quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Agricultores tornam-se semeadores(as) da Saúde Camponesa

Trabalhadores rurais passam por curso de capacitação na área da saúde



Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT


Nos dias 24 a 26 de novembro, integrantes da Associação P
achamama (Terra Mãe) da Itália em parceria com a Comissão Pastoral da Terra de Alagoas realizaram no Centro Pastoral Dom Bosco em Messias, um curso de capacitação na área de saúde para 14 trabalhadores rurais oriundos do litoral norte e zona da mata alagoana. A ação também foi acompanhada por Jailson Tenório, coordenador da área e Maria Cavalcante que é técnica agrícola.

Foram repassadas informações sobre uma alimentação saudável; orientação sobre a qualidade da água e os cuidados com o lixo; saúde da boca; prevenção e tratamento da diarréia; e a importância da higiene pessoal. A formação foi realizada por profissionais italianos da área: uma médica, um professor de enfermagem da Universidade de Torino e três estudantes de enfermagem.


Os participantes repassaram suas experiências pessoais e desenvolveram uma análise crítica sobre os principais problemas nas áreas e as doenças mais comuns, principalmente, em relação às crianças. Após ouvirem atentamente às palestras, foram divididos em grupos de trabalho e receberam as orientações, ao final criou-se o grupo intitulado “semeador (a) da saúde camponesa” que serão multiplicadores sociais nos assentamentos e irão garantir que o direito à saúde de qualidade seja cumprido, como por exemplo, registraros dias que os agentes de saúde estão passando nas áreas.


A meta do projeto é garantir que tenha no mínimo dois "Semeadores(as) da saúde" em cada assentamento e acampamento, mas esse é um desafio a longo prazo. "Esse semeador não irá substituir o agente de saúde, e sim, serem apoiadores. A ideia da Pachamama é capacitar essas pessoas com informações diversas e trazer utensílios para ajudar na prevenção de doenças. Também ensinamos a manusear o termômetro, como limpar realmente as mãos e a usar o hipoclorídio de sódio na água, coisas simples, mas que já fazem muito bem", afirmou Pasquale Giuliano, professor da Universidade de Torino na Itália.


A Pachamama só desenvolveu essa ação, porque acredita na reforma agrária e no trabalho da CPT. Na Itália, nós fundamos uma associação [Pachamama] para ajudar um pouco mais a CPT. Lá tem várias pessoas que conhecem o trabalho e a luta de todos vocês e tem muita admiração, porque mesmo não vivendo próximo de vocês [camponeses] nós conhecemos o problema da distribuição de terras no Brasil. E com essa associação, pretendemos ampliar nossas ações e ajudar na área da saúde dentro dos assentamentos”, afirmou Omar Borio, presidente da Pachamama, durante uma das visitas.


Agricultores e facilitadores do curso lado a lado


Agradecimento


"Às vezes, as pessoas que lutaram pela terra esquecem o apoio da CPT, mas a CPT nunca esquece da gente. Sempre realiza atividades como essa, para o nosso crescimento e a nossa missão agora é semear essas informações e isso é muito importante", destacou Maria Rita dos Santos, do assentamento Dom Helder Câmara (Murici).

Para a agricultora Elisângela Silva, do assentamento Santa Maria Madalena (União dos Palmares), "essa formação assim como as outras que a CPT oferece é mais uma bagagem, uma responsabilidade valiosa e importante que a gente leva. Também serve como compromisso que daqui a seis meses ou um ano, a gente já possa mostrar os resultados positivos", exaltou.


O historiador e coordenador estadual da CPT-AL, Carlos Lima, conferiu de perto as atividades desenvolvidas e no encerramento do curso fez seu discurso de agradecimento. "Em nome da Pastoral, quero agradecer o trabalho e o esforço de vocês [Pachamama], mas principalmente pela solidariedade humana. Vocês estão ajudando naquilo que conhecem e o melhor, passando conhecimento para quem precisa. (...) Vamos sim, aprofundar tudo que foi repassado, pois isso irá contribuir para as melhorias na realidade dos trabalhadores", declarou.


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