quinta-feira, 11 de março de 2010

Comunicadores formam rede de apoio à reforma agrária

Nesta quinta-feira (11/3), blogueiros, midialivristas e comunicadores dos mais diversos ramos participam de uma reunião convocada para montar uma “rede de comunicadores populares em apoio à reforma agrária e contra a criminalização dos movimentos sociais”. A reunião será às 19 horas, na sede do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. João Pedro Stedile, membro da coordenação nacional do MST, e o jornalista Paulo Henrique Amorim farão as exposições de abertura.

Enquanto os setores ligados ao latifúndio atacam o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) por meio de matérias que rotulam este movimento nos grandes veículos de comunicação e com uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que pretende asfixiá-lo financeiramente ao questionar convênios e patrocínios públicos, comunicadores progressistas organizam uma reunião para formar a “rede de comunicadores populares em apoio à reforma agrária e contra a criminalização dos movimentos sociais”, nesta quinta-feira (11/3), em São Paulo.

O evento tem por objetivo definir formas de atuação dos comunicadores das chamadas mídias alternativas, incluindo blogueiros famosos, como o jornalista Paulo Henrique Amorim, para se contrapor às ofensivas dos ruralistas e a influência destes sobre os grandes veículos de comunicação, que cumprem o papel de estereotipar e criminalizar os movimentos sociais, sobretudo os de luta pela terra.

Observação divulgada ao final do manifesto que convoca a reunião esclarece que a atividade em São Paulo é apenas um lançamento, visto que a rede pretende ter caráter nacional. O texto provoca, ainda, ativistas dos outros estados a realizarem atividades similares.

Confira abaixo o manifesto que convoca a reunião:

"Está em curso uma ofensiva conservadora no Brasil contra a reforma agrária, e contra qualquer movimento que combata a desigualdade e a concentração de terra e renda. E você não precisa concordar com tudo que o MST faz para compreender o que está em jogo.

Uma campanha orquestrada foi iniciada por setores da chamada “grande imprensa brasileira” – associados a interesses de latifundiários, grileiros - e parcelas do Poder Judiciário. E chegou rapidamente ao Congresso Nacional, onde uma CPMI foi aberta com o objetivo de constranger aqueles que lutam pela reforma agrária.

A imagem de um trator a derrubar laranjais no interior paulista, numa fazenda grilada, roubada da União, correu o país no fim do ano passado, numa ofensiva organizada. Agricultores miseráveis foram presos, humilhados. Seriam os responsáveis pelo "grave atentado". A polícia trabalhou rápido, produzindo um espetáculo que foi parar nas telas da TV e nas páginas dos jornais. O recado parece ser: quem defende reforma agrária é "bandido", é "marginal". Exemplo claro de “criminalização” dos movimentos sociais.

Quem comanda essa campanha tem dois objetivos: impedir que o governo federal estabeleça novos parâmetros para a reforma agrária (depois de três décadas, o governo planeja rever os “índices de produtividade” que ajudam a determinar quando uma fazenda pode ser desapropriada); e “provar” que os que derrubaram pés de laranja são responsáveis pela “violência no campo”.

Trata-se de grave distorção.

Comparando, seria como se, na África do Sul do Apartheid, um manifestante negro atirasse uma pedra contra a vitrine de uma loja onde só brancos podiam entrar. A mídia sul-africana iniciaria então uma campanha para provar que a fonte de toda a violência não era o regime racista, mas o pobre manifestante que atirou a pedra.

No Brasil, é nesse pé que estamos: a violência no campo não é resultado de injustiças históricas que fortaleceram o latifúndio, mas é causada por quem luta para reduzir essas injustiças. Não faz o menor sentido...

A violência no campo tem um nome: latifúndio. Mas isso você dificilmente vai ver na TV. A violência e a impunidade no campo podem ser traduzidas em números: mais de 1500 agricultores foram assassinados nos últimos 25 anos. Detalhe: levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT) mostra que dois terços dos homicídios no campo nem chegam a ser investigados. Mandantes (normalmente grandes fazendeiros) e seus pistoleiros permanecem impunes.

Uma coisa é certa: a reforma agrária interessa ao Brasil. Interessa a todo o povo brasileiro, aos movimentos sociais do campo, aos trabalhadores rurais e ao MST. A reforma agrária interessa também aos que se envergonham com os acampamentos de lona na beira das estradas brasileiras: ali, vive gente expulsa da terra, sem um canto para plantar - nesse país imenso e rico, mas ainda dominado pelo latifúndio.

A reforma agrária interessa, ainda, a quem percebe que a violência urbana se explica – em parte – pelo deslocamento desorganizado de populações que são expulsas da terra e obrigadas a viver em condições medievais, nas periferias das grandes cidades.

Por isso, repetimos: independente de concordarmos ou não com determinadas ações daqueles que vivem anos e anos embaixo da lona preta na beira de estradas, estamos em um momento decisivo e precisamos defender a reforma agrária.

Se você é um democrata, talvez já tenha percebido que os ataques coordenados contra o MST fazem parte de uma ofensiva maior contra qualquer entidade ou cidadão que lutem por democracia e por um Brasil mais justo.

Se você pensa assim, compareça ao Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, no próximo dia 11 de março, e venha refletir com a gente:

- por que tanto ódio contra quem pede, simplesmente, que a terra seja dividida?

- como reagir a essa campanha infame no Congresso e na mídia?

- como travar a batalha da comunicação, para defender a reforma agrária no Brasil?

É o convite que fazemos a você.

Importante: A proposta é que a rede de comunicadores em apoio à reforma agrária tenha caráter nacional. Esse evento de São Paulo é apenas o início deste processo. Promova lançamentos também em seu estado, participe e convide outros comunicadores para aderirem à rede."

Serviço:
Reunião da rede de comunicadores populares em apoio à reforma agrária e contra a criminalização dos movimentos sociais
Quinta-feira,11 de março, às 19h
No Sindicato dos Jornalistas de São Paulo
Rua Rego Freitas, 530, sobreloja, próximo ao Metrô República

Fonte: www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=8&id_noticia=125547

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