terça-feira, 13 de abril de 2010

Ouvidor agrário nacional retorna a Alagoas

O juiz agrário Ayrton Tenório determinou a reintegração de posse da Fazenda Boa Esperança, mesmo o Incra não apresentando o laudo da outra área para onde as famílias seriam transferidas


Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL


O Ouvidor Agrário Nacional Drº Gercino Filho foi acionado para intervir contra as irregularidades da reintegração de posse na Fazenda Boa Esperança situada há 7km da cidade de Major Isidoro no sertão alagoano. Para evitar problemas maiores, ele providenciou imediatamente a sua viagem e irá se reunir por volta das 17h30 na sede do Incra na Praça Sinimbu em Maceió, com representantes da Comissão Pastoral da Terra de Alagoas, o proprietário da Fazenda São Felix e o Juiz Agrário Ayrton Tenório.

Desde as primeiras horas desta terça-feira as 28 famílias camponesas estão sendo pressionadas a deixar o local sem a garantia de exercer suas atividades agropecuárias, inclusive, uma tropa composta por 100 homens da Polícia Militar estavam de prontidão no município de Batalha para garantir o despejo. Nós só vamos sair daqui se o acordo for cumprido, porque foi assinado lá na frente das autoridades. Quem está pisando na bola são eles, quer dizer que tem Lei para a gente e para eles (proprietários) nada”, ressaltou o agricultor Adezildo Miguel da Silva.

O juiz agrário determinou a reintegração de posse do imóvel rural que pertence ao Deputado Federal, Benedito de Lira (PP/AL), mesmo o Incra não cumprindo o acordo e as deliberações aprovadas nas audiências nos dias 17 e 18 de março, como: o laudo da Fazenda São Felix também no município de Major Isidoro, que seria destinada às famílias; a indenização da lavoura plantada; a liberação de um trator para arar as terras da fazenda indicada; a liberação de 15 tubos de lona para erguer um novo acampamento e construir estrutura de proteção para os animais.

De acordo com Carlos Lima, coordenador estadual da CPT-AL, esse não é um despejo como outro qualquer, essas famílias foram convidadas a morar no local e durante dois anos investiram seus recursos financeiros e o sonho de trabalhar na terra. “Não é justo as famílias saírem sem saber onde vão colocar suas coisas (móveis, eletrodomésticos), possuem várias criações de animais e a lavoura é farta. Conceder a reintegração de posse dessa fazenda que por 10 anos era improdutiva e tem crime ambiental, é uma aberração judicial! Infelizmente essas famílias foram usadas para garantir a redução das dívidas”, exaltou.

Nenhum comentário: