quarta-feira, 6 de maio de 2009

Monocultura da cana de açúcar “produz” exploração humana e degradação ambiental

Por: Carlos Lima - Coordenador da CPT/AL


Alagoas - um estado no qual predomina a prática da cultura da cana de açúcar para produção de açúcar e etanol - é marcada pelos piores índices de desenvolvimento humano do país. A miséria tem nome e sobrenome: concentração de terra e a monocultura da cana de açúcar.

A ocupação da fazenda Campo Verde ou Monte Verde, pertencente ao grupo João Lyra trouxe à tona o debate sobre a “produtividade” da terra. Inúmeras foram as críticas por meio de editoriais e reportagens de jornais da capital, fiéis porta-vozes dos usineiros, que questionavam a legitimidade da ocupação numa área produtiva.

A produtividade é um dos critérios para a manutenção da propriedade, contudo a constituição brasileira, no art. 186, prevê que a terra deve cumprir a sua função social e tem que atender simultaneamente a produtividade, o equilíbrio com o meio ambiente e o respeito às questões trabalhistas.

A área ocupada faz parte dos 50 mil hectares de terras que o grupo João Lyra detém em Alagoas. É público e notório que o grupo não vem pagando os trabalhadores e fornecedores, inclusive, no ano passado foi autuado por prática de trabalho escravo no ministério do trabalho.

Além disso, o grupo tem dívidas no INSS, a exemplo da Usina Laginha com R$ 54.122.007,23. Caberia ao governo Lula desapropriar os imóveis em questão aplicando os artigos 186 e 184 da Constituição. Infelizmente o governo faz o contrário e vai beneficiar com 600 milhões de reais a quem destrói o meio ambiente e pratica trabalho escravo.

A “produtividade” que vem da monocultura da cana é responsável pelo número de miseráveis e no aumento da quantidade de famílias expulsas do campo - segundo pesquisas do IBGE, 56% da população vivem abaixo da linha da pobreza. De acordo com o estudo do professor e economista Cícero Péricles, os programas do governo federal (bolsa família e outros) distribuem mais renda que os usineiros em Alagoas.

É um insulto, Alagoas ter que importar cerca de 70% dos alimentos que são consumidos. A agricultura praticada em 64% da área agricultável, aproximadamente 410 mil hectares de terra, destinada a plantação de cana de açúcar é baseada na grande extensão de terras (latifúndio) e tem como destino o mercado externo, para abastecer as mesas e os carros dos países ricos.

Produtividade deve ser sinônimo de mesa farta e barriga cheia, a função sagrada da terra é produzir alimentos diversificados e saudáveis para atender às necessidades do povo.

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