segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Romaria da Terra e das Águas reúne 3000 participantes

A atividade é promovida pela Comissão Pastoral da Terra, pela primeira vez aconteceu na capital alagoana e desenvolveu a reflexão sobre o "Êxodo rural e a periferia da capital"



Texto e fotos: Helciane Angélica – Jornalista/CPT


Neste domingo (29.11) aconteceu uma das ações mais importantes da Comissão Pastoral da Terra em Alagoas: a Romaria da Terra e das Águas. Na 22ª edição foi abordado o tema “Do êxodo rural à periferia da capital” e pela primeira vez foi realizada em Maceió, envolvendo os bairros do Salvador Lyra e Benedito Bentes. O ato de fé e de resistência reuniu cerca de 3000 pessoas, também, integrou a vasta programação comemorativa dos 25 anos da CPT no Estado.

Estiveram presentes representantes de paróquias de cinco bairros da periferia de Maceió, inclusive, o Ponto de Cultura Guerreiros da Vila (comunidade Vila Emater ao lado do lixão) e o Projeto Thalita (que desenvolve várias ações sócio-educativas com meninas e adolescentes); seis congregações de religiosas ligadas à Igreja Católica; trabalhadores rurais de nove assentamentos da reforma agrária e cinco acampamentos que são acompanhados pela CPT-AL, oriundos do litoral norte, zona da mata e sertão. Ainda contou com a participação de pessoas de outras religiões e países (Itália, Suíça e Alemanha), integrantes de vários movimentos sociais e outros grupos ligados ao campo, como o Movimento de Trabalhadores Sem Terra (MST) e o Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST).

A programação foi oficialmente iniciada às 10h com uma missa em praça pública, ao lado da Igreja São Paulo Apóstolo no bairro de Salvador Lyra. A celebração contou com a participação de oito padres e foi presidida pelo Arcebispo Dom Antônio Muniz, que participou pela terceira vez da romaria. “Ás vezes queremos lutar sozinhos e às vezes acreditamos que a nossa forma de lutar deve ser única. Hoje vamos pedir força e a ajuda de Deus para crescermos juntos, e assim, construir uma terra sem cercas, sem males, com justiça, esperança e que acolha a todos. Temos que destruir não só a cerca dos roçados, mas sim, as cercas do coração”, afirmou o arcebispo.

Na ocasião, também teve a queima simbólica da “cerca maldita”, que transforma a terra e os humanos em verdadeiros escravos. No altar foram apresentados símbolos importantes como a bandeira, a cruz sem males, instrumentos de trabalho como a enxada e o facão, além expor alguns itens a produtividade agrícola das áreas. “Estamos comemorando 25 anos da CPT, que representa também os 25 anos da Igreja no campo alagoano. É por isso que escolhemos fazer essa edição em Maceió, para mostrar a nossa luta”, justificou Carlos Lima, historiador e coordenador estadual da CPT-AL.

Após o momento de oração ocorreram as atrações artísticas. O grupo Amigos da fé executou várias músicas religiosas; também teve a banda percussiva Guerreiros da Vila que apresentou o melhor do ritmo afro; e o coco de roda Rosa Morena da cidade de Satuba, os jovens levantaram poeira e reverenciaram a cultura alagoana. Para ampliar o entretenimento e concluir a programação cultural teve o sorteio de uma bicicleta.

Às 16h, começou a romaria propriamente dita com um percurso de 7 km. As romeiras e romeiros seguiram animados com o auxílio do grupo musical “Anuncia-me” que estava no trio elétrico, cantando músicas que ressaltavam a luta pela reforma agrária e por dignidade de filhos e filhas de Deus. Ao todo foram quatro paradas estratégicas para analisar criticamente as consequências do êxodo rural, e o encerramento foi às 21h no assentamento “Vida para Cristo” localizado no Benedito Bentes II.

A atividade foi promovida em parceira com a Arquidiocese de Maceió e as Comunidades Eclesiais de Base (CEB’s), e recebe o apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT-AL); Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST); Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE); Atos 28; Paróquias de São Paulo Apóstolo, São Maximiliano e São João Bosco; Misereor (instituição alemã) e as associações Amici de Joaquim Gomes e Pachamama (ambas da Itália).

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