sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Povo de Flor do Bosque celebra 10 anos de luta

Assentados comemoram aniversário da ocupação com muita alegria




"Já chega de tanto sofrer, já chega de tanto esperar.
A luta vai ser tão difícil, na lei ou na marra nós vamos ganhar"



O povo do assentamento Flor do Bosque - localizado no município de Messias, zona da mata de Alagoas – celebrou ontem (27/11) 10 anos de luta e resistência. A fazenda Flor do Bosque foi ocupada em 27 de novembro de 1998. A terra foi destinada aos sem-terra 8 anos depois.

Às 4h da manhã fogos anunciavam o aniversário da ocupação da área. A celebração iniciou com uma caminhada que fez o percurso desde o primeiro acampamento à terra conquistada. Nas paradas, os assentados e assentadas relembravam a história do Bosque.







"A primeira vez que chegamos acampamos dentro da fazenda. Recebemos despejo e fomos pra pista. Depois viemos para esse lugar e daqui saiu a decisão de ocupar definitivamente a Flor do Bosque. Isso aqui era tudo barraco. E isso que hoje é cana, era tudo roça, era bem bonito. Tivemos muitos momentos bons aqui". Disse a assentada e técnica agrícola da CPT, Maria do Bosque, mostrando onde foi o primeiro acampamento.

Chegando ao assentamento, houve uma celebração presidida pelo Pe. Alexander Cauchi que, segundo os trabalhadores, teve um papel fundamental na construção dessa história. Quando a celebração encerrou, foi partilhado o almoço. À tarde foi de muita alegria, com churrasco e música.







A confraternização aconteceu o dia inteiro, teve a presença de pessoas que apoiaram e fortaleceram a luta do Bosque como as irmãs Rita, Daniela, Teresa, Celine, Carmem Lúcia; Josival Oliveira, do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST); Major Antônio Casado, do Centro de Gerenciamento de Crise da PM; Lenilda Lima, do Sindicado dos Trabalhadores da Educação de Alagoas (SINTEAL) e; a senhora Maria José Viana. O apoio intenacional também foi marcado pela presença de Maria, da Associação Amigos de Joaquim Gomes, da Itália e pela mensagem e fotos do Comitê de Erradicação da Pobreza, do Canadá.







Emocionado, o assentado Del desabafou: "Nós sofremos pelo objetivo que a gente queria. Não vamos destruir o que ganhamos com tanto sofrimento. Temos que valorizar nossa luta, porque nós tivemos coragem de lutar por isso que nós temos hoje. 10 anos de sofrimento e agora estamos dentro da terra que conquistamos".

Maiores informações:

Carlos Lima (Coordenador Estadual da CPT) – (82) 9127-5773 / Jaílson Tenório (Coordenação Estadual da CPT) – (82) 9127-2364

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Amanhã, 27 de novembro de 2008: 10 anos de resistência e luta do povo de Flor do Bosque

A partir das 4h, os/as trabalhadores/as rurais do Assentamento Flor do Bosque, celebram 10 anos na área.
A antiga fazenda Flor do Bosque pertencia a falida Usina Bititinga, localizada no município Messias. A terra foi ocupada em 27 de novembro de 1998 e, após 8 anos, foi comprada pelo Governo de Alagoas e doada às famílias camponesas ali acampadas.
As famílias enfrentaram muitas dificuldades antes da desapropriação da área e ainda hoje lutam para ter melhores condições de trabalho e vida. Elas ainda não tiveram acesso aos créditos iniciais (liberado pelo Incra) e ainda vivem em barracos de lonas e palhas.
Despejos, destruição e envenenamento da lavoura e da água, companheira atropelada em atividade na BR101, criança ferida a tiro, o natal do Bosque... fazem parte da história dos/as lutadores/as do local.

Segue a programação da atividade no assentamento:
04h - Alvorada (Solta de fogos)
07h - Caminhada da vitória
10h - Celebração
11h20 - Coral das crianças do Bosque
13h - Almoço

Trabalhadores rurais levantam acampamento na Praça dos Martírios e levam para o campo novas promessas do Governo



Governo Estadual se reuniu com os camponeses acompanhados pela CPT ontem à tarde



Depois de um dia de silêncio diante da mobilização dos trabalhadores rurais que estavam acampados na Praça dos Martírios, o Governo Estadual marcou reunião com a Comissão Pastoral da Terra (CPT) para às 15h45 de ontem (25/11).

Há cerca de 15 dias a CPT havia protocolado pedido de reunião com o Estado. Uma pauta de reivindicações foi entregue com as pendências da última manifestação da Pastoral em Maceió, que ocorreu em maio de 2008.
A reunião começou à tarde e só foi encerrada às 20h, depois de discutir a pauta com 21 reivindicações. Construção de Casas de Farinha, água potável, apoio às feiras camponesas, liberação dos kits do Projeto Quintal Produtivo, energia elétrica nos assentamentos e estradas foram alguns dos itens debatidos.


Obra de Casa de Farinha não concluída:
Uma vergonha para o Governo Estadual!


A Casa de Farinha do Projeto de Assentamento (PA) Jubileu 2000 já foi ponto de pauta de diversas reuniões com o Governo do Estado. Em audiência ocorrida em maio deste ano, o Governador afirmou ir ao local inaugurar a Casa de Farinha. No entanto, os trabalhadores rurais esperam o encerramento da obra para tal visita.

O presidente do assentamento fez um apelo para os representantes do Governo: “Eu peço atenção a vocês para apoiarem os trabalhadores, porque nós a cada dia perdemos a esperança nesses governos que só dão atenção ao latifundiário”. O secretário do Gabinete Civil, Álvaro Machado, representando o Governador, respondeu: “...Nós realmente avaliamos que estamos parados. É uma pendência nossa com vocês em relação à esse ponto. É uma vergonha para o Governo a não execução desta obra por ‘problemas internos’”.

"Casas de farinha, estradas, água potável, kits produtivos... Honestamente, nunca vimos tantas promessas!"


Sobre a construção das estradas de acesso a todos os 13 assentamentos acompanhados pela CPT, o secretário Álvaro Machado e o diretor-presidente do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Ronaldo Lopes, comprometeram-se em buscar soluções a curto e médio prazos para garantir o acesso às áreas, especialmente onde há mais dificuldade.

Segundo Geraldo Magela, presidente do ITERAL - órgão responsável pelos kits - estes seriam entregues apenas para o PA Pe. Emílio. Porém, a engenheira agrônoma da CPT explicou que a reivindicação é que os Kits devem ser entregues também para outros assentamentos. Para a CPT, eles podem melhorar a vida dos camponeses e podem, inclusive, qualificar as hortas das famílias assentadas. O governo se comprometeu em garantir kits para os demais PAs.

O apoio às Feiras Camponesas de 2009 e ampliação, realizando-as mais duas vezes ao ano; doação de sementes mediante edital para o plantio de 2009; articulação e intermediação junto à Telemar para implantação de orelhões nos assentamentos e; o apoio à 22ª Romaria da Terra e das Águas estão entre os compromissos assumidos pelo Governo.

Trabalhadores rurais também fizeram reuniões com CEAL e INCRA


Energia elétrica nos assentamentos foi uma das reivindicações dos sem-terra. Por isso, nesta terça-feira (25/11), uma reunião foi realizada com a CEAL, que se comprometeu em fazer visitas de funcionários à três assentamentos (Jubileu 2000, em São Miguel dos Milagres; Delmiro Gouveira, em Inhapi e; Santa Maria Madalena, em União dos Palmares e Joaquim Gomes) para verificar a possibilidade da mudança da energia monofásica para trifásica

No final da tarde de segunda-feira (24/11), os camponeses caminharam até o Incra e reuniram-se com o superintendente Gilberto Coutinho. No dia seguinte, aconteceu uma nova reunião com o procurador-chefe da Procuradoria Incra, Dr. Bruno Lemes, mas foi tão improdutiva como as terras ocupadas pelos camponeses que há muitos anos lutam por reforma agrária.

Camponesas são agredidas em frente à Secretaria da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos


No Dia Internacional Contra a Violência às Mulheres e Meninas, as trabalhadoras acompanhadas pela Pastoral da terra são agredidas ao tentar reivindicar direitos

Ontem (25/11), as trabalhadoras rurais acompanhadas pela Comissão Pastoral da Terra de Alagoas (CPT/AL) caminharam até a Secretaria da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos para se reunir com a secretária, Wedna Miranda. Ao tentarem entrar no prédio, foram agredidas por um segurança ainda não identificado.

O objetivo das mulheres era agradecer as ações de cidadania realizadas nas regiões do sertão, zona da mata e litoral de Alagoas e discutir reivindicações feitas em maio de 2008. Apesar do ocorrido, a reunião aconteceu, a secretária desculpou-se pelo incidente e se comprometeu em realizar mais ações de cidadania, inclusive no agreste do Estado – onde o a secretaria do Governo não cumpriu com o acordo de fazer a atividade.

Ao contrário do que noticiado em alguns meios de comunicação, os servidores não foram impedidos de sair do local. O tumulto aconteceu devido à truculência de um homem na porta do prédio.

As camponesas contaram que sempre foram bem recebidas na Secretaria da Mulher e jamais esperavam uma recepção daquela forma. Duas mulheres sem-terra fizeram exame de corpo de delito no IML e vão fazer o boletim de ocorrência. A CPT pretende entrar com um processo contra os responsáveis pelo ocorrido.


Maiores informações: Heloísa Amaral (Agrônoma da CPT) - 9341-4025 / Carlos Lima (Coordenador da CPT) - 9127-5773

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Trabalhadores rurais acompanhados pela Pastoral da Terra partem dos Martírios para o INCRA



Os camponeses que estavam na Praça dos Martírios ocuparam o órgão federal para se reunir com o Superintendente



Os trabalhadores rurais que ocupam a Praça dos Martírios, no Centro de Maceió, saíram em passeata para a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) – onde estão ocupando desde às 16h de hoje (24/11). Em torno das 16h45, Gilberto Coutinho, superintendente do órgão, chegou ao local para se reunir com as lideranças dos assentamentos e acampamentos acompanhados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT).


A CPT já havia entregado uma pauta de reivindicações, tanto ao Incra, quanto ao Governo Estadual e até à tarde esperava que uma reunião fosse marcada. Na reunião com Coutinho, o debate vai em torno das terras ocupadas há anos e que os processos parecem estáticos e acerca da estrutura dos Projetos de Assentamento – com destaque para a construção de estradas – e as licenças ambientais.


Faixas com as frases: “Sem licença ambiental não temos terras demarcadas, nem acesso aos créditos... Honestamente, por que demora tanto?” e “Casas de farinha, estradas, água potável, kits produtivos... Honestamente, nunca vimos tantas promessas!” foram colocadas em frente do prédio do Incra.







Maiores informações:
Carlos Lima (Coordenador Estadual da CPT) – (82) 9127-5773
Jailson Tenório (Coordenador Estadual da CPT) – (82 9127-2364

Camponeses acompanhados pela CPT ocupam Praça dos Martírios


Aproximadamente 800 trabalhadores rurais vieram exigir do Governo o cumprimento de promessas


Desde o fim da tarde de ontem (23/11), trabalhadores rurais acompanhados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) estão ocupando a Praça Floriano Peixoto (Praça dos Martírios), no Centro de Maceió.

Eles vieram de várias regiões do Estado para exigir ao Governo Estadual e ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) o cumprimento de acordos feitos em reuniões no início do corrente ano. A CPT entregou aos órgãos uma pauta de reivindicações.

As famílias acampadas pretendem ficar em Maceió até conseguirem audiências com o governador Teotônio Vilela Filho e o superintendente do Incra, Gilberto Coutinho. "Nós protocolamos um pedido de reunião com o Governo há cerca de 15 dias e ainda não tivemos resposta. Agora vamos ficar até que aconteça a reunião, para discutirmos questões pendentes", explicou o coordenador estadual da CPT, Carlos Lima.

A demarcação de lotes no Projeto de Assentamento Flor do Bosque, agilização de processos de fazendas ocupadas há muitos anos, a construção de estradas e as licenças ambientais são alguns dos pontos da pauta entregue ao Incra. Já na pauta do Governo de Alagoas, consta a construção de Casas de Farinha em 4 áreas; agilização de outras obras estruturantes dos assentamentos; encaminhamento e ampliação do novo convênio da escola itinerante nos acampamentos; implementação do projeto para abastecimento de água tratada nos novos assentamentos e; a liberação de kits produtivos.

Entre as reivindicações, a construção de estradas nas áreas de reforma agrária e as licenças ambientais se destacam. A falta de estradas é um dos maiores problemas enfrentados pelos assentados para escoar sua produção. E sem o licenciamento ambiental, não há demarcação das terras e os trabalhadores não têm acesso aos créditos produtivos.


    



Maiores informações:     

Carlos Lima (Coordenador Estadual da CPT) – (82) 9127-5773 / Jailson Tenório (Coordenador Estadual da CPT) – (82 9127-2364

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

21ª Romaria da Terra e das Águas em Alagoas aconteceu neste último final de semana

5 mil pessoas do campo e da cidade do Estado caminham de Flexeiras ao Assentamento Flor do Bosque, em Messias

Trabalhadores da cidade e do campo, assentados e acampados e religiosos reuniram-se para refletir e celebrar na 21ª Romaria da Terra e das Águas de Alagoas. A lua cheia iluminou os passos dos 5 mil peregrinos e peregrinas que percorreram 13km até o assentamento Flor do Bosque, no município de Messias.

Antes da caminhada, às 20h, houve a exibição do Filme da “Campanha Nacional pelo Limite da Propriedade de Terra: em defesa da reforma agrária e da soberania territorial e alimentar”. A programação contou com momento cultural, com o show do baiano Manoel de Jesus e apresentação do Balé Popular do município de Flexeiras – local de onde partiu a caminhada. Em seguida, houve a celebração presidida pelo Arcebispo de Metropolitano de Maceió, Dom Antônio Muniz.






As bandas das Paróquias de Flexeiras e Joaquim Gomes e Manoel de Jesus animaram a 21ª Romaria da Terra e das Águas com os cantos da terra. Senhoras e senhores, adultos, jovens e crianças cantavam alegremente as músicas de romaria, fé, esperança e da luta pela terra.







“Meu povo é um povo romeiro desde os tempos de Abraão.
Vamos nesta marcha Santa. Esta terra é tanta em tão poucas mãos!
Salve, salve a caminhada. Salve, salve a romaria.
Em busca da nova aurora de um novo dia”.
(Salve a Romaria, de Zé Vicente)








Chegando ao assentamento Flor do Bosque, o público foi recepcionado com faixas e cartazes das famílias assentadas, desejando as boas-vindas e contando um pouco da história da ocupação à conquista da terra. Um “museu” com artefatos dos 10 anos de luta e resistência foi montado na Escola Camponesa Irmgard Margaretha George (Irmã Rita). A escola foi nomeada em homenagem a esta mulher que faz parte da história do assentamento, colaborou – e ainda colabora – com os assentados, levando-os a palavra de Deus e motivação.







Ao final, um café da manhã camponês foi partilhado para acabar com o cansaço daqueles que viraram a noite caminhando. Beijus feitos na Casa de Farinha do assentamento, arroz doce e café foram servidos para todos.

A 21ª Romaria da Terra e das Águas foi organizada pela Comissão Pastoral da Terra e as Comunidades Eclesiais de Base (CEB's) e teve o apoio da Arquidiocese e das Paróquias de São Benedito (Flexeiras) e São Sebastião (Messias).

“Aonde vai esse povo que marcha em romaria.
Vai buscar o tempo novo.
O nosso Deus a frente é luz e guia”
(Em romaria, de Socorro Lira)

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

21ª Romaria da Terra e das Águas de Alagoas deve reunir mais de 5 mil pessoas

Caminhada percorre 13km de Flexeiras ao Assentamento Flor do Bosque (Messias)


Neste final de semana, 15 e 16 de novembro, vai acontecer a 21ª Romaria da Terra e das Águas, com o tema "Terra Conquistada: Vida e Fartura Partilhada". A caminhada parte da Praça Central de Flexeiras, e se estenderá até o assentamento Flor do Bosque, em Messias. Serão 13km percorridos em noite de lua cheia e, ao amanhecer do dia, um café da manhã camponês vai ser oferecido pelos assentados da região.

A concentração da Romaria começa a partir das 20h deste sábado (15) com um momento cultural. Às 22h haverá Missa presidida pelo Arcebispo de Maceió, Dom Antônio Muniz. Em seguida, a caminhada será iniciada. Durante o percurso, camponeses e camponesas entoarão cantos da terra. Três momentos com muita celebração, reflexões e orações irão acontecer durante as paradas.

O percurso é encerrado no assentamento Flor do Bosque para celebrar os 10 anos de luta e resistência do povo do local. Essa Romaria também reflete a realidade do complexo Agrisa/Peixe (pelo MST, MLST e MTL) – maior área desapropriada do Estado. Além disso, a Romaria divulga a Campanha Nacional pelo Limite da Propriedade de Terra e em Defesa da Reforma Agrária e da soberania territorial e alimentar, pretende fortalecer as comunidades camponesas envolvidas e debater o papel dos camponeses na missão de produzir alimentos e preservar o meio ambiente.

A partir da simbologia da saída da cidade para o campo – do Egito à terra prometida –, a Carta da 21ª Romaria da Terra e das Águas, assinada por Dom Antônio Muniz, denuncia a "escravidão causada pelo agronegócio e suas monoculturas, que expulsa o homem do campo, empurrando-os para as favelas e tirando-lhes a dignidade de filhos e filhas de Deus" e "morosidade do INCRA de fazer uma reforma agrária sustentável, integral e realmente camponesa".

Durante 12 anos a Romaria da Terra aconteceu na Serra da Barriga, berço da luta pela liberdade, sendo realizada inicialmente pela paróquia de União dos Palmares e da Comissão Pastoral da Terra. Com o passar dos anos, a caminhada foi crescendo e passou a ser a ser itinerante, indo aonde há necessidade de fortalecer a comunidade e denunciar os conflitos agrários.


Maiores informações:Carlos Lima (Coordenador Estadual da CPT) – (82) 9127-5773 / Henrique Santos (Coordenação Estadual da CPT) – (82) 9127-5044

terça-feira, 11 de novembro de 2008

II Encontro das Diretorias das Associações dos assentamentos acompanhados pela CPT

Na semana passada, entre os dias 5 e 7/10, aconteceu o II Encontro das Diretorias das Associações dos assentamentos acompanhados pela CPT. O evento teve como objetivo fortalecer as associações dos assentamentos, discutir suas dificuldades, buscar soluções para os problemas enfrentados e refletir os sonhos dos trabalhadores e trabalhadoras rurais.
Entre alguns dos problemas enfrentados nos assentamentos estão: falta da presença do INCRA e do IMA nas áreas; a falta de consciência ambiental para preservar as reservas; falta de recursos, sementes e projetos; a Casa de Farinha do assentamento Jubileu 2000 sem funcionar por deficiência na instalação elétrica e porque o Governo Estadual não concluiu as obras; falta de estradas para escoamento das produções e; a desunião dos membros da direção das associações. Como conseqüência, poucas pessoas participam das assembléias e as mensalidades das associações não são pagas por todos associados.
Por outro lado, os camponeses destacam pontos positivos nos assentamentos e discutiram algumas soluções para os problemas citados. Para eles, a produção aumentou após a visita da equipe de assistência técnica. A realização do banco de sementes no sertão; a participação dos membros da CPT nas assembléias dos assentamentos; capacitação para os membros da direção das associações; o desenvolvimento de uma norma, para melhor organizar a vida social dos assentados e; documentar as atividades; são algumas das soluções apontadas. Os sonhos comentados pelas diretorias são os de obter transportes para escoamento da produção; centro de formação nos assentamentos; escola agrícola; formação de cooperativas; Casas de Farinha; cisternas; estradas, moradia, saúde e educação digna nos assentamentos.
O encontro também discutiu a construção e reforma das casas nos assentamentos. Apesar da conquista da terra, poucos assentamentos já têm casas de tijolos construídas, muitos camponeses ainda vivem em casas de palha ou taipa. Três assentamentos (Delmiro Gouveia, Serra do Paraíso e Jubileu 2000) terão a reforma das casas; já outros nove (Flor do Bosque, Irmã Doroty Stang, Padre Alexander Cauchi, Margarida Alves II, Quilombo dos Palmares, Santa Maria Madalena, Cobras, Todos os Santos e Acampamento Navio) vão começar as obras.