quarta-feira, 3 de março de 2010

CPT defende campesinato e o fortalecimento da produção agroecológica

Agricultores da Paraíba participaram da atividade, relatando as experiências positivas desenvolvidas pelas associações formadas por assentados que investem na agroecologia.



Texto e fotos: Helciane Angélica - Jornalista/CPT



Cerca de 130 trabalhadores rurais oriundos de várias partes de Alagoas estão participando da 21ª Assembleia Estadual da Comissão Pastoral da Terra com o tema “Campesinato: Cooperação e Solidariedade”, no Centro Catequético Marista na Barra de São Miguel. Nesta quarta-feira (03.03) estiveram presentes representantes da CPT-Paraíba, o técnico agrícola Luis Sena e o agricultor Luiz Damazio, que prestaram consultoria técnica e relataram as experiências positivas desenvolvidas pela Ecovarzea e a Ecosul, associações organizadas por assentados da reforma agrária que comercializam produtos ecológicos.

A organização dos agricultores paraibanos começou em 1998, discutindo as ferramentas necessárias para fortalecer a agricultura familiar e a comercialização, pois cerca de 50% da produção ficava nas mãos dos atravessadores. Foram realizadas feiras agroecológicas que enfrentaram várias dificuldades estruturais e tiveram o apoio institucional da CPT, Cáritas Arquidiocesano e o Mandato Popular do Deputado Frei Anastácio. Em maio do ano seguinte a Ecovarzea foi implantada oficialmente e passou a ter a ajuda da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) na capacitação e desenvolvimento de projetos que estimulam a produção de mudas e hortaliças; recuperação de nascentes; minhocário (criação de minhocas); e o centro de defensivos naturais.

A seriedade e a responsabilidade dos agricultores foram os fatores essenciais para o sucesso do projeto na Paraíba. Os agricultores têm que estar realmente preparados para investir no cooperativismo, destacou o palestrante e agricultor Luiz Damazio. “Nós descobrimos que a clientela nós tínhamos independente do local, mas que precisávamos investir na produção, não adiantava fazer uma feira com apenas alguns tipos de produtos. Em relação à parceira, é importante ter o apoio da CPT, da Universidade e de outras organizações, mas o perfil e a responsabilidade é nossa, os agricultores que tem que levar adiante!”, afirmou.

Na programação teve também a exibição do filme “Feira Agroecológica – uma luta pra valer!”, produzido em 2007, conta a história da associação paraibana. Em seguida, houve a divisão dos grupos de trabalho que refletiram sobre as ações desenvolvidas e debateram sobre a realidade alagoana.

O principal objetivo da assembleia é ampliar a formação sócio-política e investir no maior desafio deste ano, a implantação de uma cooperativa que busca incentivar a produção e a comercialização dos alimentos livres de agrotóxicos e animais. A atividade segue até amanhã às 12h, com a definição do planejamento das atividades para 2010, a fundação da cooperativa e a carta de encerramento.

Ato político

Nesta quinta-feira (04.03) os participantes da assembleia seguirão para Maceió, para realizar um ato político em solidariedade às famílias camponesas que estão sendo ameaçadas nos acampamentos. A atividade terá início às 15h, em frente à Igreja São Pedro no bairro do Trapiche da Barra e seguirão em caminhada até o Centro.

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