quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Cartão de Natal da CPT-AL

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Pesquisa inédita aponta que qualidade de vida em assentamentos melhorou

O presidente do Incra, Rolf Hackbart, lançou, na tarde desta terça-feira (21), durante uma coletiva de imprensa, os resultados preliminares da pesquisa inédita sobre a qualidade de vida nos assentamentos da reforma agrária em todo país. "Estes são os primeiros resultados sobre a realidade dos assentamentos brasileiros. Com um índice de confiança de 95%, este certamente é um retrato fiel da realidade atual no meio rural brasileiro", afirmou. A coletiva aconteceu às 14h, na sede da autarquia fundiária, em Brasília (DF).

Intitulada Pesquisa Sobre Qualidade de Vida, Produção e Renda nos Assentamentos do Brasil, o estudo pode ser acessado pelo endereço http://pqra.incra.gov.br/. Com o objetivo de captar informações sobre quem são, como vivem, o que produzem e como produzem, e o que pensam as famílias assentadas da reforma agrária de todo o País, os dados obtidos irão compor um conjunto de indicadores que darão suporte ao planejamento de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento da reforma agrária nos próximos anos. "A pesquisa oferece um conjunto de dados que sinaliza necessidades e aponta ações bem sucedidas, orientando investimentos e o desenvolvimento das políticas públicas", analisou Hackbart.

Coordenada pelo Incra e com a consultoria de pesquisadores das Universidades Federais do Rio Grande do Sul (UFRGS) e de Pelotas (UFPel), a pesquisa foi realizada entre os meses de janeiro e outubro deste ano e abrangeu todas as 804.867 famílias assentadas entre 1985 e 2008, mediante a aplicação de 16.153 entrevistas, distribuídas em 1.164 assentamentos por todo o Brasil.

Na coleta dos dados, quatro dimensões da vida dos assentados foram levadas em consideração: características populacionais (quem são?), condições de vida (como vivem?), dados de produção e renda (como fazem?) e a percepção das condições gerais de vida antes e após o assentamento (o que pensam?)

Dentre os dados levantado o que mais surpreendeu, segundo Hackbart, foi o fato haver um grande número de jovens assentados. "A mim esse dado surpreendeu bastante, mais de 44% dos assentados é composta por jovens com menos de 20 anos", destacou.

Infraestrutura

O trabalho apontou que 70% das moradias possuem mais de cinco cômodos e 76% possuem algum tipo de tratamento de dejetos. Em resposta ao questionário, 79% das famílias informam acesso suficiente à água. Porém, na região Nordeste a pesquisa indica que ainda existem 35% de famílias assentadas com acesso insuficiente ao benefício.

Cinqüenta e sete por cento das famílias informaram descontentamento com a condição das estradas e vias de acesso aos lotes. As famílias mais descontentes estão no Norte (65%) e no Nordeste (64%) onde as condições ambientais são difíceis e as parcerias institucionais com municípios são mais restritas. Estas obras são prioridades nestas regiões. Entre 2003 e 2010 o Incra construiu ou recuperou mais de 52 mil quilômetros de estradas.

Educação e saúde

O nível de alfabetização dos assentados da reforma agrária até o primeiro grau é de 84%. A pesquisa revelou que o principal problema está no ensino médio e superior, com acesso inferior à 10%.

Com relação a saúde, 56% das famílias estão descontentes com o acesso à hospitais e postos de saúde, confirmando o desafio da universalização da saúde, especialmente no meio rural e nas regiões Norte e Nordeste.


Crédito, produção e renda

Das famílias entrevistadas, 52% declararam ter acesso ao Pronaf e 64% delas estão adimplentes. Sessenta e dois por cento delas também já receberam Créditos de Apoio, Fomento ou para Aquisição de Material de Construção. Entre 2003 e 2010 o Incra financiou com créditos a construção ou a reforma de mais de 394 mil moradias.

Dentre os mais de 200 produtos da reforma agrária elencados nos questionários, o leite, o milho e o feijão se destacam na formação da renda das famílias. Nos estados de Santa Catarina e Ceará mais de 85% dos produtores plantam feijão e 50% milho. O leite também é uma importante fonte de renda agrícola. A pesquisa aponta que a renda do produto nos assentamentos no Ceará chega a R$ 4,7 milhões ao ano e em Santa Catarina a R$ 17,7 milhões.

A produção agropecuária nos assentamentos representa a maior fatia na composição da renda, alcançando 76% em Santa Catarina e 48% no Ceará.

Melhoria na qualidade de vida

A percepção da melhoria nas condições de vida dentre as famílias assentadas, após o acesso à terra, é marcante. Perguntados sobre a percepção que tinhas das condições de vida de sua família em relação a situação anterior ao assentamento, 73,5% disseram que a situação está melhor em relação a moradia, 64,86% dizem ter melhorado em relação a alimentação, 63,29% em relação a educação, 63,09% em relação a renda e 47,28% afirmam que a situação melhorou no que diz respeito a saúde.


Fonte: www.incra.gov.br

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Realidade do campo brasileiro é divulgada na Itália


Livro sobre o campesinato e a Reforma Agrária no Brasil, com fotografias de Carmelo Fioraso e poesias do camponês paraíbano João Muniz foi lançado na cidade de Valdagno, Itália, no último dia 16.


O auditório Palazzo Festari, na cidade de Valdagno, Itália, esteve lotado nesta úlltima quinta-feira, dia 16. Dezenas de pessoas estiveram presentes para participar do lançamento do livro “Imagens de Resistências: Resistir para Existir”, do fotografo italiano e cooperante da CPT NE II, Carmelo Fioraso. A publicação revela uma realidade pouco conhecida no Brasil e no mundo: a história dos camponeses e camponesas que lutam por suas terras e territórios no Brasil. Foram dois anos de ensaio fotográfico, realizado entre 2009 e 2010, registrando imagens das comunidades tradicionais, acampamentos, assentamentos e trabalhadores nos canaviais do estado de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e São Paulo. Junto com as fotografias de Carmelo Fioraso, o livro trás os versos do poeta e camponês paraibano João Muniz, de 29 anos, que vivenciou desde criança a luta pela Terra e a violência do modelo de produção do agronegócio em seu Estado.

Aproximadamente mil exemplares serão vendidos no Brasil ao valor de RS 25,00. Em entrevista à CPT Nordeste, Carmelo contou que apesar de ser uma noite muito fria o público prestigiou o lançamento do livro e foi muito emocionante a leitura dos versos de João Muniz pela locutora do evento.

Confira a entrevista:

CPT NE II- Como surgiu a ideia deste livro?

Carmelo Fioraso Desde 2004, quando entrei na Comissão pastoral da Terra (CPT), iniciei andanças pelo Nordeste apoiando a luta pela Reforma Agrária e pelos Direitos Humanos. Testemunhei as violações cometidas pelos latifundiários nos estados de Alagoas, Bahia, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e nos canaviais de São Paulo. Senti indignação pelos crimes cometidos pelo latifúndio, mas também a esperança que o povo carrega na luta por uma vida com dignidade. Daí veio a necessidade de denunciar, através da fotografia, os conflitos causados pela falta da Reforma Agrária no Brasil e a ganância do agronegócio, especialmente o monocultivo da cana para produzir etanol a custo da vida de milhares de famílias camponesas. Foi para fortalecer a luta dessa gente que senti a necessidade de transformar as fotos em livro. É uma forma de convidar a sociedade para retomar o debate fundamental da Reforma Agrária.

CPT NE II- Seu livro retrata o campesinato brasileiro e a Reforma Agrária. Como você vê a Reforma Agrária no Brasil?

CF - O Brasil tem uma enorme concentração de terra. Ocupa a segunda posição mundial. Nunca foi feita uma Reforma Agrária. O agronegócio segue Brasil adentro expulsando comunidades tradicionais, destruindo florestas, inviabilizando a Reforma Agrária. O governo que termina não resolveu o problema de milhares de famílias acampadas nas beiras das estradas. O Brasil nunca vai ser justo se não fizer reestruturação fundiária. É imoral a estrutura fundiária brasileira.

CPT NE II- O que mais lhe impressionou na convivência com o povo camponês?

CF - A força deste povo cheio de cicatrizes, mas que carrega uma esperança impressionante. É a última resistência, quase heróica, para ficar na terra, porque a regra é a expulsão total das famílias camponesas da terra. Aprendi muito com a gente do campo. A partilha foi se materializado pelo sentir, pela sabedoria, pela convicção e pelas ideias de cada pessoa que encontrei ao longo das estradas. Vivi momentos belíssimos ao lado desta gente, mas algumas vezes tive a sensação de precisar registrar algo que estava para desaparecer. Nestes momentos um sentimento angustiante tomava posse de mim.

CPT NE II - O livro tem versos do camponês João Muniz. Como se deu esta parceria?

CF - Encontrei João Muniz numa Assembleia da Comissão Pastoral da Terra. Já tinha decidido fazer o livro. Quando ele declarou os versos feitos na hora sobre o povo camponês fiquei encantado e pensei: as poesias dele vão fazer parte do livro. Conversamos e combinamos um encontro no assentamento onde ele mora. Mostrei as fotos e ele fez os versos. Além da beleza dos versos, me alegrou muito conhecer Muniz, sua força me animou, deu esperança, diminuiu minha angustia. Ele nasceu em uma família sem terra e desde cedo vivenciou a violência provocada pelo latifúndio, a luta pela Terra e o enfrentamento ao monocultivo da cana de açúcar no estado da Paraíba. O assentamento onde vive foi conquistado a partir da organização e persistência das famílias de trabalhadores rurais. A área leva o nome de seu primo, Almir Muniz, assassinado a mando dos Usineiros da Região. Hoje, ele tem uma vida digna e faz o curso de Pedagogia, na Universidade Federal da Paraíba. A poesia dele versa sobre a cruel e perversa realidade do campo, a resistência das comunidades, a necessidade da partilha da terra. Fala também do sonho camponês. Uma sintonia muito grande com as fotos.

CPT NE II- Qual a reação do público italiano?

CF - Quando conto a situação do campo brasileiro na Itália, muitas pessoas falam que não é possível que essa gente viva nesta situação e ainda encontra tantas forças pra seguir buscando justiça social. Não é possível que a terra seja tão concentrada num pais continental. As pessoas ficam sensibilizadas, mas tem que iniciar o processo de partilha, de debate e de alguma ação que provoque este mundo globalizado e consumista.

CPT NE II - O que espera do livro?

CF - Quando visitei as comunidades tradicionais, as famílias quilombolas que lutam pela demarcação de seus territórios e as famílias sem terra que cobram a reforma agrária, fiquei chocado com a situação. Passei noites sem dormir refletindo sobre a necessidade da reforma agrária voltar a ser pautada pela sociedade. Espero que o livro possa contribuir neste debate no Brasil, e que provoque na sociedade italiana uma preocupação com os outros, uma preocupação com a situação agrária brasileira. Neste mundo globalizado e de redes sociais virtuais precisamos romper com o individualismo, com o liberalismo econômico. Precisamos compartilhar, provocar o debate, precisamos fortalecer a luta pelos direitos básicos das populações pobres.









Fonte: Comissão Pastoral da Terra - NE II
Setor de Comunicação e documentação
Contato: Renata Albuquerque: (81) 9663.2716 / 3231.4445
comunicacaocptpe@yahoo.com.br
www.cptpe.org.br

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Drama das educadoras do campo é mostrado na TV

A Comissão Pastoral da Terra (CPT-AL) denunciou na segunda-feira (13.12) a morosidade do Governo de Alagoas quanto à aprovação do processo administrativo 11.216/09, que deveria repassar os salários das educadoras do campo e também viabilizar a implantação de mais duas salas de aula no sertão alagoano.

Há doze meses, o documento percorre várias salas da Secretaria Estadual de Educação, enquanto isso as educadoras continuavam exercendo seu trabalho sem receber os salários. Também existem outros educadores atuando em acampamentos da reforma agrária, vinculados ao Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que estão na mesma situação.

Vários meios de comunicação locais propagaram a situação vergonhada, dentre eles a TV Gazeta que fez uma reportagem especial com 3min15, clique no link para assistir: http://gazetaweb.globo.com/v2/videos/video.php?c=9076

A notícia foi a primeira a ser exibida ontem à noite (14.12) no telejornal AL TV 2ª edição, em horário nobre, e foi reprisada hoje no Bom Dia Alagoas, antes da entrevista no estúdio com o Governador Teotonio Vilela Filho. Teo afirmou que a situação era lamentável e que será solucionada imediatamente, também, aproveitou para parabenizar as professoras pelo trabalho desenvolvido mesmo diante de tantas dificuldades e pediu desculpas ao vivo.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Alagoas: Conflitos agrários retornam às manchetes de jornal


Clique na imagem para visualizar o conteúdo.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Educadoras do campo estão há doze meses sem receber


 O processo administrativo está passeando pelas salas da Secretaria Estadual de Educação, enquanto isso, a CPT-AL ajuda as professoras das escolas itinerantes que passam por dificuldades financeiras


Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL


“A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”, disse um dia Nelson Mandela, uma das lideranças mais expressivas e respeitadas no mundo. Esse pensamento é o que move quatro educadoras do campo que atuam em escolas itinerantes nos acampamentos Mumbuca, Santa Cruz , Bota Velha (todos em Murici) e o pré-assentamento Rio Bonito (Flexeiras), áreas da reforma agrária localizadas na zona da mata de Alagoas que são acompanhadas pela Comissão Pastoral da Terra. Porém, elas estão há um ano sem receber o pagamento pelo serviço executado, devido à morosidade do Governo em repassar os recursos financeiros.

Cerca de 60 crianças que moram em áreas da reforma agrária de difícil acesso estão tendo a oportunidade de serem alfabetizadas e aprendem noções de cidadania nas escolas itinerantes, que possuem ensino regular em salas de aula multi-seriadas (1° ao 5°ano), com a execução de provas, pesquisas e trabalhos em grupo, além disso, existem os relatórios de trabalho e diário de classe que são encaminhados para as escolas pólos nas cidades.

As educadoras afirmam que existe um total descaso do Governo, nesses doze meses, as aulas estão acontecendo normalmente e mesmo que o acampamento mude de local as ações continuam. Elas também afirmam que a reestruturação da Secretaria Estadual de Educação e Esporte (SEE), onde a Gerência de Educação do Campo (Geduc) foi extinta e suas demandas passaram a incorporar a Gerência da Diversidade (educação do campo, quilombola, indígena, diversidade étnica e sexual) só tem contribuído para o descrédito da formação na área rural.

O processo administrativo 11.216/09 deveria repassar os salários das educadoras e também viabilizar a implantação de mais duas salas de aula, onde atenderiam 85 crianças no sertão de Alagoas. O documento foi aprovado pela Procuradoria Geral do Estado (PGE), a prestação de conta concluída e já deveria ter sido aprovado, porém os gestores alegam que o está passando pelo trâmite legal. Agora, encontra-se na SEE, onde já passou pelo setor financeiro e percorreu várias salas, mas a Gerente da Diversidade Irani Neves ainda não informou quando os recursos financeiros serão viabilizados.

De acordo com a coordenadora das escolas itinerantes da pastoral social, Madalena Oliveira, a CPT-AL ajuda as educadoras passando um valor de R$200 para amenizar o problema, mas está ficando insustentável. “A gente trabalha pela causa, sabemos da nossa responsabilidade e não queremos abandonar as crianças. Então, infelizmente, mesmo sem receber nós estamos assumindo um papel que é do Estado”, declarou.


Ações culturais

Os assentados também tentam contribuir para o desenvolvimento das escolas que também promoverá ações sócio-culturais, eles estão doando alimentos agroecológicos para serem comercializados nas feiras camponesas e da Solidariedade. Também estão sendo realizados rifas e bingos camponeses, onde todo recurso financeiro arrecadado será destinado para o projeto "Cultivando música, cultivando arte, cultivando a vida camponesa" que foi aprovado pela Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) em julho de 2010. 

Com a verba arrecadada nas feiras itinerantes, vamos construir um centro cultural com aulas de música, dança, teatro e até de artesanato para crianças e mulheres do complexo Mumbuca, região que abrange três acampamentos em Murici”, revelou Madalena. 

Histórico

Alagoas foi o quarto estado da federação brasileira a implantar o programa de escola itinerante. As atividades foram iniciadas em 2006 com duas turmas para as organizações favoráveis à reforma agrária, que são reconhecidas no país: Comissão Pastoral da Terra (CPT), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) e o Movimento Trabalho e Liberdade (MTL). 

Atualmente, as escolas itinerantes só existem em áreas da CPT e do MST, em ambos, as educadoras estão passando por problemas financeiros. As aulas acontecem nos acampamentos da reforma agrária em casas de taipa e lona, possuem carteiras, quadro e giz. O material didático é comprado pela CPT e os livros disponibilizados pelo Estado; e a merenda ofertada por escolas pólos estaduais situadas nos municípios e produzidos pelas próprias educadoras.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Bastidores: Feira Camponesa Itinerante (10 e 11/12/10)

Fotos tiradas por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL


Feira Camponesa Itinerante agrada moradores


A feira foi realizada na praça em frente à Igreja e os produtos sertanejos foram os mais procurados


Texto e fotos: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL


A quarta edição da Feira Camponesa Itinerante promovida pela Comissão Pastoral da Terra de Alagoas (CPT-AL), nos dias 10 e 11 de dezembro, atraiu vários moradores do Conjunto Santo Eduardo e de outros bairros, em busca dos produtos agroecológicos oriundos dos assentamentos Dom Helder Câmara (Murici), Todos os Santos e Nossa Senhora Conceição (ambos de Água Branca), Zumbi dos Palmares e Eldorado dos Carajás (ambos de Branquinha). A atividade aconteceu em frente à Igreja Católica Nossa Senhora da Assunção, e recebeu o apoio da Paróquia Senhor do Bomfim e da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (Cese).

Na Praça Jornalista Denis Agra tinham barracas padronizadas e uma casa de farinha. Foram vendidos pé de moleque, tapioca, beiju, doces caseiros, massa puba, farinha e alimentos livres de agrotóxicos, como: pimenta de cheiro, inhame, abóbora, feijão, feijão de corda, tomate, pimentão, chuchu, mamão, batata, abacaxi, banana, melancia, laranja, limão e maracujá.

O servidor público José Nivaldo mora no bairro do Farol e ficou sabendo da feira durante a missa no Conjunto Santo Eduardo, mas informou que sempre frequenta a tradicional Feira Camponesa na Praça da Faculdade e a Feira da Solidariedade realizada no primeiro sábado de cada mês em frente à Igreja São Gonçalo. “Os produtos são bons e os agricultores estão de parabéns. Os sem-terra têm que mostrar o valor da terra, eles querem terra e têm que produzir mesmo. Às vezes a gente vê muita confusão e tem alguns que querem a terra para negociar, e esses que participam das feiras mostram exatamente o contrário”, declarou.

Seis assentados do sertão trouxeram mais da metade dos produtos comercializados e que atraíram muitos clientes devido à diversidade. A agricultora Cilene dos Santos do Assentamento Nossa Senhora da Conceição, participou pela primeira vez deste formato itinerante e se mostrou animada por estar mostrando o trabalho da sua família. Sua barraca ficou repleta de produtos e ela disse que foi apenas 1/3 do que costuma trazer na feira maior, teve: galinha, ovos de capoeira, rapadura, vassoura de palha, fava, feijão preto, feijão de corda, bolo de massa puba, tamarindo, mel de engenho e de abelha, e outros.

 Dona Cilene trouxe o filho adolescente para ajudar na venda dos produtos


A engenheira agrônoma e coordenadora da equipe técnica que acompanha as famílias camponesas, Heloisa Amaral, declarou que as feiras camponesas itinerantes estão sendo executadas em bairros de Maceió que não possuem feiras livres. “Aqui, a população tem um contato direto com os agricultores e podem comprar alimentos de qualidade e da época. São frutas e verduras que não precisam de produtos químicos para amadurecer rapidamente. A aceitação dos moradores está cada vez melhor, e em 2011, pretendemos realizar de dois em dois meses, e felizmente, muitas propostas de locais estão surgindo”, afirmou.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

CPT realiza Feira Camponesa Itinerante amanhã

Desta vez, o Conjunto Santo Eduardo foi escolhido para sediar a feira que enaltece o trabalho das famílias camponesas em áreas da reforma agrária


Texto: Helciane angélica - jornalista/CPT-AL
Foto: Arquivo


Nos dias 10 e 11 de dezembro, a Comissão Pastoral da Terra de Alagoas realizará a última edição da Feira Camponesa Itinerante deste ano. A atividade acontecerá das 6h às 20h, na Praça Jornalista Denis Agra no Conjunto Santo Eduardo em Maceió, localizada em frente à Igreja Católica Nossa Senhora da Assunção, e conta com o apoio da Paróquia Senhor do Bomfim e da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE).

Essa ação busca aproximar ainda mais as famílias camponesas dos maceioenses e permitir a quebra de preconceitos, levando aos bairros a qualidade da produção agropecuária e inibindo a ação dos atravessadores. Além disso, também será instalada uma barraca organizada por educadoras do campo que estão arrecadando recursos financeiros para o projeto "Cultivando música, cultivando arte, cultivando a vida camponesa". E na sexta-feira, a partir das 20h, terá a apresentação do trio de forró Nó Cego e um bingo de um carneiro onde cada cartela será vendida por R$5,00 (cinco reais), e todo o dinheiro será destinado para as ações sócio-culturais a serem desenvolvidas com as crianças das escolas itinerantes.

Cerca de 20 barracas estarão no local reproduzindo o sucesso da Feira Camponesa, para comercializar alimentos livres de agrotóxicos (macaxeira, inhame, batata, abacaxi, banana e outros), mel do sertão, ovos de capoeira e animais oriundos dos assentamentos acompanhados pela CPT-AL: Todos os Santos (Água Branca), Dom Helder Câmara (Murici), Jubileu 2000 e Quilombo dos Palmares (São Miguel dos Milagres); além de Zumbi dos Palmares do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), localizado no município de Branquinha.

Ao todo, foram realizadas neste ano seis feiras camponesas em Maceió: duas tradicionais na Praça da Faculdade (12ª e 13ª, nos meses de junho e outubro) e as feiras menores que ocorreram no bairro do Bebedouro, Salvador Lira, Pinheiro e, agora, no Conjunto Santo Eduardo. Outras paróquias e associações já fizeram convites para sediarem as próximas etapas, que acontecerão a cada três meses em 2011.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Conjunto Santo Eduardo sediará Feira Camponesa Itinerante

sábado, 4 de dezembro de 2010

Carta ao governador de Alagoas sobre as reintegrações de posse

Excelentíssimo Senhor Governador Teotônio Vilela Filho,


Ai daqueles que juntam casa com casa e emendam campo a campo,
até que não sobre mais espaço e sejam
os únicos a habitarem no meio do país. (Profeta Isais )



Alagoas é um estado pequeno, marcado pelo abismo que separa alguns ricos da maioria absoluta da população, as desigualdades sociais em Alagoas são comparadas às dos países paupérrimos do continente africano, segundo o professor Fernando Lyra no seu livro “Crise, Privilégio e Pobreza”. É na concentração da terra que encontramos o motivo desta extrema pobreza.

A elite canavieira alagoana, além de concentrar a terra e a renda nas mãos de poucas famílias, há mais de quatro séculos dita as regras e impõe ao povo sofrimento e miséria. Ao longo dos anos capturou o Estado e coloca este ente a serviço dos seus negócios particulares em detrimento da população.

Aos poucos, com a organização popular e o envolvimento de setores intelectualizados da sociedade, o Estado tem sido forçado a garantir direitos aos empobrecidos. Entre as conquistas no campo de Alagoas podemos afirmar o provimento 11/99 do Tribunal de Justiça de Alagoas, que criou condições objetivas para evitar a violência e o derramamento de sangue dos sem terra, nos cumprimentos das reintegrações de posse.

O provimento reza que as entidades de direitos humanos e as organizações envolvidas com a organização do acampamento em conflito devem ser avisadas com antecedência, e que o diálogo seja valorizado ao extremo para evitar a violência.

No entanto, no vosso governo percebemos uma mudança no comportamento do Centro de Gerenciamento de Crises da Polícia Militar, que em desrespeito frontal ao provimento, tem chegado aos acampamentos de surpresa, acompanhado do policiamento local e do BOPE e pressionado as famílias a deixarem o local. Esta situação aconteceu no acampamento Campos em São José da Laje, no acampamento Bom Destino em São Miguel dos Milagres e hoje (02/12), na fazenda Oriente, no município de Messias pertencente ao Grupo Utinga Leão, denominado acampamento Pachamama.

No despejo das famílias acampadas na fazenda Oriente, promovido pelo Estado de Alagoas, pelo governo de vossa excelência, fica cristalizado que os sem terra pouco valem diante de algumas touceiras de soca de cana. É deprimente ouvir o relato dos camponeses dizendo que a polícia deu proteção aos funcionários da usina Utinga Leão para destruir os barracos e lavouras dos agricultores. Destruir “casas” e alimento num estado como o nosso, no qual 56% vive na miséria e onde milhares de famílias foram desabrigadas, vítimas das chuvas que caíram no mês de junho, é clamar contra o céu.

Este procedimento lamentável, condenável e covarde do ESTADO, representado no ato pelo Centro de Gerenciamento de Crises da Polícia Militar, pode retroceder o diálogo entre os movimentos dos camponeses e o governo e criar outro esboço no cenário da luta pela terra no campo de Alagoas.

É urgente que Vossa excelência tome as medidas necessárias para evitar que sangue seja derramado e que o Estado volte a ser o braço armado do latifúndio alagoano.



Maceió, 02 de dezembro de 2010.


José Carlos da Silva Lima
Coordenador Estadual da CPT-AL


“O reinado sobre o mundo pertença ao nosso Senhor e ao seu Cristo e ele reinará para sempre e chegue o tempo em que serão destruídos os que destroem a terra” (Apoc. 11,15.18).

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

PM quer expulsar famílias camponesas

Neste momento, o Gerenciamento de Crises da Polícia Militar de Alagoas encontra-se no Acampamento Pachamama (Terra Mãe) localizado no município de Messias, na zona da mata do Estado, com objetivo de expulsar as 40 famílias que estão produzido nas terras do Complexo Utinga Leão falido.

A PM cumpre o mandado de reintegração de posse emitido pela Vara Agrária para esta quinta-feira (02.12), mas que não foi comunicado à Comissão Pastoral da Terra, pastoral social que acompanha as famílias camponesas há mais de um ano.


A CPT-AL informa que os camponeses irão resistir e considera um absurdo a medida anti-conciliadora do Gerenciamento de Crises, onde inclusive, já aconteceu em outros acampamentos a exemplo de Bom Destino em São Miguel dos Milagres e Campos em São José da Laje.


Mais informações: (82) 9127-5773 / 9127-2364

Italianas reafirmam compromisso com famílias camponesas


As enfermeiras Elisa Bessone, Maria Blangiardo e Elena Guiglia são integrantes da Associação Pachamama


Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL


A Associação Pachamama (Terra Mãe) da Itália existe oficialmente desde julho de 2009, é formada por um grupo de amigos que defendem a reforma agrária no Brasil e tem realizado várias atividades sócio-educativas em parceria com a Comissão Pastoral da Terra (CPT-AL), principalmente, com ações preventivas de doenças com o curso de capacitação “Semeadores da Saúde” e tem contribuído para o protagonismo das famílias camponesas.

As italianas Maria Blangiardo da cidade de Tourino e Elisa Bessone de Pinerololo, respectivamente, a Vice-Presidente e Secretária Geral da Pachamama já vieram ao Brasil outras vezes e conhecem bem o trabalho da CPT, inclusive, tiveram a oportunidade de prestigiar dois eventos importantes como a Feira Camponesa e a Romaria da Terra e das Águas. Enquanto isso, a enfermeira Elena Guiglia que trabalha em Novara veio pela primeira vez ao país, e teve a oportunidade de conhecer a luta campesina de perto.

Com certeza, está sendo uma experiência muito emocionante! Antes de chegar aqui, já tinha participado de um encontro da Pachamama e ouvi falar das atividades da CPT, vi algumas imagens, mas não tinha uma real noção. E quando cheguei, conheci várias pessoas e ouvi elas falarem. Senti a importância de lutar pela terra e ter uma casa mesmo ela sendo pequena, além de ver a realidade mais forte quanto o uso do banheiro e os problemas de esgoto”, destacou Elena que pretende retornar ao Brasil para aprender a falar mais o português, rever o sorriso das crianças que a encantou e ter o contato com a natureza.

Elas têm formação em Enfermagem e chegaram no último dia 15 de novembro, tiveram reunião com os coordenadores da pastoral social e visitaram áreas acompanhadas, como: os acampamentos Santa Cruz (Joaquim Gomes) e Pachamama (Messias); e os assentamentos Rio Bonito, Flor do Bosque (Messias), Dom Helder Câmara (Murici), Irmã Dorothy Stang e Padre Alex Cauchi (Porto de Pedras), Jubileu 2000 e Quilombo dos Palmares (ambos em São Miguel dos Milagres).

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Pachamama realiza formação na área de saúde com camponeses

A associação italiana existe há um ano e tem desenvolvido várias ações sócio-educativas com as famílias camponesas alagoanas que são acompanhadas pela Comissão Pastoral da Terra


Texto e fotos: Helciane Angélica - jornalista/CPT-AL


Nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro, a Associação Pachamama (Terra Mãe) da Itália em parceria com a Comissão Pastoral da Terra (CPT-AL) realizou no Centro Pastoral Dom Bosco em Messias, a segunda etapa do curso Semeadores da Saúde com camponeses oriundos do litoral norte e zona da mata de Alagoas. A instituição defende a reforma agrária no Brasil e tem contribuído com várias ações sócio-educativas.

O curso de capacitação tem como principal objetivo passar orientações importantes para lideranças campesinas na área da saúde, para que seja possível coletar dados sobre a quantidade e tipos de enfermidades (diarréia, febre, dor de dente, acidentes e outros), detectar as deficiências quanto a infra-estrutura nos acampamentos e assentamentos, além de anotar os dias que os agentes de saúde estiveram presentes. As informações foram repassadas pelas enfermeiras Maria Blangiardo, Elisa Bessone e Elena Guiglia.


De acordo com Maria Blangiardo, Vice-Presidente da Pachamama, todos os semeadores receberam um kit com caneta, caderno, fichário para fazer as anotações e arquivar os questionários a serem aplicados com as famílias camponesas a partir de janeiro de 2011. “Essa iniciativa é necessária para nós sabermos quais os problemas de saúde no campo e termos uma atuação maior, mostrando esses dados nas secretarias de saúde é possível cobrar as melhorias”, destacou.

Na ocasião, os trabalhadores rurais oriundos do acampamento Santa Cruz (Murici) e dos assentamentos Santa Maria Madalena (União dos Palmares), Rio Bonito (Joaquim Gomes), Dom Helder Câmara (Murici), Irmã Dorothy Stang (Porto de Pedras), Jubileu 2000 e Quilombo dos Palmares (os dois últimos em São Miguel dos Milagres) puderam aprofundar as orientações adquiridas no ano passado, tirar as dúvidas e discutir sobre as principais dificuldades enfrentadas. Os participantes também assistiram vídeos educativos e ilustrativos sobre a importância de lavar as mãos e ter uma boa escovação bucal, além de discutir nos grupos de trabalho as principais estratégias de atuação e para repassar as informações adquiridas.

O assentado e artesão José Claudio Dâmaso Cavalcante atua há dez anos na luta campesina e há três conquistou o pedaço de terra. Ele já participou de várias atividades de formação promovidas pela pastoral social a exemplo dos encontros de militantes, assembleias dos trabalhadores rurais e congressos nacionais, e tem se empenhado para se aperfeiçoar como semeador da saúde. “Eu sou um resgate da CPT porque eu consegui sair do alcoolismo após participar das ações. Então, eu me sinto com a obrigação moral de levar o conhecimento para os demais. Aqui eu aprendi que se não houver higiene pessoal, as mãos e a boca são as principais portas de entrada para as doenças no nosso organismo”, relembrou.

A Pachamama também comprou oito balanças eletrônicas que foram entregues às áreas que tem integrantes do projeto, para que seja executado o Dia do Peso – “Pesando e Colhendo Saúde” uma vez ao mês, onde será traçada uma linha de crescimento das crianças de 0 a 12 anos e combater a desnutrição infantil. Também foram repassados frascos com hipoclorídio de sódio para que seja aplicada na água utilizada para o consumo.

 Participantes da segunda etapa com as enfermeiras italianas


Coordenação

Existe o interesse de ampliar a quantidade de atividades de formação ao longo do ano e divididas por áreas, e a cada quatro meses será utilizada a internet para aproximar os trabalhadores rurais dos integrantes da Pachamama que estão do outro lado do Oceano Atlântico.

Outra medida adotada foi a escolha de uma coordenadora para o projeto Semeadores da Saúde. E a estudante e assentada Josiane Silvetre de 24 anos, do Jubileu 2000, foi a selecionada por ter se destacado na primeira fase, e durante um período de três meses que pode ser prorrogado auxiliará os demais integrantes e manterá a Pachamama e CPT-AL informadas com o envio de relatórios mensais.

Logo no início do curso, no ano passado, eu não queria participar porque achava que iria prejudicar os meus estudos. Mas, os coordenadores explicaram a importância do projeto e me incentivam, eu vim, gostei e achei muito interessante. Até porque, o meu pai faleceu com um ataque cardíaco porque não queria ir ao médico e também porque não tinha informação, então, o que eu puder fazer para orientar os meus companheiros, eu vou fazer!”, afirmou Josiane.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Trabalhadores rurais ainda esperam por justiça

O assassino de Jaelson Melquíades permanece foragido e muitos crimes ainda continuam sem resposta da Justiça

Por: Rafael Soriano – Assessor de Comunicação MST/AL


Há cinco anos, no dia 29 de novembro de 2005, o agricultor e dirigente estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na região de Atalaia (45km de Maceió), Jaelson Melquíades voltava de uma reunião no então acampamento Ouricuri 3 – hoje o assentamento carrega seu nome. A ida para o assentamento Timbó, para o almoço com sua mãe, foi interrompida por volta das 14h quando foi abordado por dois pistoleiros. Testemunhas lembram que os dois homens já rondavam a região desde cedo, fingindo problemas com a moto e parando aqui e ali. Quando acertaram o primeiro tiro, Jaelson caiu da moto, indefeso para os outros 4 disparos que seguiram. Com pelo menos um tiro na cabeça, o Sem Terra morreu e seus algozes fugiram.

Cinco anos depois do mais recente assassinato de um líder político no campo alagoano, a impunidade indigna os camponeses em todo o Estado. O mandante nunca foi condenado e os pistoleiros que executaram Jaelson continuam soltos. Este não é o único crime sem resposta contra trabalhadores rurais que lutam por seu direito à terra. Outros casos de lideranças camponesas assassinadas continuam impunes, como a morte de Chico do Sindicato há 15 anos, José Elenilson há 10 anos e Luciano Alves (Grilo) há 7 anos.

Desde 2006, o dia 29 de novembro entrou para o calendário em Alagoas como o Dia Estadual de Luta Contra a Violência e a Impunidade no Campo e na Cidade. Uma semana de mobilizações deve iniciar na manhã desta segunda-feira (29) com um ato-denúncia e celebração religiosa, próximo à rodoviária no centro de Atalaia às 9h. No mesmo dia, milhares de trabalhadores chegarão a Maceió para uma vigília de fé em memória dos mártires da luta pela Reforma Agrária, simbolizando a esperança das cerca de 10 mil famílias do MST em Alagoas na punição dos culpados pelos crimes.

Monumento no local da morte de Jaelson


Lutar não é crime!

Na Zona Rural de Atalaia, no local onde houve a emboscada dos pistoleiros a Jaelson, os educandos da Escola Nacional de Formação do MST, que ocorre no Centro de Formação Zumbi dos Palmares, inauguraram na tarde desta quinta-feira (25) um monumento em homenagem a este lutador que tombou na esperança de ver a terra dividida entre seus irmãos.

Infelizmente, as mortes em Alagoas não são fatos isolados do resto do país. A realidade cruel do campo brasileiro exibe a face mais truculenta da elite fundiária no país: segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), de 2009 até julho de 2010 já se contabilizam 20 assassinatos de trabalhadores rurais e um total de 96 ameaças de morte a lideranças camponesas. A luta por Reforma Agrária é a saída encontrada por milhões de trabalhadores excluídos do acesso aos direitos fundamentais, como alimentação, saneamento, educação, saúde etc. Acreditando que o fim do latifúndio no Brasil abre um novo horizonte de geração de trabalho, soberania alimentar e desenvolvimento para as comunidades, as famílias Sem Terra se organizam para a participação social, pressionando o poder público para que efetive os direitos que lhes são garantidos na Constituição.

Queremos justiça!!!


Audiências

Como conseqüência das mobilizações do início do mês em prefeituras por todo o Estado, o Movimento aproveita sua passagem por Maceió para realizar na tarde desta segunda-feira uma audiência com a Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), na intenção de encaminhar coletivamente as demandas infra-estruturais da Reforma Agrária nas cidades do interior. Ainda, devem ocorrer audiências com o Governo do Estado e reuniões com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para debater e encaminhar demandas de crédito, assentamento de famílias e mais verbas para a política agrária no país.

Igreja e Questão Agrária no Início do século XXI

“É um direito da Igreja Evangelizar o social”; aliás, “este direito é, ao mesmo tempo, um dever, pois a Igreja não pode renunciar a ele sem se desmentir a si mesma e à sua fidelidade a Cristo” e “pela relevância pública do Evangelho e da fé e pelos efeitos perversos da injustiça, vale dizer, do pecado, a Igreja não pode ficar indiferente às vicissitudes sociais”, afirma o nº 71 do Compêndio da Doutrina Social da Igreja.

É com este intuito que foi apresentada à aprovação da 48ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em maio de 2010, a proposta de publicação deste estudo sobre a questão agrária no Brasil. Problema com raízes no século XVI, até hoje sem a devida solução.

Não é a primeira vez que a Igreja no Brasil se debruça seriamente sobre esta temática, seja através da CNBB, seja através de variadas manifestações e debates em suas diversas instâncias ou de apoios a iniciativas em defesa da vida digna para todos, no campo e na cidade.

Neste, como em outros temas, não são as diferenças de posicionamentos que produzem as maiores dificuldades. As diferenças refletem a liberdade da reflexão e a possibilidade de avanço na compreensão crítica e na definição de melhores ações transformadoras que contribuam efetivamente para a redução das profundas desigualdades sociais. O que não podemos é fugir ao debate nem nos omitirmos diante dos clamores do povo pobre, que mais sofre diante dos conflitos no campo e fora dele, e da falta de uma adequada política agrária.

O texto que agora apresentamos não é um Documento da CNBB. Trata-se de um Estudo, fruto do trabalho sério de um grupo de especialistas e de pastores, responsáveis e comprometidos com a causa dos menos favorecidos, enriquecido pelas contribuições dos Bispos, de assessores (as), secretários (as) executivos (as) dos Regionais e representantes de organismos da Igreja no Brasil, presentes na 48a Assembléia Geral da CNBB. Sua publicação tem a finalidade de suscitar o debate e colher sugestões e críticas, tendo em vista o seu aperfeiçoamento. Gostaríamos, portanto, que esse Estudo fosse discutido nas diferentes instâncias da Igreja e da sociedade civil, e que as contribuições fossem enviadas para o e-mail afro@cnbb.org.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , ou para o endereço da CNBB, aos cuidados do Pe. Ari Antônio dos Reis, para serem analisadas e, conforme o caso, incorporadas ao texto.

Agradeço vivamente a todos e todas que colaboraram na elaboração do presente Estudo, feito a muitas mãos. Na esperança de que virá o dia em que a terra será de vida e de paz para todos, confiamos esses esforços aos cuidados de Nossa Senhora Aparecida, mãe e padroeira do Brasil.

Brasília, 10 de agosto de 2010
Festa de São Lourenço, Diácono e Mártir

Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário Geral da CNBB