quinta-feira, 23 de julho de 2009

Agricultores doam 5 mil quilos de alimentos para famílias carentes

Dois caminhões repletos de alimentos chegaram na capital alagoana



Por: Helciane Angélica - Jornalista


Na manhã desta quinta-feira (23.07) trabalhadores rurais que recebem o apoio da Comissão Pastoral da Terra em Alagoas fizeram a doação de cinco mil quilos de alimentos na favela Sururu de Capote, localizada no bairro do Vergel do Lago em Maceió. A ação iniciou a programação celebrativa dos 25 anos da CPT-AL e continuará até sábado, com várias atividades, também para comemorar o Dia do Agricultor.

O ato político foi iniciado com a mística da partilha, onde foram executados cânticos que refletem a importância do campo (Semente; Eu sou roceiro; Terra e raiz; Pão em todas as mesas; Asa Branca), a oração do alimento e a leitura do Evangelho da Multiplicação dos pães (Mt 14, 15-21).



Chegaram à capital alagoana, dois caminhões, um da zona da mata e o outro do sertão, com alimentos de qualidade e livres de agrotóxicos, que foram produzidos em assentamentos e acampamentos acompanhados pela CPT. Dentre os alimentos doados, estiveram: banana, laranja, macaxeira, abóbora, pepino selvagem, coco, feijão, farinha, cana de açúcar, milho, etc.

A atividade também serviu para fazer a reflexão crítica sobre as consequências do êxodo rural e sobre a importância da reforma agrária, já que, a maioria das pessoas que estão morando de forma precária vieram do interior. A moradora da favela, Maria Josefa Simão da Silva de 20 anos, saiu do município de Campo Alegre há cinco anos, trabalhava no corte da cana e veio em busca de melhores condições de vida. Atualmente, é marisqueira e precisa fazer vários bicos para sobreviver, mas sonha em retornar para sua terra.

Além disso, foi ressaltada a forma discriminatória que os agricultores que fazem parte dos movimentos do campo e moradores das periferias sofrem pela grande mídia e a sociedade de uma forma geral. “Muitas vezes nós somos chamados de vagabundos e bardeneiros, mas isso não é verdade porque somos trabalhadores, temos condições de plantar, produzir e melhorar as ações no campo. Aqui está a prova do nosso trabalho, tudo que foi trazido para cá são alimentos sadios”, ressaltou o trabalhador rural José Ismael da Silva, 44, morador do acampamento Flor do Bosque II em Messias.

Os alimentos foram entregues para a associação comunitária que ficou responsável em fazer a distribuição, inclusive, para as famílias que foram transferidas para o conjunto habitacional “Cidade Sorriso” no bairro do Benedito Bentes.


Convocação


De acordo com o coordenador estadual, Carlos Lima, a doação dos alimentos não representam apenas uma ação solidária e sim um convite para que as famílias carentes possam retornar ao campo e deixar de passar necessidades.
“A cana tirou vocês do campo e hoje o tráfico e as dificuldades na cidade estão tirando a felicidade de vocês. A cana está lá para a gente tirar, para limpar e fazer a nossa roça, porque lá na ‘Cidade Sorriso’ ninguém vai sorrir não! Todos que estão na favela e queiram voltar à zona rural estão convidados para entrar na nossa luta e participar de nossas ocupações”, disse Carlos.

Para simbolizar a integração entre o campo e a cidade foi entregue uma bandeira da CPT à comunidade, além de demonstrar a união nas ações futuras.









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