segunda-feira, 31 de maio de 2010

Ordem judicial determina o despejo de camponeses em acampamento modelo

As famílias camponesas estão acampadas há quase três anos, possuem uma produção diversificada e já moram em casas de alvenaria com energia elétrica


Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL


O acampamento Flor do Bosque II localizado no município de Messias possui 120 hectares, foi instalado nas terras abandonadas da usina falida Bititinga, que hoje encontra-se explorada pela Usina Santa Clotilde. A Comissão Pastoral da Terra de Alagoas dar apoio às 17 famílias camponesas que estão morando e produzindo uma variedade de alimentos na área apontada como uma referência no Estado, mesmo assim, foi determinada a reintegração de posse para esta terça-feira (1º de junho).

A última audiência ocorreu no dia 29 de abril na sede da Vara Agrária, com a presença dos coordenadores da CPT-AL, representantes dos trabalhadores rurais, o Gerenciamento de Crises da PM e integrantes do Incra para discutir a realidade das famílias e a reintegração de posse. Os usineiros também foram ouvidos, inclusive o Ouvidor Agrário Estadual do Incra, José Carlos Cardoso, tentou fazer a negociação para efetivar a compra da propriedade rural, mas não houve acordo.

No local já existem casas de alvenaria com energia elétrica, as famílias foram distribuídas em lotes de cinco hectares e desde o ano passado existe uma associação que busca melhorar a infra-estrutura e intensificar os cuidados com o meio ambiente, inclusive, conseguiram junto à Prefeitura o transporte para levar as crianças até a escola.

Essa área vem sendo utilizada há três anos e apesar de ser um acampamento tem um nível de organização e produção que impressiona. Poderia ser tranquilamente um assentamento porque tem infra-estrutura para isso. Precisamos evitar que essas famílias sejam largadas a própria sorte, para aumentar ainda mais a miserabilidade social e a fome", afirmou Carlos Lima, historiador e coordenador estadual.

Dentre os alimentos cultivados estão: feijão, feijão de corda, mandioca, milho, abóbora, batata, vários tipos de pimenta, cana caiana, frutas (maracujá, melancia, banana, caju, manga e laranja), hortaliças (tomate, cebola, coentro, pimentão e machiche) e uma pequena criação de animais (cavalo, ovelha e galinha). A maior parte dos produtos servem para o consumo próprio, e o excedente da colheita é vendido nas feiras livres. As famílias continuarão reivindicando seus direitos e irão resistir no local porque não possuem outras alternativas de sobrevivência.

Faltam 10 dias!

Clique na imagem para ampliar.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

INCRA faz novas promessas e camponeses ficam insatisfeitos


Agricultores que recebem o apoio da CPT-AL estão preocupados com os prazos inesgotáveis do órgão federal para solucionar as inúmeras dificuldades nas áreas da reforma agrária


Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL


Cerca de 100 trabalhadores rurais oriundos do litoral norte que recebem o apoio da Comissão Pastoral da Terra em Alagoas estão desde ontem ocupando a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra-AL) para exigir as melhorias nas áreas e cobrar maior comprometimento do órgão federal, que há cinco anos não faz a desapropriação de imóveis na região. A reunião aconteceu no gabinete do Superintendente Estevão Oliveira, com a presença do Ouvidor Agrário Estadual, José Carlos Cardoso, a Vice-Presidente da CUT-AL Lenilda Lima, além de funcionários e policiais do Gerenciamento de Crises da Polícia Militar.

A pauta de reivindicações foi extensa e conflitante, foram relatados vários problemas quanto ao abastecimento de energia, às más condições das estradas e a demora quanto à análise topográfica que determinam a demarcação e extensão dos lotes, além do local onde as casas serão construídas. De acordo com o assentado Cícero Antônio da Silva, a morosidade na execução das ações só traz dificuldades para a própria reforma agrária. “O Incra de Alagoas só tem lesado os trabalhadores rurais, a gente vem aqui e diz que está em Brasília (superintendente) e isso por várias vezes. Aí, quando a gente está aqui para conversar sobre todas as dificuldades, fica nesse arrumadinho, de que em tal data será resolvido. Infelizmente, tem muito dinheiro e pouca ação”, afirmou.

Outro ponto polêmico foi a respeito da demora na regularização das terras e a vistoria das áreas. No acampamento Tauar (Japaratinga) as famílias estão no local há cinco anos, o Incra indicou as terras, mas até agora não foi realizada a titulação e não existe o acesso aos créditos fundiários. Já o acampamento Bom Destino que está em área improdutiva teve o processo arquivado a partir de um acordo judicial, mesmo a equipe técnica e o setor jurídico ressaltando a improdutividade do imóvel.

Para restabelecer o diálogo, o Incra tem que assumir os erros e seus compromissos. O Incra manteve uma linha de postura no processo administrativo até o final, mas quando o Juiz recusa, ao invés de recorrer, resolve fazer o acordo. Como é que a CPT que existe há 25 anos em Alagoas, acompanha os trabalhadores a bastante tempo e a gente não é comunicado?!”, indagou revoltado Carlos Lima, coordenador estadual.

Na ocasião, o superintendente assumiu o compromisso que vai solicitar a reabertura do processo de Bom Destino, fazer a notificação da área e uma vistoria, além disso, declarou ainda que até o mês de outubro, cerca de 1300 lotes dos assentamentos de vários movimentos serão fiscalizados. Até o inicio de julho, todo o processo de topografia será concluído, e afirmou que já está disponível o recurso financeiro para as melhorias das residências construídas a partir de 2000; quanto às más condições das estradas, ressaltou que o convênio já foi firmado com o Governo, basta agora ser cumprido os prazos.

ESTRADAS

O inverno está se aproximando, e os agricultores que moram nos assentamentos Quilombo dos Palmares e Jubileu 2000, localizados no município de São Miguel dos Milagres, temem ficar mais uma vez ilhados. Com a grande quantidade de chuvas, os trechos ficam inacessíveis até mesmo andando a cavalo, as pontes feitas com toras de coqueiros estão desgastadas e dificulta o acesso até às escolas, postos de saúde e garantir o escoamento dos produtos agrícolas nas feiras livres.

No início da noite desta quinta-feira, uma comissão formada por 15 pessoas dentre trabalhadores rurais e coordenadores da CPT-AL se reuniram no Palácio República dos Palmares com Marcos Antônio Cavalcanti Vital, Diretor-Presidente do Departamento de Estradas e Rodagem de Alagoas para dialogar sobre a manutenção das estradas de acesso e a construção das pontes.

De acordo com Marcos Vital a licitação para efetivar a escolha da empresa que fará as obras deve ser concluída até o dia 30 de junho, e prometeu que um engenheiro faria hoje a vistoria nas pontes. Além disso, garantiu que o recurso financeiro de 100 mi reais que é a contrapartida do Estado já foi empenhado. Durante toda esta sexta-feira, os coordenadores da CPT se reuniram com os trabalhadores rurais e a ocupação será encerrada à noite.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Camponeses do litoral ocupam INCRA e cobram melhorias


Durante cinco anos, o órgão federal não faz a desapropriação de imóveis na região e os trabalhadores rurais não recebem a atenção necessária



Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL



Nesta quinta-feira (27.05), cerca de 100 trabalhadores rurais oriundos do litoral norte que recebem o apoio da Comissão Pastoral da Terra em Alagoas ocuparam há poucos instantes a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra-AL) para exigir as melhorias nas áreas e cobrar maior comprometimento do órgão federal, que há cinco anos não faz a desapropriação de imóveis na região.

A pauta da reunião é extensa e os problemas também, os camponeses estão insatisfeitos com o descaso e cobram soluções urgentes para as reivindicações que se arrastam por muito tempo. No acampamento Tauar (Japaratinga) as famílias estão no local há cinco anos, o Incra indicou as terras, mas até agora não foi realizada a titulação e não existe o acesso aos créditos fundiários. Já o acampamento Bom Destino que está em área improdutiva teve o processo arquivado a partir de um acordo judicial, mesmo a equipe técnica e o setor jurídico ressaltando a improdutividade do imóvel. Para os coordenadores da pastoral social, o arquivamento do processo do acampamento deve-se a ingerência política executada sobre a direção do Incra.

Outros problemas também estão ocorrendo nas áreas reconhecidas da reforma agrária, onde não foi executada a topografia nos assentamentos Margarida Maria Alves, Irmã Dorothy Stang e Quilombo dos Palmares. Em Margarida Maria Alves existe o recurso financeiro depositado na conta do órgão federal há dois anos para efetivar a construção das casas; em Irmã Dorothy as casas já foram construídas, mas a demarcação dos lotes não foi efetivada. E ainda falta determinar a licença ambiental do assentamento Quilombo dos Palmares, que precisa do aval do Instituto do Meio Ambiente.

Além disso, a eletricidade disponível nas áreas não correspondem as reais necessidades dos camponeses que precisam utilizar a energia trifásica que garantirá o uso da irrigação nas lavouras. A construção das estradas de acesso aos assentamentos não foram efetivadas e com o período de chuvas, os camponeses ficam ilhados e têm dificuldade de escoar a produção agrícola. Precisa-se resolver a situação das novas áreas (reocupações) no Litoral como: Domingas, Porto de Ostras, Mata Redonda, Piabas, 100 hectares (Jubileu 2000), Santa Cecília; e inclusive fiscalizar as denúncias de venda de lotes e o Incra deve efetivar a punição.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Camponeses sofrem ameaças e outros são despejados


Agricultores da zona da mata pedem o apoio da CPT, para que permaneçam trabalhando na terra


Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL


O Juiz Ayrton Tenório da Vara Agrária determinou para hoje (26.05) a reintegração de posse da Fazenda Serra Verde localizada no município de Messias, zona da mata de Alagoas, e a retirada das 50 famílias acampadas. A ocupação ocorreu em março deste ano e tem o apoio da Comissão Pastoral da Terra e do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST).

A propriedade encontra-se penhorada no Banco do Brasil e no Banco do Nordeste e em estado de abandono, com a presença dos camponeses nas terras foi iniciado o plantio de macaxeira, feijão e milho. Desde o início da manhã, policiais do Bope e do Gerenciamento de Crises estão no local para efetivar o despejo e fazendo a negociação.


AMEAÇAS

Na última quarta-feira (19.05) trabalhadores rurais acampados nas fazendas Baixa Funda, Gitirana e Oriente, que pertencem à Usina Utinga Leão e estão localizadas no município de Messias, denunciaram à Coordenação da CPT-AL que sofreram ameaças de cinco homens que se dizem vigilantes da área.

Foi informado que os homens chegaram em uma caminhonete e armados, amedrontando e ameaçando os trabalhadores, além de atirarem para cima com o objetivo de expulsá-los. Diante do ocorrido, a CPT-AL encaminhou um oficio ao Conselho Estadual de Segurança Pública de Alagoas, exigindo um posicionamento a fim de garantir proteção física e de vida àqueles camponeses que lá se encontram.

domingo, 23 de maio de 2010

Oração do III Congresso Nacional da CPT

A tenda dos mártires foi um dos espaços mais visitados no Colégio São José Marista em Montes Claros (MG), para homenagear àquelas pessoas que deram suas vidas em busca de um País justo, lutando pela conquista dos territórios e o respeito aos Povos da Terra. Confira abaixo a oração do evento escrita por Pedro Casaldáliga e que foi lida em todas as atividades do Congresso.



Deus Pai da Terra Mãe.
Deus Mãe da Vida,
Mancancial de todos os biomas,
Água viva de todas as sedes
De justiça e de Paz:
Confiamos ao vosso cuidado
o III Congresso da CPT.

Em Montes Claros,
às margens do Verde Grande,
afluente do São Francisco,
no coração de Minas Gerais,
em pleno semiárido brasileiro,
queremos acolher e ecoar
o clamor dos povos da terra,
em memória solidária com tanto a martírio
e com tanta resistência popular,
frente a uma política capitalista neoliberal,
depredadora, homicida e ecocida,
de agronegócio, de monocultura, de latifúndio.

Queremos reacender
a nossa consciência crítica
e o nosso compromisso libertador.
Contamos com a luz, a força e a ternura
do vosso Espiríto
para prosseguirmos a caminhada,
em solidariedade e ecumenismo
com todas as lutas e esperanças
dos Povos da Terra,
no Brasil, em Nossa América,
na utopia diária da Terra Sem Males
e sempre à procura do vosso Reino.

sábado, 22 de maio de 2010

Participantes do III Congresso Nacional da CPT aprovam Carta Final


Leia a Nota na íntegra:

CARTA FINAL


III CONGRESSO NACIONAL DA CPT

No clamor dos povos da terra, a memória e a resistência em defesa da vida


Neste momento em que a humanidade toda toma consciência do grito da mãe terra, nossa casa comum, a Comissão Pastoral da Terra reuniu-se em seu III Congresso Nacional, em Montes Claros , MG, de 17 a 21 de Maio de 2010, com o tema: “Biomas, Territórios e Diversidade Camponesa”. Trabalhadores e trabalhadoras, a maioria deste Congresso (376), de diversas categorias – indígenas, quilombolas, ribeirinhos, posseiros, assentados, acampados entre outros – tornaram palpável a diversidade camponesa deste Brasil e sua resistência diante do processo de destruição em curso. Ao todo 760 pessoas - 440 homens e 320 mulheres - fizeram ecoar no semiárido mineiro os clamores do povo da terra. 272 agentes da CPT – entre eles quatro bispos e 51 entre padres, religiosos e religiosas e seminaristas – e 112 convidados de movimentos populares e pastorais, parceiros, puderam sentir a vida que pulsa, nas comunidades camponesas, cheia de esperança, em meio a dificuldades e frustrações.


A Arquidiocese de Montes Claros, que neste ano completa seu centenário, e o Colégio São José, dos Irmãos Maristas, nos acolheram de braços abertos. O calor humano de Montes Claros contrasta com a frieza de intermináveis plantações de eucalipto e de pastagens que substituíram a rica biodiversidade do Cerrado pela monotonia do monocultivo predador na paisagem que circunda a cidade.


“Vamos lutar porque esse é o nosso lugar” (cacique Odair Borari, de Santarém – PA)

Tivemos a alegria de ouvir e conhecer muitas experiências de resistência e de luta de camponeses e camponesas de todo Brasil. Na defesa de seus territórios e de suas culturas, mostraram que é possível e necessário conviver com os diversos biomas sem destruí-los e alimentar uma relação de respeito e de fraternidade com a mãe terra e com todos os seres vivos.


Estas experiências nos fazem ver, também, a criatividade com que os camponeses e camponesas sabem responder aos desafios gerados pela crise ecológica e por um modelo de desenvolvimento que destrói os biomas de nosso País, de forma cada vez mais violenta e acelerada, concentrando terras e riquezas para poucos e matando muitas formas de vida.


“Matam até o querer” (Sabrina, 19 anos, de Montes Claros – MG)

Estas experiências, cheias de vida e de esperança, se misturam com o clamor diante do poder estarrecedor dos grandes projetos que, em nome de um equivocado crescimento, assassinam lideranças, expulsam povos tradicionais de seus territórios e degradam o meio ambiente com suas hidrelétricas, mineradoras, ferrovias, transposição de águas, irrigação intensiva, monocultivos, desmatamentos. São projetos impostos com arrogância, de cima para baixo, ludibriando a legislação agrária e ambiental. Revestem-se de um legalismo hipócrita com controle e direcionamento de audiências públicas.


“As leis nós temos que respeitar, mas as leis têm que respeitar nós” (Joaninha, 58 anos, MG)

Ouvimos a denúncia veemente de um Estado que, com uma mão dá a sua ajuda para mitigar a fome e a miséria imediatas, ou até para libertar modernos escravos, e que com a outra estimula, promove e financia este modelo perverso de crescimento que prejudica a sustentabilidade da sociedade e da própria vida.


São inúmeros os casos em que o poder judiciário se torna o braço jurídico que executa e legaliza a espoliação, despejando todo ano milhares de famílias e garantindo a impunidade de assassinos, de grileiros e de empresas que não respeitam as leis.


Ficamos indignados com a soltura, nestes mesmos dias em que realizamos nosso Congresso, de quem mandou matar Irmã Dorothy.


Veementes, também, foram as denúncias contra um legislativo inoperante e submetido aos interesses da bancada ruralista que quer mudar o código florestal para favorecer a expansão dos monocultivos, e que engaveta a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que propõe o confisco de áreas com trabalho escravo, e a PEC que reconhece o Cerrado e a Caatinga como patrimônio nacional.

Também, com indignação, foram denunciadas as tentativas de criminalização dos movimentos do campo pelo judiciário, pelo Congresso e pelos grandes meios de comunicação. Enquanto isso o agronegócio que depreda e polui a natureza, expropria comunidades tradicionais e submete trabalhadores à escravidão, é apresentado como alavancador do progresso.


“Resistir para existir” (Zacarias,do Fundo de Pasto da Areia Grande, BA)

Ficamos entusiasmados em ouvir o testemunho corajoso da valentia de muitos companheiros e companheiras que continuam apostando na luta e na mudança. Alguns deles, ameaçados de morte, não temem continuar lutando por justiça e vida plena.


Maravilhou-nos o número de jovens presentes e a qualidade de sua participação. Eles e elas nos testemunham, com clareza, que as novas gerações acreditam que é possível vencer o individualismo mercantilista e consumista.


“Vocês precisam nos ajudar” (Augusto Justiniano de Souza, sindicalista, 55 anos, GO)

Nosso coração ficou apertado ao ouvir o grito de solidão, desamparo e abandono a que estão submetidos camponeses e camponesas em nosso País. Eles cobraram o apoio dos sindicatos, dos partidos e dos movimentos sociais que, outrora, os representavam e acompanhavam. Eles cobraram, também, o apoio firme da CNBB e sua palavra profética diante da gravidade da situação do campo.


Esta realidade e o clamor das camponesas e camponeses e dos povos tradicionais são um chamado para o discipulado e a missão da CPT, no seguimento de Jesus de Nazaré, na fidelidade aos Deus dos pobres e aos pobres da terra.


Pela força desta missão, a CPT assume:


- a luta pela terra e pelos territórios, combatendo o latifúndio e o agronegócio e incorporando, na luta pela Reforma Agrária, as exigências atuais de convivência com os diversos biomas e as diversas culturas dos povos que ali vivem e resistem, buscando formar comunidades sustentáveis. Como sinal concreto, compromete-se com a realização do Plebiscito Popular para se colocar um limite à propriedade da terra a ser realizado em setembro, junto com o Grito dos Excluídos, durante a semana da Pátria.


- o enfrentamento ao modelo predador do ambiente e escravizador da vida de pessoas e comunidades. Modelo assentado em monocultivos para exportação, amparado por mega-projetos impostos a toque de caixa. Emblemáticas desta resistência são as lutas contra a transposição do Rio São Francisco, contra as hidrelétricas a exemplo da de Belo Monte e de outras, propostas para a Amazônia, e o combate incansável da CPT contra o trabalho escravo.


- a formação para uma espiritualidade, centrada no seguimento radical de Jesus que nos dê força para não servir a dois senhores e que testemunhe os valores do Reino.


- a necessidade de contribuir com a articulação e o fortalecimento das organizações populares, do campo e da cidade, para que sejam protagonistas da construção de um novo projeto político para o Brasil que queremos, em união com os outros países da América Latina e Caribe avançando em direção a uma globalização justa e fraterna.


Ao concluir este III Congresso Nacional, a CPT renova seu compromisso profético-pastoral junto aos pobres da terra até que “o reinado sobre o mundo pertença ao nosso Senhor e ao seu Cristo e ele reinará para sempre e chegue o tempo em que serão destruídos os que destroem a terra” (Apoc. 11,15.18).

Montes Claros, 21 de maio de 2010.


Os participantes do III Congresso Nacional da CPT

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Bastidores: Cerimônia em homenagem aos mártires

Fotos tiradas por Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL
Confira a matéria completa no site da CPT-Nacional: Celebração homenageia os mártires do campo brasileiro

Na noite desta quarta-feira (20.05) ocorreu a cerimônia em homenagem aos mártires que morreram lutando em defesa da terra, água e os direitos humanos

Um dos momentos mais expressivos e emocionantes do III Congresso Nacional da CPT

Louvores e músicas da luta campesina

Estandartes exibiam os rostos dos mártires do campo brasileiro

Fé, resistência e luta por justiça!
Integrantes da CPT-Alagoas

A irmã Cícera Menezes esteve presente em todos os três congressos nacionais

Adriano Ferreira, mobilizador popular alagoano e Carlos Lima, coordenador estadual da CPT-AL

Cerca de 1000 pessoas presentes: camponeses, indígenas, quilombolas, ribeirinhos, agentes pastorais...

Os trabalhadores rurais de Alagoas presentes na celebração (no centro da foto)

Pessoas de várias partes do País

A advogada alagoana Lana Mendes que presta assessoria jurídica à CPT-AL, e a pescadora Maria Nazareh (PE) que já sofreu diversas tentativas de expulsão por parte da Usina Trapiche nas ilhas de Sirinhaém.

Foram 2km de caminhada percorrendo três bairros de Montes Claros

Orações e cânticos marcaram a cerimônia

Partilha do licor de pequi em frente à Igreja Nosso Senhor do Bomfim no alto do bairro Morrinhos

Parte da delegação alagoana no encerramento da caminhada

Participantes do III Congresso Nacional da CPT divulgam Nota Pública sobre a soltura do Taradão

Reunidos em Montes Claros, em Minas Gerais, para o III Congresso Nacional da CPT, cerca de 900 delegados e delegadas de todo o país, receberam com profunda tristeza e indignação a notícia de que Taradão, um dos acusados de ser o mandante do assassinato da irmã Dorothy Stang, foi solto após 18 dias depois de ter sido condenado a 30 anos de prisão por esse crime. Essa notícia veio justamente no dia em que o Congresso irá celebrar a memória dos mártires da terra.

Confira a Nota na íntegra:


Judiciário: mais uma vergonha!

A Comissão Pastoral da Terra (CPT), reunida em seu III Congresso Nacional, em Montes Claros, Minas Gerais, com a participação de mais de 800 congressistas, no dia em que está celebrando os mártires da terra com uma grande caminhada pelas ruas desta acolhedora cidade mineira, recebe perplexa a notícia de que o senhor Regivaldo Pereira Galvão, foi colocado em liberdade. Diante disto manifesta sua mais profunda indignação por este ato da “justiça” paraense.

Regivaldo foi condenado no dia 1 de maio de 2010, a 30 anos de prisão, por ter sido um dos mandantes do assassinato de Irmã Dorothy Stang, ocorrido no dia 12 de agosto de 2005. Na ocasião de sua condenação lhe foi negado o direito de apelar em liberdade. Por incrível que pareça, 18 dias depois de sua condenação, uma liminar da desembargadora Maria de Nazaré Silva Gouveia dos Santos, do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, lhe concede habeas corpus pondo-o em liberdade.

Regivaldo foi o último dos envolvidos condenado no caso do assassinato de Irmã Dorothy, cinco anos depois de sua morte. Usou de todos os instrumentos legais que foram protelando indefinidamente seu julgamento. Com sua condenação, pensávamos que a justiça tinha sido realizada, mas agora o criminoso volta à liberdade.

Mais uma vez se configura o que muitas vezes tem sido repetido pela CPT e por praticamente todas as instituições de Direitos Humanos: a cadeia foi feita exclusivamente para os pobres. Os que têm recursos financeiros sempre conseguem os “benefícios da lei” enquanto os pobres, presos sem terem qualquer acusação formal, permanecem anos e anos encarcerados sem terem acesso a qualquer julgamento! A impunidade continua alimentando a violência.

No dia 29 de abril passado, a CPT entregou ao Ministro da Justiça a relação de 1.546 trabalhadores e seus aliados assassinados em 1.162 ocorrências de conflitos no campo nos últimos 25 anos, de 1985 a 2009. Destas ocorrências, apenas 88 foram a julgamento, tendo sido condenados somente 69 executores e 20 mandantes. Dos mandantes condenados somente um encontrava-se preso, Vitlamiro Bastos de Moura, um dos responsáveis pelo assassinato de Irmã Dorothy. Regivaldo era o segundo que se encontrava preso até o dia de ontem.

Esta é a justiça que comanda este país! Se um caso que teve tamanha repercussão nacional e internacional é tratado desta forma, não é de espantar que a maior parte dos casos não mereça qualquer atenção.

Já dizia o profeta Isaias: “o juízo está longe de nós, e a justiça não nos alcança; esperamos pela luz, e eis que só há trevas; pelo resplendor, mas andamos em escuridão” (Isaias 59,9).


Os participantes do III Congresso do Nacional da CPT

Povos da terra discutem os clamores dos biomas

Carlos Lima apresentando os slides informativos (Foto: João Zinclar)


Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL



Durante toda quarta-feira (19.05) os camponeses, indígenas, quilombolas, ativistas e agentes pastorais de várias partes do Brasil que estão participando do III Congresso Nacional da CPT se concentraram na troca de conhecimentos em quatro tendas espalhadas no interior do Colégio São José Marista em Montes Claros (MG). Foram relatadas as peculiaridades de cada biodiversidade, em cada espaço tiveram as apresentações de seis experiências, três em cada período, em seguida as informações aprofundadas nos debates.

Os delegados alagoanos se dividiram em todos os espaços para conhecer as diferentes realidades e participaram das discussões sobre os biomas amazônico, caatinga, mata atlântica, pampa, cerrado e pantanal. Na tenda mata atântica/pampa, o historiador Carlos Lima, coordenador estadual em Alagoas foi um dos motivadores e desenvolveu a explanação introdutória sobre as características desses dois biomas, abordando quais os sinais de morte e ações que estão sendo desenvolvidas para garantir a resistência e preservação.

Já a engenheira agrônoma Heloisa Amaral que coordena a equipe alagoana formada por técnicos agrícolas, que dão a assistência aos camponeses das áreas acompanhadas, foi uma das participantes da tenda que abordou o bioma caatinga. Uma das experiências compartilhadas que mais lhe chamou atenção e pode ser facilmente adotada no Estado são os quintais produtivos. "Na discussão foi colocada a questão do manejo responsável da vegetação, mas para mim uma das informações mais interessantes foram os quintais produtivos, que são um resgate do que se fazia antes para construir suas próprias coisas, ter aquilo que mais precisa e seus próprios alimentos", afimou.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

III Congresso da CPT recorda os mártires da terra


Na noite de hoje os congressistas sairão às ruas da cidade de Montes Claros, clamando a memória daqueles e daquelas que tiveram suas vidas ceifadas pela violência no campo brasileiro.





Hoje à noite, a partir das 19h00, os participantes do III Congresso Nacional da CPT vão sair em caminhada pelas ruas da cidade, relembrando as pessoas que tombaram na luta pela terra no campo brasileiro, numa grande celebração dos mártires.


A Celebração para a qual é convidada toda a comunidade de Montes Claros (MG), vai ter início no Colégio São José, Marista, e percorrerá o trajeto do Colégio até a Igreja do Senhor do Bonfim, na Praça do Morrinho.


No percurso serão feitas seis paradas. Em cada uma serão relembrados os mártires de cada um dos seis biomas brasileiros, Amazônico, Cerrado, Caatinga, Pantanal, Mata Atlântica e Pampa.


Estarão presentes na grande celebração os bispos Dom Ladislau Biernaski, de São José dos Pinhais (PR) e presidente da CPT, Dom Enemésio Lazzares, de Balsas (MA), vice presidente da CPT, Dom Xavier Gilles, bispo de Viana (MA), e o arcebispo de Montes Claros, Dom José Moura. Os professores universitários em greve, da Unimontes, também se incorporarão à caminhada.


Uma história de violência


Historicamente a ocupação da terra no Brasil foi sempre acompanhada de grande violência contra as comunidades estabelecidas e contra os que apoiaram a luta dos trabalhadores em defesa de seus direitos e de seus territórios.


Neste ano completaram cinco anos do assassinato de Irmã Dorothy Stang, religiosa norteamericana, assassinada em Anapu (PA), por defender os PDS, Projetos de Desenvolvimento Sustentável, em que se aliava a produção camponesa com a defesa do meio ambiente. Também completam-se os 25 anos do assassinato do Pe. Ezequiel Ramin, morto em Rondônia, por seu apoio às lutas dos trabalhadores na região, e do sindicalista Nativo da Natividade, em Carmo do Rio Verde (GO), por liderar os trabalhadores que se contrapunham à tentativa de expulsão da terra por parte dos fazendeiros.


Nos últimos 25 anos, o serviço de Documentação da CPT, que publica desde 1985, anualmente, o relatório de Conflitos no Campo Brasil, registrou 1.162 ocorrências de conflitos em que houve assassinato de trabalhadores e trabalhadoras e/ou seus apoiadores com a morte de 1.546 pessoas. O que marca esta realidade é que das 1.162 ocorrências de conflitos com morte, até hoje somente 88 foram julgadas, com 20 mandantes e 69 executores condenados. Dos mandantes condenados somente dois estavam presos, Regivaldo Pereira Galvão e Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, responsabilizados pela morte de Irmã Dorothy. No dia de ontem, a Justiça paraense concedeu liberdade provisória a Regivaldo, fortalecendo a impunidade que gera cada dia mais violência.


Biomas, territórios e diversidade camponesa


Tiveram início na manhã de hoje os trabalhos nas quatro tendas temáticas, representando, respectivamente, os biomas Amazônico, Mata Atlântica e Pampa, Caatinga e Cerrado e Pantanal. Nesses espaços, os congressistas apresentarão as experiências desenvolvidas em suas regiões, de convívio em harmonia com os biomas e o meio ambiente. A atividade se estenderá durante todo o dia.



Fonte: www.cptnacional.org.br

Acompanhe pelo site todas as informações do Congresso, bem como as fotos, pequenos vídeos e as entrevistas em áudio.

Congresso Nacional desenvolve análises de conjunturas

Os participantes se espalharam no centro do Ginásio Esportivo e nas arquibancadas para prestigiar as palestras


Texto e fotos: Helciane Angélica - Jornalista/ CPT-AL


O segundo dia do III Congresso Nacional da CPT foi reservado para a atualização de informações sobre as análises de conjunturas, aprofundamento das discussões e a fila do povo, onde os trabalhadores rurais e agentes fizeram suas intervenções e propostas.

Nesta terça-feira, foram convidados três assessores: César Sanson que desenvolveu a reflexão crítica sobre a conjuntura sócio-política; Carlos Walter destacou o fortalecimento do capitalismo e suas consequências para a preservação do meio ambiente; e Benedito Ferraro que fez a análise eclesial.

Para a assentada e aniversariante desta terça-feira, Marinalva Celestina da Conceição, do Flor do Bosque localizado em Messias, o Congresso está apresentando uma ótima infra-estrutura. “Estou achando tudo muito bom desde o início, a qualidade da comida, dormitório e as palestras foram bem escolhidas. E também porque a gente ainda tá conhecendo muitas pessoas e aprendendo mais”, declarou. Ela comemorou seus 50 anos em pleno congresso, e no alojamento, os companheiros de várias delegações a parabenizaram e se confraternizaram.

Marinalva é mãe de sete filhos e tem onze netos, em seu lote ela mora com mais três pessoas em uma casa de alvenaria, água encanada e energia elétrica. Está produzindo milho, macaxeira, feijão de corda, limão, coco, maracujá, mamão, abacaxi e a criação de algumas aves (galinha, peru e codorna).

terça-feira, 18 de maio de 2010

3º Congresso Nacional é iniciado em Montes Claros

Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL


Nesta segunda-feira à noite (17.05) ocorreu a cerimônia de acolhida e de abertura do III Congresso Nacional da Comissão Pastoral da Terra, no Colégio São José Marista em Montes Claros (MG). Cerca de 900 participantes prestigiaram a mística em defesa da biodiversidade e da cultura camponesa, além de cantar e participar das orações.

O Presidente Nacional da CPT, Dom Ladislau Biernaski oficializou o início das atividades e destacou a importância do tema central: "Biomas, Territórios e Diversidade Camponesa".

Nosso Congresso quer ser de fato um espaço de comunhão, para refletir sobre os nossos biomas, e sobre aquelas pessoas que só pensam em explorar. Precisamos preservar e lutar por nossos territórios, os nossos irmãos indígenas e quilombolas também estão sendo ameaçados e não têm o direito à terra. Enquanto isso, muitos querem destruir a diversidade, investindo na produção de alimentos transgênicos e nas transnacionais”, declarou em seu pronunciamento.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Alagoanos preparados para Congresso Nacional da CPT

O evento ocorrerá de 17 a 21 de maio, na cidade de Montes Claros (MG), para discutir os “Biomas, Territórios e Diversidade Camponesa”


Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL,
com informações da Assessoria de Comunicação Nacional


Cerca de 30 alagoanos, dentre trabalhadores rurais, coordenadores da Comissão Pastoral da Terra (CPT-AL), religiosos e convidados irão se unir aos 900 participantes do III Congresso Nacional da CPT – de 17 a 21 de maio, na cidade de Montes Claros (MG). A atividade também terá a presença de pesquisadores e lideranças de movimentos sociais para discutir o tema “Biomas, Territórios e Diversidade Camponesa”, que conta com o lema “No clamor dos povos da terra, a memória e a resistência em defesa da vida”.

Tem como principal objetivo a reflexão sobre os rumos que os trabalhadores e as trabalhadoras determinarão para a CPT , analisando os desafios e ações para os próximos anos. No local do evento, as experiências e os debates serão realizados em quatro grandes tendas, divididas pelos biomas brasileiros: Amazônico; Caatinga; Cerrado e Pantanal; e o último espaço para a Mata Atlântica e Pampa.

Esse é um momento importante para o desenvolvimento da pastoral social, assim como, para o próprio Brasil. Diante da intensa mudança climática e a devastação do meio ambiente, os camponeses se articulam em defesa de seus direitos e pela diversidade agrícola, sem a utilização de agrotóxicos e respeitando o solo e rios; além de ser contra as investidas dos grandes proprietários rurais, que buscam apenas benefícios econômicos por meio do agronegócio.

O Congresso será realizado no Colégio Marista São José, boa parte dos delegados e delegadas já fizeram suas inscrições, tomaram café da manhã nas cozinhas localizadas no bosque da instituição. Às 19h ocorrerá a solenidade de abertura no Ginásio Poliesportivo, com a presença de todos os delegados e delegadas, além dos convidados, assessores e bispos da CPT, inclusive, o bispo de Montes Claros, Dom José Moura.