quinta-feira, 15 de outubro de 2009

CPT parabeniza todas as educadoras e educadores

Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT

Hoje, 15 de outubro, é o Dia do Professor e Professora. E a Comissão Pastoral da Terra em Alagoas (CPT-AL) não poderia deixar de homenageá-los, principalmente, aqueles que se dedicam em levar uma formação de qualidade para crianças, jovens e adultos que moram no campo. A Pedagogia no campo preza por uma educação diferenciada e que ressalte o cotidiano dos trabalhadores rurais.

Queremos parabenizar toda a equipe de educação, que é coordenada por Michelle Passos e Henrique Santos, além de todas as educadoras Cícera, Edcleide, Graça, Katiane, Kauriane, Lidiane, Madalena e o educador Valmir, que atuam nas escolas itinerantes localizadas nos acampamentos e assentamentos acompanhados pela CPT-AL.

Aproveitando a data, segue uma mensagem especial, escrita por Gabriel Perissé.

Professores Apaixonados


Professores e professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela ideia fixa de quem podem movem o mundo. Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas que debilitam as inteligências.

As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonado pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos. Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não ver nisso nenhum um pouco de romantismo barato.

Apaixonar-se sai caro! Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzina o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria. Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula, um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão. Dar pena, dar compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, contando no calendário os próximos feriados.

Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito, das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão. Mas, o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.

Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro. Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança. Dar aula não é contar piada, mas quem dar aula sem humor, não está com nada, ensinar é uma forma de oração. Não é só oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.

Os professores apaixonados querem tudo. Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade. Querem traçar o mapa de inusitados tesouros. Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, ao meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.

A paixão é inexplicável, bem sei.

Mas, é também indisfarçável.

Nenhum comentário: