sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Velha mais jovem de Alagoas completa 109 anos

Maria Albertina reside no assentamento Caramuru com sobrinho e família

Em 1900, nasceu em São Miguel dos Campos, a negra de olhos azuis, Maria Albertina da Silva. Casada durante 34 anos, passou a viver sozinha quando o marido faleceu. Depois de alguns anos, foi morar com o sobrinho Sebastião. Maria Albertina trabalhou sempre na roça e na cozinha “do branco”. Há 5 anos deixou de plantar por causa da saúde frágil devido à idade.

A senhora nunca trabalhou com carteira assinada, trabalhava o dia inteiro para ganhar o equivalente a 10 reais por mês. Como passava maior parte do tempo na casa do branco, alimentava-se no local de trabalho e retornava à casa da mãe para dormir. “Depois que os brancos almoçavam é que eu ia comer. Eu me empreguei numa casa que tinha dois gatos e três cachorros e eu só comia quando os bichos comiam. Era quando a patroa dava a ordem. Aí eu digo, hômi, esse negoço tá ruim. Então eu saí da casa”.
Quando questionada se pode falar algo que tenha marcado a sua vida, Maria fala: “O que eu mais curti da minha vida foi só trabalho. Eu trabalhei de roça mais a minha mãe, quando a minha mãe ficou velha e não podia mais trabalhar de roça, eu fui pra rua. Ela achou que a gente ia morrer de fome, mas eu me empreguei na casa do branco e graças a Deus nunca passei um dia de fome”.

A respeito dos períodos críticos na história do país e do mundo, como a primeira e segunda grande Guerra Mundial, crise de 1929, golpe militar, fome da década de 1970, Maria Albertina afirma: “Hômi, eu vou dizer uma coisa, eu ouvi falar nessa coisa de fome de 70, mas eu não passei. Não sei se é porque eu tava na casa do branco e não faltava nada. Agora em [década de] 30 eu já tava trabalhando”.

“Acho bom morar no assentamento. Só acho ruim e tirarem a gente daqui, porque eu só ando nos braços dele (Sebastião), quando é pra sair, se for de carro, é ele que me coloca no carro e que me tira”, diz a velha jovem. Sebastião conta que a tia ainda anda normalmente dentro de casa, ajuda ralando coco, macaxeira e cuidando da casa. Ele aproveita para falar um pouco sua história.

Sebastião diz: “Eu conheci a CPT através de um cunhado meu, que hoje mora no assentamento Areais. Zezinho conheceu a Pastoral através de um colega dele que tinha sido assentado em Água Branca”. Antes de ser assentado, o senhor de 66 anos trabalhava como pedreiro, passou pelos Acampamentos Mumbuca e Bota Velha, localizados em Murici, depois foi para Flor do Bosque e, antes de ser assentado em Caramuru, acampou na fazenda São Sebastião, no Rio Bonito, em Joaquim Gomes.

Há 8 anos o trabalhador rural é acompanhado pela CPT. “Não é que eu desisti de ser pedreiro, mas vivia no sufoco. Quando cheguei na roça, não sabia plantar, mas comecei a olhar os outros plantarem e aprendi, hoje vivo da minha roça”.

Maria Albertina mora com a família no Assentamento Caramuru, localizado em Maragogi, litoral norte de Alagoas. Ela vive na simples e organizada casa de taipa do sobrinho Sebastião Antônio Vasconcelos; sua esposa Antônia Ferreira Vasconcelos; a filha do casal, Cleide– que trabalha na cidade – e; a netinha Érica, que tem apenas 3 anos.




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