quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Solenidade de abertura destaca a importância da Feira Camponesa e a busca de mais apoio



Por: Helciane Angélica - Jornalista /CPT

Fotos: Lana Mendes e Agberto Ferreira / CPT



Nesta terça-feira (13), a partir das 16h, ocorreu a solenidade de abertura da 11ª Feira Camponesa na Praça da Faculdade em Maceió-AL. Camponeses e camponesas se concentraram em frente ao palco para prestigiar as autoridades convidadas que participaram da mesa de honra: o coordenador estadual da Comissão Pastoral da Terra, Carlos Lima; o Secretário Estadual de Agricultura, Jorge Dantas; e Jorge Vieira, integrante do Conselho Indigenista Missionário (CIMI).


A cerimônia foi iniciada com a mística da partilha divina conduzida pela irmã Elisabete Raimundo. Em seguida, teve a leitura do banquete da vida (Marcos 6, 30-44) com a reflexão crítica sobre a importância do alimento; além disso, teve os cânticos “Terra, Pão e Lar” (Pe. João Carlos), “Ação de Graças – Canção da terra”, “Boa nova em nossa vida” (Zé Vicente) e a música tema da feira camponesa.


Na ocasião, ainda aconteceu a doação de alimentos promovida pelos próprios feirantes, que foi destinada para o Centro de Formação Santa Rosa de Lima localizado no povoado de Barra Nova, em Marechal Deodoro. Os produtos receberam a benção do Padre Alex Cauchi, que também fez suas considerações sobre a importância da feira.


Muito de vocês que estão aqui, há alguns anos atrás nem imaginavam que poderiam produzir isso tudo, isso é fruto do trabalho de vários anos. (...) Eu sempre acreditei que as pessoas podiam ajudar às outras e realizar o milagre da multiplicação do alimento, e aquilo que Jesus nos ensina, que é partilhar. Então, precisamos estar muito organizados para ter uma produtividade cada vez maior e também evitar o desperdício”, destacou o padre.


O representante do CIMI, Jorge Vieira, foi o primeiro a realizar os pronunciamentos oficiais, onde ressaltou a credibilidade das ações da CPT em Alagoas. “A CPT está cumprindo o papel profético, e isso aqui é um exemplo. Todos aqui estão cumprindo o milagre da partilha, da produtividade e da cidadania”. Também mencionou a exploração realizada primeiramente em relação aos índios, depois os negros, e atualmente, os sem terra. “Alagoas só vai mudar quando ocorrer a demarcação das terras indígenas e ocorrer a reforma agrária. São vários anos que as terras estão concentradas nas mãos daqueles que em 1500 invadiram e expulsaram os povos locais. E até hoje as capitanias hereditárias se perpetuam, com os usineiros e fazendeiros”, afirmou.


De acordo com o Secretário de Agricultura, Jorge Dantas, o governo de Alagoas tem interesse em fortalecer a agricultura familiar e as feiras agrárias porque demonstram o poder da produtividade. Aqui é uma mostra que a reforma agrária é possível e deve ser incentivada. O Governo do Estado vai continuar apoiando a feira e neste ano, também com o prêmio para os produtores que se destacam. (...) Cada vez mais a feira se apresenta de forma mais organizada e melhor, e a gente precisa compreender que aqui damos evasão para os alimentos produzidos”, declarou.


No encerramento, Carlos Lima, coordenador estadual da CPT, agradeceu a parceria firmada com o Governo de Alagoas, mas também aproveitou o momento para expor algumas críticas. “Eu me lembro quando a gente iniciou com 25 barracas e hoje temos aqui 137 barracas. Essas feiras só existem também por causa dos convênios realizados entre os movimentos e o Governo, e cada edição requer da gente uma maior cobrança da sociedade. Temos muito o que avançar, e um dos desafios é a padronização das barracas, investir nesse visual diferenciado e dar mais garantia de segurança e organização, além de dar mais qualidade nos alimentos para os clientes”, ressaltou.


O momento também foi oportuno para às ameaças executadas pelo Deputado Estadual Arthur Lira, aos trabalhadores que estão acampados há 18 meses e produzindo na fazenda Boa Esperança, que estava abandonada e fica no município de Major Isidoro. “Nos entristece e nos envergonha a forma como o deputado vem se posicionando, achando que poder mandar como se estivesse no quintal da casa dele”, disse.


Também foi exposta a indignação em relação às críticas dos usineiros e fazendeiros em relação ao apoio do Governo às feiras. “O que a gente está preocupado é em produzir e construir vida, enquanto o Governador for leal à gente, nós iremos sempre defendê-lo porque é um apoio público”, afirmou Carlos Lima.

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