segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Anistia Internacional realiza pesquisa em Alagoas

Os membros da AI visitaram canaviais e áreas de reforma agrária


A Anistia Internacional (AI) – um movimento global que realiza campanha por direitos humanos – veio pesquisar em Alagoas incidência de exploração de trabalho e violação dos direitos humanos. O foco da visita foram áreas do setor sucroalcooleiro.

Na sexta-feira, 28 de novembro, o pesquisador Tim Cahill e o responsável por campanhas, Patrick Wilcken, junto a membros da equipe da CPT/AL, foram ao Assentamento Flor do Bosque e a Fazenda Esperança, no município de Messias. No dia seguinte, acompanhados também por liderança do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), eles entrevistaram pessoas do povoado ao lado da antiga indústria Agrisa e visitaram as ruínas da Usina Peixe.

Domingo, houve uma reunião da AI com representantes da CPT, do MLST, MST, o economista e professor da Universidade Federal de Alagoas Cícero Péricles e o cientista social Geraldo Majella.


Debate entre movimentos e pesquisadores



    Wilcken explicou que a AI é uma instituição sem fins lucrativos, movimento global com cerca de 2,2 milhões de voluntários que fazem campanhas por direitos humanos. A AI visita o mundo fazendo pesquisa, para conhecer cada realidade, fazer relatórios e enviar cartas aos representantes públicos, entre outras ações que tentam acabar com os abusos aos direitos humanos. A organização é financiada por contribuições dos membros e doações privadas.

    Durante a reunião, o professor Cícero Péricles explanou sobre a conjuntura da monocultura da cana-de-açúcar no Estado. Segundo ele, "as usinas de Alagoas devem à previdência social cerca de R$860.000000,00 (oitocentos e sessenta milhões de reais). Todas devem. Mas são dívidas negociáveis, que não prejudicam as empresas. São dívidas significativas porque representavam 50% da dívida do Estado com o INSS". Péricles afirmou que as usinas empregam 60.000 (sessenta mil) pessoas e, ao tempo que o setor tem potencial econômico, tem relações sociais primitivas semelhantes às relações do século XVI.

    De acordo com Débora Nunes, do MST, há um processo de expulsão do povoado que, por sua vez, torna-se público em potencial para a Reforma Agrária, a exemplo do caso da Fazenda Esperança, visitada pela AI. "Quando as usinas falem, as famílias são descartadas, uma massa de pessoas fica sem trabalho e sem perspectivas. Além da questão dos direitos sociais e humanos, há violência e omissão por parte do Estado. Se a lei fosse cumprida, a questão da Reforma Agrária em Alagoas estaria resolvida", disse a representante do MST.

    Falando em violência, um dos assuntos comentados foi a criação do Centro de Gerenciamento de Crises da Polícia Militar. Ao que parece, há um consenso entre os movimentos locais que a criação do centro foi um fato importante, mas que não resolve verdadeiramente os problemas. Para Débora, "Dizer que não há mudança não podemos dizer. Há mudança: nós apanhamos menos. Mas o problema em si não é resolvido. Não acontece alteração na estrutura".

    Josival, do MLST, falou de uma das dificuldades do movimento: "O movimento tem a contradição de conseguir organizar os trabalhadores, mas não consegue segurar os trabalhadores na luta. O desafio é tentar, além de organizar os trabalhadores, estimular a consciência deles".


Visite o site da Anistia Internacional: www.amnesty.org

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