quinta-feira, 19 de março de 2009

Movimentos saem vitoriosos de ocupação em Branquinha

Grupo João Lyra aceitou ser notificado hoje para ter seus imóveis vistoriados pelo Incra


Em audiência de reconciliação na Vara Agrária, a representação do Grupo João Lyra se comprometeu em receber na tarde de ontem (18.03) a notificação de vistoria do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que deve acontecer num prazo de três dias. Essa era a principal reivindicação dos três movimentos sociais (MST, MLST e CPT) que ocupavam desde o dia 8 de março a fazenda Campo/Monte Verde, em Branquinha ( 70 km de Maceió).

Na avaliação do juiz Ayrto Tenório, agora titular da Vara Agrária, o acordo foi positivo e bom para ambas as partes. Os movimentos começam a desocupar a área, estando impedidos por um interdito proibitório de ocuparem outras fazendas do Grupo João Lyra. Segundo Tenório, “falta o governo federal cumprir seu papel de fazer uma reforma agrária séria, honesta e fiscalizada. Só assim chegaríamos a um resultado positivo”.

Os movimentos, que além de terem a vistoria garantida, receberam do Grupo JL cinquenta rolos de lona, avaliam que a ocupação foi mais uma vitória dentro da Jornada de Luta das Mulheres Camponesas. “A nossa expectativa é que o Incra cumpra as determinações da lei quando for fazer a vistoria. Que peça assessoria da Procuradoria Regional do Trabalho e dos órgãos ambientais para comprovar nossas denúncias”, salienta Carlos Lima, coordenador da CPT.

Segundo o Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis (CMA) da ONG Repórter Brasil, nas terras da usina Laginha já foram encontrados menores trabalhando no corte da cana, além de o proprietário ter sido notificado no ano passado pelo Grupo Móvel do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) por prática de trabalho escravo. Na ocasião, a Operação Zumbi dos Palmares libertou 53 cortadores escravizados e o grupo Laginha terá que pagar indenização por danos causados ao interesse difuso e coletivo dos trabalhadores.

Fonte: Rafael Soriano - Assessoria MST/AL

Nenhum comentário: