ocupação é um desdobramento do bloqueio da BR101 ocorrido no dia 18 de setembro de 2008, que reivindicava reforma agrária e estradas nos 13 assentamentos acompanhados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). Os trabalhadores rurais decidiram entrar no INCRA, porque este – desde o início do ano – havia afirmado que o processo de licitação para a construção da estrada está aberto, porém, a CPT verificou que não está.

Por falta de estrada, as 68 famílias, que estão há cerca de 2 anos assentadas, não conseguem escoar sua produção. Elas temem perder as verduras e legumes produzidos na horta coletiva de um hectare que está sendo implantada. Além da dificuldade de levar os alimentos para a comercialização, existem outros problemas graves, como a dificuldade de acesso à educação e saúde. Quando uma criança fica doente, pode chegar a falecer por não ter meios de ser levada ao atendimento médico. O único transporte seria o lombo de animal.

Recentemente, um garoto teve pneumonia e só pôde ser atendido porque a equipe da CPT foi de carro traçado visitar o Assentamento. O menino foi levado para Joaquim Gomes e trazido para Maceió de ambulância, onde ficou internado durante cinco dias.


 

Maiores informações:

Carlos Lima (Coordenador Estadual da CPT) – (82) 9127-5773
Jailson Tenório (Coordenador da CPT na Zona da Mata) – (82) 9127-2364

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Mais ocupações de terras acontecem no litoral de Alagoas

Duas fazendas foram ocupadas no município de Porto de Pedras por famílias sem terra acompanhadas pela CPT


As fazendas Água Preta e Castelo, localizadas no município de Porto de Pedras, foram ocupadas no final da tarde de ontem (24/9) por camponeses acompanhados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT).
A primeira área já havia sido ocupada no dia 10 de junho de 2008, mas os trabalhadores rurais passaram pouco tempo no local e decidiram retornar com mais força; já a segunda foi ocupada pela primeira vez.
As ocupações são atos legítimos de luta por melhores condições de vida e trabalho, mas também, pelo cumprimento dos direitos constitucionais. Essas terras não cumprem sua função social, sendo assim, devem ser destinadas para fins de reforma agrária, como garante a Constituição da República.
A CPT enviou um ofício ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) solicitando, em caráter de urgência, a vistoria dos imóveis ocupados.

domingo, 21 de setembro de 2008

Dia Internacional de Luta Contra as Monoculturas

Dia 21 de setembro é o dia Internacional de Luta Contra as Monoculturas. Manifestações de diversos movimentos sociais espalhados pelo mundo marcam esta data.
No Brasil, hoje é encerrada a II Marcha campo-cidade em Vitória, no Espírito Santo. A Marcha, com o lema “Soberania alimentar e direito à cidade” começou segunda-feira, dia 15 de setembro, em Jacaraípe.
No Espírito Santo, assim como em Alagoas, existe um tipo de monocultura. Enquanto Alagoas é marcada pela cana-de-açúcar, o Espírito Santo é marcado pela monocultura do eucalipto. Assim como nos outros Estados do país, o modelo de exploração da terra está intimamente ligado às injustiças com as quais se deparam as populações do campo e da cidade.
A monocultura do Eucalipto no Espírito Santo é encabeçada pela Aracruz Celulose, empresa que ganhou notoriedade por seus crimes contra comunidades indígenas da região em 2005,
dentre outras investidas contra o meio ambiente e sociedade distribuídas Brasil adentro.
A monocultura da cana-de-açúcar é responsável pelo desmatamento na região nordeste, causando a seca por tirar quase toda a mata rica em húmus e sais minerais. O Grupo Lyra, por exemplo, segundo o professor Walter Machado da Fonseca – mestre em Educação Ambiental na UFU (Universidade Federal de Uberlândia) – executa uma estratégia geopolítica que é um deslocamento da monocultura para o Triângulo Mineiro, uma vez que já deixou grande parte das terras do nordeste estéreis para o plantio da cana. Atualmente a cana ocupa 5% da área agricultável de Minas Gerais, pretende-se expandir para 35%.
O crescimento das monoculturas no Brasil, com incentivo do Governo Lula, dificulta a Reforma Agrária, mantendo milhares de trabalhadores explorados, com péssimas condições de trabalho e de vida.

Abaixo segue o chamado para a Marcha:

II Marcha Campo-CidadeSoberania alimentar e direito à cidade

A terra deve alimentar seu povo e a cidade expressar os desejos, decisões e projetos da maioria.

Que tipo de desenvolvimento observamos no Espírito Santo? Por que um estado que abriga tantas empresas, produz fome, miséria, pessoas sem terra e sem moradia, desempregados, violência urbana e devastação da natureza? Para onde vão nossas riquezas naturais exploradas pela Vale, CST, Aracruz Celulose e Samarco? Você sabia que a Aracruz Celulose consome por dia mais água do que toda a população da Grande Vitória? Você sabia que a Aracruz Celulose consome por dia mais água do que toda a população da Grande Vitória, sem pagar um centavo por isso? Por que a maioria da população trabalhadora recebe baixos salários e paga aluguéis caros, mesmo nas periferias das cidades? Por que o transporte urbano é tão precário e as filas nos terminais são tão demoradas? Por que os governos bancam grandes obras e doam terras às indústrias estrangeiras, ignorando as condições dos camponeses, quilombolas e indígenas expulsos de suas terras, sem os destinar nenhuma política pública? Por que os movimentos sociais que lutam pelos direitos fundamentais do ser humano são tratados como criminosos? Por que a maioria da população carcerária é constituída por negros(as) e pobres?

ESTE NÃO É O DESENVOLVIMENTO QUE QUEREMOS!

Nós, os movimentos sociais do campo e da cidade, marchamos pela vida e pela justiça social e ambiental! Marchamos pelo direito ao emprego, à habitação, à saúde, à educação e ao transporte! Marchamos contra os interesses das empresas estrangeiras que ocupam nossas terras, consomem e poluem nossos rios e levam o lucro para fora do país! Contra o descaso dos governantes que gastam dinheiro público para financiar essas empresas, e não atendem às necessidades dos(as) trabalhadores(as) do campo que produzem alimentos para o povo! Marchamos contra a condição de miséria que obriga famílias inteiras vindas do interior a viverem discriminadas nas periferias da Grande Vitória. Marchamos contra a lógica que reduz o bem viver a “ter dinheiro”, no campo e na cidade! Contra o medo que tranca as pessoas nos condomínios, mas não resolve a insegurança dentro e fora dali.

Nossa CAMINHADA pelas ruas e avenidas da Grande Vitória denuncia que os recursos naturais brasileiros não podem ser transformados em lucro que vão parar no bolso de uma dúzia de empresários. As empresas estrangeiras ao utilizarem enormes extensões de terra para o cultivo do eucalipto e da cana provocam o aumento do preço e a falta dos alimentos na mesa da população.

Marchamos por acreditar que HABITAR, COMER e VIVER com dignidade constituem-se no direito fundamental de todos os povos. “Natureza e tudo que existe” deve ser compartilhada e preservada por todos e não apropriada para o lucro das grandes empresas, banqueiros, latifundiários e governantes que enxergam o dinheiro antes de tudo.Marchamos pelo direito de permanecer em nossa terra e de produzirmos alimentos para a população! Contra o aumento do preço dos alimentos, enquanto as empresas estrangeiras se beneficiam de nossa terra, água e do lucro que aqui exploram!

MARCHAMOS PELA SOBERANIA ALIMENTAR!Marchamos contra a discriminação e a violência urbana! Pelo direito à moradia, pela circulação nas cidades, por uma alimentação adequada, por educação e saúde de qualidade e para todos(as)!

PELO DIREITO À CIDADE! PELO DIREITO À TERRA!

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Camponeses bloqueiam AL101 e BR101

O bloqueio das rodovias é para exigir a construção de estradas nos assentamentos e a efetivação da Reforma Agrária

Camponeses acompanhados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) bloquearam na manhã de hoje, 18 de setembro de 2008, as duas principais rodovias que dão acesso à capital do Estado. O bloqueio da BR101 acontece próximo à entrada do Município Joaquim Gomes e o da AL101, em Matriz de Camaragibe.
A pauta da paralisação envolve o Instituto de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), o Governo Estadual e as prefeituras municipais. Trata-se da Reforma Agrária e da construção de estradas nos assentamentos acompanhados pela CPT, considerando as áreas emblemáticas Mumbuca, localizada em Murici; São Sebastião, em Flexeiras; Velho Chico, em Água Branca e; Santa Maria Madalena, em União dos Palmares e Joaquim Gomes. Ambas as áreas estão há 4 anos esperando a conclusão do processo de desapropriação. Os bloqueios acontecem por tempo indeterminado..
Sem Reforma Agrária a concentração de renda, o desemprego, a fome e a miséria continuam. Sem estradas o povo não tem acesso à educação, alimentação, saúde e a outros direitos fundamentais garantidos pela Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. A Reforma Agrária não é efetivada sem a estrutura necessária nos assentamentos. Segundo Carlos Lima, coordenador Estadual da CPT, “é inadmissível que áreas desapropriadas a mais de 4 ou 5 anos não tenham estradas, porque se é para fazer Reforma Agrária é preciso construir estradas”.


Maiores informações:
Carlos Lima (Coordenador Estadual da CPT) – (82) 9127-5773
Jailson Tenório (Coordenador da CPT na Zona da Mata) – (82) 9127-2364
Ir. Cícera Menezes (Coordenadora da CPT no litoral) – (82) 9127-0293

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Águas para a paz - Dom Luiz Cappio recebe prêmio internacional

15.09.2008 21:09:00 | Convivência com o Semi-Árido | Rio São Francisco

A relação entre os usos das águas e a paz é tema de romaria, caminhada, seminário, debates, manifestações culturais e dia mundial de jejum coletivo na entrega do Prêmio Pax Christi International. Entre os dias 16 e 19 de outubro, milhares de pessoas são esperadas em Sobradinho, norte da Bahia, durante a 5ª Romaria das Águas e entrega do Prêmio pela Paz da Pax Christi Internacional (2008 Pax Christi International Peace Award), ao bispo Dom Luiz Cappio e às organizações e movimentos sociais, povos e comunidades tradicionais, envolvidos na luta pela revitalização e contra o projeto de transposição das águas do rio São Francisco.

A programação inicia no dia 16, à noite, com uma sessão solene na Câmara Municipal. O Seminário Revitalizar o Rio para a Vida em Paz, abre a sexta-feira (17) com a participação de representantes das comunidades e organizações populares daquela região. As palestras e debates sobre modelo de desenvolvimento terão foco na revitalização popular, aquela a partir dos problemas dos ecossistemas e das necessidades reais e iniciativas das comunidades, como instrumento para uma cultura de paz. No mesmo dia, à noite, uma Celebração Eucarística na Capela de São Francisco deve relembrar os 24 dias de jejum de Dom Cappio, entre novembro e dezembro de 2007.

Na ocasião será lançado o Dia Mundial de Jejum pela Paz e Soberania Alimentar. Este dia de jejum acontecerá durante o sábado (18). O gesto chama a atenção para a tendência mundial em concentrar a produção agrícola em grandes empresas e com altas tecnologias, agora potencializadas pelos combustíveis de origem vegetal, em detrimento da produção alimentar e da agricultura camponesa, com graves riscos ambientais.

Ao mesmo tempo questiona o modelo de consumo egoísta e alienado - um dos fatores responsáveis pelo escândalo da fome no mundo e pelo agravamento da crise ecológica. Encerrado o dia de jejum com a entrega do Prêmio Pax Christi, às margens do Rio São Francisco, ao pé da Barragem de Sobradinho, espera-se a adesão de centenas de grupos e milhares de pessoas em Sobradinho, em outras cidades, estados brasileiros e mundo afora.

No Brasil, em particular, toda a programação questiona os grandes projetos na Bacia do São Francisco, além da transposição, a expansão indiscriminada do agro e hidronegócios, agrocombustíveis, novos perímetros irrigados, mineração e siderurgia, barragens, usinas, ferrovias, minerodutos, etc.

Bancados com incentivos e recursos públicos, minimizam não os impactos, mas as responsabilidades pública e privada com as graves conseqüências sociais e ambientais. A entrega do prêmio começa com uma celebração inter-religiosa, ainda no sábado a noite, às 20h. Líderes católicos estarão juntos com pastores de várias igrejas cristãs, mães-de-santo e pajés indígenas.

Um testemunho vivo da paz como fruto das relações de respeito e convivência harmoniosa entre diferentes mas iguais. Ao término da celebração romeiros seguem em caminhada durante três horas, por cerca de quatro quilômetros. Ao longo do percurso, quatro paradas marcarão a vigília de todos pela paz, com depoimentos de representantes dos demais premiados além do bispo Dom Luiz Cappio.

A chegada às margens do rio São Francisco, deve acontecer no início da madrugada e será o momento final. Uma representante da Pax Christi Internacional estará no Brasil para fazer a entrega do prêmio a Dom Cappio e a representantes do povo, como expressão do reconhecimento e incentivo à continuidade da luta popular em defesa das águas, da terra e de toda a vida..

O prêmio O Prêmio pela Paz é outorgado por Pax Christi Internacional, anualmente desde 1988, a homens e mulheres que defendem a paz e a não-violência em qualquer parte do mundo. Dom Cappio é o terceiro brasileiro a receber. O primeiro foi a sindicalista Margarida Alves, que recebeu postumamente, em 1988. O segundo foi o membro do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Sérgio Vieira de Mello, morto vítima de um atentado terrorista no Iraque.

Dom Luiz Flavio Cappio, bispo da diocese de Barra (BA), escolhido para receber o prêmio em 2008 convive há mais de 30 anos com as comunidades do São Francisco. Entre 1993 e 1994 fez uma peregrinação de um ano entre a nascente e a foz do rio, denunciando seu estado deplorável e animando as comunidades à luta em sua defesa.

Em 2005 e 2007 fez dois jejuns pela revitalização e contra o projeto de transposição. A entrega será marcante também por acontecer no Brasil e pela primeira vez fora da sede européia da Pax Christi. A Pax Christi Internacional A Pax Christi Internacional foi fundada na França, em 1945, como um movimento de reconciliação entre franceses e alemães após a Segunda Guerra Mundial.

Constitui-se em movimento católico e uma Rede pela Paz, Respeito aos Direitos Humanos, Justiça e Reconciliação em regiões devastadas por conflitos. Baseia-se na crença de que a paz é possível e que os círculos viciosos da violência e da injustiça podem ser quebrados. Hoje conta com mais de 100 Organizações-Membro e atua em mais de 50 paises dos cinco continentes. No Brasil seu representante é a Comissão Pastoral da Terra – CPT.

A Pax Christi tem status consultivo junto à ONU, à Unesco e ao Conselho da Europa. Os proponentes A entidade que encabeçou a proposição de Dom Luiz Cappio para o prêmio foi o SERPAJ – Serviço Paz e Justiça. O líder dessa organização é o Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel, artista argentino que se notabilizou pela luta em defesa dos Direitos Humanos na Argentina e na América Latina.

A ele se somaram mais de cento e cinqüenta (150) representantes de movimentos sociais, reunidos na Conferência dos Povos do São Francisco e do Semi-Árido, entre os dias 25 e 27 de fevereiro de 2008, em Sobradinho.


Fonte: Mais interior


Alzení Tomáz - CPP NE

"São Francisco Vivo: Terra e Água, Rio e Povo!"

Blog do Baixo SF: http://baixosaofrancisco.blogspot.com

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Camponeses vieram à Maceió denunciar as ameaças e a destruição do seu acampamento em Porto de Pedras

Na manhã de ontem, dia 10 de setembro, 20 famílias acompanhadas pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) foram ameaçadas de morte, agredidas e tiveram seu acampamento destruído. Segundo os camponeses, os capangas e o próprio fazendeiro Teodomiro Júnior chegaram armados na área numa Kombi lotada e no carro do proprietário.
O fato aconteceu quando os trabalhadores haviam saído para pescar e plantar, ficando apenas 5 ou 6 no acampamento. Quando um deles viu os homens armados, escondeu-se na mata e entrou em contato com a CPT em busca de apoio. Um camponês contou que o fazendeiro desrespeitou sua esposa e outro teve que correr para fugir de um capanga que o perseguiu apontando a pistola em sua direção.
Confronto de informações e abuso de autoridade
Ao averiguar a ocorrência, a Polícia Militar encontrou um rifle Puma, calibre 38, na mala do carro que estava no local no momento da abordagem. Em seguida, o delegado Antônio Vieira de Barros Filho, conhecido como Dr.Barros, devolveu a arma apreendida e alegou tê-la encontrado na residência do proprietário, que possui porte de arma. No momento dos depoimentos, Dr. Barros recebeu os trabalhadores com palavras de baixo calão, coagindo-os.
Denúncia:
Os trabalhadores afirmam que o proprietário pode ser responsável por crime ambiental. Eles descobriram na fazenda um galpão com dezenas de sacos de carvão vegetal, possivelmente produzidos dentro da reserva de mata atlântica. A CPT vai enviar um ofício para o IMA e para o IBAMA solicitando a fiscalização da área.
A resposta:
Apesar da tentativa de intimidação, os trabalhadores rurais pretendem continuar na luta pela terra. “Eu mesmo tenho vontade de voltar. Mas vamos voltar com reforço”, disse um deles. Ainda hoje eles foram fazer a denúncia do conflito na Ordem dos Advogados do Brasil e pretendem expor o caso, às 11h, na Conferência Estadual dos Direitos Humanos, que está acontecendo desde ontem na capital alagoana.
O acampamento era uma reocupação realizada no último feriado da Independência do Brasil, dia 07 de setembro de 2008. A fazenda Santa Cecília (Peri Peri) foi ocupada pela primeira vez em 2002, quando os camponeses foram despejados por ordem judicial.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Tabela de ocupações e reocupações acompanhadas pela CPT/AL em 2008

Data da ocupação

Local

Fazenda

Nome do Acampamento

Ocupação ou Reocupação

Data de despejo

Executor do despejo

1

06/01/08

São Miguel dos Milagres

Mata Redonda

Mata Redonda

Reocupação

2

02/03/08

Maragogi

Piabas

Piabas

Ocupação

3

10/06/08

São Miguel dos Milagres

Água Preta

Água Preta

Ocupação

4

15/06/08

Joaquim Gomes

Rio Bonito

Rio Bonito

Ocupação

5

28/06/08

Messias

Flor do Bosque

Flor do Bosque III

Ocupação

6

29/07/08

Olho D'Água de Casado

Potrinho

Potrinho

Ocupação

7

30/07/08

São Miguel dos Milagres

Cabocla

Cabocla

Reocupação

8

02/08/08

Água Branca

Boa Vista

Boa Vista

Ocupação

9

05/09/08

Maragogi

Mato Grosso

Mato Grosso

Reocupação

10

07/09/08

Porto de Pedras

Santa Cecília (Peri Peri)

Peri Peri

Reocupação

10/09/08

Fazendeiro com jagunços

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Grito dos excluídos antecipado circulou o centro da capital alagoana

No dia 05 de setembro aconteceu o Grito dos Excluídos em Maceió. A mobilização foi iniciada com as palavras do arcebispo metropolitano de Maceió, Dom Antônio Muniz.
“Vamos dizer que não é possível, não queremos, não aceitamos um mundo de morte. Queremos sim construir um Brasil de vida. ‘Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância (João 10,1-10)’ – Esse é o evangelho que nos une. Há tantas diferenças entre nós, juntamo-nos e assim vamos iniciar a construção de uma sociedade justa, fraterna, onde haja oportunidade para todos”, disse Dom Muniz.
Cerca de 2 mil pessoas participaram da caminhada no Centro da capital, com faixas e palavras de ordem contra a exclusão, em defesa dos direitos humanos, chamando atenção para o tema do 14º Grito dos Excluídos “Vida em Primeiro Lugar, Direito e Participação Popular”.
O Grito foi iniciado na Praça Deodoro, passou pela sede do Tribunal de Justiça, Ordem dos Advogados do Brasil – seccional Alagoas, pela Catedral e foi encerrado na Praça dos Martírios, com a apresentação do grupo Malungos do Ilê.
A ação foi organizada pelas Pastorais Sociais e Paróquias da Arquidiocese de Maceió junto à Movimentos Campesinos e Sindicatos.


Galeria de Imagens abaixo:


quinta-feira, 4 de setembro de 2008

14º Grito dos Excluídos acontece amanhã em Maceió

O centro da capital alagoana, nesta sexta-feira anterior ao dia 7 de setembro, vai ser um pouco mais agitado que no cotidiano. A partir das 8h, a Praça Deodoro será o local de concentração do Grito dos Excluídos – manifestação popular que acontece há 14 anos no mês da Independência do Brasil.
Este ano, o tema do Grito é “Vida em Primeiro Lugar, Direito e Participação Popular”, inspirado no lema da Campanha da Fraternidade “Escolher, pois, a vida”, apela para o respeito aos Direitos Humanos. A mobilização tem objetivo de denunciar o modelo político e econômico que, ao mesmo tempo, concentra riqueza e renda e condena milhões de pessoas à exclusão social; tornar a público, nas ruas e praças, o rosto dos grupos excluídos que sofrem com o desemprego, fome e miséria e; propor caminhos alternativos ao neoliberalismo.
Em Alagoas, o Grito dos Excluídos além de acontecer em Maceió, também será realizado no município de Messias, no dia 06 de setembro e; em Murici, no dia seguinte. A caminhada faz parte da Semana da Pátria, organizada pelas Pastorais Sociais e Paróquias da Arquidiocese de Maceió junto aos Movimentos Sociais e Sindicatos.

Maiores informações:
Henrique Santos (CPT) – 9127-5044
Pe. Rogério (Coordenador das Pastorais Sociais) – 9916-2556

Está chegando a 21ª Romaria da Terra e Água!!!

"Terra Conquistada: Vida e Fartura Partilhada"
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A 21ª Romaria, com o tema "Terra Conquistada: Vida e Fartura Partilhada", vai acontecer no dia 15 e 16 de novembro de 2008, iniciando na cidade de Flexeira e terminando no assentamento Flor do Bosque em Messias - serão 12 km percorridos em noite de lua cheia – com um café da manhã camponês oferecido pelos assentados da região.
O percurso é encerrado no assentamento Flor do Bosque para celebrar os 10 anos de luta e resistência do povo do local (primeira ocupação acompanhada pela CPT em Alagoas). Essa Romaria também comemora a conquista do complexo Agrisa/Peixe (pelo MST, MLST e MTL) – maior área desapropriada do Estado. Além disso, são outros objetivos da caminhada: divulgar a Campanha Nacional pelo Limite da Propriedade de Terra e em Defesa da Reforma Agrária e da soberania territorial e alimentar, fortalecer as comunidades camponesas envolvidas e debater o papel dos camponeses na missão de produzir alimentos e preservar o meio ambiente.
Durante 12 anos a Romaria da Terra aconteceu na Serra da Barriga, berço da luta pela liberdade, sendo realizada inicialmente pela paróquia de União dos Palmares e da Comissão Pastoral da Terra. Com o passar dos anos, a caminhada foi crescendo e passou a ser a ser itinerante, indo aonde há necessidade de fortalecer a comunidade e denunciar os conflitos agrários.

Sobre o assentamento Flor do Bosque
A Flor do Bosque foi ocupada pelas famílias sem terra em 27 de novembro de 1998, foi a primeira ocupação coordenada pela Pastoral da Terra e tem uma história de resistência exemplar. As famílias enfrentaram despejos, destruição e envenenamento da lavoura e da água, uma criança foi ferida a tiro e uma companheira foi atropelada e morta durante uma atividade na BR 101. O arcebispo de Maceió da época, Dom Edvaldo Amaral – assim como o coordenador estadual da CPT, José Carlos Lima – foi condenado em primeira instância a pagar 5 mil reais por “atrapalhar o trabalho da justiça”, seu crime foi pedir cautela no despejo e lembrar que tinha crianças e idosos no acampamento. A Flor do Bosque se constituiu num símbolo de luta contra os latifundiários em Alagoas, foram criados comitês de apoio no Canadá e na Itália. A luta e solidariedade fez vencer os obstáculos e após 8 anos a fazenda foi comprada pelo Governo de Alagoas e doada as famílias camponesas ali acampadas. As famílias ainda não tiveram acesso aos créditos iniciais (liberado pelo INCRA) e vivem, ainda, em barracos de lonas e palhas.

Sobre o completo Agrisa/Peixe
O complexo Agrisa/Peixe é a maior área desapropriada em Alagoas, engloba três municípios e vai beneficiar cerca de 2 mil famílias sem terra da região, os imóveis foram ocupados pelos movimentos que lutam em defesa da reforma agrária no Estado (MST,MLST e MTL) e foi definida pelo governo Lula como uma prioridade. A desapropriação deste complexo pode representar um corte profundo nas desigualdades da região ou fortalecer o discurso da direita contra democratização do uso da terra.