sexta-feira, 5 de março de 2010

Sem negociação, camponeses permanecem com ocupação

A mobilização irá permanecer até que o Ouvidor Agrário Nacional intervenha e desembargadores possam ouvir as famílias que moram há dois anos no Acampamento Boa Esperança


Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT



Ontem à tarde, 400 camponeses ligados à Comissão Pastoral da Terra em Alagoas realizaram um ato em solidariedade às 28 famílias que há dois anos estão morando e produzindo nas terras da Fazenda Boa Esperança localizada em Major Isidoro, que pertence ao Deputado Federal Benedito de Lira. A caminhada começou na Igreja São José no Trapiche, os participantes seguiram em direção ao Centro, fizeram uma parada estratégica em frente ao Tribunal de Justiça e depois ocuparam o Prédio do Walmap, que possui escritórios do Incra.

O Superintendente Estadual do Incra, Gilberto Coutinho, ao saber da ocupação do prédio do Walmap acusou que a manifestação não passava de ato político e que não tinha nenhuma relação com a luta. Afirmou ainda que o único objetivo era acabar com a sua imagem e do órgão, e ameaçou dizendo que chamaria a Polícia Federal.

Os camponeses que estão acampados na Fazenda recebem ameaças há vários meses, além disso, o imóvel que vivia em estado de abandono há 10 anos possui dívidas no Banco do Nordeste e já foi notificada pelo Instituto do Meio Ambiente devido a prática de desmatamento na área. Após muito sofrimento e resistência, o juiz Airton Tenório da Vara Agrária sentenciou a reintegração de posse, e que as famílias deixem nos próximos quinze dias.

Na tentativa de retirar os trabalhadores rurais do prédio, Marcos Bezerra que é o Ouvidor Agrário Estadual foi até o local acompanhado do Gerenciamento de Crises da Polícia Militar para negociar e ouvir as reivindicações. Na reunião, reconheceu que os problemas no orçamento do Incra, dificultaram o número maior de vistorias no acampamento e a ausência de diárias para os funcionários que se deslocariam até o sertão. Por telefone, o Ouvidor Agrário Nacional, Gercino Filho, que se comprometeu em ouvir os acampados e vir para Maceió nos dias 16 a 19 de março. Com a ausência de uma resolução efetiva, a ocupação permaneceu durante toda a madrugada.


Mobilização


Nesta sexta-feira (05.03), as mobilizações permanecerão durante todo o dia, inclusive, com uma nova caminhada a partir de 8h nas ruas do Centro de Maceió. Uma comissão tentará uma audiência com o Desembargador Tutmés Airan para fortalecer o diálogo e a suspensão da reintegração de posse.

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