segunda-feira, 31 de maio de 2010

Ordem judicial determina o despejo de camponeses em acampamento modelo

As famílias camponesas estão acampadas há quase três anos, possuem uma produção diversificada e já moram em casas de alvenaria com energia elétrica


Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL


O acampamento Flor do Bosque II localizado no município de Messias possui 120 hectares, foi instalado nas terras abandonadas da usina falida Bititinga, que hoje encontra-se explorada pela Usina Santa Clotilde. A Comissão Pastoral da Terra de Alagoas dar apoio às 17 famílias camponesas que estão morando e produzindo uma variedade de alimentos na área apontada como uma referência no Estado, mesmo assim, foi determinada a reintegração de posse para esta terça-feira (1º de junho).

A última audiência ocorreu no dia 29 de abril na sede da Vara Agrária, com a presença dos coordenadores da CPT-AL, representantes dos trabalhadores rurais, o Gerenciamento de Crises da PM e integrantes do Incra para discutir a realidade das famílias e a reintegração de posse. Os usineiros também foram ouvidos, inclusive o Ouvidor Agrário Estadual do Incra, José Carlos Cardoso, tentou fazer a negociação para efetivar a compra da propriedade rural, mas não houve acordo.

No local já existem casas de alvenaria com energia elétrica, as famílias foram distribuídas em lotes de cinco hectares e desde o ano passado existe uma associação que busca melhorar a infra-estrutura e intensificar os cuidados com o meio ambiente, inclusive, conseguiram junto à Prefeitura o transporte para levar as crianças até a escola.

Essa área vem sendo utilizada há três anos e apesar de ser um acampamento tem um nível de organização e produção que impressiona. Poderia ser tranquilamente um assentamento porque tem infra-estrutura para isso. Precisamos evitar que essas famílias sejam largadas a própria sorte, para aumentar ainda mais a miserabilidade social e a fome", afirmou Carlos Lima, historiador e coordenador estadual.

Dentre os alimentos cultivados estão: feijão, feijão de corda, mandioca, milho, abóbora, batata, vários tipos de pimenta, cana caiana, frutas (maracujá, melancia, banana, caju, manga e laranja), hortaliças (tomate, cebola, coentro, pimentão e machiche) e uma pequena criação de animais (cavalo, ovelha e galinha). A maior parte dos produtos servem para o consumo próprio, e o excedente da colheita é vendido nas feiras livres. As famílias continuarão reivindicando seus direitos e irão resistir no local porque não possuem outras alternativas de sobrevivência.

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