quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Trabalhadores rurais preparam-se para marchar de Delmiro Gouveia a Maceió



Trezentos quilômetros. Essa é a média de distância que os mais de 1500 trabalhadores rurais organizados pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) irão percorrer em marcha de Delmiro Gouveia, no alto sertão alagoano, até Maceió. Entre as pautas, os trabalhadores querem a imediata atualização dos índices de produtividade rural, como passo fundamental para o desenvolvimento em todo o país de uma política de Reforma Agrária que assente todas as famílias acampadas. A Marcha Estadual por Reforma Agrária e Soberania Popular ainda promove o diálogo com a população de todas as cidades sobre os problemas locais, relacionados ao grandes projetos de interesse da elite e do agronegócio.

O ato de abertura da Marcha inicia às 17h no dia 30/09, na praça de eventos de Delmiro Gouveia e contará com a presença de apoiadores da luta da Reforma Agrária de todo o Estado. Um dos objetivos do Movimento é consolidar a organização de todas as categorias de trabalhadores que lutam por um novo modo de produção e convivência com o planeta, sem classes, sem exploradores ou explorados.

Durante todo o percurso os 1500 camponeses também têm seu momento diário de estudo e formação política, debatendo com a população e com os poderes locais sobre problemas como a chegada da mineração de capital privado em Alagoas e seus impactos ao meio ambiente e aos agricultores locais. A Vale Verde, empresa de capital canadense, está se instalando com uma grande facilidade na região de Craíbas para explorar sozinha 500 milhões de toneladas de minério de ferro, cobre e ouro.

A movimentação do MST em Alagoas está em sintonia com a pressão para que se altere os índices de produtividade rural, promessa do Governo Lula, não concretizada até o momento, contribuindo para o atraso da Reforma Agrária no Brasil. “Estamos em marcha para evidenciar que a Reforma Agrária somente pode acontecer com esta atualização [índices de prodtividade] e com a ampliação do orçamento do Ministério do Desenvolvimento Agrário para 2010”, afirma Débora Nunes da Direção do MST. Ela conclui que a Reforma Agrária é uma política que minimizará o problema da desigualdade tanto no campo, como na cidade e, portanto, não deve ser uma política apenas de agricultores, mas de toda a população. “Marchamos para levar esse sentimento coletivo sobre a luta no campo à tona, principalmente em Alagoas, onde somos todos influenciados pela exploração da monocultura canavieira”.

Fonte: Rafael Soriano - Assessor de Comunicação do MST/AL

Governo intensificará fiscalizações no Rio São Francisco

IMA, Ibama e Polícia Ambiental receberam viaturas doadas pelo governo Federal

Um convênio de cooperação entre Instituto do Meio Ambiente (IMA), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) e o Batalhão de Polícia Ambiental (BPA) vai possibilitar a intensificação das ações de fiscalização em toda extensão do Rio São Francisco em Alagoas. Na tarde de quinta-feira (24) uma solenidade marcou a entrega de duas viaturas ao IMA e ao BPA que ajudarão nas ações.

A partir de agora, a fiscalização nesta região vai ser feita de forma conjunta e será mais consistente, segundo afirmou o diretor-presidente do IMA, Adriano Augusto de Araújo Jorge. “Agora poderemos dar resposta com mais agilidade às denúncias de desmatamento ambiental naquela área. Teremos uma base na região, que será o ponto de apoio para todas as ações desencadeadas na recuperação e proteção ao meio ambiente em todo território alagoano da Bacia do Rio São Francisco”, salientou o presidente do IMA.

A presidente do Ibama, por sua vez, salientou que a entrega das viaturas vai ajudar a realização do sonho de todo alagoano, que é a revitalização do Rio São Francisco. “São inúmeras famílias que vivem do rio e para o rio. Mas infelizmente o Velho Chico sofre muitas ações de desmatamento, como assoreamento e devastação da mata ciliar. Agora, IMA e Ibama em parceria com o BPA poderão agir com mais eficiência na recuperação do rio”, contou Sandra Menezes.

Ela explicou, ainda, que as ações de fiscalização vão se basear no combate às queimadas nas matas ciliares, na piscicultura, no assoreamento e contra a poluição. Sandra Menezes ainda ressaltou que o monitoramento também compreende um trabalho de educação ambiental e de orientação aos infratores.

As ações de fiscalização receberão ainda um aporte de R$ 70 mil, para compra de equipamento como GPS, computadores e câmeras fotográficas que serão utilizados pelos fiscais durante o trabalho.

Presente na solenidade de entrega das viaturas, o governador Teotonio Vilela Filho, salientou que as ações de governo são constituídas por parcerias como esta e que a colaboração do governo federal com a entrega das viaturas é muito bem vinda, principalmente neste momento em que o Estado está focado num desenvolvimento ético e sustentado, onde a preservação e a proteção ao meio ambiente são essenciais. “A parceria solidifica nossa ideia de desenvolvimento sustentável. Acredito que é possível alcançarmos o desenvolvimento econômico, respeitando o meio ambiente”, ressaltou o governador.

As ações de fiscalização serão desencadeadas em dez municípios, localizados em 208 km da região do Baixo São Francisco - de Piaçabuçu a Delmiro Gouveia. Segundo o representante nacional do Ibama Victor Kaniak, que fez a entrega dos veículos em Alagoas, o Instituto pretende reforçar os trabalhos entre estados e municípios para atuar de forma mais homogênea no combate ao desmatamento das matas ciliares e da poluição do Rio São Francisco. “Nossa intenção é revitalizar o rio e com este convênio, esse objetivo será alcançado mais rapidamente, intensificando as ações de fiscalização do governo federal”, destacou.

Fonte: Flávia Batista e Cadu Epifânio – IMA/AL

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Agricultores do litoral passam por capacitação

Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT


Nesta terça-feira (29/09) teve início às 9h, um curso de capacitação na Biblioteca Pública de São Miguel dos Milagres, para os agricultores e agricultoras que irão vender sua produção agrícola na 11ª Feira Camponesa, nos dias 13 a 16 de outubro em Maceió.

Na atividade, foram cadastrados 56 feirantes do litoral norte, que receberam orientações sobre as normas de funcionamento da feira e a importância de trabalhar a higienização pessoal e do produto, organização da barraca, relacionamento com os clientes, formação de preço e outras informações.

A próxima ação ocorrerá na Zona da Mata, no município de Messias, para 60 feirantes.

Celebração da "Cruz Sem Males" tem nova etapa

Texto e fotos: Helciane Angélica - Jornalista/CPT


Na última sexta-feira pela manhã (25/09) ocorreu mais uma caminhada em celebração da "Cruz sem males" no bairro de Salvador Lyra em Maceió. Desta vez, a peregrinação contou com um número maior de religiosos e religiosas que saíram da Igreja de Nossa Senhora Perpétuo Socorro até a Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe.

Após a caminhada, ocorreu a missa sagrada celebrada pelo Pe. André, que fez a reflexão crítica sobre o êxodo rural e reforçou a importância da Comissão Pastoral da Terra em defesa das famílias camponesas e no combate do trabalho escravo. Também destacou a ilusão de muitos trabalhadores que saem do Nordeste para os estados do Sul e Sudeste, em busca de melhores oportunidades de vida – “Muitas pessoas acham que vão ter rios de dinheiro e na verdade descobrem os rios de lágrimas”, ressaltou.

A próxima etapa será nesta quinta-feira (30) a partir das 18h, a cruz sairá da Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe e retornará para a Igreja Matriz São Paulo Apóstolo, onde iniciaram as celebrações no dia 13 de setembro. No mês de outubro, a cruz será levada para a paróquia do Benedito Bentes I, sob os cuidados do Pe. Ramires, da Igreja Matriz São Maximiliano; e em novembro, vai para a paróquia Dom Bosco, no Benedito Bentes II, coordenada pelo Pe. Fernando.

As celebrações da “Cruz sem males” servem de preparação para a 22ª Romaria da Terra e das Águas que é uma realização da CPT-AL e que pela primeira vez acontecerá na capital alagoana, no dia 29 de novembro e reunirá: trabalhadores rurais, religiosos e moradores dos bairros de Salvador Lyra e Benedito Bentes.

"Essa é a caminhada do povo de fé que acredita em Deus, e que quer uma terra nessa Terra. Na terra do nosso Pai, não existem barracos, palafitas e vielas. Na casa do meu Pai já tem a morada daqueles que tem fé", declarou Pe. André.

Confira os bastidores desse ato de fé:



































































segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Juiz da Vara Agrária visita acampamentos da CPT

Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT
Fotos: Jailson Tenório / CPT


Pela primeira desde o início da sua gestão, o Juiz Ayrton Tenório, da Vara Agrária, foi conferir de perto a realidade dos agricultores e agricultoras acompanhadas pela Comissão Pastoral da Terra em Alagoas (CPT-AL). Na última quarta-feira (23/09), além do juiz, integrantes do Centro de Gerenciamento de Crises da Polícia Militar e representantes da Usina Utinga Leão estiveram presentes nos acampamentos Gitirana e Baixa Funda, localizados no município de Messias.

Os dois acampamentos abrigam ao todo 190 famílias e estão em terras que pertecem à Usina - a ocupação na Baixa Funda, no dia 19 de junho e o de Gitirana ocorreu no dia 07 de setembro. Os trabalhadores rurais que estão morando e produzindo na área, foram assalariados da cana e durante muito tempo sofreram com as condições indignas de trabalho. Na ocasião, ocorreu uma conversa com os agricultores e os visitantes conheceram a produção agrícola diversificada.

O encontro foi encerrado de forma amigável e foi agendada uma audiência para o dia 08 de outubro (quinta-feira) às 9h, na sede da Vara Agrária em Maceió. A pauta discutirá as áreas ocupadas por trabalhadores que recebem o apoio da CPT - os acampamentos Gitirana, Baixa Funda, Esperança e Oriente - todas em terras da Usina Utinga Leão em Messias.

Confira algumas fotos da visita:





















sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Trabalhadores rurais ocupam fazenda abandonada


Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT


Cerca de 40 famílias camponesas ocupam desde a manhã da última quarta-feira (09/09) a antiga Fazenda Bom Destino localizada no município de São Miguel dos Milagres, litoral norte de Alagoas. Essa é a segunda vez que os trabalhadores rurais acompanhados pela Comissão Pastoral da Terra em Alagoas estão na área que tem aproximadamente 300 hectares e encontra-se em estado de abandono.

As lideranças exigem que a área seja destinada à Reforma Agrária, pois há três anos, já foi confirmada a desapropriação das terras e publicada no Diário Oficial e até agora o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra-AL) não se posicionou nem encaminhou qualquer providência.

Os barracos de lona estão sendo instalados nas terras que não possuem produção agrícola e é explorada pelo gado da fazenda vizinha. A ocupação permanecerá por tempo indeterminado.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Resoluções da reunião entre CPT e SEE


Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT


Na tarde desta quarta-feira (23), o Secretário Estadual de Educação, Rogério Teófilo, recebeu alguns integrantes da Comissão Pastoral da Terra (CPT-AL) para discutir demandas urgentes na melhoria da educação no campo. Na reunião, estiveram presentes: Celina Peixoto, assessora especial do Gabinete Civil; Neilton Nunes, Superintendente de Gestão da Educação Base; e Raildo Ferreira, Gerente de Educação no Campo (Geduc); Henrique Santos, sociólogo e coordenador da CPT e Michelle Passos, coordenadora pedagógica das escolas itinerantes acompanhadas pela pastoral social.

As pautas discutidas foram: a manutenção da Gerência de Educação no Campo (GEDUC); a implantação efetiva do programa federal Saberes da Terra e contratação dos professores no Estado; melhorias na infraestrutura das escolas itinerantes, inclusive, a entrega de um projeto para a ampliação da escola situada no acampamento Boa Viagem em Olho D'água do Casado; e a reativação do Programa Olhar Brasil (consultas oftalmológicas e entrega dos óculos).

O Secretário ressaltou que encontra-se apenas há 100 dias no comando do órgão público, e em relação a destituição do Geduc para criar o Setor de Diversidade (questão racial, gênero, educação indígena e do campo), afirmou que não tinha conhecimento do novo formato, mas que iria agendar uma nova reunião para decidir o melhor encaminhamento. "O que o governador quer é uma secretaria mais leve e que a estrutura seja mais democrática. (...) Não tem nada confirmado sobre a destituição do Geduc, nós iremos ter uma reunião interna e nada impede de ter uma conversa com os movimentos. Eu quero um diálogo produtivo, com os representantes de cada segmento", disse.

Em relação ao Programa Saberes da Terra (Pró-Jovem Rural) foi confirmada a carência de professores e a demanda expressiva para o campo. Também foi avaliada a forma diferenciada de tratamento que o governo federal faz entre o pró-jovem rural e do campo; onde é oferecida toda as condições necessárias para os estudantes da cidade com infraestrutura, material didático e bolsas. Enquanto isso, no pró-jovem rural os recursos são insuficientes.

O coordenador da CPT, Henrique Santos, reforçou que o compromisso do Estado com esse programa foi firmado pela ex-gestão e que desde janeiro as aulas não acontecem. Cerca de 980 alunos foram matriculados, mas não estão recebendo as bolsas (R$100 a cada dois meses) e não possuem nenhuma perspectiva para começar os estudos. Além disso, existe 1 milhão e 865 mil reais depositado no ano passado e que está retido nos cofres públicos por causa do atraso no envio de documentações.

Os gestores da SEE afirmaram que não existirá a perda do recursos, pois o prazo pode ser prorrogado após acordo com o Ministério da Educação, e também, porque os professores-monitores estão sendo selecionados e a previsão é que no mês de outubro a situação burocrática seja solucionada.

Quanto as escolas itinerantes, a CPT-AL entregou um projeto para a ampliação de uma escola localizada no acampamento Boa Viagem em Olho D'água do Casado, no próximo ano. Em relação a construção da primeira escola rural, o Gabinete Civil deverá emitir uma portaria para a efetivação de uma comissão de trabalho para fazer um diagnóstico crítico sobre a demanda e construir o projeto. A comissão deverá ser composta por representantes da SEE, Seinfra, Serveal, Prefeitura de União dos Palmares, CPT-AL e dos movimentos rurais.

A reunião foi encerrada em clima cordial e novos momentos serão agendados para solucionar as demandas que garantam uma educação digna para crianças, jovens e adultos camponeses.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

CPT reivindica educação de qualidade no campo


Irregularidades e deficiências na educação para crianças e jovens camponeses serão apresentadas em uma reunião com Secretário Estadual

Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT


A Comissão Pastoral da Terra (CPT-AL), pastoral social que luta pelos direitos das famílias camponesas e é vinculada à Igreja Católica, solicitou uma reunião extraordinária com o Secretário Estadual de Educação Rogério Teófilo. O objetivo é reivindicar soluções sobre demandas importantes relacionadas à educação no campo. A reunião acontecerá nesta quarta-feira (23) às 15h, no gabinete da SEE, no Centro de Maceió-AL.

Dentre os pontos centrais a serem discutidos estão: a manutenção da Gerência de Educação no Campo (GEDUC); a implantação efetiva do programa federal Saberes da Terra e contratação dos professores no Estado; e melhorias na infraestrutura das escolas itinerantes, inclusive, com a ampliação da escola situada no acampamento Boa Viagem em Olho D'água do Casado.

Atualmente, a Secretaria Estadual de Educação está fazendo adaptações no organograma institucional e pretende acabar com as gerências para a implantação de setores específicos, para reunir em uma única sala várias vertentes de trabalho. Ou seja, a proposta é criar o setor de Diversidade, com técnicos desenvolvendo ações nas áreas da questão racial, gênero, indígena e rural, que antes, eram todas gerências.

De acordo com Henrique Santos, sociólogo e coordenador da CPT, a exclusão da gerência do campo irá dificultar ainda mais a efetivação de projetos eficazes. “O Geduc só funciona realmente porque os movimentos do campo estão lá dentro da Secretaria, participando das discussões e sugerindo novas propostas. Se já existe dificuldades para conseguirmos avanços na educação no campo, imagine acabando com a gerência?!”, disse. Também informou que o Governador Teotonio Vilela antes de iniciar o seu mandato, teve uma reunião com os movimentos da luta rural e se comprometeu em não alterar as ações que trouxeram avanços nessa área. “Enquanto os fóruns e as conferências de educação discutem a importância e a criação de novos setores e projetos para a educação no campo, o governo quer retroceder. Não queremos essa mudança, até porque não houve nenhuma convocação para dialogar com os movimentos”, ressaltou.

Escola Rural

De acordo com dados oficiais, e até mesmo divulgado na Agência Brasil, o Governo Federal construiu apenas uma escola na zona rural brasileira desde 2005, que encontra-se no estado do Piauí. Além disso, outras foram fechadas, e centenas de crianças tem que andar várias horas para estudar nas escolas localizadas nas cidades ou quando existe, nas escolas implantadas de forma precária em comunidades rurais.

Em Alagoas, existem 16 escolas itinerantes que atuam nos acampamentos e assentamentos da CPT-AL e do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), destinado para as crianças em turmas seriadas, e o ensino de jovens e adultos. Esse formato investe na pedagogia do campo com informações do ensino regular e conteúdos relacionados ao cotidiano dos estudantes.

Diante da importância desse iniciativa, a CPT propôs a criação da primeira Escola Rural em Alagoas, cujo projeto seria desenvolvido por uma comissão formada juntamente com integrantes do Geduc, Seinfra, Conselho Estadual de Educação e a Prefeitura de União dos Palmares. O melhor critério de seleção foi a escolha de um local estratégico, o assentamento Santa Maria Madalena, onde já funciona uma escola itinerante e que fica próximo da comunidade Petisco e da área de posseiro Serra Preta; dos acampamentos Rio Bonito e São Sebastião (CPT); e assentamentos de outros movimentos - Chico Mendes, Espírito Santo, Santa Maria II e Paulo Freire. Nesse caso, além de atender várias territórios da reforma agrária, contempla também os municípios de: União dos Palmares, Joaquim Gomes, Branquinha, Murici e Flexeiras. No entanto, devido aos problemas burocráticos, o projeto não foi levado a adiante.

Saberes do campo

Outro assunto polêmico da reunião, será os atrasos em relação as atividades do programa Saberes da Terra, que é na verdade o Pró-Jovem Rural do governo federal. Os coordenadores da CPT denunciam que as aulas deveriam ter iniciado no estado de Alagoas em janeiro, mas até agora, a contratação dos professores não foi efetivada e ainda existe 1 milhão e 865 milhões de reais depositado no ano passado e que está retido nos cofres públicos por causa do atraso no envio de documentações.

O programa é uma parceria entre governo federal e estadual, os alunos do campo são matriculados para concluir o ensino fundamental em dois anos e também saem com o curso em auxiliar técnico agropecuário – ao todo, 19 estados aderiram à proposta. Em Alagoas, cerca de 980 alunos foram matriculados, mas não estão recebendo as bolsas (R$100 a cada dois meses) e não possuem nenhuma perspectiva para começar os estudos.

Para ter as aulas, o Estado tem que destinar 160 professores efetivos para o campo, mas apenas quatro demonstraram interesse. Para remediar a situação, os movimentos sugeriam no mês de março a efetivação de um edital para contratar professores-monitores, que foi produzido, corrigido e concluído em maio. No entanto, o documento ficou arquivado e não foi divulgado para o público e meios de comunicação, além disso, também espera-se o envio da documentação que confirma a implantação de cursos de especialização para os educadores na Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Enquanto isso, a educação no campo em Alagoas enfrenta sérias dificuldades.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Festa no sertão em homenagem aos 25 anos da CPT-AL



Texto: Helciane Angélica – Jornalista/CPT
Fotos: Alexsandra Timóteo


Cerca de 150 trabalhadores rurais do sertão alagoano reuniram-se no último sábado (19.09), em uma quadra de esportes na Comunidade Boqueirão em Água Branca, para comemorar os 25 anos da Comissão Pastoral da Terra em Alagoas. As comemorações foram oficialmente abertas no mês de julho em Maceió, e agora, estão sendo expandidas para as áreas que são acompanhas pela pastoral social.

A atividade teve início às 17h, com a celebração de uma missa em ação de graças. Depois foi exibido o documentário "Maldita sejam todas as cercas", produzido em 2005, que conta em 20 minutos um pouco da história da CPT e as atividades desenvolvidas. Em seguida, ocorreu um debate entre os participantes e a programação foi encerrada com depoimentos dos agricultores.

Estiveram presentes lideranças, dos assentamentos Padre Cícero, Nossa Senhora da Conceição, Todos os Santos e Serra do Paraíso, localizados em Água Branca; e do acampamento Boa Viagem no município de Olho D'água do Casado. Coordenadores da CPT-AL e técnicos agrícolas participaram do momento de integração e de reconhecimento pelas conquistas alcançadas ao longo desses anos.

A próxima programação será no litoral norte, e está prevista para acontecer no dia 29 de outubro, no município de São Miguel dos Milagres.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Religiosas participam da celebração da "Cruz sem males"

Texto e fotos: Helciane Angélica - Jornalista/CPT


Por volta das 5h30 desta sexta-feira (18), um grupo de religiosas da paróquia da Igreja Matriz São Paulo Apóstolo participaram de uma caminhada celebrativa da "Cruz sem males" no bairro do Salvador Lyra até a comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no Conjunto Santa Lúcia, onde foi celebrada uma missa.


Foram 40 minutos de caminhada e no percurso, as participantes se revezaram para carregar a cruz e entoaram cânticos da Igreja Católica que são muito utilizados nas romarias, a exemplo de, “O povo de Deus”; “Vitória, Tu reinarás”; “Baião do Peregrino Sofredor” e “Salve a Romaria”.


De acordo com o Padre Elisson Silva dos Santos, a "Cruz sem males" representa a herança e a história do nosso povo - foi criada pelos monges do Catita e simboliza as três raças que formaram o povo brasileiro. A caminhada busca incentivar a disposição da sociedade para caminhar com Jesus. "Caminhar junto a cruz é um caminho difiícil, longo, mas é um caminho para se chegar ao longe. Muitas pessoas estão com fome na barriga, mas também precisam preecher o espírito", afirmou.


A atividade surgiu após uma conversa entre os parócos e coordenadores da Comissão Pastoral da Terra de Alagoas, que estão mobilizando as comunidades dos bairros de Salvador Lyra e Benedito Bentes para participar da 22ª Romaria da Terra e das Águas em novembro.


Confira algumas fotos do ato de fé: