quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Após 30 horas de ocupação, agricultores conseguem reivindicações



Trabalhadores rurais dos assentamentos "Quilombo dos Palmares", "Jubileu 2000" e "Padre Alex Cauchi" ocuparam a Prefeitura de São Miguel dos Milagres e bloqueiaram o acesso em frente ao prédio, para reivindicar a resolução dos problemas nas estradas



Texto: Helciane Angélica - Jornalista/ CPT

Foto: Agberto Ferreira





Cerca de 50 trabalhadores rurais que recebem o apoio da Comissão Pastoral da Terra (CPT-AL) ocuparam a Prefeitura de São Miguel dos Milagres por 30 horas. O ato teve início na manhã do dia 08 de setembro e foi encerrado na tarde do dia posterior. Estiveram presentes os assentados do "Quilombo dos Palmares" e "Jubileu 2000" localizados no município, e contaram com a parceria do assentamento "Padre Alex Cauchi" de Porto de Pedras que somaram na luta.


O objetivo era reivindicar as melhorias das estradas que fazem o acesso até a cidade. Atualmente, as famílias camponesas estão sofrendo com a lama, buracos e pontes quebradas além de serem prejudicadas na comercialização dos produtos agrícolas. A situação vem se agravando a cada dia e essa não é a primeira vez que os agricultores tentam dialogar com as autoridades responsáveis.


O prefeito Adalberto Paiva, conhecido por “Draga”, conversou rapidamente sem dar uma resolução clara e não retornou mais. E o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra-AL), enviou apenas um representante, para convencer os assentados a deixar o local. Diante do descaso, os agricultores não tiveram escolha, pernoitaram no prédio público, bloquearam a rua onde fica a Prefeitura e impediram o deslocamento na rodovia por quatro horas.


De acordo com o técnico agrícola da CPT, Agberto Ferreira, a situação só foi resolvida após uma assembleia entre os trabalhadores, o Secretário Municipal de Agricultura João Braz Alves do Espírito Santo e funcionários da Prefeitura. Na ocasião, foi redigida uma ata com as resoluções do acordo entre as partes e ficou acertado que a administração municipal fará uma reforma paliativa, com mão de obra dos assentados, sendo pago uma diária de R$ 15,50 para sete membros da comunidade que irão cumprir uma carga horária de sete horas.

Outro ponto importante, foi a formação de uma comissão para uma audiência no Incra localizado em Maceió, para garantir a infraestrutura adequada na região e discutir outras demandas. Após a desocupação, os agricultores deixaram o local e a prefeitura cedeu um ônibus para levá-los de volta até os assentamentos, distante cerca de 8km da cidade.

A prefeitura também se comprometeu em adquirir os maquinários necessários para concluir a obra no período de 30 dias. Os trabalhadores já estão em atividade, reconstruíram as pontes e estão abrindo as estradas.

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