sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Camponeses participam de Encontro das Diretorias

O Encontro existe desde 2008, é a oportunidade dos camponeses compartilharem experiências e tirar suas dúvidas quanto às ações burocráticas das associações de assentamento


Texto: Helciane Angélica – jornalista/ CPT-AL
Fotos: Fábio Calado – técnico agrícola



Nos dias 27 e 28 de outubro, aconteceu mais um Encontro das Diretorias das Associações de Assentamentos acompanhados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT-AL), no Balneário do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas (Sinteal) localizado no bairro de Riacho Doce em Maceió. Estiveram presentes assentados, acampados e os técnicos agrícolas.

As atividades tiveram início com a realização de uma mística, reflexão bíblica e a apresentação dos 35 participantes oriundos do sertão, zona da mata e litoral norte. Foi mais uma oportunidade deles compartilharem suas experiências e falar sobre a produção agropecuária nas áreas acompanhadas pelo projeto ATES – Assistência Técnica, Ambiental e Social – que é um convênio firmado entre a CPT-AL e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra-AL).

Também ocorreu a formação sobre a questão burocrática nas associações, e de acordo com Heloisa Amaral, Engenheira Agrônoma e Coordenadora da Equipe Técnica que acompanha as famílias camponesas, as orientações têm contribuído para o protagonismo das Diretorias.

Essa ação já existe desde 2008 e até agora já fizemos cinco encontros. A partir deles, algumas associações conseguiram melhorar as tarefas cotidianas da Presidência, Secretaria, Tesouraria e Conselho Fiscal. E um exemplo importante foi a construção das casas no Assentamento Irmã Dorothy em Porto de Pedras, onde todos os encaminhamentos técnicos para adquirir o crédito foram feitos por eles, sem qualquer interferência da CPT ou dos técnicos. Além disso, nesses encontros é possível aprofundar temas importantes como a discussão sobre a criação de uma cooperativa”, afirmou Heloisa.


Lote Modelo

Na quinta-feira (28) os participantes do Encontro de Diretorias visitaram o Assentamento Flor do Bosque em Messias, para conhecer a área onde será construído um lote modelo que terá dez hectares. No local, pretende-se aplicar a fruticultura, horticultura, culturas anuais (milho, feijão, inhame, macaxeira) e a criação de animais, além disso, terá um viveiro de mudas e o objetivo de contribuir para o treinamento quanto às normas técnicas desses espaços para o desenvolvimento agropecuário.

DESAPROPRIAÇÃO JÁ!


Fazenda Improdutiva “BOM DESTINO”

São Miguel dos Milagres/AL (Brasil)

Apoio às 20 famílias e em busca da verdade!




A fazenda BOM DESTINO situada no município de São Miguel dos Milagres (AL), era uma área destinada para a Reforma Agrária. Foi indicada pelo próprio Instituto Nacional de Colonização da Reforma Agrária (INCRA) para às diversas famílias acampadas na região em vários acampamentos. É uma terra que está em estado de abandono nos últimos 10 anos, e segundo a própria vistoria do INCRA é uma propriedade considerada IMPRODUTIVA. A partir daí criou-se uma expectativa para os camponeses durante cinco anos – tempo que não foi desapropriada nenhuma área no litoral norte alagoano.

No ano passado foi colocada de forma fria numa audiência no INCRA que a fazenda Bom Destino não será mais destinada à reforma agrária, sem maiores informações. A partir daí as famílias que estavam esperando a imissão de posse do local prometido, ocuparam a área e a casa grande. A casa estava totalmente abandonada assim como a terra, inclusive existia uma escola ao lado que foi totalmente destruída como resultado do tempo de esquecimento.

Depois de sete meses de ocupação e o total desinteresse dos proprietários, foi quando chegou a primeira ordem de despejo. Em maio de 2010 durante uma audiência de conciliação descobriu-se parte da verdade, o INCRA realizou um acordo com o proprietário se comprometendo em abandonar o caso. TUDO FOI NA CALADA DA NOITE E EM NENHUM MOMENTO A CPT E OS CAMPONESES FORAM INFORMADOS!

Outras três audiências foram marcadas sede do INCRA para discutir sobre o arquivado do processo. As duas primeiras não ocorreram porque o superintendente regional viajou sem avisar as partes interessadas. A terceira na presença dos camponeses, o superintendente perguntou de qual área estávamos falando que desencadeou um conflito... NUNCA O INCRA EXPLICOU O PORQUÊ DO ACORDO E O ARQUIVAMENTO DO PROCESSO DE DESAPROPIAÇÃO, apesar de tantos gastos neste processo.

O INCRA apenas assumiu o compromisso de executar uma nova vistoria. Inacreditavelmente, a nova vistoria apresentou como resultado que a terra era produtiva. No dia 13 de outubro de 2010, durante o 1º Seminário Nacional de Capacitação em Direito Agrário em Alagoas, sem aviso prévio como de práxis, os camponeses e a CPT foram surpreendidos com a ordem de despejo.

Graças a presença de Dr. Gercino Filho – ouvidor agrário nacional, em Alagoas, fez a intermediação para a não realização do despejo, além admitir que o INCRA NACIONAL deverá revisar este processo extremamente complicado.

Também nesta área e na casa grande, a Arquidiocese de Maceió esta planejando a implantação de um projeto denominado “Casa NINHO” – uma casa de apoio para as crianças e adolescentes em situação de risco ou com problemas familiares.

Porém o Juiz Agrário de Alagoas, Ayrton Tenório, já remarcou a reintegração de posse para o dia 03 de novembro, inclusive, com o uso de força física em caso de resistência. (Clique na imagem para visualizar o documento)

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Questão agrária: “O que está em jogo é a disputa de concepção de mundo”


Entrevista

A região Nordeste chega a concentrar cerca de 50% do campesinato do país. É sob esta região que o professor da Universidade do Ceará e colaborador da CPT no estado, José Levi Sampaio, analisa os desafios da luta pela terra, em entrevista à Comissão Pastoral da Terra – Regional NE II, durante o II Seminário Nacional do Laboratório de Estudos sobre Espaço e Cultura, realizado entre os dias 27 e 30 de setembro, na UFPE. O professor ressalta que “para resolver a questão agrária, nós precisamos, além da Reforma Agrária, fortalecer os processos culturais, dentre eles, os saberes locais, entendendo como se constroem o conhecimento da realidade das comunidades”.

Neste contexto, o professor afirma a importância de que as organizações e movimentos sociais aprodunfem a discussão sobre outros elementos, como a questão da água e da luta pelos “direito ao trabalho, à cidadania, direito de participar, interferir, de agir politicamente para que os cidadãos envolvidos em todas essas lutas de que estamos falando sejam cada vez mais fortes”. E finaliza: "Temos dois mundos em disputa constante e ininterrupta e nós precisamos fortalecer aqueles que estão buscando, não os recursos como forma de enriquecimento, de ampliação da riqueza, mas a melhoria da qualidade de vida, da saúde, da educação, da cultura."

Confira abaixo a entrevista:


CPT NE II - O Nordeste é a região do pais que concentra cerca de 50% do campesinato do país. Como o senhor vê a questão da luta pela terra, pela Reforma Agrária nesta região, considerando também os outros tantos elementos que não apenas a conquista pela terra, como a educação do campo, a cultura camponesa etc.?

José Levi - Quando falamos da questão agrária vem de imediato em nossa cabeça a Reforma Agrária. A Reforma Agrária é um dos pontos centrais da questão agrária nacional. Mas para resolver essa problemática, nós precisamos, além da Reforma Agrária, fortalecer os processos culturais, dentre eles, os saberes locais, entendendo como se constroem o conhecimento da realidade das comunidades. Ao mesmo tempo, também precisamos fortalecer os processos de educação formal, que ela venha com outro caráter, na perspectiva de educação do campo. Precisamos valorizar o que existe e criar novos valores, porque não somos estáticos no tempo, a sociedade muda, a comunidade muda, as tecnologias mudam e precisamos acompanhar esses novos processos, com nova mentalidade. Temos que interferir nos processos técnicos, porque as técnicas têm o poder de interferir nos processos produtivos e geram hoje uma produtividade voltada para o mercado.

Os que fortalecem a luta pela terra defendem que a técnica seja voltada para atender as necessidades básicas da Soberania Alimentar da população, não só para comunidade em si, mas para o mundo. É nesta perspectiva que a Reforma Agrária deve vir. Além da Terra, precisamos também aprofundar a discussão sobre outros elementos, como a água. Sem a água não podemos produzir nada, não teremos vida. A biodiversidade sem água não existe, precisamos discutir o direito ao acesso à água e garanti-la para todas as comunidades. Outra luta que precisamos enfrentar é a luta pelos Direitos. Direito ao trabalho, à cidadania, direito de participar, interferir, de agir politicamente para que os cidadãos envolvidos em todas essas lutas de que estamos falando sejam cada vez mais fortes. Se nós não tivermos esse conjunto de forças atuando não teremos a Reforma Agrária.

Feito essas colocações, verificamos que no Nordeste, a luta tem sido continua, tanto na CPT, quanto em outras organizações que contribuem com os movimentos sociais que atuam na região. Sendo que estes, por vezes, ocorrem e atuam de forma fragmentada, dando a impressão de fragilidade, no entanto, as redes sociais na atualidade conseguem fazer boa interação entre as diversas manifestações na região. Cabe salientar que a unidade das lutas regionais necessita de maior costura política. Vejo, portanto que a Reforma Agrária no Nordeste e outras regiões do país não se dará apenas distribuído a terra concentrada, como afirmamos acima.


CPT NE II - O senhor não acha que isso está muito mais claro agora do que há certo tempo atrás? Em muitos momentos a luta pela terra, a questão do direito à terra foi vista apenas pelo fator econômico, da produção. Os trabalhadores e trabalhadoras, sobretudo no Nordeste, ensinaram a ver a terra com outro olhar, não é o olhar apenas econômico...

José Levi - A realidade é muito rica e o convívio, o relacionamento que vamos estabelecendo com as comunidades, na troca de saberes, nos faz perceber o quanto temos que fortalecer a perspectiva de que as frentes de luta nascem é no seio dos trabalhadores e das trabalhadoras. Nascem, sobretudo, dos que se encontram no campo, porque são aqueles que não têm, que lutam e necessitam da Terra, Água, de Direitos. São também novos elementos, conceitos, lutas que estão aparecendo e temos que dar conta deles, como o meio ambiente, que está constantemente em pauta na atualidade, a questão da transgenia, o próprio conceito da agroecologia, que surge recentemente no seio da questão agrária e que aparece agora politicamente definido como uma frente de luta, principalmente pela questão da Soberania Alimentar.

CPT NE II - Então é esta disputa de lógica de conceber o campo que se situa a questão agrária. De um lado o território do capital que expropria tudo, tanto as pessoas quanto a terra e os recursos naturais. De outro lado, tem um outra forma de vida que é oposto a lógica do capital...

José Levi - É a disputa de concepção de mundo, de como viver no mundo, de como utilizar seus recursos. Temos esses dois mundos em disputa constante e ininterrupta e nós precisamos fortalecer aqueles que estão buscando, não os recursos como forma de enriquecimento, de ampliação da riqueza, mas a melhoria da qualidade de vida, da saúde, da educação, da cultura. Valorizando e fortalecendo aquelas permanências culturais que estão na ativa no campo, para que venham com mais força, se contrapondo ao modelo dominante que é o do agronegócio.




Entrevista realizada pela Comissão Pastoral da Terra - Regional Nordeste II

* José Levi Furtado Sampaio é doutor e professor de Geografia da Universidade Federal do Ceará e colaborador da CPT.


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Comissão Pastoral da Terra - NE II
Setor de Comunicação e documentação
Contatos: (81) 9663.2716/ (81) 3231.4445
comunicacaocptpe@yahoo.com.br
www.cptpe.org.br

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Manifesto de cristãos,evangélicos e católicos pela eleição de Dilma: em favor da vida e da vida em abundância

“Se nos calarmos, até as pedras gritarão!”


Somos homens e mulheres, ministros, ministras, agentes de pastoral, teólogos/as, padres, pastores e pastoras, intelectuais e militantes sociais, membros de diferentes Igrejas cristãs, movidos/as pela fidelidade à verdade, vimos a público declarar:

1. Nestes dias, circulam pela internet, pela imprensa e dentro de algumas de nossas igrejas, manifestações de líderes cristãos que, em nome da fé, pedem ao povo que não vote em Dilma Rousseff sob o pretexto de que ela seria favorável ao aborto, ao casamento gay e a outras medidas tidas como “contrárias à moral”.

A própria candidata negou a veracidade destas afirmações e, ao contrário, se reuniu com lideranças das Igrejas em um diálogo positivo e aberto. Apesar disso, estes boatos e mentiras continuam sendo espalhados. Diante destas posturas autoritárias e mentirosas, disfarçadas sob o uso da boa moral e da fé, nos sentimos obrigados a atualizar a palavra de Jesus, afirmando, agora, diante de todo o Brasil: “se nos calarmos, até as pedras gritarão!” (Lc 19, 40).

2. Não aceitamos que se use da fé para condenar alguma candidatura. Por isso, fazemos esta declaração como cristãos, ligando nossa fé à vida concreta, a partir de uma análise social e política da realidade e não apenas por motivos religiosos ou doutrinais. Em nome do nosso compromisso com o povo brasileiro, declaramos publicamente o nosso voto em Dilma Rousseff e as razões que nos levam a tomar esta atitude:

3. Consideramos que, para o projeto de um Brasil justo e igualitário, a eleição de Dilma para presidente da República representará um passo maior do que a eventualidade de uma vitória do Serra, que, segundo nossa análise, nos levaria a recuar em várias conquistas populares e efetivos ganhos sócio-culturais e econômicos que se destacam na melhoria de vida da população brasileira.

4. Consideramos que o direito à Vida seja a mais profunda e bela das manifestações das pessoas que acreditam em Deus, pois somos à sua Imagem e Semelhança. Portanto, defender a vida é oferecer condições de saúde, educação, moradia, terra, trabalho, lazer, cultura e dignidade para todas as pessoas, particularmente as que mais precisam. Por isso, um governo justo oferece sua opção preferencial às pessoas empobrecidas, injustiçadas, perseguidas e caluniadas, conforme a proclamação de Jesus na montanha (Cf. Mt 5, 1- 12).

5. Acreditamos que o projeto divino para este mundo foi anunciado através das palavras e ações de Jesus Cristo. Este projeto não se esgota em nenhum regime de governo e não se reduz apenas a uma melhor organização social e política da sociedade. Entretanto, quando oramos “venha o teu reino”, cremos que ele virá, não apenas de forma espiritualista e restrito aos corações, mas, principalmente na transformação das estruturas sociais e políticas deste mundo.

6. Sabemos que as grandes transformações da sociedade se darão principalmente através das conquistas sociais, políticas e ecológicas, feitas pelo povo organizado e não apenas pelo beneplácito de um governante mais aberto/a ou mais sensível ao povo. Temos críticas a alguns aspectos e algumas políticas do governo atual que Dilma promete continuar. Motivo do voto alternativo de muitos companheiros e companheiras

Entretanto, por experiência, constatamos: não é a mesma coisa ter no governo uma pessoa que respeite os movimentos populares e dialogue com os segmentos mais pobres da sociedade, ou ter alguém que, diante de uma manifestação popular, mande a polícia reprimir. Neste sentido, tanto no governo federal, como nos estados, as gestões tucanas têm se caracterizado sempre pela arrogância do seu apego às políticas neoliberais e pela insensibilidade para com as grandes questões sociais do povo mais empobrecido.

7. Sabemos de pessoas que se dizem religiosas, e que cometem atrocidades contra crianças, por isso, ter um candidato religioso não é necessariamente parâmetro para se ter um governante justo, por isso, não nos interessa se tal candidato/a é religioso ou não. Como Jesus, cremos que o importante não é tanto dizer “Senhor, Senhor”, mas realizar a vontade de Deus, ou seja, o projeto divino.

Esperamos que Dilma continue a feliz política externa do presidente Lula, principalmente no projeto da nossa fundamental integração com os países irmãos da América Latina e na solidariedade aos países africanos, com os quais o Brasil tem uma grande dívida moral e uma longa história em comum. A integração com os movimentos populares emergentes em vários países do continente nos levará a caminharmos para novos e decisivos passos de justiça, igualdade social e cuidado com a natureza, em todas as suas dimensões.

Entendemos que um país com sustentabilidade e desenvolvimento humano – como Marina Silva defende – só pode ser construído resgatando já a enorme dívida social com o seu povo mais empobrecido. No momento atual, Dilma Rousseff representa este projeto que, mesmo com obstáculos, foi iniciado nos oito anos de mandato do presidente Lula. É isto que está em jogo neste segundo turno das eleições de 2010.


Para assinar este manifesto, acesse http://www.petitiononline.com/manifcri/petition.html


terça-feira, 19 de outubro de 2010

Mais de meio milhão de brasileiros e brasileiras dizem SIM ao limite da propriedade de terra


O Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo entrega hoje à sociedade brasileira o resultado do Plebiscito Popular sobre o Limite da Propriedade, realizado de 1º a 12 de setembro de 2010.

Participaram deste plebiscito 519.623 pessoas, em 23 estados brasileiros e no Distrito Federal. Só não participaram do mesmo, Santa Catarina, Amapá e Acre que optaram por fazer o abaixo-assinado, somente. Eram admitidas à votação pessoas acima de 16 anos, portanto em condições de votar.

Duas foram as perguntas formuladas às quais se devia responder sim ou não.

A primeira: Você concorda que as grandes propriedades de terra no Brasil, devem ter um limite máximo de tamanho?

A segunda: Você concorda que o limite das grandes propriedades de terra no Brasil possibilita aumentar a produção de alimentos saudáveis e melhorar as condições de vida no campo e na cidade?

95,52% responderam afirmativamente à primeira pergunta, 3,52, negativamente, 0,63% foram votos em branco e 0,34%, votos nulos.

Em relação à segunda pergunta os que responderam sim foram 94,39%, 4,27% responderam não, 0,89 % foram votos em branco e 0,45%, votos nulos.

Considerando as dificuldades enfrentadas tanto na produção, quanto na distribuição de um mínimo de material, pela falta de recursos e de pessoal disponível; considerando que o Fórum e outras entidades envolvidas não tiveram acesso a qualquer veículo de comunicação de massas; considerando o momento, quando as atenções estão voltadas e os militantes envolvidos nas campanhas eleitorais, pode-se saudar o resultado como muito positivo.

Mais de meio milhão de pessoas se posicionou afirmativamente em relação à necessidade e à conveniência de se colocar um limite à propriedade da terra. Este é um indicador expressivo de que a sociedade brasileira vê a proposta como adequada. É uma amostragem do que pensa boa parcela do povo brasileiro. As pesquisas de opinião ouvem duas ou três mil pessoas e seus dados são apresentados como a expressão da vontade da sociedade!

Mas o que se pode ressaltar como o mais positivo, e que os números não expressam, é todo o trabalho de conscientização que se realizou em torno do plebiscito. Foi desenvolvida uma pedagogia que incluiu reflexão, debates, organização de comitês, divulgação e outros instrumentos sobre um tema considerado tabu, como é o da propriedade privada.

Em quase todos os estados foram realizados debates em universidades, escolas, igrejas e outros espaços em que se pôde colocar a realidade agrária em toda sua crueza. Para muitos, cujo contato com o campo é praticamente nulo, estes debates abriram um horizonte novo no conhecimento da realidade brasileira. Também se pode saudar como fruto precioso deste processo, os inúmeros trabalhos e textos produzidos pela academia sobre o arcabouço jurídico que se formou em torno à propriedade da terra e sobre aspectos históricos, sociológicos e geográficos da concentração fundiária no Brasil. Não fosse a proposta do plebiscito esta reflexão não teria vindo à tona com a força com que veio.

Este ensaio está também a indicar que um Plebiscito Oficial deveria ser proposto para que todos os cidadãos e cidadãs pudessem se manifestar diante de um tema de tamanha importância para o resgate da cidadania de milhões de brasileiros e brasileiras que lutam, muitas vezes sem sucesso, buscando um pedaço de chão onde viver e de onde retirar o sustento. O Fórum vai continuar firme na luta para que seja colocado um limite à propriedade da terra.

A população brasileira também foi convidada a participar de um abaixo-assinado que continua circulando em todo país até o final deste ano. O objetivo desta coleta de assinaturas é entrar com um Projeto de Emenda Constitucional (PEC) no Congresso Nacional para que seja inserido um novo inciso no artigo 186 da Constituição Federal que se refere ao cumprimento da função social da propriedade rural.

Já o plebiscito popular, além de consultar a população sobre a necessidade de se estabelecer um limite máximo à propriedade da terra, teve a tarefa de ser, fundamentalmente, um importante processo pedagógico de formação e conscientização do povo brasileiro sobre a realidade agrária do nosso país e de debater sobre qual projeto defendemos para o povo brasileiro. Além disso, o Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade de Terra veio como um instrumento para pautar a sociedade brasileira sobre a importância e a urgência de se realizar uma Reforma Agrária justa em nosso país.

A proposta da Campanha Nacional pelo Limite da Propriedade de Terra visa pressionar o Congresso Nacional para que seja incluído na Constituição Federal um novo inciso que limite o tamanho da terra em até 35 módulos fiscais - medida sugerida pela campanha do Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo (FNRA).

Além das 54 entidades que compõem o Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo, também promovem o Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra, a Assembléia Popular (AP) e o Grito dos Excluídos. O ato ainda conta com o apoio oficial das Pastorais Sociais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic).



Fonte: Assessoria de Comunicação - Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo

sábado, 16 de outubro de 2010

Rádio Caminho da Roça tem FALA POVO

A rádio existe desde outubro de 2009, com caixas de som espalhadas pela praça


Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL


A rádio-poste Caminho da Roça instalada na Feira Camponesa tem inovado sua grade de programação a cada edição. Teve início em outubro de 2009, mesclando entretenimento com informações para feirantes e visitantes na Praça da Faculdade em Maceió, além de divulgar as promoções e a variedade de produtos.

O programa Atualidades do Campo é apresentado pela jornalista Helciane Angélica e conta com o apoio técnico do radialista Tony Balbino; tem como principal objetivo divulgar notas informativas sobre o desenvolvimento agrário, dicas para aperfeiçoar a agroecologia, informes sobre o evento e intercalando com músicas. Nesta 13ª Feira Camponesa contou com a cooperação do agricultor José Feliciano, conhecido por Saúba, que é do Assentamento Quilombo dos Palmares localizado em São Miguel dos Milagres.

Saúba foi o repórter do programa e realizou o momento FALA POVO percorrendo pela feira em busca de depoimentos dos acampados e assentados, que falaram sobre os desafios em suas áreas para produzir e trazer uma produção diversificada para a capital e as expectativas quanto às vendas. Também abordou alguns visitantes a exemplo dos companheiros Izac Jackson, sindicalista e ex-presidente da CUT-AL; e Helcias Pereira, educador popular e ativista do movimento negro alagoano que deram suas opiniões sobre a importância da feira.


O assentado Joselito também sendo entrevistado pelo agricultor/repórter Saúba


Outros movimentos

A CPT realiza o cadastro e a capacitação dos feirantes para participarem da Feira Camponesa, e também, é comum estarem na lista acampados e assentados ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) e outros.

O assentado Joselito Augusto da Silva, 52, é presença marcante na Feira Camponesa e já participou de onze edições. Há quinze anos, ele mora no Assentamento Zumbi dos Palmares no município de Branquinha, com 123 famílias, e que atualmente não tem um movimento atuando na articulação.

Para esta edição ele trouxe 16.000 laranjas pêra e lima, e dois sacos de inhame, que foi tudo vendidos até o penúltimo dia do evento. “Eu venho para essa feira vender, dançar e está com as pessoas. Eu sou apaixonado por essa feira, e mesmo que eu não ganhe dinheiro, gosto de estar aqui para me divertir”, exaltou Joselito, também chamado por Zelito.

Casa de Farinha apresenta beiju “chapéu de couro” na Feira Camponesa

A CPT é a única que instala uma casa de farinha na praça


Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL



A Comissão Pastoral da Terra (CPT-AL) realiza a Feira Camponesa na capital alagoana há sete anos, nos meses de junho e outubro, e tem proporcionado a integração entre a população urbana e os camponeses oriundos de acampamentos e assentamentos da reforma agrária de várias partes do Estado.

Desde o início da implantação do projeto, um dos seus atrativos é a casa de farinha, que desenvolve de forma artesanal a produção da farinha e do beiju. Os visitantes podem acompanhar todo o processo da farinhada, e fazem filas para esperar o beiju feito na hora.

Nesta 13ª edição realizada de 13 a 16 de outubro na Praça da Faculdade, foram comercializados 400 beijus (unidade por R$1,50) e quatro fornadas de farinha, sendo cada uma com 30 kg. E a novidade deste ano foi o beiju intitulado “chapéu de couro”, com goma de mandioca e coco, sendo assado por baixo da farinha, que tem como resultado uma casca bem crocante e saborosa. Mesmo o preço sendo um pouco mais caro, a partir de R$10, foram encomendadas 22 unidades cada uma pesando em média 900g.

Bastidores: Vendas na 13ª Feira Camponesa

A comercialização iniciava às 6h e seguia até o final da noite, durante a programação cultural

As educadoras que atuam nas Escolas Itinerantes da CPT, e recebem o apoio da CESE, também participaram da Feira












Teve vários tipos doces caseiros, além de rapadura e açúcar mascavo


Todas as garrafas do mel produzido nos assentamentos Todos os Santos e Nossa Senhora da Conceição (Água Branca) foram vendidas














As agricultoras/artesãs do Assentamento Santa Maria Madalena (União dos Palmares) mostraram todo o talento com objetos artesanais produzidos com a palha da taboa.


Dona Zefinha, assentada e cozinheira de mão cheia ... sabe preparar um bom pé-de-moleque, tapioca e beiju

Vários animais para abate e criação: galinhas, patos, perus e ovelhas

Melancia comum e japonesa do Assentamento Irmã Dorothy Stang (Porto de Pedras)

Ovos de galinha de capoeira

Variedade de frutas

O inhame Gereba do Assentamento Dom Helder Câmara (Murici) ... enche os olhos e às panelas dos consumidores

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Ronaldo Lessa participa da Rádio Caminho da Roça

O candidato ao Governo de Alagoas foi o entrevistado do programa Café Camponês na rádio-poste instalada na Feira Camponesa


Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL


O candidato ao Governo de Alagoas, Ronaldo Lessa (PDT) foi o convidado na manhã desta sexta-feira (15.10) da Rádio Caminho da Roça, instalada na 13ª Feira Camponesa, na praça da Faculdade em Maceió. Ele participou do programa de entrevistas Café Camponês, que é apresentado pelo jornalista Carlos Madeiro.


Na entrevista ele destacou as contribuições para o desenvolvimento dos pequenos agricultores durante a sua gestão que durou oito anos, mencionando principalmente a criação do gerenciamento de crises na Polícia Militar de Alagoas, que promoveu a capacitação dos militares sobre os direitos humanos e tornou-se uma referência no país. Informou ainda que no seu Governo, foram iniciados os primeiros passos para a estruturação da Feira Camponesa.

Também demonstrou ser favorável à reforma agrária, o limite da propriedade da terra e às ocupações. “A liberdade não cai do céu, ela se conquista, até porque a nossa Constituição foi moldada pelas elites e a sociedade tem que reivindicar seus direitos. As ocupações de áreas improdutivas e praças são uma maneira de expressar suas manifestações e exigir justiça! Mas, entendo que não deve apenas distribuir terras e depois abandonar os pequenos agricultores”, ressaltou Lessa.


Dentre as suas propostas, informou que tem interesse de implantar um órgão para fortalecer a extensão rural, realizar concurso público para ampliar o número de técnicos e investir em pesquisas. E assumiu o compromisso junto aos feirantes do agreste e sertão em continuar com o Canal do Sertão e garantir a irrigação nos assentamentos. Sobre a resistência campesina demonstrou admiração. “A terra tem que está a serviço da sociedade! (...) E a luta do povo do campo é uma luta que me inspira para continuar trabalhando", afirmou o candidato.