quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Após 11 anos, Flor do Bosque tem divisão de lotes


Texto e fotos : Helciane Angélica - Jornalista/CPT

Jornal Caminho da Roça (maio a agosto)



O assentamento Flor do Bosque localizado no município de Messias é um símbolo de resistência e foi a primeira ocupação coordenada pela Comissão Pastoral da Terra em Alagoas. Ao todo são 11 anos de permanência nas terras que pertenciam à falida usina Bititinga I - foram oito anos de acampamento e há três foi reconhecido como assentamento.

No dia 05 de agosto de 2009, teve início uma nova fase para a organização da área, ocorreu o sorteio dos lotes entre as famílias. Para a técnica agrícola e assentada Maria Cavalcante (foto), a divisão dos lotes é um momento histórico e representa um sonho realizado. “Eu avalio esse momento como único, que pode ser comparado com uma gravidez, é o momento do nascimento, da concretização de um sonho, da luta e da resistência. Esse é o momento onde todas as pessoas desde o início almejaram tanto, que é, estar no lote e na terra prometida onde jorra o leite e o mel. É o momento para avaliar aquilo que a gente foi e planejar aquilo que a gente vai ser”. Também destacou a importância da coletividade para garantir a ampliação das ações e mais conquistas. “Eu esperei trinta anos da minha vida. Sempre fui uma sem terra, e hoje ter a terra, é tudo!”, concluiu emocionada.

Agora, as 35 famílias planejam aumentar a diversidade de produtos agrícolas e investir na criação de animais, também esperam o início da primeira etapa para a construção das casas e a presença dos funcionários do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra-AL) para oficializar o registro das famílias, nos lotes.



O sorteio dos lotes foi improvisado em um chapéu



História


Os camponeses do assentamento passaram por momentos difíceis e marcantes, como: as ameaças constantes realizada pela Usina Clotilde; conflitos violentos com a polícia militar; destruição de lavouras e a queima de barracos; além do envenenamento dos poços de água, dentre outras situações.

O agricultor Sebastião José dos Santos (foto), 53, natural de Garanhuns (PE) começou a trabalhar no corte da cana aos nove anos de idade, estava cansado da exploração que se encontrava e resolveu aderir ao movimento. “Aguentamos muita coisa para ficar aqui. Muitos políticos queriam tomar as terras por ser [serem] próximas a BR e ainda teve problema com a polícia, eu apanhei e muitos barracos foram destruídos. (...) O sofrimento foi muito grande e muitas famílias desistiram de continuar na luta. Mas, estamos sobrevivendo e agora vamos ter o nosso pedaço de terra e ser livre para produzir o que a gente quer”, afirmou.

A luta pela reforma agrária na zona da mata alagoana representa o embate direto contra o latifúndio, e uma alternativa à miséria imposta pelo monocultivo da cana de açúcar predominante na região.

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