quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Centenas de pessoas participam do Grito dos Excluídos em Alagoas

A mobilização sócio-política também foi de solidariedade às famílias vítimas da enchente ocorrida em junho deste ano


Texto e fotos: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL



“Onde estão nossos direitos? Vamos às ruas para construir um projeto popular” esse foi o tema do 16° Grito dos Excluídos e Excluídas em todo o Brasil. No estado de Alagoas, a escolha do local não poderia ter sido melhor, ocorreu no município de Murici, localizado na região da zona da mata e foi um dos mais devastados pela enchente, que deixou centenas de desabrigados.

A atividade teve início na rodoviária da cidade que fica ao lado dos galpões onde as famílias estavam alojadas, por coincidência ou não, todas elas foram retiradas juntamente com seus pertences durante a madrugada e transferidas para as barracas cedidas pelo Governo. Os manifestantes seguiram em caminhada até o novo acampamento e na comunidade chamada Portelinha vinculada ao Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), com 351 famílias que estão no local há três anos, sem acesso à educação, água imprópria, postos de saúde e energia escassa.

Esse foi um momento essencial para conhecer melhor a realidade da população e ouvir depoimentos de vários moradores, que estão vivendo em condições subumanas e sem perspectiva de melhorias. “O nosso governador primeiramente é Deus, e agora, chegou a hora da nossa cobrança dos políticos. Estamos acampados na escola e dormindo no chão, e nós estamos precisando de ajudar porque a situação tá feia. Eu quero falar para vocês que o tempo da escravidão acabou, mas quando a quentinha chega aqui é às duas ou três da tarde, e a gente só falta desmaiar de fome”, desabafou uma senhora conhecida por Cicera Baixinha.


Missão


Os principais objetivos do Grito é denunciar o modelo político e econômico, que possibilita a concentração de riqueza para alguns e condena milhões de pessoas à exclusão social, miséria e a fome; além de propor caminhos alternativos para desenvolver políticas de inclusão social. “Esse povo ainda está escravo, porque não tem o que fazer, não podem plantar e estão sem as suas casas. Esse grito aqui é por justiça e esse povo merece mais, e a verdade precisa ser mostrada, mas muitos têm medo de se manifestar. É preciso lutar para mudar e vencer, porque este grito não é só de hoje, tem que gritar sempre!” ressaltou Padre Alex Cauchi, integrante da Comissão Pastoral da Terra.

De acordo com o atual Presidente da Central Única dos Trabalhadores de Alagoas, Elpídes Leão de Oliveira, que acompanha o grito desde o início, quando terminava o desfile as pessoas que iam à praia para ver as paradas militares e se divertir não prestavam atenção no grito e era preciso arrumar outras estratégias para dialogar com a sociedade. “Nós começamos a realizar o grito nos bairros como Feitosa, Vergel, Ponta Grossa, Jacintinho e começou a dar resultado. O público que estava prestigiando era justamente aquelas pessoas que estavam passando por dificuldades, eram justamente os excluídos. Nada melhor do que dar o grito de liberdade aqui [Murici] para ajudar essas pessoas e dizer que elas devem ter esperança e continuar lutando. A gente tem que dizer para os desabrigados reivindicarem seus direitos, e que essa luta não é só deles, mas sim de todos! Essas pessoas só vão conseguir se a sociedade der a sua parcela de contribuição, então, vamos às ruas porque é um comprometimento moral e dizer que estamos aqui e eles têm o nosso apoio!”, afirmou.

No trajeto da caminhada também esteve o Estádio Municipal José Gomes da Costa que está servindo de abrigo para 56 famílias, mas que podem ser expulsas para as atividades esportivas do time local sejam retomadas. O encerramento aconteceu por volta de meio dia em frente à Igreja Matriz de Santa Tereza com uma benção final. Estiveram presentes vários integrantes das pastorais sociais (Comissão Pastoral da Terra, Criança, Idoso, Favelas, PJMP), padres, religiosas, representantes de paróquias, CEBS, Cáritas, Renovação Carismática Católica, partidos de esquerda, Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sindicato dos Urbanitários, Sinteal, estudantes, trabalhadores rurais e moradores da cidade.

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