terça-feira, 10 de março de 2009

Trabalhadores rurais ocupam latifúndio por tempo indeterminado

A fazenda Campo Verde não cumpre função social em relação à preservação do meio ambiente e leis trabalhistas, diante disso, mais de 1500 famílias resolveram ocupá-la na madrugada desta segunda-feira (9)


Na madrugada desta segunda feira, 9, trabalhadores rurais dos três principais movimentos que defendem a Reforma Agrária em Alagoas (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST, Comissão Pastoral da Terra - CPT e Movimento de Libertação dos Sem Terra - MLST) numa ação inédita no estado, ocuparam a fazenda Campo Verde, em Branquinha, um grande latifúndio destinado à produção de cana-de-açúcar.

A fazenda localizada a aproximadamente 70 km a Noroeste de Maceió, é de propriedade do usineiro João Lyra, e infringe o artigo 186 da Constituição Federal, pois não cumpri a sua função social da terra, quanto ao meio ambiente (desgaste do solo, destruição da mata atlântica e o cultivo de cana em áreas com mais de 45º de angulação) e dívidas trabalhistas (inclusive, no ano passado foi notificado por prática de trabalho escravo). Segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, destacam-se os seguintes requisitos: I - aproveitamento racional e adequado; II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente; III - observância das disposições que regulam as relações de trabalho.

Por volta das seis horas de hoje, teve uma visita de um representante da empresa, gerente da Laginha, que conversou com trabalhadores. Porém, os camponeses reafirmaram as irregularidades no local e que vão exigir seus direitos, também, reforçaram que ficarão por tempo indeterminado.

As mais de 1500 famílias que montaram acampamento estão substituindo a lavoura da cana destinada à produção de açúcar e etanol por alimentos é o objetivo da ocupação, garantindo a soberania alimentar e levando alimentos limpos e diversificados para a mesa dos mais pobres, além de e se preparar para substituir a lavoura de cana por feijão e milho.

Segundo Carlos Lima, coordenador da CPT-AL, “a ocupação representa um marco na luta pela reforma agrária em Alagoas, podendo vir a ser a primeira área a ser desapropriada devido ao desrespeito às questões trabalhistas e o meio ambiente. Diante disso, vamos continuar na luta para garantir nossos direitos”, declarou.

A coordenação dos movimentos terá uma reunião nesta terça-feira (10), a partir das 10h na sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária em Alagoas (INCRA). No encontro, irão protocolar o pedido da desapropriação do imóvel e solicitar do superintendente, Gilberto Coutinho, agilidade no processo.

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