terça-feira, 28 de outubro de 2008

10 anos da primeira ocupação acompanhada pela CPT em Alagoas

Flor do Bosque completa 10 anos de luta e resistência em 27 de novembro de 2008

Ontem, dia 27 de outubro, a equipe da CPT - junto à Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP) e Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) - passou o dia no Assentamento Flor do Bosque.
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O objetivo da visita foi celebrar os 10 anos de ocupação da área, que acontece dia 27 de novembro de 2008 e também, preparar a comunidade para a 21ª Romaria da Terra e das Águas, a ser realizada nos dias 15 e 16 de novembro. A Romaria desse ano tem o tema “Terra Conquistada: Vida e Fartura Partilhada”, inspirado na luta do povo do Bosque.
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Pela manhã houve uma celebração onde foi lembrada a história de Santa Clara e seu compromisso junto a São Francisco com a natureza. Durante a celebração, as CEBs tentaram estimular o povo de Flor do Bosque a compreender o real sentido de viver em comunidade, refletindo a importância da união no assentamento. Às 12h houve um almoço partilhado.
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À tarde, a PJMP fez atividades recreativas com jovens e crianças. Todos pintaram os rostos, brincaram, cantaram e dançaram.







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Em seguida, houve uma missa, celebrada pelo Pe.Alex Cauchi, que relembrou a história da ocupação e falou dos frutos desses 10 anos de luta: 13 assentamentos acompanhados pela CPT/AL, acampamentos antigos como Mumbuca e Bota Velha e, as novas ocupações.

A visita foi encerrada com a exibição do filme Anel de Tucum, uma parábola atual, feita de documentário e de ficção. O filme conta a história de um homem contratado por um grupo de empresários para descobrir quem guia o povo que está se organizando contra a opressão, incomodando os poderosos. O homem, fingindo ser um jornalista, conhece as CEBs, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), os movimentos sociais sem-teto, sem-terra, negro e indígena e, por fim, passa a ter outra interpretação da realidade. O Anel de Tucum é utilizado como símbolo de aliança com o povo da fé e da luta.

Esta foi a segunda visita da comemorativa dos 10 anos de luta e resistência do povo do Bosque. A próxima será a 21ª Romaria da Terra e das Águas. A caminhada vai terminar com um café da manhã camponês no assentamento.


Equipe técnica visita acampamentos Flor do Bosque II e III durante atividade


Durante a atividade, a equipe de assistência técnica visitou os acampamentos Flor do Bosque II e III, em especial, uma nova horta em Flor do Bosque II. Para os técnicos, a bela horta mostra o potencial do trabalhador e de seu filho e, com o apoio da assistência, pode servir como um modelo, um exemplo a ser seguido. Pepino, alface, pimentão são alguns dos alimentos já produzidos.










Além disso, a equipe apresentou aos trabalhadores da região de Flor do Bosque o novo técnico da CPT, Agberto Ferreira.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Mais de 260 toneladas de produtos são comercializadas na 9ª Feira Camponesa

A CPT marcou uma reunião com o Governo Estadual para discutir mais investimento

Neste último dia da 9ª Feira Camponesa, a organização divulga os dados dos produtos comercializados. A equipe técnica, formada por engenheira agrônoma e técnicos agrícolas, fez o levantamento dos dados com base no cadastro dos feirantes e de seus produtos.
As Feiras Camponesas vêm crescendo a cada edição. Na 8ª Feira, realizada em junho, foram comercializadas 206 (duzentos e seis) toneladas de alimentos. Segundo o levantamento, nesta 9ª edição foram comercializadas mais de 260 (duzentos e sessenta) toneladas. “Os dados apurados ainda não são exatos, pois chegaram alguns caminhões após o levantamento e o cadastro dos feirantes foi feito no primeiro dia do evento”, diz a engenheira agrônoma da CPT, Heloísa Amaral.
Da necessidade de escoar a produção dos camponeses, surgiram as Feiras Camponesas. Como se sabe, os produtos comercializados no evento, em sua ampla maioria, vêm de acampamentos e assentamentos da luta pela reforma agrária. As dificuldades enfrentadas pelo homem e pela mulher do campo são muitas, sem o devido apoio dos governos, eles produzem em condições de trabalho arcaicas. Faltam instrumentos de trabalho mais modernos que possam diminuir a degradante mão-de-obra na relação dos trabalhadores com a terra, irrigação, estradas para levar os alimentos às cidades e para que os trabalhadores tenham acesso à educação e serviços de saúde. Nas Feiras Camponesas os trabalhadores rurais têm a oportunidade de apresentar e vender sua produção, por isso, elas não param de crescer.
Mas esse crescimento não é possível ser concretizado sem o apoio integral dos governos. Nesta Feira, a organização esperava 130 feirantes, porém, foram contabilizados mais de 180. Por este motivo, muitos feirantes ficaram sem barracas e usaram as lonas pretas para colocar os alimentos.
A CPT considera que ainda é preciso mais infra-estrutura, padronização e organização do evento e também a capacitação dos feirantes. Para isso, o Governo deve encarar a reforma agrária com mais seriedade. Não basta desapropriar a terra que não cumpre sua função social, é preciso viabilizar a assistência técnica e infra-estrutura para que os camponeses tenham melhores condições de trabalho e vida. A Pastoral da Terra marcou para segunda-feira (20/10) uma reunião com o Governo do Estado, na Secretaria de Agricultura (SEAGRI), para discutir mais investimentos na próxima Feira.
Ontem (16/10) o palco da 9ª Feira Camponesa recebeu as bandas Xique Baratinho e Joelson dos 8 Baixos. Hoje, a programação cultural começa a partir das 18:30h, com apresentação de Teatro de Rua, em seguida, com as bandas Gato Zarolho e Pinóquio do Acordeon (Projeto Forrozão 10). A 9ª Feira Camponesa é uma realização da CPT, com apoio do Governo Estadual de Alagoas.


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Maiores informações: Carlos Lima (Coordenador Estadual da CPT) – (82) 9127-5773 / Heloísa Amaral (Engenheira Agrônoma da CPT) – (82) 9127-2364

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

9ª Feira Camponesa tem mais feirantes que o esperado pela organização

CPT reivindica o apoio do Governo para garantir uma melhor infra-estrutura no evento

Cerca de 30 caminhões carregados de alimentos produzidos por assentados da reforma agrária, acampados e de pequenos produtores agrícolas chegaram ontem (14/10) à Praça da Faculdade, no bairro do Prado, na capital alagoana. Até o sol se pôr, toneladas de produtos estavam sendo descarregados. Durante todo o dia a população maceioense visitou a Feira, e depois da abertura oficial, às 18h, o local estava lotado.
A abertura iniciou com uma “mística” (ritual típico dos movimentos campesinos) sobre a “Campanha Nacional pelo Limite da Propriedade de Terra: em defesa da reforma agrária e da soberania territorial e alimentar”, a qual propõe a inclusão na Constituição Federal de um novo inciso que limite às propriedades rurais em 35 módulos fiscais. Em seguida, houve discursos do superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), Gilberto Coutinho; do presidente do Instituto de Terra e Reforma Agrária de Alagoas (ITERAL), Geraldo Magela; do Secretário de Agricultura do Governo Estadual, Jorge Dantas, representando o governador Teotônio Vilela e; da dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Débora Nunes.
A organização da 9ª Feira Camponesa esperava 130 feirantes, porém, foram contabilizados mais de 180. Destes, 81 vieram da zona da mata do Estado. Segundo a engenheira agrônoma da CPT, Heloísa Amaral, faltaram barracas para muitos camponeses e camponesas, os feirantes tiveram que colocar as mercadorias no chão protegidos por lonas pretas. O ITERAL cedeu 5 tubos de lona, mas já foram gastos 11. De acordo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), os governos parecem não perceber a relevância do evento, o apoio ainda é insuficiente, pois o custo vai ultrapassar o planejado. Ontem, durante a abertura, foi feito o pedido ao Governo de Alagoas de mais 60 barracas. O secretário de agricultura, Jorge Dantas, reconheceu que andando pela Feira observou a necessidade de mais barracas e se comprometeu em atender a reivindicação. Caso esse reconhecimento tivesse acontecido antes, quando a CPT solicitou em reunião com o Governo, esse problema poderia ser evitado. A CPT solicitou uma reunião com a SEAGRI na sexta-feira (17/10), com a presença de feirantes de todas as regiões, para discutir mais investimento na infra-estrutura da próxima Feira Camponesa.
Apesar da necessidade de mais investimento em estrutura, o público aprova a organização do evento. A comerciante Kelly Leite, com as mãos cheias de sacolas, conta que sempre participa das Feiras Camponesas. Para Kelly “Os preços são bons e a organização também é boa. Como os produtos não têm agrotóxicos, acho melhor comprar aqui para dar para as crianças. Vou deixar essas sacolas no carro e voltar para pegar as mais pesadas”.
A programação noturna de hoje conta com a apresentação das bandas Mr.Freeze e Chau do Pife. A 9ª Feira Camponesa é uma realização da CPT, com apoio do Governo Estadual de Alagoas, INCRA e MISEREOR.


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Maiores informações: Carlos Lima (Coordenador Estadual da CPT) – (82) 9127-5773 / Heloísa Amaral (Engenheira Agrônoma da CPT) – (82) 9127-2364

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Feira com alimentos orgânicos produzidos por camponeses acompanhados pela CPT começa amanhã


Esta 9ª Feira Camponesa divulga a Campanha Nacional pelo Limite da Propriedade de terra


A partir das 12h dessa terça-feira (14/10) caminhões carregados de alimentos vão começar a chegar na Praça da Faculdade, bairro do Prado, em Maceió. Entre os dias 14 e 17 a Praça vai sediar a 9ª Feira Camponesa, que terá sua abertura oficial às 18h. A organização espera comercializar 250 toneladas de produtos, cerca de 90 variedades.

A Feira reúne a produção de assentados da reforma agrária, acampados e de pequenos produtores agrícolas, como os posseiros e pequenos agricultores, que sobrevivem na terra e do que lá produzem. No evento, a população maceioense vai encontrar alimentos orgânicos frescos e limpos vendidos a um preço justo. Batata, milho, macaxeira, frutas, legumes, ervas medicinais, galinhas de capoeira e carneiros são alguns dos produtos a serem comercializados, todos sem agrotóxicos e com sabor de saúde. O público poderá comprar farinha "quentinha", feita na hora, numa Casa de Farinha construída no local. A programação noturna conta com o melhor do forró pé-de-serra, com os grupos Nó Cego, Chau do Pife, Pinóquio do Acordeon e Joelson dos 8 Baixos e shows das bandas Mr. Freeze, Xique Baratinho e Gato Zarolho. Os produtos estarão à disposição a partir das 6h às 23h, inclusive durante as apresentações culturais.

Esta 9ª edição é um espaço que, além de divulgar a produção dos sem terra e demais camponeses, também pretende apresentar para a sociedade alagoana a "Campanha Nacional pelo Limite da Propriedade de Terra: em defesa da reforma agrária e da soberania territorial e alimentar".A campanha foi criada em 2000 pelo Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo (FNRA)*, com objetivo de mobilizar a sociedade brasileira para incluir na Constituição Federal um novo inciso que limite às propriedades rurais em 35 módulos fiscais. Áreas acima dos 35 módulos seriam automaticamente incorporadas ao patrimônio público. O Brasil tem a segunda maior concentração fundiária do planeta. 2,8% do total das propriedades rurais do país são latifúndios e ocupam 56,7% das terras agriculturáveis, enquanto os minifúndios representam 62,2% dos imóveis e ocupam 7,9% da área total. Com a inclusão do novo inciso na Constituição, esse quadro pode mudar e os brasileiros saem ganhando.

A 9ª Feira Camponesa é uma realização da Comissão Pastoral da Terra (CPT), com apoio do Governo Estadual de Alagoas, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e MISEREOR.


* O FNRA é formado por 47 entidades que lutam pela reforma agrária, direitos humanos, meio ambiente e soberania alimentar e territorial


Maiores informações:Carlos Lima (Coordenador Estadual da CPT) – (82) 9127-5773 / Heloísa Amaral (Engenheira Agrônoma da CPT) – (82) 9341-4025

terça-feira, 7 de outubro de 2008

9ª edição da Feira Camponesa acontece semana que vem


A Feira livre comercializa produtos de assentamentos e acampamentos do Estado


    A 9ª Feira Camponesa vai acontecer entre os dias 14 e 17 de outubro, na Praça da Faculdade, bairro do Prado, em Maceió. A partir das 12h da terça-feira caminhões carregados de alimentos vão começar a chegar e, às 18h será feita a abertura oficial do evento.

    Na Feira a população maceioense vai encontrar alimentos orgânicos frescos e limpos vendidos a um preço justo. Batata, milho, macaxeira, frutas, legumes, ervas medicinais, comidas regionais, galinhas de capoeira, carneiros e outros produtos vindos da roça, sem agrotóxicos e com sabor de saúde. São os frutos da luta pela reforma agrária alimentando nosso povo.

    A Feira Camponesa reúne a produção de assentados da reforma agrária, acampados e de pequenos produtores agrícolas, que sobrevivem na terra e do que lá produzem, como os posseiros e pequenos agricultores.

    A produção das famílias camponesas comercializada em grande quantidade contradiz a informação reproduzida pela grande mídia de que sem terra não trabalha, não produz; ao contrário, o sucesso da Feira Camponesa, agora em sua 9ª edição, apresenta o trabalho do povo do campo, a viabilidade e importância da reforma agrária.


"Se o campo não planta, a cidade não come"

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Em razão de matérias noticiadas pela imprensa com declarações do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária em Alagoas (INCRA/AL) acerca dos assentamentos acompanhados pela Comissão Pastoral da Terra de Alagoas (CPT/AL), informamos:

1º) Ontem (30/9) camponeses/as do assentamento Santa Maria Madalena, localizado nos municípios de Joaquim Gomes e União dos Palmares, ocuparam a sede do INCRA/AL, reivindicando melhorias na oferta de energia elétrica e a construção de uma estrada de acesso à área onde moram. A ocupação aconteceu porque as famílias foram ludibriadas pelo INCRA, que desde janeiro informou que a obra de construção da estrada estava sendo licitada, quando, na verdade, não estava. À tarde houve uma reunião com o superintendente do órgão, Gilberto Coutinho, para discutir a pauta dos/as trabalhadores/as rurais.

2º) Alguns sites noticiaram o fato baseados na nota da assessoria de comunicação do INCRA, onde há uma afirmação por parte do superintendente adjunto, Estevão Oliveira, de que "...dos 13 assentamentos da CPT no Estado, metade já está sendo atendida pelo Territórios da Cidadania, o que inclui obras de infra-estrutura, como estradas e abastecimento de água". É preciso esclarecer que esse atendimento não ocorre, basta visitar os assentamentos que não se verifica nenhuma benfeitoria desse programa. "A estrada é realmente inacessível, eu já estive lá", diz o próprio superintendente do Incra, Gilberto Coutinho, em entrevista a um jornal, referindo-se ao Assentamento Santa Maria Madalena.

3º) Oliveira também afirmou que "Hoje, a CPT é o movimento mais contemplado, proporcionalmente, pelo programa", no entanto, o Governo Federal - através de seus órgãos competentes - nunca discutiu com a Pastoral da Terra sobre Territórios da Cidadania.

4º) Existem muitos projetos que o INCRA alega que a CPT está sendo atendida, mas, na prática, a aplicação dos projetos raramente ocorre. O Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) é um processo em andamento, o qual foi preciso uma luta de mais de 5 anos para começar, porque o INCRA evitou a discussão. Os/as assentados/as acompanhados/as pela Pastoral da Terra ainda não têm acesso às suas ações.

5º) Ao contrário do que foi divulgado pela assessoria no Incra, ainda não foi firmado um convênio com a Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Houve uma reunião com sete professores da UFAL, com a presença do superintendente do INCRA e representante da CPT, na última segunda-feira (29/9), onde foi decidido construir um programa de nível superior – chamado Pedagogia da Terra – para assentados e acampados acompanhados pela CPT que será apresentado até sexta-feira (3/9) para análise e aprovação nas várias instâncias da UFAL. É muito fácil falar de projetos e programas, mas a prática, assim como São Tomé, só acreditamos vendo.

É lamentável que um agente público, faça uso da Instituição e semeie inverdades tentando confundir a opnião publica. As afirmações demonstram que o adjunto deve sair mais ao campo e conhecer melhor a realidade dos assentamentos.


Maceió, 01 de outubro de 2008


Comissão Pastoral da Terra


Maiores informações:
Carlos Lima – (82) 9127-5773 / Henrique Santos – (82) 9127-5044