sexta-feira, 30 de abril de 2010

CUT organiza programação para o 1º de maio

A passagem do dia do trabalhador em Alagoas promete ser animada em 2010. Sob o comando da Central Única dos Trabalhadores, sindicatos e movimentos sociais se reúnem na praia de Pajuçara para lembrar a luta por melhores condições de trabalho e vida. Na programação, trio elétrico, shows musicais, apresentações de hip hop e de cultura popular, e tendas com as bandeiras de luta de cada categoria. A concentração acontece às 9h, em frente ao ginásio do CRB, na Pajuçara.

A data é mundialmente dedicada à luta dos trabalhadores desde 1889, quando um congresso socialista realizado em Paris decidiu homenagear uma greve geral realizada no dia 1º de maio de 1886 no principal centro industrial dos EUA, Chicago. Na ocasião, os trabalhadores foram às ruas protestar contra as condições de trabalho desumanas e em defesa da redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias. Algumas pessoas morreram e outras ficaram feridas por conta da manifestação.

Nacionalmente, a CUT destaca o tema “Distribuição de renda e trabalho decente por um desenvolvimento sustentável”, apresentando uma sugestão de plataforma política para as eleições deste ano. A plataforma possui três diretrizes centrais: valorização do trabalho; igualdade, distribuição de renda e inclusão social e Estado democrático com caráter público e participação ativa da sociedade.

Em Alagoas vamos destacar, além das bandeiras nacionalmente defendidas, a situação difícil em que se encontram os servidores públicos estaduais, que tem enfrentado um Governo autoritário, que não investe em melhorias para a população, não respeita os direitos do trabalhador. Alagoas encontra-se entre os piores lugares para se viver no país, campeão de homicídios, em evasão escolar e mortalidade infantil.

A programação começa com um show do Paulinho da Bahia, na concentração. Depois o trio elétrico será comandado pela banda Som de Elite em uma caminhada pela orla marítima. ZM e banda recebem os trabalhadores na estrutura de tendas montada próximo ao antigo Alagoinhas. No período da tarde, apresentações de cultura popular como boi, e poesia musicada no pandeiro e apresentações dos grupos de Hip Hop ASU, Emissário e Família das ruas. Nas tendas, montadas durante todo o dia, sindicatos e movimentos sociais contam um pouco sobre sua luta e bandeiras que defendem.

Dia do trabalhador - 1º de maio de 2010

Concentração: 9h, em frente ao clube do CRB


Programação

10h – Trio elétrico em frente ao ginásio do CRB com Paulinho da Bahia

11h – Saída da caminhada com a banda “Som de Elite”

13h – Chegada às tendas – Apresentação de ZM e Banda

14h – Inicio das apresentações de cultura popular – Grupo de poesia musicada no pandeiro

15h – Espaço aberto para o movimento de Hip-Hop

17h – Encerramento

Fonte: Ascom CUT

quinta-feira, 29 de abril de 2010

CPT entregará relatórios de 25 anos de conflitos no campo a ministro da Justiça

Nesta quinta-feira (29 de abril), às 16 horas, o ministro da Justiça Luiz Paulo Barreto, receberá a Comissão Pastoral da Terra (CPT) para uma audiência quando a entidade entregará ao ministro os relatórios de 25 anos de conflitos no campo no Brasil. A publicação Conflitos no Campo Brasil é editada anualmente pela CPT desde 1985 e abrange dados dos conflitos no campo, como assassinatos, conflitos trabalhistas, ações dos movimentos, violência contra a pessoa, violência contra a ocupação e a posse, entre outros. O relatório mais recente foi lançado em São Paulo , no dia 15 de abril, com os dados referentes ao ano de 2009.

Além dos relatórios, a CPT entregará, ainda, ao ministro, a lista completa com os dados de assassinatos de trabalhadores e trabalhadoras do campo e de seus parceiros, entre os anos de 1985 e 2009, e dos julgamentos destes crimes.

Também será entregue ao Ministro documento com os nomes de agentes da CPT que tem sofrido perseguição e ameaças de morte neste início de 2010.

Enquanto a bancada ruralista e a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) tentam atribuir aos movimentos de luta pela terra no Brasil, a responsabilidade pelos conflitos e pela violência no campo, e qualificam suas ações em defesa do direito à terra, como criminosas, os números que serão levados ao ministro mostram com clareza meridiana o latifúndio e o agronegócio como os responsáveis por esses crimes. A absurda concentração da terra no Brasil se deu e se dá pela espoliação dos direitos dos índios e de outras comunidades de camponeses pobres, pelo uso do instrumento da grilagem de terras públicas, e se mantém através do uso da violência tanto pública quanto privada e pela sujeição de trabalhadores a situações análogas às de trabalho escravo.

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Serviço: Audiência com ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto

Horário: 16 horas

Local: Ministério da Justiça - Esplanada dos Ministérios, Bloco T, Edifício sede - Brasília-DF

Presenças: Dom Tomás Balduino (conselheiro permanente da CPT), Isolete Wichinieski (coordenadora nacional da CPT), Dom Dimas Lara Resende (secretário geral da CNBB), Marina Santos (direção nacional do MST), Saulo Ferreira Feitosa, secretário adjunto do CIMI.

Para acessar o relatório Conflitos no Campo Brasil 2009 - http://www.cptnac.com.br/?system=news&action=read&id=3655&eid=6

Fonte: Assessoria de Comunicação - CPT Nacional

Bastidores - Deslocamento das famílias camponesas em Major Isidoro

Durante toda quarta-feira (28.04) até às duas horas da manhã, ocorreu a saída das 28 famílias camponesas que há dois anos foram convidadas para morar na Fazenda Boa Esperança - propriedade do Deputado Federal Benedito de Lira - e que depois passaram a sofrer várias ameaças. O conflito agrário se intensificou, foram realizadas várias manifestações públicas e a interferência da Ouvidoria Agrária Nacional, que por meio de várias audiências resultou no deslocamento dos trabalhadores rurais com seus utensílios domésticos e a criação de animais para a Fazenda São Felix, também, localizada no município de Major Isidoro.

Confira as fotos tiradas pelo ambientalista francês Tilly Erseu:



quarta-feira, 28 de abril de 2010

Camponeses são transferidos para Fazenda São Felix


Após acordo com o Incra e a Ouvidoria Agrária Nacional, as 28 famílias que viviam na Fazenda Boa Esperança são transferidas para a Fazenda São Felix, ambas em Major Isidoro




Por: Helciane Angélica - Jornalista / CPT-AL


Nesta quarta-feira (28.04) acontecerá oficialmente a transferência das 28 famílias camponesas envolvidas no conflito agrário no município de Major Isidoro no sertão de Alagoas. Há dois anos, os agricultores viviam na Fazenda Boa Esperança, propriedade do Deputado Federal Benedito de Lira (PP/AL), que possui dívidas bancárias e já foi notificada por crime ambiental, e agora eles serão deslocados para a Fazenda São Felix.

A negociação foi decidida na última terça-feira em Brasília, quando ocorreu uma reunião no gabinete do presidente do INCRA e contou com a presença de diversas autoridades de Alagoas e de Brasília, além do representante da fazenda São Felix. Foi firmado o acordo, que as famílias ocuparão, de forma provisória, 30 hectares para criação de animais e cultivo de lavoura. Atualmente, eles estão plantando milho, fava, feijão, palma, tomate, alface, cebola e coentro; também possuem uma pequena criação de ovelha, vaca, cabra, cavalo, porco e galinha.

Durante todo o dia, o processo de remoção será acompanhado pelos integrantes do Incra-AL, gerenciamento de crises e representantes da Comissão Pastoral da Terra de Alagoas que presta o apoio necessário aos trabalhadores rurais desde quando eles começaram a receber ameaças na área.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Juiz concede reintegração de posse de acampamento modelo

As famílias camponesas estão acampadas há quase três anos no Acampamento Flor do Bosque II, possuem uma produção diversificada e já moram em casas de alvenaria com energia elétrica



Texto e fotos: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL


O acampamento Flor do Bosque II possui 120 hectares, distante 15 km da cidade de Messias na zona da mata, é acompanhado pela Comissão Pastoral da Terra e é apontado como uma referência no Estado de Alagoas. Atualmente, existem 17 famílias camponesas que vivem há quase três anos trabalhando nas terras abandonadas da usina falida Bititinga, que hoje encontra-se explorada pela Usina Santa Clotilde. Neste momento, o Juiz da Vara Agrária, Ayrton Tenório quer a reintegração de posse nos próximos quinze dias.

A Fazenda Flor do Bosque foi adquirida pelo Estado em 2007, na escritura original a propriedade possui 940 hectares, mas apenas 350 hectares foram repassados aos camponeses. As famílias ainda reivindicam seus direitos e confessam que irão resistir porque não possuem alternativas de sobrevivência. No local já possui casas de alvenaria com energia elétrica, as famílias foram distribuídas em lotes de cinco hectares e desde o ano passado existe uma associação que busca melhorar a infra-estrutura e intensificar os cuidados com o meio ambiente, inclusive, conseguiram junto à Prefeitura o transporte para levar as crianças até a escola.

De acordo com o acampado Aloísio Ferreira, a última safra da Usina Bititinga ocorreu em 1995, depois parou de funcionar e vários funcionários ficaram prejudicados. “Para a gente que vive da terra tem que ter de tudo, fruta e verduras, senão a gente não sobrevive. Sou filho desta área, trabalhei na usina e quando ela faliu a gente não recebeu nenhum benefício trabalhista. Muitas famílias foram vítimas, ficaram sem casas e estão passando necessidades, mas poucas pessoas tiveram coragem de lutar pela terra e ter as mãos calejadas como a gente”, exaltou.

A maior parte dos alimentos produzidos serve para o consumo próprio, e o excedente da colheita é vendido nas feiras livres e atraem muitos atravessadores. A produção é diversificada com: feijão, feijão de corda, mandioca, milho, abóbora, batata, vários tipos de pimenta, cana caiana, frutas (maracujá, melancia, banana, caju, manga e laranja), hortaliças (tomate, cebola, coentro, pimentão e machiche) e uma pequena criação de animais (cavalo, ovelha e galinha).

Trata-se de umas das áreas mais preparadas e com vários requisitos para ser transformada em assentamento, inclusive, na abertura da 21ª Assembleia Estadual da CPT foi conferido o certificado de exemplo de Organização. “Todos os acampados e acampadas receberam essa homenagem com muita alegria, porque é um reconhecimento do nosso trabalho, uma atenção especial e isso nos dar motivação para melhorar ainda mais. Mas, agora existe essa possibilidade da gente sair daqui e é muito revoltante! Não é possível, saber que a Vara Agrária deveria ter a obrigação de defender a gente, mas na verdade prefere dar as terras para a Usina, às pessoas que já têm muito”, declarou José Ismael da Silva, presidente da associação implantada no acampamento.

Audiência

Nesta quinta-feira (29.04) terá uma reunião às 11h, na sede da Vara Agrária localizada na Rua Alcino Salgado, 13, Centro. Maceió-AL (ao lado do Riacho Salgadinho). Foram convocados: a CPT-AL, representantes dos trabalhadores rurais, o Gerenciamento de Crises da PM e integrantes do Incra para discutir a realidade das famílias e a reintegração de posse.

A CPT acredita que o Governo do Estado irá intervir porque é uma área que vem sendo utilizada há três anos e apesar de ser um acampamento tem um nível de organização e produção que impressiona. Precisamos evitar que essas famílias sejam largadas a própria sorte, para aumentar ainda mais a miserabilidade social e a fome", afirmou Carlos Lima, historiador e coordenador estadual.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Os loucos e insensatos do MST estão em marcha

Artigo escrito por: Gerivaldo Alves Neiva - Juiz de Direito


Trafegava ontem (22.04) pela BR 324 (Salvador - Feira de Santana) e vi a marcha do MST pela rodovia. Saíram de Feira de Santana e a previsão de chegada a Salvador é na segunda-feira (26.04). São mais de 100 km de caminhada. Fala-se em 5 mil ou 6 mil participantes. Vi muitos jovens e mulheres participando da marcha.

Segunda a imprensa local, “a manifestação tem como objetivos cobrar mais agilidade na reforma agrária no País e cobrar do governo a realização de obras negociadas em manifestações anteriores, como a construção de casas e escolas em 120 assentamentos no Estado. A marcha também tem o caráter de protesto contra a criminalização dos movimentos sociais e contra a impunidade no campo, afirmou o deputado estadual Valmir Assunção (PT), que integra a marcha. Com ele, estão outras lideranças do partido na Bahia, como o vice-presidente estadual da legenda, Weldes Valeriano. Na programação dos participantes, estão previstas caminhadas pela manhã e atividades culturais - como curso de formação política e exibição de filmes - nos outros períodos”.

Antes de encontrar os membros do MST em caminhada, parei em um posto para abastecer o carro e puxei conversa com o frentista sobre a marcha. Comecei perguntando se estavam muito na frente e ele me respondeu que tinham passado por ali na manhã anterior e que àquela hora (+/- 9h) já deveriam ter levantado acampamento e estavam novamente na pista. Em seguida, tentou me confortar argumentando que era feriado, o trânsito não estava intenso e talvez não encontrasse muito engarrafamento. Respondi que não me incomodava muito, pois o MST tinha o direito de lutar e de se manifestar. Ele se animou para continuar a conversa e alegou que também gostava do MST e da coragem deles, mas não gostava quando se tornavam violentos, destruíam plantações e casas das fazendas invadidas.

Desejei bom dia de trabalho ao frentista e segui viagem. Depois que passei por aquela multidão de homens e mulheres, caminhado em duas filas indianas, cantando e demonstrando que estavam voluntariamente naquela caminhada, pensei comigo mesmo: são mesmo loucos e insensatos! Ora, são mais de 100 km de caminhada e nesta época do ano costuma chover muito no recôncavo baiano. Loucos e insensatos, mesmo!

Mais na frente, lembrei-me da observação do frentista com relação à violência do MST e pensei: também, o que se pode esperar de loucos e insensatos? Que vão entrar com muito cuidado nas fazendas que ocupam, cuidar bem da casa, deixar tudo limpo e arrumado? Não, nada disso. São loucos e insensatos!

Mas o que os levou à loucura e à insensatez? Por que tantos jovens, moças e rapazes, já perderam a razão e os bons modos ainda na flor da idade?

Esta doença é hereditária e foi causada por mais de 500 anos de exclusão e opressão. No início, os índios, depois os negros, depois os posseiros e pequenos colonos foram excluídos da terra e lançados ao léu. Agora, séculos depois, tornaram-se “sem-terra” e marcham pelas rodovias do país, moram em acampamentos, ocupam fazendas, derrubam laranjais, queimam sedes luxuosas, matam bois para comer a carne... São uns loucos e insensatos.

Sendo assim, diferente dos “doutores da lei”, eles não sabem distinguir os vários tipos de posse, não sabem distinguir posse de propriedade e, muito menos, o que sejam os tais “interditos proibitórios.” Para eles, interessa somente a terra e os alimentos que dela brotam. Terra, portanto, não se confunde com posse e, muito menos, com propriedade. Terra é mãe e produz alimentos, é o local, o espaço sagrado e detentor das possibilidades de continuidade da espécie humana sobre o planeta. Propriedade, de outro lado, é mera abstração, conceito, idéia, pedaço de papel, registro em cartório...

Não compreendem os loucos e insensatos do MST, enfim, por que tantos “letrados” andam dizendo por aí que a “propriedade” é um direito sagrado. Ora, sagrada é a terra, e não a propriedade dela! Esse destino místico da terra, porém, não se realiza com pastos e pisadas de bois ou eucalipto para virar celulose, mas com a presença do homem, como se pertencessem um ao outro, plantando e colhendo, no cio da terra, alimentos para o mundo. O homem, portanto, não pode impor qualquer função ou amarras à terra, pois ela já tem desde sempre o seu destino inafastável, que é oferecer a vida ao homem que lhe habita.

Pensando bem, aliás, o que seria da vida, da liberdade e do mundo sem os loucos e os insensatos?


Salvador, 22 de abril de 2010


Fonte:www.gerivaldoneiva.blogspot.com

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Reunião em Brasília tem saldo positivo

Prezados amigos e prezadas amigas,

Na terça-feira (20.04) tivemos mais uma rodada de negociação envolvendo o conflito agrário da fazenda Boa Esperança em Major Izidoro. Desta vez a reunião foi em Brasília, no gabinete do presidente do INCRA e contou com a presença de diversas autoridades de Alagoas e de Brasília, além do representante da fazenda São Felix.

Após quatro horas de reunião foi assinado um acordo para adquirir a fazenda São Felix no prazo de 90 dias e as famílias serão transferidas do imóvel Boa Esperança para a São Felix no dia 27 de abril de 2010 e ocuparão, de forma provisória, 30 hectares para criação de animais e cultivo de lavoura.

A ouvidoria agrária nacional, através do seu presidente, Desembargador Gercino Filho, vai descentralizar recursos de Brasília para garantir a logística da transferência e se comprometeu em dedicar parte do seu tempo para dar agilidade no andamento do processo em Brasília para adquirir a fazenda São Felix. Ainda ficou o compromisso do INCRA em desapropriar o imóvel Boa Esperança. O INCRA já recorreu junto ao Tribunal Regional Federal (TRF), com sede em Recife-PE, da decisão do juiz federal que impede o INCRA de continuar o processo desapropriatório.

Por fim, agradecemos o apoio e a solidariedade de todos e todas que contribuíram com orações, e mais, cartas e ligações para as autoridades brasileiras com o objetivo de garantir os direitos das famílias acampadas.

Maceió, 21 de abril de 2010.

Atenciosamente,


Carlos Lima

Coordenador da CPT/AL

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Adeus, Dona Albertina!

Ontem, por volta das 11h40 cerca de 75 pessoas prestaram sua última homenagem à assentada mais velha de Alagoas. A senhora Maria Albertina da Silva faleceu na segunda-feira (19.04) com 110 anos e foi enterrada no Cemitério Santo Antônio na cidade de Maragogi.

Estiveram presentes familiares, amigos, paroquianos, integrantes da Comissão Pastoral da Terra e agricultores do assentamento Margarida Alves, onde ela morava. O Pe. Hamilton, pároco da cidade de Maragogi celebrou a missa de corpo presente.

Confira algumas fotos tiradas pelo Pe. Alex Cauchi:


segunda-feira, 19 de abril de 2010

Morre assentada mais velha de Alagoas

A agricultora Maria Albertina completou 110 anos em janeiro e morava em um assentamento da CPT. Foto tirada no dia do aniversário deste ano

Por: Helciane Angélica - Jornalista / CPT-AL


O assentamento Margarida Alves que é acompanhado pela Comissão Pastoral da Terra em Alagoas está de luto! Morreu nesta segunda-feira (19.04) a assentada Maria Albertina da Silva que tinha 110 anos de histórias, provações e determinação. O enterro acontecerá amanhã (20.04) às 8h no cemitério de Maragogi, integrantes da CPT-AL prestarão seu apoio a família.


A senhora negra de olhos claros nasceu no município de Pilar, nunca teve carteira assinada e trabalhou a vida toda na roça ou na cozinha “do branco”. Foi casada durante 34 anos, quando o marido faleceu passou a viver sozinha, e depois de alguns anos foi morar com o sobrinho Sebastião no assentamento.


No seu aniversário deste ano, 20 de janeiro, teve uma celebração religiosa e um almoço com os familiares, amigos e companheiros de luta. Na ocasião, ela fez questão de dizer que nunca tinha recebido uma bela homenagem como aquela.

sábado, 17 de abril de 2010

Cresce o número de Conflitos e de Violência no campo

Esta 25ª edição de Conflitos no Campo Brasil não tem nada de comemorativo, pois apresenta crescimento tanto do número de conflitos envolvendo camponeses e trabalhadores do campo, quanto da violência em relação ao ano anterior de 2008.

O número total de conflitos soma 1184, contra 1.170, em 2008, com aumento considerável em relação especificamente aos conflitos por terra, 854 em 2009, 751 em 2008.

Quanto à violência, o número de assassinatos recuou de 28, em 2008, para 25, em 2009. Outros indicadores, porém, cresceram, alguns exponencialmente. As tentativas de assassinato passaram de 44, em 2008, para 62, em 2009; as ameaças de morte, de 90, foram para 143; o número de presos aumentou de 168, para 204. Mas o que mais choca é o número de pessoas torturadas: 6, em 2008, 71, em 2009. O número de famílias expulsas cresceu de 1.841, para 1.884, e significativo foi o aumento do número de famílias despejadas de 9.077, para 12.388, 36,5%. Também elevou-se o número de casas e de roças destruídas, 163%, 233% respectivamente. Em 2009, registrou-se 9.031 famílias ameaçadas pela ação de pistoleiros, contra 6.963, em 2008, mais 29,7%.


Cresceu o número de ocupações

A violência, porém, não fez os movimentos do campo recuarem. Aumentou o número de ocupações de terra, 290 em 2009, 252 em 2008. Em relação ao número de acampamentos, estes diminuíram de 40, em 2008, para 36, em 2009, mas cresceu o número de pessoas nos acampamentos: passou de 2.755 em 2008, (media de 68 famílias) para 4.176, em 2009, (média de 116 famílias por acampamento).


Criminalização crescente dos movimentos sociais

O incremento de conflitos e de violência inseriu-se num contexto nacional preocupante de crescente criminalização dos movimentos sociais tanto no âmbito do Poder Judiciário, quanto do Poder Legislativo, amplificada inúmeras vezes pelos grandes meios de comunicação social.

No âmbito do Poder Judiciário destacou-se a figura do próprio presidente do Supremo Tribunal Federal, STF, Gilmar Mendes, que no início de 2009 saiu a público acusando os movimentos de praticarem ações ilegais e criticando o Poder Executivo de cometer ato ilícito por repassar recursos públicos para quem, segundo ele, pratica tais atos. Esta intervenção, certamente, serviu de suporte para o alto número de despejos, para o crescimento das prisões e de outras formas de violência, e forneceu munição para a bancada ruralista do Congresso Nacional criar a uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, CPMI, conhecida como CPMI do MST.

O mesmo presidente do Supremo, em fevereiro de 2010, durante cerimônia de lançamento do Programa Observatório das Inseguranças Jurídicas no Campo, da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), assinou convênio com esta entidade para prestar serviços de consultoria ao CNJ, em relação a processos nas áreas fundiária e ambiental.

No âmbito do poder legislativo, além da CPMI que tenta incriminar os movimentos sociais do Campo, em 2009, foram apresentados mais de vinte (20) projetos de lei e propostas de fiscalização que, direta ou indiretamente, criminalizam os movimentos agrários ou visam impedir avanços na política agrária. O primeiro deles é a PEC 361, de 2009, que quer estender as competências constitucionais relacionadas à política fundiária para Estados, Distrito Federal e Municípios. Outros projetos propõem transferir competências do Executivo Federal para o Congresso Nacional como, por exemplo, a competência das desapropriações por interesse social, ou a de aprovar os índices de produtividade da terra.

Já no âmbito do Executivo. Em 2009, fica clara a prioridade dada ao capital para continuar se expandindo e avançando por novas áreas, em detrimento dos povos indígenas e das comunidades quilombolas e de outras comunidades tradicionais. A grilagem de terras públicas da Amazônia foi sacramentada pelo MP 458, transformada rapidamente em Lei pelo Congresso Nacional. A construção de barragens, sobretudo as da Amazônia, vão sendo empurradas goela abaixo da população, apesar de todos os estudos e manifestações em contrário, de modo particular a de Belo Monte, no rio Xingu.


Fonte: Assessoria de Comunicação - CPT Nacional

sexta-feira, 16 de abril de 2010

CPT realiza Feira Camponesa no bairro de Salvador Lira

A ação também ocorreu nesse bairro em novembro do ano passado, e já tiveram vários convites para atender outros locais e paróquias


Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL


A partir dessa sexta-feira até amanhã (16 e 17 de abril), das 6 às 20h, a Comissão Pastoral da Terra de Alagoas realiza mais uma edição do projeto Feira Camponesa itinerante. Essa é a segunda vez que a atividade acontece no pátio da Igreja São Paulo Apóstolo, no bairro de Salvador Lira, em Maceió. Busca levar para a cidade alimentos livres de agrotóxicos, com preços acessíveis para a população e que foram cultivados em áreas da reforma agrária.

De acordo com Heloisa Amaral, engenheira agrônoma e coordenadora da equipe técnica que acompanha os trabalhadores rurais, as feiras camponesas itinerantes buscam ampliar o escoamento da produção agropecuária, além de evitar a ação dos atravessadores. “Todos os anos nós realizamos a Feira Camponesa na Praça da Faculdade nos meses de junho e outubro, e sentíamos a necessidade de melhorar ainda mais a relação entre o homem do campo e da cidade. Neste ano, além dessa feira no Salvador Lira, queremos fazer uma a cada dois meses e atender aos bairros de Santo Eduardo, José Tenório e Ponta Verde”, ressaltou.

No local estão 15 barracas, comercializando: banana, laranja, melancia, jaca, abacaxi, abóbora, coco, inhame, macaxeira, milho, limão, cana, pimenta, batata doce e verduras. Além disso, também foi instalada a tradicional casa de farinha, que fornece na hora farinha de qualidade e o beiju. Todos os produtos vieram dos assentamentos da zona da mata, como: Santa Maria Madalena, Flor do Bosque, Dom Hélder Câmara, Pacas e Eldorado dos Carajás – esses dois últimos de outros movimentos.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Ouvidor nacional promete visitar área de conflito agrário em AL

O juiz agrário determinou a reintegração de posse da Fazenda Boa Esperança, as famílias camponesas não têm para onde ir e irão resistir no local


Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL



Durante esta terça-feira (13.04) à noite, o Ouvidor Agrário Nacional Gercino Filho convocou uma reunião na sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra-AL) localizado na Praça Sinimbu em Maceió. Teve como objetivo a discussão sobre a reintegração de posse da Fazenda Boa Esperança em Major Isidoro e a saída de forma pacífica das 28 famílias camponesas para outra área.

No encontro estiveram presentes o Juiz Agrário Ayrton Tenório; Estevão Oliveira, Superintendente Estadual do Incra; José Carlos Cardoso, Ouvidor Agrário Estadual; policiais militares do Gerenciamento de Crises; o representante da propriedade rural destinada para a transferência e integrantes da Comissão Pastoral da Terra de Alagoas. Na ocasião foi confirmado o interesse do Incra em comprar a Fazenda São Felix, no mesmo município, que possui cerca de 640 hectares e já tem sete famílias de funcionários morando no local. Porém, os proprietários não ficaram satisfeitos com o valor apresentado para a aquisição do imóvel (média de R$2.000 por hectare, pagos com recursos do Tesouro Nacional) e o prazo de 120 dias para que o trâmite do processo no órgão federal fosse cumprido.

As pessoas não podem sair de lá [Boa Esperança] como se fosse gado, tangidos. Não adianta colocá-las em uma área e depois de 30 dias elas serem expulsas, fazer isso é o mesmo que desacreditar no esforço que estamos fazendo em conjunto com as autoridades para resolver o conflito agrário”, ressaltou Carlos Lima, coordenador estadual da CPT-AL. Nessa quarta-feira (14.03) os integrantes da CPT retornarão ao sertão para dar o apoio necessário às famílias camponesas, também estão articulando a solidariedade de outras lideranças do campo e dos movimentos sociais.

Diante do impasse da transferência e pressão realizada por políticos para que a reintegração de posse ocorra, o Ouvidor Agrário Nacional se comprometeu em ir conhecer a propriedade rural. Porém, o juiz agrário Ayrton Tenório mantém a Polícia Militar em alerta para garantir o despejo das famílias, o clima promete ficar tenso, porque elas vão resistir até terem um outro local confirmado.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Ouvidor agrário nacional retorna a Alagoas

O juiz agrário Ayrton Tenório determinou a reintegração de posse da Fazenda Boa Esperança, mesmo o Incra não apresentando o laudo da outra área para onde as famílias seriam transferidas


Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL


O Ouvidor Agrário Nacional Drº Gercino Filho foi acionado para intervir contra as irregularidades da reintegração de posse na Fazenda Boa Esperança situada há 7km da cidade de Major Isidoro no sertão alagoano. Para evitar problemas maiores, ele providenciou imediatamente a sua viagem e irá se reunir por volta das 17h30 na sede do Incra na Praça Sinimbu em Maceió, com representantes da Comissão Pastoral da Terra de Alagoas, o proprietário da Fazenda São Felix e o Juiz Agrário Ayrton Tenório.

Desde as primeiras horas desta terça-feira as 28 famílias camponesas estão sendo pressionadas a deixar o local sem a garantia de exercer suas atividades agropecuárias, inclusive, uma tropa composta por 100 homens da Polícia Militar estavam de prontidão no município de Batalha para garantir o despejo. Nós só vamos sair daqui se o acordo for cumprido, porque foi assinado lá na frente das autoridades. Quem está pisando na bola são eles, quer dizer que tem Lei para a gente e para eles (proprietários) nada”, ressaltou o agricultor Adezildo Miguel da Silva.

O juiz agrário determinou a reintegração de posse do imóvel rural que pertence ao Deputado Federal, Benedito de Lira (PP/AL), mesmo o Incra não cumprindo o acordo e as deliberações aprovadas nas audiências nos dias 17 e 18 de março, como: o laudo da Fazenda São Felix também no município de Major Isidoro, que seria destinada às famílias; a indenização da lavoura plantada; a liberação de um trator para arar as terras da fazenda indicada; a liberação de 15 tubos de lona para erguer um novo acampamento e construir estrutura de proteção para os animais.

De acordo com Carlos Lima, coordenador estadual da CPT-AL, esse não é um despejo como outro qualquer, essas famílias foram convidadas a morar no local e durante dois anos investiram seus recursos financeiros e o sonho de trabalhar na terra. “Não é justo as famílias saírem sem saber onde vão colocar suas coisas (móveis, eletrodomésticos), possuem várias criações de animais e a lavoura é farta. Conceder a reintegração de posse dessa fazenda que por 10 anos era improdutiva e tem crime ambiental, é uma aberração judicial! Infelizmente essas famílias foram usadas para garantir a redução das dívidas”, exaltou.