quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Jornalistas revelam a gente do Velho Chico

O Rio São Francisco vai além de suas águas. Mais do que os barcos que insistem em “caminhá-lo”, o cenário é de homens e mulheres, de meninos, que ainda brincam feito peixinhos. Para registrar a humanidade do Velho Chico, os jornalistas Gustavo Nolasco e Leo Drumond viajaram de Minas Gerais a Sergipe, no encalço de outros Chicos. A maratona foi entre os dias 10 de agosto a 1º de setembro. Dos 22 dias de roteiro, Alagoas roubou mais de um terço desse tempo.

O resultado já pode ser conferido no site www.oschicos.com.br. As fotos e textos serão transformados em livro. Neste trabalho, os jornalistas mineiros foram em busca de ribeirinhos, com nome de Francisco e Francisca, e de apelido Chico. “Por isso, o título do projeto, Os Chicos. Nós percebemos que o povo que vive à beira do São Francisco tem orgulho do rio. Muitos fazem questão de dar aos filhos o mesmo nome”, revela Gustavo, o responsável pelas palavras do projeto.

Em Alagoas, eles foram às cidades de Delmiro Gouveia, Piranhas, Pão de Açúcar, Igreja Nova, Penedo e Piaçabuçu. “Quando chegamos aqui foi difícil de sair, seguir para outro Estado. O cenário e as pessoas nos prenderam muito”, conta Leo Drumond, o fotógrafo.

Para Gustavo, o personagem que mais impressionou em terras alagoanas foi José Francisco, que hoje vive em Delmiro Gouveia. “Ele nasceu em Santana do Ipanema. Já passou por todas as cidades do Estado, conhece muito. Assim que chegou à Delmiro, ele quis se aproximar da comunidade, mas não conseguiu. Teve a ideia então de criar uma trilha nas suas terras”, diz. O projeto desse Chico cresceu e hoje recebe gente de outras regiões do país.

“Fiz o passeio e fiquei impressionado com aquele homem. Ele guia, contando as histórias de Lampião, faz um registro das árvores do lugar e de surpresa, mostra aos visitantes o cânion, como num susto”, explica Gustavo. Nesse roteiro, existe ainda a apresentação de um teatrinho, com tema ambiental, com as crianças do povoado, o Olho D’aguinha.

Leo destacou a característica acolhedora do povo alagoano. “Ao longo do trabalho, era uma mudança danada de Estado. Eu tentei buscar diferenças, peculiaridades. Aqui, me chamou a atenção a gente calorosa. São bem parecidos com os mineiros”, considera. Ele ainda conta sobre os cenários: “As cidades de Piranhas e Penedo foram as mais bonitas que nós vimos em toda a viagem. Delmiro foi uma grande surpresa. Alagoas é terra de muita beleza cênica e de muita receptividade”.

A viagem dos dois moços será repetida no começo do ano que vem. O livro deve ser lançado até o final do primeiro semestre de 2010. O trabalho tem o patrocínio da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) e do Minsitério da Cultura (MinC).


Fonte: Divulgação

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