terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Suíço relata sua experiência do estágio na CPT-AL

A carta (*) foi escrita pelo geógrafo suíço Simon Foppa de 26 anos, que desenvolveu um trabalho voluntário junto às famílias camponesas de Alagoas. Ao todo foram quatro meses de aprendizado, dedicação e cooperação.


Deitado no meio da Europa, em um país que comparado com o resto do planeta às vezes parece um lugar  cor-de-rosa. É fácil de esquecer que o benefício natural para nós europeus, não é evidente para o restante do mundo. O povo metido na abastança corre o risco de ficar preguiçoso e egoísta, e pode esquecer o que verdadeiramente vale na vida. Talvez fosse isso que Jesus queria dizer quando afirmou: “É mais fácil passar um camelo pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no céu”.

Foi mais ou menos esse pensamento que resultou na minha decisão de vir ao Brasil para trabalhar com a Comissão Pastoral da Terra em Alagoas. Esperava entender melhor os efeitos do nosso sistema econômico mundial a nível local. Também foi uma boa oportunidade de conhecer uma nova cultura e um novo idioma. Eu sempre gostei de conhecer outras culturas, porque ficando no meio desse ambiente que é bem diferente da cultura onde nascemos, nós somos forçados a refletir sobre a nossa própria maneira enferrujada de pensar e de agir.


A experiência que eu fiz durante o meu estágio nos últimos quatro meses superou até as minhas melhores expectativas. A CPT sempre me entregou trabalhos que foram úteis – gostei disso! Assim pude executar tarefas interessantes e contribuir com a minha pequena parte pela reforma agrária. Durante este período tive várias oportunidades de viajar com a equipe técnica, dessa maneira conheci uma boa parte de Alagoas e aprendi um monte de coisas sobre o trabalho da CPT.


Claro que aprendi muitas coisas que servem para uma futura carreira profissional ao voltar para a Suíça. O conhecimento do equipamento com que trabalhei, o idioma, o trabalho autônomo e muitas coisas mais. Mas, o que foi mais importante que aprendi serviu para a vida pessoal. A CPT está fazendo um trabalho muito importante para o Brasil, mesmo que seja um pouco perigoso de vez em quando. A reforma agrária é uma pequena revolução que vai dar benefício para muitas famílias camponesas. E são essas mesmas famílias camponesas que me ensinaram o que é realmente importante na vida: a verdadeira hospitalidade, a importância de viver em comunidade e a alegria.


Agora, sigo em frente e não esqueço o que o coordenador da CPT disse uma vez: “Quando os portugueses chegaram, nós tínhamos a terra e eles tinham a Bíblia. Hoje somos nós que temos a Bíblia e eles têm a terra.” – Que fiquem com a terra, Carlos Lima, eu prefiro passar pela agulha!
 :)

(*) Algumas expressões foram adaptadas para uma melhor compreensão.

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