sábado, 26 de junho de 2010

Advogado da CPT lança livro sobre Direito de Propriedade


O livro O Direito da Propriedade e a Zona da Mata Pernambucana, de Daniel Viegas, advogado da CPT Nordeste II, parte da idéia de que toda instituição jurídica surge para atender a uma necessidade econômica e social. A partir daí, o livro vai discutir uma nova concepção do direito de propriedade, observando principalmente as necessidades econômicas e sociais da zona da mata de Pernambuco, realidade incompatível com uma interpretação arcaica que é dada a esse direito pelo Judiciário, o que acaba por acentuar os conflitos fundiários na região.

Para compreender a questão agrária na Zona da Mata pernambucana, o Livro apresenta, em sua primeira parte, o desenvolvimento histórico do direito de propriedade e as suas várias concepções, as alterações legislativas promovidas no Brasil desde seu descobrimento até o Novo Código Civil e seus reflexos na estrutura fundiária nacional. Na segunda parte é apresentada a dinâmica da questão agrária na região canavieira de Pernambuco.

Em seguida, o autor busca dimensionar a complexidade da propriedade privada no universo contemporâneo, classificando os bens - objeto da propriedade - em bens de consumo, bens de produção e bens de serviços. Dessa forma, pretende-se, no livro, gravar o exato papel que cada um deles têm na coletividade e diferenciá-los pela função social ou individual que tenham, para enfim, defender a necessidade de um novo tratamento ao instituto jurídico.

Defende-se neste Livro que a propriedade privada deve deixar de ser tratada como um mero direito subjetivo, para passar a ser concebida como uma situação jurídica complexa, para conter todos os todos os bens – de consumo, de serviços e de produção. Assim, demonstra-se que esses dois últimos, mais que ter uma função social, são a própria função.

Consequentemente, no caso dos bens de produção, que não cumprem a função social que lhe obriga a Constituição Federal de 1988, passa o suposto proprietário a não ter acesso à tutela judicial no caso de conflitos possessórios coletivos, pelo fato de não poder ter seu domínio reconhecido pelo Poder Judiciário.

Considerando o alto valor das indenizações nas desapropriações, que oneram o já combalido erário público, esse estudo propõe uma nova interpretação de normas constitucionais e do Código Civil demonstrando ser indevido o pagamento da indenização pela terra nua. De acordo com o estudo, o pagamento deveria ser feito apenas em relação às benfeitorias, e o imóvel arrecadado pelo Estado.

Por fim, o estudo analisa a realidade da Zona da Mata Pernambucana - um ambiente de intenso conflito agrário e com grande endividamento do setor sucro-alcooleiro - para verificar a aplicabilidade desse entendimento jurídico nas ações possessórias, assim como as novas as possibilidades que se abrem com essa interpretação jurídica.


Fonte: CPT-Regional II

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Enchentes, depois da solidariedade, o que fazemos?

Por: Pe. Alex Cauchi (*)


Neste momento de tanto sofrimento e angústia, só precisa de solidariedade. E graças a Deus isso não falta! O povo alagoano sempre mostra o espírito solidário com as pessoas sofridas. E também quem não tem nada vai doando alguma coisa pra ajudar. Assim, juntando pouco de muitos se torna uma grande partilha para diminuir o sofrimento.


E depois?! A maioria acha que estas enchentes são apenas desastres naturais, então não tem nada a fazer. Mas quem pensa isso tá muito enganado, porque mais de metade deste sofrimento poderia ser evitado. Eu falo isso de uma experiência que eu passei 10 anos atrás em Murici também em uma enchente.


Vou colocar algumas reflexões e sugestões práticas:

  1. O desmatamento – Aconteceu durante anos e ainda continua! Como muitos sabem as árvores seguram a água e depois vai soltando pouco a pouco. Por isso a importância das árvores nas margens dos rios. Então, todo mundo: usineiros, fazendeiros (os mais culpados), municípios através das secretarias de ambiente, saúde, ação social, educação têm que se empenhar para plantar fazer o reflorestamento;

  1. O Êxodo rural – Muitas famílias foram expulsas das fazendas, outras apenas decidiram sair por falta de infra-estrutura como estradas, escola e saúde e até terra pra plantar. Algumas receberam casas do governo pra sair das fazendas que em contrapartida ofereceram o apoio político nas eleições e assim se livraram das responsabilidades trabalhistas e moradia dos moradores. Além de diversos problemas como drogas e violência, também tem a falta de trabalho e as casas foram construídas em áreas baixas onde é fácil de sofrer com as enchentes. (ex. Matriz de Camaragibe, entre outros). Como solução para muitos problemas, inclusive das enchentes são os assentamentos da reforma agrária!

  1. Pena que os governos na sua maioria das vezes ajudam emergencialmente. Mas depois, mesmo com as promessas, até para ganhar eleições pouco fazem. Mas é de competência dos governos: limpar os rios, fazer pontes mais altas, (o caso da BR 104 que para o trânsito apenas porque a ponte ta muito baixa) abrir valetas...etc. Tem que ter políticas públicas sobre isso bem claras!


(*) Padre Alexander Cauchi atua na Arquidiocese de Maceió-AL desde 1995, é um missionário dedicado que acompanha as atividades da Comissão Pastoral da Terra. Atua efetivamente no serviço pastoral junto às famílias camponesas e em defesa da reforma agrária no Brasil.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Bastidores: Mobilização - Fora Estevão!

Fotos tiradas por Carlos Lima e Helciane Angélica

Mobilização "Fora Estevão!" ocorreu durante todo o dia 22 de junho, data que a CPT completou 35 anos no Brasil

A caminhada percorreu as principais ruas de Maceió

Homens, mulheres e crianças marcharam até a sede do Incra-AL.

O superintendente é uma indicação da força política DS do PT.

Companheiros do MLST também exigem melhorias nas áreas e a saída do atual superintendente estadual, além de estarem acampados desde o início do mês

Camponeses ocupam prédio do Incra-AL

Hora do almoço

Trabalhadores fazem fila na Praça Visconde Sinimbu

Momento de repor as energias

Audiência na Vara Agrária em Maceió com várias autoridades

Acompanhamento da audiência

Reunião entre integrantes da CPT-AL e o Ouvidor Agrário Nacional

Gercino Filho se comprometeu em relatar as reivindicações alagoanas ao Presidente Nacional do Incra

Assembleia final com os camponesas e camponesas - Fim da mobilização e retorno às áreas

terça-feira, 22 de junho de 2010

História e compromisso: CPT celebra 35 anos

Hoje, dia 22 de junho, a Comissão Pastoral da Terra celebra 35 anos a serviço dos camponeses e camponesas no Brasil. Fundada em plena ditadura militar, como resposta à grave situação dos trabalhadores rurais, posseiros e peões, a CPT contribuiu na luta e reorganização dos camponeses e camponesas no Brasil, em um dos períodos mais nefastos da história brasileira. Trinta e cinco anos depois, organizada em todos os estados brasileiros, a CPT reafirma o compromisso de fidelidade aos povos da terra e ao Deus dos pobres.

HISTÓRIA
A Comissão Pastoral da Terra (CPT), criada em 1975, após um Encontro realizado na cidade de Goiânia (GO) com bispos e religiosos da Amazônia, para discutir os problemas sócio-políticos e as violências vividas pelos povos do campo, surgiu como uma esperança de anúncio e denúncia. Denúncia das mazelas vividas e da opressão empreendida por latifundiários e grupos poderosos sobre os pobres do campo, e anúncio da boa nova, da esperança da terra prometida e do fim das agruras e das pobrezas vividas por esse povo de Deus espalhado pelos diversos “Brasis” existentes em nosso país. Essas são as ações que norteiam a missão dessa entidade desde sua criação.

Nascida para dar voz e vez aos trabalhadores e trabalhadoras rurais, brasileiros e brasileiras, escondidos e escondidas por trás das cortinas da exploração, a CPT se propôs, desde o seio da sua criação, a promover o protagonismo desses personagens, apoiando suas lutas, suas reivindicações e sua organização. Além de buscar o resgate da auto-estima dos agricultores e agricultoras, oprimidos e descartados por um mundo cada vez mais urbano, cada vez mais elitista e cada vez mais individualista. A terra não mais é vista como mãe de criação, como geradora de alimentos para seus filhos, mas apenas como acúmulo de capital e geradora de divisas. A mercantilização dos bens naturais acirrou a já tão triste realidade de exploração a qual fomos submetidos desde o nosso período de colonização. Tudo é vendável, tudo é lucrativo, nada é dividido e nada é distribuído.

A partir disso, a CPT buscou junto ao povo do campo alternativas para os desafios que essa realidade mercantil impõe à nossa sociedade. Tudo isso com a finalidade de que a terra deixe de ser vista apenas como um espaço de produção para ser um espaço onde se possa construir um lugar bom de se viver. Também com esse princípio, a CPT assume a questão da água como um dos seus grandes eixos de ação. A partir do momento que um bem natural corre o risco de ser transformado em mercadoria, a serviço de grandes empresas e interesses especulatórios, a CPT se junta às comunidades conservadoras do meio ambiente e do nosso patrimônio natural para defender e conservar essa riqueza, além de promover ações e iniciativas de busca alternativa por esse bem, para os que sofrem com a escassez e a seca sazonal comuns em algumas regiões do nosso país. As lutas assumidas pela CPT e a sua própria criação foram imprescindíveis num momento em que o contexto político e a violência praticada contra os trabalhadores e trabalhadoras do campo se multiplicavam principalmente no interior da Amazônia.

Até então, os trabalhadores e trabalhadoras do campo tinham apenas os sindicatos para olharem por eles, mas mesmo estas instâncias haviam se curvado à ditadura e feito acordos conciliatórios para terem uma mínima liberdade de atuação.

Sendo assim, religiosos e religiosas de variadas denominações cristãs, líderes populares, líderes sindicais, trabalhadores e trabalhadoras rurais uniram-se em torno de um grande ideal, ser fiel ao Deus dos pobres e estar a serviço dos pobres da terra. Formada por religiosos e religiosas, voluntários e voluntárias, e profissionais das mais diversas áreas do conhecimento, a CPT foi criando corpo e dando início às suas ações por todo o país. A essas pessoas foi dado o nome de agente, encarregados de ajudarem, assessorarem e denunciarem a realidade dos camponeses e camponesas brasileiros, oprimidos dentro de um contexto ditatorial e coronelista.

Ela deu início, também, ao trabalho de documentação. Documentação dos conflitos e violências no campo, como forma de denunciar à sociedade, às autoridades governamentais e ao mundo, a situação vivida pelos trabalhadores e trabalhadoras rurais em todo o país. Esse trabalho foi tornando-se mais sistemático, passando a compor uma publicação anual com o nome de Conflitos no Campo Brasil. Esse ano, tal publicação completa 25 anos e milhares de páginas com o suor e o sangue de tantos homens, mulheres e crianças que tombaram diante da violência dos poderosos e da impunidade velada no campo brasileiro.

A CPT tornou-se a única entidade a realizar tão ampla pesquisa da questão agrária no país, e formou uma das mais importantes bibliotecas e acervo documental da luta camponesa no Brasil e talvez no mundo. Outros países buscam a Pastoral da Terra como fonte de pesquisa e de inspiração na tentativa de desenvolver trabalhos similares em suas regiões.

A diversidade fez a unidade da luta
A partir da realidade de cada região, de cada comunidade, de cada interior desse país, a CPT foi criando uma das mais belas características que possui, a diversidade. Cada CPT criou seu rosto, suas qualificações, sua personalidade, mas todas elas voltadas para os mesmos objetivos, o da democratização do acesso a terra e do fim da violência contra os pobres do campo. E é exatamente por causa dessa diversidade, dessas particularidades de cada região do país, que outros grupos, organizações, entidades e movimentos sociais foram surgindo, a fim de atender a cada um dos cenários brasileiros que iam se apresentando.

Assim, em 1984, após um processo de fermentação ideológica e conceitual, surge, no Paraná, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Conhecido como um dos mais importantes nomes na luta pela reforma agrária no Brasil, o MST se consolidou no cenário político e no imaginário da sociedade brasileira. Além dele, outros vieram a se somar nessa luta que toma um corpo único no país.


Fonte: CPT-Nacional

Camponeses reivindicam melhorias ao Ouvidor Agrário Nacional

A morosidade, ausência de melhorias nas áreas rurais e a reivindicação para efetivar a exoneração do atual superintendente do Incra – foram algumas das pautas apresentadas ao Ouvidor Gercino Filho


Texto e fotos: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL


Durante toda esta terça-feira (22.06) ocorreram várias mobilizações na capital alagoana. Cerca de 500 trabalhadores rurais oriundos do litoral norte e da zona da mata, que recebem o acompanhamento da Comissão Pastoral da Terra demonstraram a insatisfação contra o desempenho do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e exigem a exoneração do atual superintendente em Alagoas.

A partir das 14h, teve início a audiência na Vara Agrária no Centro de Maceió. Estiveram presentes os representantes da CPT-AL e das famílias camponesas; o Ouvidor Agrário Nacional, Gercino Filho; José Carlos Cardoso, Ouvidor Agrário Estadual; Gilberto Irineu, Presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-AL; o Gerenciamento de Crises da Polícia Militar e o Juiz Agrário Ayrton Tenório.

Na pauta, destacou-se o acampamento modelo Flor do Bosque II em Messias, que possui uma infra-estrutura organizada (casas, luz elétrica e produtividade agrícola) e é propício para o estabelecimento de um assentamento, mesmo assim, várias reintegrações de posse já foram agendadas e com ostensivo número de policiais. Mas também já apareceram duas proprietárias da área que pertenceu à usina falida Bititinga – uma alegando que adquiriu no leilão do INSS e a outra afirmando que possui uma ação vencedora por direito trabalhista – ambas têm interesse em negociar com o Incra. Por conta das chuvas e a pedido do Ouvidor Agrário Nacional, a reintegração de posse foi suspensa e os acordos encaminhados para beneficiar as famílias.

Além disso, foi relatada a postura de Estevão Oliveira que é considerada uma pessoa despreparada para o cargo estadual do órgão responsável pela mediação dos conflitos agrários, e que ainda possui uma postura desequilibrada e anti-ética. Gercino Filho se comprometeu em conversar com o Presidente Nacional do Incra, Rolf Hackbart, para repassar os problemas locais e as exigências sobre a exoneração do atual superintendente.

O diálogo foi estabelecido novamente e as pautas atendidas. Diante disso, ocorreu a desocupação do Incra e os trabalhadores rurais retornarão aos acampamentos e assentamentos de origem até o final da noite.

CPT celebra 35 anos a serviço dos povos da Terra

Hoje, dia 22 de junho, a Comissão Pastoral da Terra celebra 35 anos a serviço dos camponeses e camponesas no Brasil. A CPT nasceu em junho de 1975, em Goiânia (GO), durante um Encontro convocado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e logo nos primeiros anos, adquiriu um caráter ecumênico. Fundada em plena ditadura militar, como resposta à grave situação dos trabalhadores rurais, posseiros e peões, a CPT contribuiu na luta e reorganização dos camponeses e camponesas no Brasil, em um dos períodos mais nefastos da história brasileira.

Trinta e cinco anos depois, organizada em todos os estados brasileiros, a CPT reafirma o compromisso de fidelidade aos povos da terra e ao Deus dos pobres. Para marcar seus os 35 anos, as equipes dos estados de Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte (que compõem a Regional NE II da CPT) realizarão, durante toda a semana, celebrações, mobilizações, debates e atividades com os trabalhadores e trabalhadoras rurais e organizações do campo e da cidade em diversos municípios.

Para acompanhar as notícias da celebração dos 35 anos da CPT, organizadas pela Regional Nordeste II, além de entrevistas e artigos, acesse o site: www.cptpe.org.br.


Fonte: CPT - Regional II

Camponeses fazem grande caminhada em Maceió


A mobilização busca a exoneração do atual superintendente do Incra-AL, Estevão Oliveira, que é considerado despreparado e desequilibrado


Por: Helciane Angélica - Jornalista/ CPT-AL


Cerca de 500 trabalhadores rurais oriundos do litoral norte e da zona da mata, que recebem o acompanhamento da Comissão Pastoral da Terra em Alagoas estão desde ontem em Maceió para mostrar à sociedade a insatisfação contra o desempenho do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA-AL). Eles passaram a noite na sede da Eletrobrás-AL e agora pouco iniciou uma grande caminhada do bairro da Gruta que seguirá até a sede do INCRA no Centro da capital alagoana.

No percurso, os camponeses e camponesas exaltarão as bandeiras e ferramentas de trabalho, cantarão as músicas da luta campesina. As faixas mostrarão a indignação contra a morosidade das ações e exigem a exoneração do atual superintendente Estevão Oliveira, que é considerada uma pessoa despreparada para o cargo, e que ainda tem uma postura desequilibrada e anti-ética.


35 anos

A caminhada também serve para exaltar o trabalho da Comissão Pastoral da Terra que nesta terça-feira, 22 de junho, completa 35 anos de trajetória e atuações no Brasil. Busca o protagonismo das famílias camponesas, ressaltando a importância da reforma agrária, valorizando a agroecologia e defendendo os direitos à terra e água de qualidade.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Trabalhadores rurais mobilizados contra Estevão Oliveira

O atual superintendente do Incra-AL é despreparado e desequilibrado. Enquanto isso, o órgão que deveria solucionar conflitos agrários e investir na reforma agrária é ineficiente!


Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL
Foto: Arquivo - Tyller Erseu


Apesar das fortes chuvas que caíram em Alagoas e os inúmeros problemas em acampamentos e assentamentos, cerca de 500 trabalhadores rurais oriundos do litoral norte e da zona da mata, que recebem o acompanhamento da Comissão Pastoral da Terra estarão hoje (21.06) em Maceió para mostrar à sociedade a insatisfação contra o desempenho do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA-AL). Atualmente, o superintendente Estevão Oliveira encontra-se no comando, porém, é considerada uma pessoa totalmente despreparada para o cargo, e que ainda tem uma postura desequilibrada e anti-ética.

O órgão federal é o responsável em mediar os conflitos agrários, realizar vistorias de terras improdutivas, fiscalizar a produtividade nos lotes, além de garantir efetivamente a reforma agrária e o beneficiamento das famílias camponesas. Muitos acampamentos, a exemplo de Flor do Bosque II em Messias, têm uma boa produção agrícola, infra-estrutura organizada e energia elétrica, mesmo assim, não são transformados em assentamentos. Além disso, também existem muitos assentados que enfrentam inúmeras dificuldades quanto ao acesso às escolas, saúde de qualidade e no escoamento da produção devido às más condições das estradas.

Outro dado importante que deve ser destacado é que há cerca de dois anos, não é realizada a desapropriação de imóveis rurais no Estado de Alagoas e muitos despejos foram autorizados pela Vara Agrária, inclusive, com a presença de um número ostensivo de militares nas áreas. Em 2010, foram realizadas cinco reintegrações de posse somente em áreas acompanhadas pela CPT que existem há algum tempo.


Solidariedade às vítimas da chuva

Caros (as) companheiros (as),


Em solidariedade às milhares de famílias que foram vitimadas pelas chuvas do último fim-de-semana, a CUT Alagoas inicia uma campanha de arrecadação de donativos para ajudar aquelas pessoas nesse momento difícil. Trabalhadores de todo o Estado tiveram suas casas completamente destruídas pela água. Só com a solidariedade de toda a população será possível reconstruir cidades inteiras.

Quem puder fazer doações (alimentos não perecíveis, roupas, água mineral, ou até mesmo contribuições financeiras) pode se dirigir à sede da CUT Alagoas, localizada na Rua General Hermes, 380, Cambona, Maceió-AL.



Saudações CUTistas.


Lenilda Lima
VICE-PRESIDENTE

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Oito milhões de nordestinos serão vítimas da transposição; evento em CG vai discutir tema

Representantes dos cinco estados nordestinos envolvidos na transposição do Velho Chico participarão do evento



Imagine uma promessa de prosperidade transformada em pesadelo. Agora multiplique esse sonho mau por um coletivo de oito milhões de nordestinos. Esse é o cenário que será apresentado por especialistas, pesquisadores, famílias vitimadas e sertanejos apreensivos sobre a falsa bonança nesta quinta-feira (17/6), em Campina Grande, quando tem início o Encontro de Atingidos e Atingidas pelo Projeto de Transposição do Rio São Francisco. O evento, pioneiro no Nordeste, acontece até o próximo sábado (19) e causa impacto porque vai além das projeções aparentemente pessimistas dos estudiosos para expor casos reais de nordestinos que já provaram o efeito nocivo da obra encampada pelo governo federal.

Na programação do evento, que será realizado na Casa de Encontro São Clemente, no bairro de Bodocongó, estão lançamentos de livro e projeção de vídeo, discussões sobre o tema, relatos de quem viveu de perto a decepção dos primeiros quilômetros de transposição, apresentação de quesitos técnicos, ato público e homenagens. Tudo permeado por questões essenciais nesse fórum polêmico e necessário: as águas do São Francisco serão mesmo a solução da seca no semi-árido nordestino? A transposição vai beneficiar famílias que têm sede e precisam de água para sobreviver ou prioritariamente as plantações e seus grandes proprietários? Não seria mais eficiente e barato investir em soluções como reflorestamento e limpeza dos rios? Falta mesmo água ou falta melhor distribuição desse bem?

Aos cerca de cem participantes aguardados para o Encontro de Atingidos e Atingidas pelo Projeto de Transposição do Rio São Francisco somam-se entidades e grupos sociais que representam milhares e estão dispostos a listar argumentos contrários à chamada “obra faraônica” do governo federal. Entre eles estão o Banco Mundial, que alerta sobre a “orientação comercial” do projeto; a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que classificou a transposição como inconstitucional; o Conselho Nacional de Segurança Alimentar (CONSEA), que acredita no direcionamento do projeto para o agronegócio e não para o desenvolvimento sustentável do semi-árido; da Sociedade Brasileira de Limnologia, que aponta insuficiência de dados sobre o impacto da transposição na ecologia das águas; e ainda a ASA (Articulação do Semi-Árido), que congrega mais de 700 organizações da sociedade civil e defende soluções mais simples, viáveis e eficientes para resolver problemas de má gestão da água no Nordeste brasileiro.

Representantes dos cinco estados nordestinos envolvidos na transposição do Velho Chico participarão do evento. Entre os convidados estão a promotora baiana Luciana Khoury, que falará sobre os aspectos jurídicos do projeto e a atuação do Ministério Público; Rubens Siqueira, da Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Bahia; Gilberto Queiroz, biólogo e Mestre em Meio Ambiente e Desenvolvimento; o engenheiro agrônomo João Suassuna, da Fundação Joaquim Nabuco, de Pernambuco; além de sertanejos do Ceará e Rio Grande do Norte para contar suas experiências e expectativas com a chegada das águas do principal rio do Nordeste.

O Encontro de Atingidos/as pelo Projeto de Transposição do Rio São Francisco é uma realização da Frente Paraibana em Defesa da Terra, das Águas e dos Povos do Nordeste; da Frente Cearense por uma Nova Cultura da Água e Contra a Transposição do Rio São Francisco; e da Ação Popular pela Revitalização do São Francisco.

Da Assessoria

sábado, 12 de junho de 2010

O primogênito dos sem-terra

Primeiro nascido em um acampamento, Marcos Tiaraju está prestes a se formar em medicina

Por: Mauro Graeff Júnior


Seu nome é carregado de simbolismo. Foi escolhido por um grupo de colonos sem-terra em uma reunião realizada sob lonas pretas. Marcos faz referência à palavra marco, início. Tiaraju é uma homenagem a Sepé Tiaraju, o líder dos índios guaranis morto em 1756 na defesa das terras do Rio Grande do Sul contra portugueses e espanhóis.

Marcos Tiaraju Correa da Silva, de 24 anos, foi a primeira criança nascida em um acampamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O jovem perdeu a mãe em um conflito com ruralistas, cresceu em manifestações e hoje estuda medicina em Cuba. Quer voltar ao Brasil em um ano e meio, formado, para continuar a luta iniciada pelos pais.

A história de Marcos entrelaça-se com a trajetória do MST. Ele nasceu em 1º de novembro de 1985 na Fazenda Annoni, no norte do Rio Grande do Sul, na primeira área ocupada pelo recém-criado grupo. O local, para onde migraram 1,5 mil famílias de agricultores pobres, é o berço do movimento e tornou-se símbolo da batalha pela terra.

José Correa da Silva e Roseli Celeste Nunes da Silva, os pais, entraram no MST após ficarem cansados da vida miserável. Chegaram à fazenda de 9 mil hectares com algumas sacolas de roupa, os dois filhos – de 3 e 6 anos – e o sonho de virar donos de um pedaço de chão. Roseli, aos 31 anos, estava grávida de nove meses. “Não tínhamos alternativa”, afirma o pai de Marcos.

O bebê nasceu num hospital perto do acampamento. Viveu os primeiros meses de vida em barracas, amamentado em protestos e ocupações. Sua mãe o levou nos braços em uma marcha de 500 quilômetros que durou 28 dias, entre a Fazenda Annoni e Porto Alegre. Para os colonos, o menino virou um talismã desde o nascimento, lembra o padre Arlindo Fritzen, um dos fundadores do movimento. “Ele é o símbolo da vida, da esperança, para milhares de pessoas que se juntaram pelo sonho da reforma agrária. O sucesso dele é uma vitória, mostra que o sacrifício não foi à toa”, diz Fritzen, que batizou Marcos.

Em 31 de março de 1987, Roseli participava de uma manifestação em Sarandi, também no norte do estado, quando o caminhão de uma empresa agrícola avançou sobre uma barreira de colonos. Rose, como era chamada, morreu esmagada. Virou nome de acampamentos, assentamentos, escolas e brigadas do MST por todo o Brasil. A história dela foi contada nos documentários Terra para Rose e O Sonho de Rose, ambos da carioca Tetê Moraes.

Abalado com a morte da mulher e com três filhos pequenos para criar, o pai de Marcos não suportou a dura rotina nos acampamentos, onde faltava até água para beber. Foi tentar a vida na cidade como pintor de paredes, sem perder os vínculos com os amigos do movimento. A reaproximação com o MST ocorreu em 1996, quando a documentarista preparava o segundo filme sobre Roseli. “Decidimos que o sonho de Rose, o sonho de minha mãe, deveria virar realidade. Ela não poderia ter morrido em vão. Precisávamos ter nossa terra”, conta o estudante.

Convidado por um amigo, o futuro médico morou um ano em um assentamento na região metropolitana de Porto Alegre, longe da família. Lá, aos 14 anos, reencontrou-se com o passado. Essa temporada reascendeu seus ideais adormecidos, os mesmos que moveram sua mãe. “Ganhei uma camiseta estampada com uma foto dela comigo nos braços e uma frase que ela sempre repetia: ‘Prefiro morrer lutando do que morrer de fome’. Nunca foi fácil aceitar a sua morte e acredito que nunca será. Mas sinto orgulho do que ela fez.”

Em 1999, o sonho foi realizado. A família Silva recebeu 14 hectares em Viamão, nos arredores de Porto Alegre. Não foi fácil para Marcos seguir com os estudos e morar no novo assentamento. Caminhava diariamente 7 quilômetros até o ponto de ônibus mais próximo. Meses depois, ganhou uma bicicleta e passou a pedalar 30 quilômetros por dia para ir e voltar da escola. Pensou várias vezes em trocar os livros pela enxada.

De volta ao convívio com o movimento, passou a envolver-se mais em protestos e ocupações. Morou em acampamentos, pegou em foices e reviveu a rotina dos primeiros meses de vida. O passaporte para mudar de país e de vida veio em 2005, quando engrossou uma marcha de 12 mil sem-terra a Brasília. Acabou convidado a estudar medicina em Cuba. “Senti o compromisso moral de aceitar a proposta, já que diariamente dentro do movimento- levantamos a bandeira da educação e da saúde como forma de melhorar a vida dos mais pobres.”

Sem nunca ter saído do Brasil e com espanhol precário, o gaúcho desembarcou em 2006 na ilha de Fidel Castro. Cursou os dois primeiros anos de faculdade em Havana e agora está em Camaguey, a oito horas da capital. Suas despesas com estudo, alimentação, higiene pessoal e moradia são custeadas pelo governo cubano. Também recebe auxílio financeiro do MST a cada três ou quatro meses. Se tudo der certo, se graduará em 2012. Ainda não escolheu qual especialização vai seguir, mas tem claro que voltará às fileiras do movimento. Quer usar a medicina para atender “os companheiros”. Diz querer ajudar a reconquistar a simpatia da população em relação aos sem-terra. “Temos de mostrar nossos objetivos e nossas raízes, a luta pacífica pela terra.”

O universitário sabe ser um símbolo da causa. Os filmes que contam a história de sua mãe são exibidos com sucesso nos acampamentos e assentamentos. Os documentários o fizeram conhecido entre os que lutam pela reforma agrária. “A história do Marcos dá uma energia positiva para jovens que passaram tantas dificuldades como ele. É uma mensagem de esperança”, afirma a documentarista Tetê Moraes, que acompanha os passos do estudante desde o nascimento e recentemente fez um curta-metragem sobre o filho de Rose.

Consciente de seu papel histórico para o MST, o futuro médico busca inspiração na própria história para honrar a peleja de Roseli. Com o filho nos braços, em um depoimento do filme Terra para Rose, ela dizia: “Espero que quando ele (Marcos) estiver grande, tudo isso não seja em vão. Que ele tenha um futuro melhor”.


Fonte: Revista Carta Capital (18/05/2010)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Feira Camponesa, um pedaço do campo no coração de Maceió

Encerra hoje às 23h a 12ª edição da feira que é promovida pela CPT-AL


Texto: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL


Nesta sexta-feira (11.06) será encerrada às 23h a 12ª Feira Camponesa na Praça da Faculdade em Maceió. O projeto existe há sete anos, é uma iniciativa da Comissão Pastoral da Terra e conta com o apoio do Governo de Alagoas e a Misereor, uma instituição católica alemã.

No local, os visitantes além de comprar alimentos livres de agrotóxicos e animais, ainda conferiram uma exposição fotográfica com 25 fotos sobre a história de resistência de 28 famílias camponesas que foram convidadas a morar nas terras do Deputado Federal Benedito de Lira e depois de dois anos produzindo na roça foram expulsas, e hoje vivem embaixo da lona e dividindo a água com os animais em outra fazenda de Major Isidoro.

Também teve a rádio-poste “Caminho da Roça” com notícias, entrevistas e músicas; e a casa de farinha uma das principais atrações, que realiza todo o processo artesanal da farinha e produz o beiju na hora. Foram comercializados cerca de 450 beijus e três farinhadas cada uma com 25k em média.

A feira gera renda para as famílias camponesas, mas também dar visibilidade à produção agropecuária e ressalta a importância da reforma agrária. A partir das 19h tem a festa de encerramento com o bingo de um carneiro e as atrações culturais como o Araçá Trio e Banda que é de São Paulo e Joelson dos oito baixos, um dos grupos de forró mais conhecidos de Alagoas.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

CUT participa da 12ª Feira Camponesa

Por: Emanuelle Vanderlei - Assessora de Comunicação da CUT-AL


Sempre parceira dos movimentos pela reforma agrária e pelos direitos dos trabalhadores, a Central Única dos Trabalhadores de Alagoas se orgulha de, mais uma vez, participar da feira camponesa, realizada pela CPT.

O evento é mais uma prova da importância e do potencial que os agricultores rurais tem de produzir produtos de qualidade com sustentabilidade.

Além do apoio à realização da feira, a Central está presente na programação da rádio-poste caminho da roça, com o programa Espaço Sindical, que vai ao ar às 16h15 dos dias 10 e 11 de junho.

Esta é a 12ª edição da Feira camponesa, um dos projetos mais expressivos da Comissão Pastoral da Terra (CPT-AL), que há sete anos promove a integração entre o homem do campo e a cidade.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Feira Camponesa valoriza tradição rural e artistas locais

De 09 a 11 de junho, das 19 às 23h, acontecem várias atrações culturais na Praça da Faculdade


Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL


A Feira Camponesa é uma iniciativa da Comissão Pastoral da Terra (CPT-AL), busca dar visibilidade à luta campesina, assim como, mostrar a produção cultural alagoana. De 09 a 11 de junho, será realizada na Praça da Faculdade a 12ª edição, que conta com o apoio da instituição alemã Misereor e do Governo de Alagoas.

O projeto existe há sete anos, tornou-se uma referência no calendário cultural além de atrair um público heterogêneo, das mais diversas idades de Alagoas e até de outros estados. Todos os anos são promovidas duas edições na Praça da Faculdade, nos meses de junho e outubro, e a de junho é o evento que abre os festejos juninos na cidade de Maceió.

A partir das 19h, sobem ao palco grupos alagoanos trazendo música de qualidade e excitando os casais a dançar o autêntico forró pé-de-serra. Dentre as atrações da 12ª Feira Camponesa está o Trio Nó Cego, que já se tornou uma tradição no evento, e nesta edição tocará em dois momentos.

O nosso grupo possui nove anos de existência, produzimos nove CDs e dois DVDs, e já mostramos o nosso trabalho em quatro feiras. Essa é uma oportunidade maravilhosa, porque as pessoas vão comprar alimentos de qualidade e aproveitam para curtir o nosso som, assim todo mundo sai ganhando, os feirantes, os músicos, organizadores e os próprios visitantes”, destacou o músico José Aldo Muniz, conhecido por Lulu, líder do grupo.

Nesta quarta-feira (09.06), terá às 19h30 o Trio Nó Cego e a partir das 21h30, o grupo Malaquias do Forró. A feira se estenderá até sexta-feira, das 6 às 23h, é aberta ao público!

Solenidade de abertura da Feira Camponesa acontece nesta tarde


Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL


A partir das 16h acontecerá a solenidade oficial da 12ª Feira Camponesa na Praça da Faculdade em Maceió. Na ocasião, terá a mística de abertura, os pronunciamentos das autoridades e convidados, além da homenagem póstuma ao ex-Governador de Alagoas Luís Abílio de Souza, primeiro gestor estadual que acreditou no potencial da Feira Camponesa e ampliou a valorização da produção agrícola nas áreas da reforma agrária.

Nesta edição foram montadas 100 barracas no local, e conta com agricultores/feirantes vinculados à CPT-AL oriundos do litoral norte, agreste, zona da mata e sertão alagoano. Estão presentes representantes de 22 áreas dentre acampamentos, assentamentos e entidades parceiras como a Cáritas, Mosteiro da Serra da Catita e a Associação dos Moradores das Microrregiões do Estado de Alagoas (Amigreal).

“É a feira camponesa, um pedaço do campo no coração de Maceió!”

Rádio Caminho da Roça inicia suas atividades

Um dos programas mais expressivos é o "Café Camponês" apresentado por Carlos Madeiro


Texto e fotos: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL


Por volta das 7h desta quarta-feira, os feirantes e visitantes presentes na 12ª Feira Camponesa em Maceió prestigiaram os programas da rádio-poste Caminho da Roça. Essa é a segunda vez que a Comissão Pastoral da Terra faz instalação na Praça da Faculdade com uma programação diversificada, o veículo recebeu inúmeros elogios e tornou-se uma das atrações do evento. Funciona das 7 às 17h, por meio de caixas espalhadas em todo local.

A grade de programação iniciou com o “Momento Espiritual” apresentado pela Irmã Cícera Menezes que também coordena às áreas acompanhadas pela Comissão Pastoral da Terra (CPT-AL) no litoral norte. O tema de hoje abordou a luta campesina e a importância nacional pelo Limite da Propriedade da Terra, que defende a distribuição justa das terras e ampliação da produção agropecuária.

Em seguida, teve o “Café Camponês” sob o comando do jornalista e radialista Carlos Madeiro. A convidada de hoje foi a engenheira agrônoma Heloísa Amaral, coordenadora da equipe técnica que acompanha os trabalhadores rurais nas áreas ligadas à CPT. Ela destacou a importância da Feira Camponesa que dar visibilidade aos produtos agropecuários oriundos dos acampamentos e assentamentos da reforma agrária, também abordou a morosidade do Incra para desapropriar às áreas improdutivas e outros detalhes sobre o cotidiano das famílias camponesas.

Para encerrar a programação matutina teve o programa "Atualidades do campo" que mescla notas informativas, músicas regionais e informações sobre a feira - apresentado pela assessoria de comunicação da CPT. Ainda teve um especial musical com os principais sucessos do rei do baião Luiz Gonzaga. Toda a atividade conta com a assistência técnica do radialista Antônio Balbino dos Santos Silva, que trabalha em uma rádio comunitária no município de Atalaia.

terça-feira, 8 de junho de 2010

12ª Feira Camponesa é aberta nesta quarta-feira

Há sete anos o projeto é executado pela Comissão Pastoral da Terra, que traz um pedaço do campo para o coração de Maceió.


Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL
Foto: arquivo


A partir das seis horas da manhã desta quarta-feira (09.06), as 100 barracas da 12ª Feira Camponesa estarão abertas na Praça da Faculdade em Maceió para vender produtos de qualidade a preços justos. A atividade é uma das mais importantes da Comissão Pastoral da Terra (CPT-AL) e conta com o apoio da instituição alemã Misereor e do Governo de Alagoas.

Durante todo o dia, os visitantes poderão comprar alimentos livres de agrotóxicos como: feijão de corda, batata doce, macaxeira, inhame, banana, laranja, limão, cana caiana, abacaxi, coco, melancia, abóbora, mamão, coentro, couve, alface, chuchu, cebolinha, fava, milho, amendoim, dentre outros. Também terá a venda de animais, mel, doces e artesanato oriundos dos acampamentos e assentamentos da reforma agrária do litoral norte, sertão e zona da mata.

A expectativa dos organizadores é comercializar cerca de 200 toneladas. “A feira demonstra a necessidade dos governos investirem nas famílias camponesas, que são responsáveis pela diversidade da produção dos alimentos colocados na mesa dos alagoanos. Há sete anos estamos proporcionando a integração entre o homem do campo e a cidade, e essa ação é bem aceita pela sociedade”, declarou Carlos Lima, coordenador estadual da CPT.

A solenidade oficial de lançamento acontecerá às 16h com a mística de abertura, os pronunciamentos das autoridades e convidados, além da homenagem póstuma ao ex-Governador de Alagoas Luís Abílio de Souza, primeiro gestor estadual que acreditou no potencial da Feira Camponesa e ampliou a valorização da produção agrícola nas áreas da reforma agrária. Por volta das 19h, iniciam as atrações culturais que impulsionam os artistas locais, e na primeira noite as atrações são: a toada sertaneja, o Trio Nó Cego e o grupo Malaquias do forró.


RÁDIO CAMINHO DA ROÇA

Com uma infra-estrutura diferenciada comparado aos demais eventos desta natureza, a feira camponesa possui vários atrativos como a casa de farinha onde é feita de forma artesanal a farinha e o beiju; o restaurante camponês com refeições nordestinas; e a exposição fotográfica sobre a luta das famílias camponesas de Major Isidoro, no sertão alagoano.

Pela segunda vez, terá a instalação da rádio-poste Caminho da Roça, que traz programas diversos das 7 às 17h, com notícias, entrevistas e músicas. No primeiro dia do programa “Café Camponês” que será apresentado pelo jornalista Carlos Madeiro das 7h45 às 8h30, tem como convidada Alessandra Costa, Superintendente Adjunta do Incra-AL, que enfatizará os créditos destinados aos trabalhadores rurais. O evento segue até sexta-feira e é aberto ao público, prestigie!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

INCRA de Alagoas não consegue fazer reforma agrária

O Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) ocupou na manhã desta segunda-feira o prédio onde fica o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) em Alagoas.

O objetivo da ocupação é pressionar a instituição a executar de forma rápida e séria as demandas apresentadas a mais de cinco anos pelos trabalhadores e trabalhadoras rurais coordenadas pelo movimento no Estado de Alagoas.

Para o MLST a situação de espera, falta de compromisso e práticas mentirosas que o INCRA oferece aos agricultores é lastimável. É impossível fazer reforma agrária em Alagoas se a instituição continuar sendo comandada por uma gestão trapalhona, sem compromisso e que usa da mesma como, escritório eleitoral, tornando por muitas vezes ou quase sempre, sua ação meramente eleitoreira e com uma direção já determinada. E os trabalhadores continuam a espera de solução para suas demandas, que nunca chega.

O MLST espera sair convencido de que o grupo que comanda atualmente o INCRA, possa realmente encaminhar de forma executiva e séria todas as questões trazidas para esta mobilização.


Fonte: Coordenação Estadual do MLST

sábado, 5 de junho de 2010

Nota de falecimento: Companheira do MST-AL


O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) informa com pesar o falecimento da companheira Maria das Dores de Barros Silva, a Dorinha. Ela e seu companheiro José Carlos Silva sofreram um acidente ontem, num rio em União dos Palmares e, embora ele tenha se salvado, Dorinha não resistiu. O MST está preparando as homenagens para saldar a vida militante de Dorinha, membro da direção estadual do Movimento, pela brigada Quilombo, na região do Vale do Mundaú. O funeral se realizará às 7h30 deste domingo (06/06), no Cemitério Municipal de União dos Palmares.


Fonte: Ascom MST-AL

sexta-feira, 4 de junho de 2010

CPT realiza 12ª Feira Camponesa na próxima semana


A atividade já faz parte do calendário cultural alagoano há sete anos, e busca promover a integração entre o homem do campo e a cidade.


Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL
Foto: arquivo


De 09 a 11 de junho, acontecerá a 12ª Feira Camponesa das 6 às 23h, na Praça da Faculdade em Maceió. Esse é um dos projetos mais expressivos da Comissão Pastoral da Terra (CPT-AL), que há sete anos promove a integração entre o homem do campo e a cidade. A atividade conta com o apoio da instituição alemã Misereor e do Governo de Alagoas.

Ao todo estarão no local 100 barracas padronizadas, onde comercializarão aproximadamente 200 toneladas de alimentos livres de agrotóxicos como: macaxeira, banana, laranja, cana caiana, abacaxi, melancia, abóbora, mamão, coentro, couve, alface, cebolinha, feijão, milho, dentre outros. Também terá a venda de animais, mel, doces e artesanato oriundos dos acampamentos e assentamentos da reforma agrária do litoral norte, sertão e zona da mata.

A feira é um espaço fundamental para mostrar os resultados da luta campesina, destacar a importância da reforma agrária e garantir a eliminação dos atravessadores. É o momento que a sociedade tem contato direto com os agricultores que são os próprios feirantes, além de comprar produtos saudáveis a preços justos”, destacou Heloísa Amaral, engenheira agrônoma e coordenadora da equipe técnica que orienta os trabalhadores rurais das áreas acompanhadas pela CPT.

Todos os anos, os organizadores investem na infra-estrutura do evento, com a instalação da casa de farinha, restaurante camponês e a montagem do palco, onde todas às noites possuem atrações culturais. Neste ano, conta ainda com uma exposição fotográfica sobre a luta das famílias camponesas de Major Isidoro e pela segunda vez terá a instalação da rádio-poste Caminho da Roça, que traz programas diversos das 7 às 17h, com notícias, entrevistas e músicas. A atividade é aberta ao público, prestigie!

Confira a programação cultural:

09/06/10 (quarta-feira)
16h - Abertura oficial
19h - Toada sertaneja
19h30 - Trio Nó Cego
21h30 - Malaquias do forró

10/06/10 (quinta-feira)
19h - Trio Nó Cego
21h - Pinóquio do Acordeon

11/06/10 (sexta-feira)
19h - Araçá Trio e Banda
20h30 - Bingo de um carneiro
21h - Joelson dos oito baixos

Situação do acampamento Bosque 2 pode ser definida hoje

Na última terça-feira, cerca de 200 policiais estiveram no local para fazer a reintegração de posse, que depois foi adiada por oito dias


Por: Helciane Angélica- Jornalista/CPT-AL


Na manhã desta sexta-feira (04.06) acontece na sede da Vara Agrária uma audiência para discutir a realidade das famílias camponesas no Acampamento Flor do Bosque II em Messias, que é apontado como uma referência no Estado. O juiz agrário substituto Ferdinando Neto convocou os trabalhadores rurais, proprietária do imóvel rural, coordenadores da Comissão Pastoral da Terra (CPT-AL) e representantes do Incra-AL para mediar o acordo.

A área possui 120 hectares que foram abandonados pela usina falida Bititinga e atualmente encontra-se explorada pela Usina Santa Clotilde, porém, legalmente ela não detém de nenhum poder. A verdadeira proprietária do imóvel, Amarides Henrique de Araújo já apresentou o auto de arrematação, que confirma o poder de compra no dia 04 de dezembro de 2009, além disso, também informou que já efetuou a primeira parcela de pagamento. E no último dia 28 de maio, a Juíza de Messias, Marclí Guimarães de Aguiar encaminhou a carta de intimação para a proprietária comparecer e receber os documentos necessários que legalizam a transferência.

Diante disso, foi protocolado o pedido de suspensão da liminar de reintegração de posse e a proprietária se colocou a disposição para negociar o imóvel com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra-AL) e beneficiar as famílias. O acampamento existe há três anos, onde as 17 famílias camponesas moram em casas de alvenaria com energia elétrica, distribuídas em lotes de cinco hectares e desde o ano passado possuem uma associação para melhorar ainda mais a infra-estrutura. Mesmo assim, 200 policiais militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), e também, do Gerenciamento de Crises da Polícia Militar estiveram na terça-feira no local para efetivar o despejo dos trabalhadores rurais.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Reintegração de posse é suspensa por oito dias


A verdadeira proprietária do imóvel Amarides Araújo solicitou o pedido de suspensão da liminar e quer negociar com o Incra-AL


Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL


A reintegração de posse no Acampamento Flor do Bosque II distante 15 km da cidade de Messias na zona da mata alagoana, foi suspensa pelo Coronel Robson do Gerenciamento de Crises da Polícia Militar. E nesta sexta-feira (08.06) às 8h ficou agendada uma audiência na sede da Vara Agrária – localizada na Rua Alcino Salgado, 13, Centro de Maceió-AL (ao lado do Riacho Salgadinho) – com a presença dos coordenadores da Comissão Pastoral da Terra, representantes dos trabalhadores rurais e proprietária do imóvel rural.

Os 120 hectares foram abandonados pela usina falida Bititinga e atualmente encontra-se explorada pela Usina Santa Clotilde, porém, legalmente ela não detém de nenhum poder. Hoje a verdadeira proprietária do imóvel, Amarides Henrique de Araújo apresentou o auto de arrematação, que confirma o poder de compra no dia 04 de dezembro de 2009, além disso, também informou que já efetuou a primeira parcela de pagamento. E no último dia 28 deste mês, a Juíza de Messias, Marclí Guimarães de Aguiar encaminhou a carta de intimação para a proprietária comparecer e receber os documentos necessários que legalizam a transferência. Diante disso, foi protocolado um pedido de suspensão da liminar de reintegração de posse e se colocou a disposição para negociar o imóvel com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra-AL) e beneficiar as famílias.

O acampamento é apontado como uma referência no Estado. Há três anos vivem 17 famílias camponesas que moram em casas de alvenaria com energia elétrica, foram distribuídas em lotes de cinco hectares e desde o ano passado possuem uma associação para melhorar ainda mais a infra-estrutura. Mesmo assim, 200 policiais militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), e também, do Gerenciamento de Crises da Polícia Militar estiveram hoje no local para efetivar o despejo dos trabalhadores rurais.

Homens do BOPE chegam ao acampamento modelo

Uma ordem judicial emitida pelo Juiz Ayrton Tenório da Vara Agrária, determinou para hoje a reintegração de posse do acampamento Flor do Bosque II


Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL


Cerca de 200 policiais militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), e também, do Gerenciamento de Crises da Polícia Militar chegaram a poucos instantes no acampamento Flor do Bosque II, distante 15 km da cidade de Messias na zona da mata alagoana. Eles estão cumprindo uma ordem judicial emitida pelo Juiz Ayrton Tenório da Vara Agrária, para efetivar a reintegração de posse do imóvel das terras que foram abandonadas pela usina falida Bititinga, e que atualmente encontra-se explorada pela Usina Santa Clotilde.

Há três anos, 17 famílias camponesas que recebem o apoio da Comissão Pastoral da Terra estão vivendo e produzido uma diversidade de alimentos nos 120 hectares. A área é apontada como uma referência no Estado, porque já existem casas de alvenaria com energia elétrica, as famílias foram distribuídas em lotes de cinco hectares e desde o ano passado existe uma associação que busca melhorar a infra-estrutura e intensificar os cuidados com o meio ambiente, inclusive, conseguiram junto à Prefeitura o transporte para levar as crianças até a escola.

O Ouvidor Agrário Estadual do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra-AL), José Carlos Cardoso, tenta a negociação com os proprietários do imóvel, até porque, legalmente as terras não pertencem à Usina Santa Clotilde. Enquanto isso, as famílias continuarão reivindicando seus direitos e resistirão no local, pois já possuem a infra-estrutura necessária para ser transformado em assentamento e também porque não têm para onde ir.