quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Mobilização pela qualidade de vida no campo continua nesta quarta-feira

Camponeses e camponesas que recebem o apoio da CPT-AL estão desde segunda-feira em Maceió reivindicando seus direitos em diferentes órgãos públicos


Texto e foto: Helciane Angélica - Jornalista / CPT-AL



Cerca de 600 camponeses e camponesas que recebem o apoio da Comissão Pastoral da Terra participam hoje (22.09) às 9h, de uma audiência com o Ouvidor Agrário Estadual e técnicos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra-AL) na sede da Vara Agrária. A ação faz parte da Mobilização Estadual pela qualidade de vida no campo, que teve início na segunda-feira e exige condições dignas de sobrevivência nos acampamentos e assentamentos.

Essa mobilização é para relembrar os compromissos das instituições assumidos há algum tempo e que estão demorando para serem resolvidos. Mais uma vez, estamos saindo com uma perspectiva e a pauta mais extensa será tratada com o Incra, mas só o tempo dirá quando terá solução. As demandas das famílias não param, estão lá acontecendo e a sociedade precisa saber os problemas enfrentados”, destacou Carlos Lima, coordenador estadual da CPT.

Dentre os pontos a serem debatidos com o Incra destacam-se: a demarcação de lotes em assentamentos que já existem há mais de dois anos; medição de agrovilas; estradas de acesso deficientes em muitas áreas, inclusive, existe a dificuldade de transitar com moto ou a cavalo no período chuvoso e as pessoas precisam caminhar por várias horas; ampliação da distribuição de água potável; investir nas condições de moradia, educação e saúde; e ampliar as vistorias.

Outra importante reivindicação é a regularização das terras liberadas para as famílias acampadas que estão obtendo uma boa produção e investindo na criação de animais, a exemplo do Acampamento Bota Velha que tem famílias há dez anos resistindo em barracas de lona e em casas de pau-a-pique. Atualmente, a Justiça concedeu ordem de despejo para 186 famílias nos acampamentos Gitiana, Baixa Funda e Pachamama situado nas áreas da antiga Usina Utinga Leão. Além disso, também estão sendo ameaçadas de despejo as 17 famílias do Acampamento Flor do Bosque II que existe há três anos, é considerada uma área modelo porque já possui energia elétrica, lotes divididos, casas de alvenaria e uma produção agrícola diversificada. Todas essas áreas estão na Zona da Mata, região que possui o poder do monocultivo da cana de açúcar.

A alta sociedade só faz as coisas na pressão e se a gente acomodar, aí que as coisas não acontecem. Por isso, que a gente precisa se unir, ter esse apoio da CPT para conseguir realmente os nossos direitos”, defendeu a agricultora Josefa Maria da Silva, do assentamento Dom Helder Câmara em Murici. Os trabalhadores rurais pernoitaram na sede do Incra e montaram acampamento na Praça Sinimbu, no Centro de Maceió, e a mobilização prossegue até o final do dia.

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