quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Camponeses vieram à Maceió denunciar as ameaças e a destruição do seu acampamento em Porto de Pedras

Na manhã de ontem, dia 10 de setembro, 20 famílias acompanhadas pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) foram ameaçadas de morte, agredidas e tiveram seu acampamento destruído. Segundo os camponeses, os capangas e o próprio fazendeiro Teodomiro Júnior chegaram armados na área numa Kombi lotada e no carro do proprietário.
O fato aconteceu quando os trabalhadores haviam saído para pescar e plantar, ficando apenas 5 ou 6 no acampamento. Quando um deles viu os homens armados, escondeu-se na mata e entrou em contato com a CPT em busca de apoio. Um camponês contou que o fazendeiro desrespeitou sua esposa e outro teve que correr para fugir de um capanga que o perseguiu apontando a pistola em sua direção.
Confronto de informações e abuso de autoridade
Ao averiguar a ocorrência, a Polícia Militar encontrou um rifle Puma, calibre 38, na mala do carro que estava no local no momento da abordagem. Em seguida, o delegado Antônio Vieira de Barros Filho, conhecido como Dr.Barros, devolveu a arma apreendida e alegou tê-la encontrado na residência do proprietário, que possui porte de arma. No momento dos depoimentos, Dr. Barros recebeu os trabalhadores com palavras de baixo calão, coagindo-os.
Denúncia:
Os trabalhadores afirmam que o proprietário pode ser responsável por crime ambiental. Eles descobriram na fazenda um galpão com dezenas de sacos de carvão vegetal, possivelmente produzidos dentro da reserva de mata atlântica. A CPT vai enviar um ofício para o IMA e para o IBAMA solicitando a fiscalização da área.
A resposta:
Apesar da tentativa de intimidação, os trabalhadores rurais pretendem continuar na luta pela terra. “Eu mesmo tenho vontade de voltar. Mas vamos voltar com reforço”, disse um deles. Ainda hoje eles foram fazer a denúncia do conflito na Ordem dos Advogados do Brasil e pretendem expor o caso, às 11h, na Conferência Estadual dos Direitos Humanos, que está acontecendo desde ontem na capital alagoana.
O acampamento era uma reocupação realizada no último feriado da Independência do Brasil, dia 07 de setembro de 2008. A fazenda Santa Cecília (Peri Peri) foi ocupada pela primeira vez em 2002, quando os camponeses foram despejados por ordem judicial.

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