sexta-feira, 17 de julho de 2009

Camponeses produzem em área abandonada pelo Governo

O Governo solicitou a reintegração de posse e quer desabrigar 43 famílias que estão ocupando uma área desativada desde fevereiro, localizada no município de Igaci


Texto: Helciane Angélica - jornalista
Fotos: Arquivo - CPT/AL




Cerca de 40 famílias camponesas estão desde o dia 25 de fevereiro em uma área que pertence ao Estado no município de Igaci, localizado no agreste alagoano, distante 152km de Maceió. O imóvel possui aproximadamente 180 hectares, tinha como objetivo a realização de experimentos agrícolas, mas foi encontrado em total abandono e equipamentos largados.

A instituição responsável pelo local era a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Alagoas (Epeal), que foi extinta e suas atribuições absorvidas pela Secretaria de Agricultura (Seagri), mas o espaço ficou desativado. Segundo denúncias das lideranças, um engenheiro agrônomo e funcionário do governo, identificado apenas por “Chico” e utilizava para fins pessoais, arrendou a área para fazendeiros da região e explorava os trabalhadores no sistema de meia (os agricultores faziam diversas plantações e tinham que dividir a colheita com ele), por isso, decidiram realizar a ocupação.

Os trabalhadores rurais recebem o acompanhamento da Comissão Pastoral da Terra de Alagoas, e o acampamento recebeu o nome de Nossa Senhora de Guadalupe (padroeira da América Latina) e continuam pressionando o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA-AL) para a execução das vistorias e aquisição das terras. Eles estão vivendo na área e cultivam cerca de 200 tarefas de alimentos como: milho, feijão, maxixe, abóbora, mandioca, batata e outros.



Descaso encontrado: terras abandonas, cisterna suja e pesquisas paradas


O Estado entrou com o pedido para a reintegração de posse e foi agendada uma audiência de conciliação, que acontecerá na manhã do dia 29 de julho, na sede da Vara Agrária - localizada na Rua Alcino Casado, 13, Centro de Maceió. O juiz Ayrton Tenório fará a intermediação no caso. A principal missão do órgão é solucionar os conflitos agrários no estado, no entanto, o magistrado tem assumido uma postura diferente do seu antessessor Carlos Cavalcanti, que ouvia as partes, realizava inspeções e tentava encontra saídas pacíficas.

A CPT-AL vai propor que as famílias sejam cadastradas para continuar cultivando seus alimentos e que o INCRA adquira um imóvel rural para beneficiar as famílias. De acordo com a acampada Fátima, com a produção na área trouxe benefícios para toda a sua família: “Ontem eu não tinha nada e hoje tenho milho, horta, feijão e minha saúde melhorou, vamos lutar pra ficar aqui”, declarou.


Produtividade: Famílias camponesas retiram do solo o seu sustento

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