domingo, 28 de fevereiro de 2010

21ª Assembleia Estadual da CPT-AL

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Igreja em Alagoas lança Campanha da Fraternidade

A Igreja Católica em Alagoas lançou, na noite desta sexta-feira, a Campanha da Fraternidade 2010. O lema escolhido este ano foi: “Você não pode servir a Deus e ao Dinheiro”, com o tema "Economia e Vida". O objetivo é unir todas as igrejas cristãs e sociedade na promoção de uma economia a serviço da vida, sem exclusão social.

A solenidade de lançamento aconteceu no teatro do colégio Marista e reuniu diversas autoridades. O arcebispo metropolitano de Maceió ressaltou que é o Estado necessitar realizar políticas de desenvolvimento econômico e social. O governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) participou do encontro.

Cerca de 20 bispos da Regional Nordeste 2, padres, pastores e agentes de pastoral, economistas e sociólogos também debateram, nesta sexta-feira, o tema da campanha.

Neste sábado, a Igreja promove, até às 17h, a tradicional feira da solidariedade, na Praça Lucena Maranhão, no bairro do Bebedouro. Também está prevista uma caminhada pelas ruas do bairro.


Fonte: Tudo na Hora

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Filme “Terra Maldita” será lançado no Espaço Cultural


O filme "Terra Maldita", dirigido por Pedro Onofre, será lançado nesta quinta-feira, 25 de fevereiro, às 19h30, no Espaço Cultural, localizado na praça Sinimbú, no Centro.

Antes do longa-metragem, será exibido o documentário "A Marcha dos 300 Quilômetros", rodado paralelamente, que trata da questão dos sem-terra. Ao final da exibição dos dois filmes, haverá debate com a participação de representantes dos movimentos sociais e professores da Ufal.

Sinopse de Terra Maldita

Maria de Jesus, setenta anos de idade, integrante do MST, nasceu num pequeno sítio no alto sertão alagoano. Conheceu ao longo da vida o gosto amargo da desgraça, da opressão e da tirania e testemunhou a concentração de poder cada vez maior nas mãos de alguns, o latifúndio expulsando os pequenos proprietários de suas terras e a miséria a se espalhar nos campos e nas cidades. Filha única de um casal de pequenos agricultores, ao ficar órfã de mãe, ainda criança, foi criada pelo pai e o avô, romeiro fanático do padre Cícero do Juazeiro, com passagem pelo cangaço. Um dia, ferido e muito doente, pediu permissão ao bando para morrer no sítio do filho, um pacífico agricultor chamado José Pedro. Ali, sobreviveu milagrosamente aos ferimentos e, a partir de então, abandonou o cangaço.

Maria de Jesus nasceu alguns anos depois desse episódio,vivendo ao lado do pai e do avô até os 15 anos de idade, quando a tragédia se abateu sobre sua família. Um truculento e desonesto chefe político pretende apossar-se da pequena propriedade de José Pedro, para nela construir um grande açude com recursos federais. Sua pretensão Encontra forte resistência do proprietário que não pretende desfazer-se de suas terras. Tomado de ódio, o coronel manda exterminar o agricultor e toda a sua família. Durante a chacina, a Maria de Jesus consegue escapar. Agora, sozinha, num mundo adverso, cheia de revolta, é amparada por uma facção das Ligas Camponesas, grupos de homens e mulheres que se organizavam como exército preparado ideológica e militarmente para a sobrevivência no campo.

Durante o golpe militar, Maria de Jesus, já com formação marxista, é presa e torturada. Mais uma vez sobrevive. Com a redemocratização, os movimentos nos campos voltam a ser articulados. Ela integra-se ao MST e se dedica a alfabetizar homens, mulheres e crianças nos assentamentos. Desde então, sua família tem sido os sem-terras. Onde quer que sigam, acompanha-lhes os passos. Se lhe perguntam o que procura, o que espera da vida, não tem resposta. Não procura nem espera mais nada. Os sem-terra se tornaram a sua ligação com o passado, a extensão anônima da sua família, em meio aos quais há de em breve, ao fechar os olhos para a vida, finalmente apossar-se do pedaço de chão que sempre lhe foi negado.


Fonte: Ufal


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Confira mensagens escritas por irmã Dorothy




12 de fevereiro é o dia do Martírio da missionária Dorothy Stang, que atuou na CPT em defesa dos camponeses e contra à exploração da Amazônia. Já são cinco anos lutando por justiça!

Depois do assassinato, foi criado em Anapu o Comitê Dorothy. O grupo tem como objetivo construir uma cultura de paz por meio do comprometimento de homens e mulheres com a Defesa dos Direitos Humanos e da Justiça socioambiental na Amazônia, concretizando a missão de Dorothy.


Acesse também: www.comitedorothy.blogspot.com

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

STJ manda Vitalmiro de volta para a prisão


No final da tarde de ontem, 4 de fevereiro, a 5ª Turma do STJ, ao julgar o mérito do habeas corpus, interposto pela defesa de Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, determinou que o fazendeiro tem que voltar à prisão, onde cumpria pena de 30 anos de reclusão, por ter sido um dos mandantes do assassinato da missionária Dorothy Stang, crime ocorrido em 12 de fevereiro de 2005.


Vitalmiro foi absolvido no segundo julgamento ocorrido em 6 de maio de 2008 e colocado em liberdade. O Ministério Público apelou da decisão do Tribunal do Júri e o Tribunal de Justiça do Estado do Pará, em 7 de abril de 2009, anulou o segundo julgamento e decretou novamente a prisão de Bida, considerando a necessidade da garantia da ordem pública e a conveniência da instrução criminal.


A defesa de Bida ingressou então com habeas corpus perante o STJ contra a decisão do Tribunal que decretou a prisão preventiva de Bida. No dia 20 de abril de 2009, o ministro relator, Arnaldo Esteves, deferiu a liminar, até que fosse julgado o mérito. Com a decisão, Bida foi posto novamente em liberdade. No julgamento de ontem, o ministro relator manteve sua decisão, fundamentando que, tecnicamente, o fazendeiro se encontra absolvido pela justiça do Pará. Mas, sua posição não foi acatada pelos demais ministros da Quinta Turma. O ministro Felix Fischer discordou do relator, fundamentando que os motivos da manutenção da prisão persistem. Os demais ministros acompanharam Felix Fischer no seu voto divergente e a prisão de Bida foi novamente decretada e, imediatamente, comunicada ao TJ do Pará para que o Mandado de Prisão seja cumprido. Bida aguardará preso o julgamento dos recursos impetrados pela defesa contra a decisão do Tribunal que anulou o segundo julgamento. Da decisão do STJ que decretou sua prisão cabe recurso perante o STF.


Em relação ao outro acusado de ser mandante do crime, Regivaldo Pereira Galvão, tramita no Tribunal de Justiça do Estado, o pedido de desaforamento do processo da comarca de Pacajá para a comarca da capital. A relatora é a desembargadora Vânia da Silveira. Em despacho do dia 3 deste mês, a relatora determinou que o pedido seja incluído na pauta de Julgamento. O julgamento, portanto, deverá ocorrer nas próximas semanas. Julgado favorável o desaforamento, o TJ do Pará poderá marcar o júri de Regivaldo ainda para o primeiro semeste deste ano.


A realização dos julgamentos de Regivaldo e Bida, constitui um passo importante na luta contra a impunidade no campo no Estado do Pará. Relatório elaborado na ultima semana pela CPT Pará e encaminhado para o CNJ, aponta que no período de 1982 a 2008 foram assassinados 687 trabalhadores rurais e lideranças no campo paraense. Do total de mortos, apenas 259 resultou em processo criminal ou em inquérito policial. Muitos, inclusive, já prescritos pelo decurso do tempo. Assim, 62% dos assassinatos no campo no período sequer foram investigados. Os responsáveis por esses crimes jamais serão punidos. Os dados mostram ainda que dos 144 processos criminais localizados, apenas 18 deles chegou a julgamento de algum acusado, representando apenas 12,5%, e resultando na condenação de apenas 9 mandantes e 18 pistoleiros e intermediários. Dos 9 mandantes condenados nenhum deles cumpriu ou está cumprindo a pena estipulada pelo tribunal do júri. Encontram-se foragidos ou estão aguardando julgamento de recurso em liberdade. Bida passará a ser o primeiro.



Belém, 05 de fevereiro de 2010.


Comissão Pastoral da Terra – CPT Regional Pará

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Suíço relata sua experiência do estágio na CPT-AL

A carta (*) foi escrita pelo geógrafo suíço Simon Foppa de 26 anos, que desenvolveu um trabalho voluntário junto às famílias camponesas de Alagoas. Ao todo foram quatro meses de aprendizado, dedicação e cooperação.


Deitado no meio da Europa, em um país que comparado com o resto do planeta às vezes parece um lugar  cor-de-rosa. É fácil de esquecer que o benefício natural para nós europeus, não é evidente para o restante do mundo. O povo metido na abastança corre o risco de ficar preguiçoso e egoísta, e pode esquecer o que verdadeiramente vale na vida. Talvez fosse isso que Jesus queria dizer quando afirmou: “É mais fácil passar um camelo pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no céu”.

Foi mais ou menos esse pensamento que resultou na minha decisão de vir ao Brasil para trabalhar com a Comissão Pastoral da Terra em Alagoas. Esperava entender melhor os efeitos do nosso sistema econômico mundial a nível local. Também foi uma boa oportunidade de conhecer uma nova cultura e um novo idioma. Eu sempre gostei de conhecer outras culturas, porque ficando no meio desse ambiente que é bem diferente da cultura onde nascemos, nós somos forçados a refletir sobre a nossa própria maneira enferrujada de pensar e de agir.


A experiência que eu fiz durante o meu estágio nos últimos quatro meses superou até as minhas melhores expectativas. A CPT sempre me entregou trabalhos que foram úteis – gostei disso! Assim pude executar tarefas interessantes e contribuir com a minha pequena parte pela reforma agrária. Durante este período tive várias oportunidades de viajar com a equipe técnica, dessa maneira conheci uma boa parte de Alagoas e aprendi um monte de coisas sobre o trabalho da CPT.


Claro que aprendi muitas coisas que servem para uma futura carreira profissional ao voltar para a Suíça. O conhecimento do equipamento com que trabalhei, o idioma, o trabalho autônomo e muitas coisas mais. Mas, o que foi mais importante que aprendi serviu para a vida pessoal. A CPT está fazendo um trabalho muito importante para o Brasil, mesmo que seja um pouco perigoso de vez em quando. A reforma agrária é uma pequena revolução que vai dar benefício para muitas famílias camponesas. E são essas mesmas famílias camponesas que me ensinaram o que é realmente importante na vida: a verdadeira hospitalidade, a importância de viver em comunidade e a alegria.


Agora, sigo em frente e não esqueço o que o coordenador da CPT disse uma vez: “Quando os portugueses chegaram, nós tínhamos a terra e eles tinham a Bíblia. Hoje somos nós que temos a Bíblia e eles têm a terra.” – Que fiquem com a terra, Carlos Lima, eu prefiro passar pela agulha!
 :)

(*) Algumas expressões foram adaptadas para uma melhor compreensão.