domingo, 21 de setembro de 2008

Dia Internacional de Luta Contra as Monoculturas

Dia 21 de setembro é o dia Internacional de Luta Contra as Monoculturas. Manifestações de diversos movimentos sociais espalhados pelo mundo marcam esta data.
No Brasil, hoje é encerrada a II Marcha campo-cidade em Vitória, no Espírito Santo. A Marcha, com o lema “Soberania alimentar e direito à cidade” começou segunda-feira, dia 15 de setembro, em Jacaraípe.
No Espírito Santo, assim como em Alagoas, existe um tipo de monocultura. Enquanto Alagoas é marcada pela cana-de-açúcar, o Espírito Santo é marcado pela monocultura do eucalipto. Assim como nos outros Estados do país, o modelo de exploração da terra está intimamente ligado às injustiças com as quais se deparam as populações do campo e da cidade.
A monocultura do Eucalipto no Espírito Santo é encabeçada pela Aracruz Celulose, empresa que ganhou notoriedade por seus crimes contra comunidades indígenas da região em 2005,
dentre outras investidas contra o meio ambiente e sociedade distribuídas Brasil adentro.
A monocultura da cana-de-açúcar é responsável pelo desmatamento na região nordeste, causando a seca por tirar quase toda a mata rica em húmus e sais minerais. O Grupo Lyra, por exemplo, segundo o professor Walter Machado da Fonseca – mestre em Educação Ambiental na UFU (Universidade Federal de Uberlândia) – executa uma estratégia geopolítica que é um deslocamento da monocultura para o Triângulo Mineiro, uma vez que já deixou grande parte das terras do nordeste estéreis para o plantio da cana. Atualmente a cana ocupa 5% da área agricultável de Minas Gerais, pretende-se expandir para 35%.
O crescimento das monoculturas no Brasil, com incentivo do Governo Lula, dificulta a Reforma Agrária, mantendo milhares de trabalhadores explorados, com péssimas condições de trabalho e de vida.

Abaixo segue o chamado para a Marcha:

II Marcha Campo-CidadeSoberania alimentar e direito à cidade

A terra deve alimentar seu povo e a cidade expressar os desejos, decisões e projetos da maioria.

Que tipo de desenvolvimento observamos no Espírito Santo? Por que um estado que abriga tantas empresas, produz fome, miséria, pessoas sem terra e sem moradia, desempregados, violência urbana e devastação da natureza? Para onde vão nossas riquezas naturais exploradas pela Vale, CST, Aracruz Celulose e Samarco? Você sabia que a Aracruz Celulose consome por dia mais água do que toda a população da Grande Vitória? Você sabia que a Aracruz Celulose consome por dia mais água do que toda a população da Grande Vitória, sem pagar um centavo por isso? Por que a maioria da população trabalhadora recebe baixos salários e paga aluguéis caros, mesmo nas periferias das cidades? Por que o transporte urbano é tão precário e as filas nos terminais são tão demoradas? Por que os governos bancam grandes obras e doam terras às indústrias estrangeiras, ignorando as condições dos camponeses, quilombolas e indígenas expulsos de suas terras, sem os destinar nenhuma política pública? Por que os movimentos sociais que lutam pelos direitos fundamentais do ser humano são tratados como criminosos? Por que a maioria da população carcerária é constituída por negros(as) e pobres?

ESTE NÃO É O DESENVOLVIMENTO QUE QUEREMOS!

Nós, os movimentos sociais do campo e da cidade, marchamos pela vida e pela justiça social e ambiental! Marchamos pelo direito ao emprego, à habitação, à saúde, à educação e ao transporte! Marchamos contra os interesses das empresas estrangeiras que ocupam nossas terras, consomem e poluem nossos rios e levam o lucro para fora do país! Contra o descaso dos governantes que gastam dinheiro público para financiar essas empresas, e não atendem às necessidades dos(as) trabalhadores(as) do campo que produzem alimentos para o povo! Marchamos contra a condição de miséria que obriga famílias inteiras vindas do interior a viverem discriminadas nas periferias da Grande Vitória. Marchamos contra a lógica que reduz o bem viver a “ter dinheiro”, no campo e na cidade! Contra o medo que tranca as pessoas nos condomínios, mas não resolve a insegurança dentro e fora dali.

Nossa CAMINHADA pelas ruas e avenidas da Grande Vitória denuncia que os recursos naturais brasileiros não podem ser transformados em lucro que vão parar no bolso de uma dúzia de empresários. As empresas estrangeiras ao utilizarem enormes extensões de terra para o cultivo do eucalipto e da cana provocam o aumento do preço e a falta dos alimentos na mesa da população.

Marchamos por acreditar que HABITAR, COMER e VIVER com dignidade constituem-se no direito fundamental de todos os povos. “Natureza e tudo que existe” deve ser compartilhada e preservada por todos e não apropriada para o lucro das grandes empresas, banqueiros, latifundiários e governantes que enxergam o dinheiro antes de tudo.Marchamos pelo direito de permanecer em nossa terra e de produzirmos alimentos para a população! Contra o aumento do preço dos alimentos, enquanto as empresas estrangeiras se beneficiam de nossa terra, água e do lucro que aqui exploram!

MARCHAMOS PELA SOBERANIA ALIMENTAR!Marchamos contra a discriminação e a violência urbana! Pelo direito à moradia, pela circulação nas cidades, por uma alimentação adequada, por educação e saúde de qualidade e para todos(as)!

PELO DIREITO À CIDADE! PELO DIREITO À TERRA!

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