segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Convite: I Missa da Colheita em Igaci

I MISSA DA COLHETA DO ACAMPAMENTO NOSSA SENHORA DE GUADALUPE

NA COLÔNIA AGRÍCOLA – IGACI/ALAGOAS


PLANTAR, COLHER E CELEBRAR


CONVITE

COMPANHEIRAS E COMPANHEIROS

O “grito dos que trabalham nas colheitas chegou até os ouvidos do senhor”. ‏

A Coordenação da Amigreal vem através deste convidar toda comunidade em geral as pastorais sociais e instituições parceiras e povo de Deus, para participar da primeira missa em ação de graça pela colheita dos trabalhadores sem terra que acontecerá no próximo dia 30 de dezembro às 15h na colônia agrícola, no município de Igaci/AL

Quando parecia que AMIGREAL ia acabar, reafirmamos de forma triunfante a luta pela construção do poder popular. Queremos, agora, celebrar a luta e forjar novas ideias na certeza de que junto, AMIGREAL e os setores comprometidos da sociedade, construiremos um projeto popular para Alagoas como alternativa ao capitalismo.

Jesus escutou o clamor do seu povo e no meio dos pobres da terra acampou!

Por isso, queremos contar com a presença em nosso encontro irmãos, para que juntos cantemos a magnífica que javé o Deus libertador nos concede pelos frutos da terra conquista.

Por favor confirmar participação, pelo e-mail amigrealigaci@hotmail.com ou pelo telefone: (82) 9112-2046.

Cordialmente agradecem,

Diretoria da AMIGREAL

domingo, 27 de dezembro de 2009

Bastidores - Dia festivo no assentamento Irmã Dorothy Stang

Fotos tiradas por Helciane Angélica- Jornalista/CPT


O dia 26 de dezembro de 2009, foi um dia especial no assentamento Irmã Dorothy Stang em Porto de Pedras.


Placa resume a trajetória dos trabalhadores e homenageia a missionária assassinada em 2005 e que foi escolhida para denominar a área


No local foram construídas cinco agrovilas, com casas erguidas pelos próprios trabalhadores rurais.

As famílias contam os minutos para morar nas casas novas.

Primeira capela construída em uma área acompanhada pela CPT-AL, destaque para a fachada em forma de enxada.

Centro comunitário - novo espaço para as reuniões da Associação e encontros de formação.

Bate-papo antes da cerimônia religiosa

O arcebispo Dom Antônio Muniz foi convidado para celebrar o momento e também pôde conhecer de perto a realidade na área, além de visualizar fotos com cenas dos despejos violentos.


A exposição fotográfica mostrou a coragem, o sofrimento e a fé dos agricultores no local.
(Fotos do Arquivo da CPT)

O agricultor Saúba, mostra a cápsula de uma das bombas de efeito moral que foram atiradas nos agricultores, além das marcas que ficaram em seu corpo.

Celebração da santa missa - Natal dos Trabalhadores Rurais


Crianças e adultos lotaram a pequena capela

Além do Arcebispo, também participaram do momento especial: os padres Rogério Madeiro e Alex Cauchi


Várias músicas animaram a cerimônia


O sociólogo e coordenador da CPT-AL, Henrique Santos, fez a leitura da Bíblia sagrada

Carlos Lima, historiador e coordenador estadual da CPT, relembrou os momentos difíceis e de resistência na área


Ofertório com produtos agrícolas produzidos na área

O agricultor também fez questão de registrar toda a cerimônia no celular



















O almoço foi farto e agradou assentados e convidados


O Arcebispo esteve pela primeira vez em um assentamento.

Fé, luta e esperança. Reforma Agrária, quando? ..... Já!

Arcebispo celebra missa no Natal dos Trabalhadores Rurais

A Comissão Pastoral da Terra realiza todos os anos uma programação especial nas áreas acompanhadas, para agradecer as conquistas alcançadas e celebrar o nascimento de Jesus




Texto e fotos: Helciane Angélica – Jornalista/CPT




Neste sábado (26.12) as agricultoras e agricultores que moram no assentamento Irmã Dorothy Stang localizado no município de Porto de Pedras tiveram um dia festivo. Foi comemorado o Natal dos Trabalhadores Rurais organizado pela Comissão Pastoral da Terra em Alagoas, que também ficou marcado pela inauguração das casas para as 40 famílias distribuídas em cinco agrovilas, o centro comunitário e a capela da área.


A ocasião mereceu uma programação especial, iniciada com a santa missa celebrada pelo Arcebispo Dom Antônio Muniz, em seguida houve a benção das novas instalações, exposição fotográfica e um almoço coletivo. Estiveram presentes os padres Rogério Madeiro, coordenador das Pastorais Sociais na Arquidiocese de Maceió e Alex Cauchi, pároco de Japaratinga e colaborador na luta pela reforma agrária no Estado; participaram ainda a coordenadora do litoral norte, a irmã Cícera Menezes e outros representantes da direção da CPT.


Para chegar em algum lugar temos que enfrentar e superar os obstáculos e sofrimentos. Temos que seguir a mensagem de Jesus: ‘Eu venci o meu mundo’”, foram as primeiras palavras no pronunciamento do arcebispo, que também fez reverência aos períodos de angústia no assentamento que passou por despejos violentos e superou muitas dificuldades. Outro ponto de destaque na missa, foi quando ele sugeriu que em cada área da reforma agrária tivesse em um dos lotes, uma “casa de acolher” para ajudar pessoas necessitadas, como: crianças, idosos e pessoas que estão sofrendo com as drogas e até com a prostituição.


Dom Muniz destacou ainda a importância da instalação da capela dentro da área, fruto do trabalho de oito agricultores que colocaram a mão na massa para construir o templo que tem a fachada em formato de enxada. “Esse aqui é um espaço para a gente rezar e agradecer. Aqui será um espaço sagrado para a gente aprender a orar e a cantar, antes de ir para o roçado”, enalteceu. A iniciativa será adotada em outros assentamentos, e a próxima já será implantada em Flor do Bosque no município de Messias, na zona da mata.


Pela primeira vez, um arcebispo foi até um assentamento levar a mensagem divina para os trabalhadores rurais. “Convidamos Dom Muniz para essa cerimônia, porque ele é o nosso pastor aqui em Alagoas e queríamos que ele conhecesse de perto o nosso trabalho. Também para celebrar esse momento e a nossa luta, ainda mais, que muitas pessoas não acreditavam que a gente conseguiria esse pedaço de terra”, explicou Carlos Lima, historiador e coordenador estadual da CPT. Também destacou que a coragem e a fé dos agricultores enaltecem ainda mais as conquistas. “Foi no sofrimento que a gente cresceu e se fortaleceu, porque a gente sentiu a mão de Deus sobre nós”, afirmou.


O Natal dos Trabalhadores é uma tradição nos acampamentos e assentamentos acompanhados pela CPT-AL, é o momento de comemorar os avanços alcançados e refletir sobre a real importância do Natal, que representa o nascimento de Jesus Cristo. Neste ano, foi realizado em quatro momentos: no assentamento Margarida Alves em Maragogi (21.12); nos acampamentos Bosque II e III em Messias (22.12); no acampamento Santa Cruz em Murici (23.12) e o encerramento oficial no assentamento Irmã Dorothy Stang.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Globo Ecologia destaca a importância da Agricultura familiar


O programa Globo Ecologia transmitido hoje pela manhã na rede Globo, abordou a "Agricultura Familiar" que tem grande importância econômica, social, cultural e principalmente ambiental. É comprovado que uma maior diversidade agrícola em um ambiente favorece o ecossistema, além disso, os produtos orgânicos (livres de agrotóxicos) apresentam melhor qualidade.

Dados curiosos: existem mais de quatro milhões de propriedades de agricultores familiares; são aproximadamente 20 milhões pessoas no campo estão ocupadas com a agroecologia; cerca de 70% do que é consumido no país, na cesta básica, é produzido nesse tipo de cultura; e representa 10% de toda riqueza gerada no Brasil.

Outro ponto de destaque no programa, foi o cultivo da mandioca também chamada de macaxeira. É o alimento mais cultivado pelos agricultores familiares de norte ao sul, no entanto mesmo oferecendo baixo impacto ambiental, a maior parte dos agricultores termina destinando a pior parte do terreno.

Fortalecer a agricultura familiar também é uma das missões da Comissão Pastoral da Terra.

Confira a primeira parte da reportagem especial:



sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Cartão de Natal - CPT Nacional

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Feliz Natal!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Morte de trabalhadores em canaviais de Pernambuco

A Comissão Pastoral da Terra (CPT), em conjunto com a Federação dos Trabalhadores da Agricultura de Pernambuco (Fetape), denunciam a morte de dois trabalhadores rurais enquanto trabalhavam nos canaviais da Usina Pedrosa, localizada no município de Cortês (PE). As organizações entregarão a denúncia formalmente ao Superintendente Regional do Trabalho, André Negromonte, nesta terça-feira, dia 22, às 10h, na Superintendência Regional do Trabalho, em Recife.

As mortes dos dois trabalhadores, que aconteceram em setembro e outubro, só foram descobertas a partir de visitas feitas por agentes da CPT no bairro de Barra de Jangada, município de Cortês, no dia 17 de novembro. Na ocasião, a CPT foi informada que dois trabalhadores haviam falecido enquanto trabalhavam nos canaviais da usina Pedrosa.

O agente da CPT, Plácido Junior, comenta que muitos casos de trabalho escravo e mortes em canaviais não tornam-se de conhecimento público por vários fatores. “Muitos trabalhadores que se encontram em situação de exploração não denunciam suas péssimas condições de trabalho, com medo de perderem seus empregos e da ação violenta da Usina contra os que denunciam.” Outro fator é a conivência do poder público e de órgãos responsáveis para fiscalizar os canaviais. Das inúmeras denúncias feitas por organizações e movimentos sociais do campo, poucas são as que geram um processo de investigação e fiscalização, complementa Plácido.

Os casos

O trabalhador rural Severino Leite da Silva, de 49 anos, natural de Alagoinha (PB) e pai de três filhos, faleceu de infarto na manhã de 11 de setembro, enquanto trabalhava no corte da cana, na Usina Pedrosa. Segundo seus familiares, Severino trabalhava há muitos anos na Usina e, quando terminava o corte da cana, ele ainda fazia outras atividades na Usina. Severino chegou a morrer segurando uma feixe de cana.

O segundo caso aconteceu no dia oito de outubro, quando o jovem Macionildo Pereira de Lucena, de 24 anos, também natural de Alagoinha (PB), faleceu enquanto cortava cana, no Engenho Barra de Jangada, também da usina Pedrosa. De acordo com a certidão de óbito do trabalhador, a causa da morte foi um Edema agudo nos pulmões e infarto agudo no miocárdio.

A mãe de Macionildo, Dona Neuza, comentou que no ano passado Macionildo trabalhou sete meses na mesma Usina. Ela lembra que o filho saiu de casa “gordo” e voltou “magro”, que ele comentava com a família que trabalhava como um burro de carga, se queixava muito de dores de cabeça, do sol quente e de que tinha que almoçar em pé, sem nenhuma proteção do sol, o que muitas vezes azedava a comida. Dona Neuza afirmou ainda que o agenciador (gato) não procurou a família para dar satisfações do ocorrido.

Esses não são os primeiros casos de mortes em canaviais. Só em São Paulo, maior produtor de etanol no Brasil, foram registrados 21 mortes de trabalhadores em canaviais do estado, entre os anos de 2004 e 2008. De acordo com a pesquisa realizada por Maria Aparecida de Moraes Silva, professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp), as condições de trabalho atuais nos canaviais brasileiros são piores que na época da escravidão. A pesquisa comprova a relação das mortes com o excesso de esforço físico, com à rotina "penosa" e "desumana" dos canaviais. Nas décadas de 80 e 90 o canavieiro e canavieira permanecia na atividade por 15 anos. Hoje, ela acredita que esse prazo tenha diminuído para 12. Um trabalhador chega a cortar mais de 15 toneladas de cana por dia, sob o sol forte, o que ao longo dos anos vai destruindo o seu corpo.

Além de serem causadas pela exaustão física, as mortes nos canaviais também estão relacionadas ao uso e contato intensivo com os agrotóxicos e a falta de Equipamentos Individuais de Proteção (EPIs). Para Aristides Santos, presidente da Fetape, “É lamentável a falta de cuidado com o ser humano, a preocupação do empresariado é de tirar o máximo do trabalhador”, comenta.

Dados do Trabalho escravo em Pernambuco - Em 2008 e 2009, Pernambuco aparece entre os estados onde mais foram encontrados trabalhadores em situação análoga ao trabalho escravo. De acordo com dados da CPT, em 2008 foram 309 trabalhadores libertados nos canaviais de PE. Dados parciais da CPT mostram que o ano de 2009 já superou 2008: mais de 360 trabalhadores já foram libertados até o mês de novembro em PE. “Esses números de trabalho escravo não são à toa. Em plena expansão do setor, essas mortes revelam a crueldade do processo de produção do etanol, que tem origem no processo colonial e que persiste até hoje” denuncia Plácido Junior.


Fonte: Assessoria de Comunicação - CPT/PE

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Documento final do Encontro Nacional de Formação da CPT

Segue documento elaborado pelos participantes do Encontro Nacional de Formação da CPT, realizada de 23 a 26 de novembro em Goiânia (GO), cujo tema foi "Uma nova conceituação de reforma agrária".

Assessoria de Comunicação da CPT



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PARA OUTRA COMPREENSÃO E RESSIGNIFICAÇÃO DA REFORMA AGRÁRIA


Os tempos que vivemos, no campo e nas cidades, nos convocam hoje a entender melhor esta época de mudanças. Novos conceitos e paradigmas marcam o nosso cotidiano com numerosas e grandes diferenças que nos deixam deslocados e perplexos. No meio destas mudanças, populações do campo e das cidades vêm sofrendo graves impactos e agressões convivendo com profundas incertezas diante do seu futuro e do planeta Terra.

Diante do poder destrutivo e devastador da expansão do capital, a Comissão Pastoral da Terra se coloca à escuta dos gritos que, na atual conjuntura, se unificam na histórica bandeira popular da Reforma Agrária. Ela está sendo desqualificada, quando não eliminada, da pauta das Reformas Estruturais indispensáveis ao nosso país.

Como nos anos 70, numa conjuntura de violenta expropriação dos pobres do campo, quando a CPT foi criada, hoje ela sente a responsabilidade de atentar aos atuais processos de violência expropriatória que estão sendo postos em prática. Não são isentos disso o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o IIRSA (Iniciativa de Integração Regional Sul Americana) a serviço dos que produzem para exportação, como os grandes latifúndios empresariais de monocultivo de cana, soja, eucalipto e outros e as mineradoras. Estas atividades, ao concentrarem o poder sobre a terra, a água e todos os bens naturais para a vida não só produzem essas e outras commodities como também produzem injustiças, exploração do trabalho em condições análogas ao trabalho escravo e crimes ambientais. Destroem a diversidade biológica, erodem solos e põem em risco o rico patrimônio de conhecimentos das populações nativas.

Assim sendo, assumimos a nossa responsabilidade como Comissão Pastoral da Terra e propomos uma profunda reflexão para a qual convidamos as igrejas, os camponeses e camponesas, os povos tradicionais (indígenas quilombolas, ribeirinhos...), os movimentos sociais e toda sociedade em geral para desencadear um movimento de “revalorização e ressignificação” da Reforma Agrária.

Temos a convicção que estamos vivendo um momento onde conceitos e valores estão sendo derrubados pela violenta expansão do capital, colocando em xeque a humanidade e o planeta Terra. Hoje ainda existem no mundo, cerca de 400 milhões de hectares de terras que podem ser aproveitados pela agricultura, a maior parte no Brasil. A expansão da agricultura no Brasil só ocorrerá, avançando-se sobre os biomas da Amazônia e Cerrado onde se encontra a maior biodiversidade do mundo e a maior quantidade de água doce disponível.

A maior parte das riquezas está sob o controle de empresas transnacionais, nacionais e do capital especulativo que provoca uma concentração territorial cada vez mais espoliadora sobre os camponeses e camponesas, as comunidades e as populações tradicionais e os deserdados do campo.

Continuam sendo de grande atualidade as palavras proféticas de Miquéias: “Ai daqueles que planejam a iniquidade praticam o mal porque o poder está em suas mãos. Cobiçam campos e os roubam, casas e as tomam; oprimem o homem e sua casa, o homem e sua herança (Miq 2,1-2)”.

Todas as propostas e programas apresentados até hoje para realização da Reforma Agrária – fruto, todos eles, das lutas e das reivindicações dos camponeses e camponesas, organizações e movimentos sociais do campo – não concretizaram os anseios e as demandas por terra e vida dos trabalhadores e trabalhadoras e do campesinato do nosso país.

O que tivemos foram desapropriações e assentamentos, inclusive incrementando as estatísticas com dados de regularizações fundiárias, que na maioria dos casos são programaticamente inviáveis. Criados com o específico objetivo de serem cooptados pela lógica do mercado, muitas vezes mostrados como exemplos negativos, para realçar o caráter benéfico e irreversível da grande pecuária e do agronegócio capitalista.

Reafirmamos a Missão da CPT de ficar à escuta atenta dos gritos, das esperanças e experiências bem sucedidas dos camponeses e camponesas do nosso país.

Celebramos a memória do testemunho dos e das mártires da terra e das lideranças indígenas, negras e camponesas que guiaram os povos da Pátria Grande em sonhos e lutas contra o colonialismo escravagista e expropriador. Interpela-nos a resistência dos povos originários e tradicionais, que nos indicam novos rumos para repensar a realidade da terra e dos territórios do Brasil.

O patrimônio ecumenicamente místico destes povos da Amazônia, do Cerrado, da Caatinga, da Mata Atlântica, do Pantanal e do Pampa, anima a caminhada para a construção de outros projetos que superarão criativamente aqueles até hoje construídos. Conseguir-se-á, então, enfrentar as ameaças do modelo civilizatório economicista e desenvolvimentista que está ameaçando a vida do planeta Terra.

Estes projetos requerem novas relações sociais, ecológicas, econômicas, de gênero e étnicas, e devem ser assumidos como uma outra posição frente à atual Reforma Agrária, além de se contrapor ao projeto dominante e à (ir)racionalidade do lucro que hegemoniza e coloniza o espaço e o tempo da vida.

Nós nos solidarizamos e caminhamos junto com os camponeses e camponesas que lutam contra o agro e hidronegócios e as mineradoras com todas as suas consequências, como o trabalho escravo, o desmatamento com suas carvoarias, a destruição de fontes e a poluição das águas entre outros. Na atual disputa entre os territórios camponeses e os territórios do capital, a desapropriação de latifúndios – mesmo quando considerados produtivos -, a retomada das imensas áreas griladas, o aproveitamento das terras públicas para a Reforma Agrária, e a definição de um limite para o tamanho da propriedade da terra, serão a oportunidade de avançar na territorialização e autonomia camponesa, no respeito e na valorização das diferentes campesinidades, possibilitando a produção de alimentos agroecólogicos, abundantes e sadios, garantindo a defesa da água e da biodiversidade, tão necessárias para o “bem viver”.

Neste contexto, a CPT aponta, também, para a urgência de denunciar todos os mecanismos que buscam cooptar e descaracterizar as comunidades tradicionais e os movimentos sociais do campo. Não são raros os assentamentos em que foram criadas associações burocráticas com o objetivo de receber e administrar recursos financeiros. Além de quebrar laços históricos de organização e solidariedade comunitária, este associativismo artificial provocou o atrelamento ao poder público, favoreceu a manipulação eleitoreira, facilitou o mau uso e o desvio de recursos e enfraqueceu a luta camponesa. Os assentados passaram a ser chamados de clientes ou beneficiários da reforma agrária, negando, assim, sua histórica resistência e luta.

É preciso resistir com firmeza diante das tentativas de atrelamento e de cooptação, e superar o corporativismo e a desunião para que possa, finalmente, ser implantada a reforma agrária que queremos.

Entendemos a Reforma Agrária como a reconquista dos territórios camponeses e a conquista de novos territórios, respeitando a diversidade, a cultura, a religiosidade, as etnias dos povos dos diferentes biomas brasileiros. Defendemos que a terra seja de fato daqueles e daquelas que nela vivem e trabalham, para que eles e elas possam reapropriar-se da natureza e decidir, com autonomia e respeito, sobre os seus territórios. Hoje, os povos tradicionais (indígenas, quilombolas ribeirinhos...), os camponeses e camponesas são os guardiões do rico patrimônio de conhecimentos da terra, da água, das sementes, dos alimentos, enfim de toda a biodiversidade reafirmando um outro projeto de vida: a terra sem males.

A Comissão Pastoral da Terra reafirma seu compromisso de caminhar junto com as comunidades camponesas e os povos tradicionais para que se torne realidade o sonho do profeta Miquéias que nos acompanhou ao longo deste encontro:



“Cada um poderá sentar-se debaixo da sua videira e da sua figueira e não haverá mais quem os perturbe” (Mq 4,4).



Encontro Nacional de Formação da CPT,
23 a 26 de novembro de 2009, em Hidrolândia – GO

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Coordenadores da CPT-AL avaliam as ações de 2009


Nos dias 1º e 02 de dezembro, integrantes da coordenação da Comissão Pastoral da Terra em Alagoas (CPT-AL) se reuniram para avaliar as ações desenvolvidas no ano de 2009. O encontro também contou com a participação dos representantes da Regional NE-II, Marluce e Carmelo.

Na ocasião, o grupo foi dividido em duas partes para discutir o cenário local e nacional no âmbito político, social, econômico e eclesial. As avaliações também serviram para traçar as metas para o próximo ano (mês a mês) e fortalecer a missão da pastoral social que é defender os direitos das famílias camponesas.