quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Trabalhadores rurais debatem sobre o Limite da Propriedade da Terra

Texto: Helciane Angélica
Fotos: Alexsandra Timóteo


Nos dias 02 e 03 de agosto, ocorreu uma Jornada Pedagógica em defesa dos direitos dos canavieiros – Pelo Limite da Propriedade da Terra no município de Messias localizado na zona da mata alagoana, tendo como ponto de encontro a Escola Estadual Judithe Nacimento. A atividade foi promovida pela Comissão Pastoral da Terra de Alagoas (CPT-AL) e contou com a presença de 50 trabalhadores rurais oriundos da zona da mata, litoral norte e sertão.

A atividade de formação contou com a consultoria do historiador e sociólogo Sávio Almeida da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), que ministrou uma palestra sobre a Análise de conjuntura da luta pela terra em Alagoas. O professor destacou que o mais importante para os portugueses não era escravizar os índios e sim polarizar as terras, e sim, ter lucro com isso. Eles não descobriram o país, nem a nação, descobriram as terras e tinham que arrumar uma forma de ficarem com elas e retirar o maior lucro possível. Também afirmou que aqueles quem mandam em Alagoas são extremamente inteligentes, porque conseguiram manter a posse durante anos e anos – atualmente, existem 24 famílias dominantes.

Na visão do palestrante, um dos acontecimentos mais importantes no século XX e XXI foi a existência dos assentamentos, como uma possibilidade eficaz de interferência na luta pela terra. “Hoje já começa a existir uma nova geração de sem terra, as crianças e os jovens que estão nos acampamentos e assentamentos. Somos a única forma de trazer democracia para este sistema capitalista dominante, por que somos o único instrumento para poder quebrar essa estrutura dominante”, afirmou o palestrante.

Na terça-feira à noite, o ativista Helcias Pereira do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô – entidade do movimento negro alagoano que faz parte dos Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNS) – desenvolveu um momento reflexivo em Memória do Mártir Zumbi, para explanar sobre a resistência negra e a luta pela terra no Quilombo dos Palmares.

Na programação, os participantes também foram divididos em grupos de trabalho para aprofundar a discussão, analisar as ações realizadas e planejar as estratégias de ação. Além disso, ocorreram vários momentos místicos e foi apresentado o vídeo da Campanha do Limite da Propriedade da Terra e explanações sobre a importância do Plebiscito Nacional.

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