sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

A farinhada e o governo Teotônio Vilela

*Carlos Lima

A farinha é resultado de um processo de beneficiamento da mandioca ou macaxeira. Segundo o mestre Aurélio Buarque de Holanda a farinha é o pó em que se transformam, uma vez trituradas, certas sementes e raízes.

O nome mandioca advém de uma lenda indígena, a qual reza que a filha de um cacique apareceu grávida e foi expulsa da aldeia. A criança nasceu branca e foi chamada de Mani, quando completou três anos morreu e foi enterrada próximo da oca onde vivia, das lágrimas da mãe, que caiam em cima da cova, brotou uma planta com uma raiz branca. A origem do nome vem da junção de Mani e oca.

Em Alagoas, do sertão ao litoral encontramos na agricultura camponesa a prática da produção de macaxeira ou mandioca. Uma parte da produção é consumida in natura e a outra é beneficiada como forma de agregar valores à renda familiar.

A farinhada (prática de fabricar farinha), mantém viva a história da comunidade através da oralidade, possibilita a unidade territorial e cria uma identidade de grupo. A noite de farinhada é rodeada de cantorias e causos. É a tradição mantendo acesa a memória dos mais novos e o saudosismo dos mais velhos. A farinha é mais que alimento, é um elemento cultural e histórico.

A farinha é utilizada como figura de linguagem constantemente, é comum as pessoas fazerem uso de expressões que fazem alusão à mesma, quem nunca se referiu a alguém que achamos chato dizendo: fulano é "farinha azeda"; ou "é farinha do mesmo saco", quando comparamos os candidatos que estão disputando algum pleito; ou ainda "comeu a farinha e rasgou o saco", quando se trata de ingratidão.

Qual a relação entre esta "farinhada" toda e o governo do tucano Teotônio Vilela? Explico aos leitores: as famílias do assentamento Jubileu 2000 em São Miguel dos Milagres há cinco anos lutam pra construir uma casa de farinha no assentamento, o compromisso foi assumido pelo governo anterior, que levantou o prédio e instalou os maquinários, restando poucos detalhes para o funcionamento, contudo não honrou os compromissos com a construtora e a obra não foi entregue.

Na primeira audiência com o governador Teotônio Vilela, em 2007, foi feita uma exposição da situação e o governador de imediato assumiu o compromisso de realizar os pequenos reparos e fez questão de afirmar que iria fazer a inauguração oficial, participando assim, da primeira farinhada. Quem sabe contar alguns causos.

As famílias continuam aguardando os reparos e estão ansiosas para o dia que a autoridade máxima do Estado, bote os pés no assentamento para inaugurar a tão sonhada casa de farinha, enquanto este dia não chega vão trabalhando de forma artesanal pra produzir a companheira inseparável do feijão, a farinha nossa de cada dia.

*Historiador e coordenador da CPT de Alagoas

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