segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Trabalhadores rurais ainda esperam por justiça

O assassino de Jaelson Melquíades permanece foragido e muitos crimes ainda continuam sem resposta da Justiça

Por: Rafael Soriano – Assessor de Comunicação MST/AL


Há cinco anos, no dia 29 de novembro de 2005, o agricultor e dirigente estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na região de Atalaia (45km de Maceió), Jaelson Melquíades voltava de uma reunião no então acampamento Ouricuri 3 – hoje o assentamento carrega seu nome. A ida para o assentamento Timbó, para o almoço com sua mãe, foi interrompida por volta das 14h quando foi abordado por dois pistoleiros. Testemunhas lembram que os dois homens já rondavam a região desde cedo, fingindo problemas com a moto e parando aqui e ali. Quando acertaram o primeiro tiro, Jaelson caiu da moto, indefeso para os outros 4 disparos que seguiram. Com pelo menos um tiro na cabeça, o Sem Terra morreu e seus algozes fugiram.

Cinco anos depois do mais recente assassinato de um líder político no campo alagoano, a impunidade indigna os camponeses em todo o Estado. O mandante nunca foi condenado e os pistoleiros que executaram Jaelson continuam soltos. Este não é o único crime sem resposta contra trabalhadores rurais que lutam por seu direito à terra. Outros casos de lideranças camponesas assassinadas continuam impunes, como a morte de Chico do Sindicato há 15 anos, José Elenilson há 10 anos e Luciano Alves (Grilo) há 7 anos.

Desde 2006, o dia 29 de novembro entrou para o calendário em Alagoas como o Dia Estadual de Luta Contra a Violência e a Impunidade no Campo e na Cidade. Uma semana de mobilizações deve iniciar na manhã desta segunda-feira (29) com um ato-denúncia e celebração religiosa, próximo à rodoviária no centro de Atalaia às 9h. No mesmo dia, milhares de trabalhadores chegarão a Maceió para uma vigília de fé em memória dos mártires da luta pela Reforma Agrária, simbolizando a esperança das cerca de 10 mil famílias do MST em Alagoas na punição dos culpados pelos crimes.

Monumento no local da morte de Jaelson


Lutar não é crime!

Na Zona Rural de Atalaia, no local onde houve a emboscada dos pistoleiros a Jaelson, os educandos da Escola Nacional de Formação do MST, que ocorre no Centro de Formação Zumbi dos Palmares, inauguraram na tarde desta quinta-feira (25) um monumento em homenagem a este lutador que tombou na esperança de ver a terra dividida entre seus irmãos.

Infelizmente, as mortes em Alagoas não são fatos isolados do resto do país. A realidade cruel do campo brasileiro exibe a face mais truculenta da elite fundiária no país: segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), de 2009 até julho de 2010 já se contabilizam 20 assassinatos de trabalhadores rurais e um total de 96 ameaças de morte a lideranças camponesas. A luta por Reforma Agrária é a saída encontrada por milhões de trabalhadores excluídos do acesso aos direitos fundamentais, como alimentação, saneamento, educação, saúde etc. Acreditando que o fim do latifúndio no Brasil abre um novo horizonte de geração de trabalho, soberania alimentar e desenvolvimento para as comunidades, as famílias Sem Terra se organizam para a participação social, pressionando o poder público para que efetive os direitos que lhes são garantidos na Constituição.

Queremos justiça!!!


Audiências

Como conseqüência das mobilizações do início do mês em prefeituras por todo o Estado, o Movimento aproveita sua passagem por Maceió para realizar na tarde desta segunda-feira uma audiência com a Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), na intenção de encaminhar coletivamente as demandas infra-estruturais da Reforma Agrária nas cidades do interior. Ainda, devem ocorrer audiências com o Governo do Estado e reuniões com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para debater e encaminhar demandas de crédito, assentamento de famílias e mais verbas para a política agrária no país.

Igreja e Questão Agrária no Início do século XXI

“É um direito da Igreja Evangelizar o social”; aliás, “este direito é, ao mesmo tempo, um dever, pois a Igreja não pode renunciar a ele sem se desmentir a si mesma e à sua fidelidade a Cristo” e “pela relevância pública do Evangelho e da fé e pelos efeitos perversos da injustiça, vale dizer, do pecado, a Igreja não pode ficar indiferente às vicissitudes sociais”, afirma o nº 71 do Compêndio da Doutrina Social da Igreja.

É com este intuito que foi apresentada à aprovação da 48ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em maio de 2010, a proposta de publicação deste estudo sobre a questão agrária no Brasil. Problema com raízes no século XVI, até hoje sem a devida solução.

Não é a primeira vez que a Igreja no Brasil se debruça seriamente sobre esta temática, seja através da CNBB, seja através de variadas manifestações e debates em suas diversas instâncias ou de apoios a iniciativas em defesa da vida digna para todos, no campo e na cidade.

Neste, como em outros temas, não são as diferenças de posicionamentos que produzem as maiores dificuldades. As diferenças refletem a liberdade da reflexão e a possibilidade de avanço na compreensão crítica e na definição de melhores ações transformadoras que contribuam efetivamente para a redução das profundas desigualdades sociais. O que não podemos é fugir ao debate nem nos omitirmos diante dos clamores do povo pobre, que mais sofre diante dos conflitos no campo e fora dele, e da falta de uma adequada política agrária.

O texto que agora apresentamos não é um Documento da CNBB. Trata-se de um Estudo, fruto do trabalho sério de um grupo de especialistas e de pastores, responsáveis e comprometidos com a causa dos menos favorecidos, enriquecido pelas contribuições dos Bispos, de assessores (as), secretários (as) executivos (as) dos Regionais e representantes de organismos da Igreja no Brasil, presentes na 48a Assembléia Geral da CNBB. Sua publicação tem a finalidade de suscitar o debate e colher sugestões e críticas, tendo em vista o seu aperfeiçoamento. Gostaríamos, portanto, que esse Estudo fosse discutido nas diferentes instâncias da Igreja e da sociedade civil, e que as contribuições fossem enviadas para o e-mail afro@cnbb.org.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , ou para o endereço da CNBB, aos cuidados do Pe. Ari Antônio dos Reis, para serem analisadas e, conforme o caso, incorporadas ao texto.

Agradeço vivamente a todos e todas que colaboraram na elaboração do presente Estudo, feito a muitas mãos. Na esperança de que virá o dia em que a terra será de vida e de paz para todos, confiamos esses esforços aos cuidados de Nossa Senhora Aparecida, mãe e padroeira do Brasil.

Brasília, 10 de agosto de 2010
Festa de São Lourenço, Diácono e Mártir

Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário Geral da CNBB

domingo, 28 de novembro de 2010

Mensagem de Bispos do Regional NE2 - Obras de transposição de águas do Rio São Francisco

“Dar-vos-ei pastores de acordo com o meu projeto.” (Jr 3,15)


Na condição de Bispos do Regional Nordeste 2 da CNBB, sentimos a necessidade de visitar, com um olhar pastoral, as obras de transposição de águas do Rio São Francisco, primeiramente, para conhecermos, de perto, esse empreendimento de grande magnitude que já está mudando o rosto de nossa Região; sabemos que essas obras haverão de incidir, profundamente, na vida de milhões de nossos irmãos e irmãs nordestinos. Motivou-nos também a vontade de exercer, como cidadãos, uma ação de controle social na execução dessa obra, construída com o dinheiro de todos os contribuintes do País. Constituiu razão de nossa visita o desejo ouvir o povo das comunidades, onde passam os canais, para sentir, de viv! a voz, como vive este tempo de mudança.

Nos dias 09 e 10 de novembro de 2010, visitamos os canteiros de obras dos Eixos Leste e Norte da transposição de águas do Rio São Francisco, encontrando-nos com gestores e técnicos governamentais e líderes de algumas das comunidades atingidas pelas obras.

No dia 09 de novembro, fomos acolhidos no canteiro de obras, situado perto da tomada d’água do Eixo Leste, pelo próprio Ministro da Integração Nacional, Dr. João Santana, o qual nos explicou, com muita propriedade e competência, o valor e o alcance do projeto. No dia seguinte, 10, acompanhados por técnicos do Projeto, visitamos as obras do Eixo Norte, em Cabrobó e em Salgueiro. Concluímos o dia encontrando lideranças de algumas das comunidades atingidas pelas obras que nos expuseram suas esperanças, dúvidas e preocupações.

A visita nos ajudou a perceber algumas faces dessa realidade que queremos partilhar:

- O Projeto é uma obra enorme, talvez a maior já realizada no Nordeste. Questionada por segmentos da sociedade, em sua concepção e durante a fase de audiências públicas e de obtenção de autorização de órgãos técnicos, a obra está em execução, tornando-se difícil pensar em sua paralisação.

- O impacto dessa obra já é grande e, quando terminada, deverá ser maior ainda. O “rasgo” feito na caatinga, por onde passam os canais no Eixo Leste, num total de 220 km, e no Eixo Norte, numa extensão de 426 km, é bastante significativo: 200 metros de largura.

- Constatamos muito desperdício da madeira extraída na área dos canais, que está se perdendo porque, em razão de questões burocráticas, o IBAMA não definiu, nem autorizou a sua utilização, legalmente.

- O governo está investindo muitos recursos: não falta dinheiro para a obra.

- A indenização das terras dos moradores das comunidades atingidas, freqüentemente, é irrisória e demorada; a maioria dos pequenos proprietários não possui título legal das terras e a legalização, em Pernambuco, está se processando muito devagar.

- Percebemos que há pouca sinergia entre vários departamentos do governo, tanto federal como estaduais, com impasses sérios na resolução dos problemas concretos que uma obra deste porte levanta, prejudicando quase sempre os mais fracos, a exemplo de pessoas que ainda não receberam as indenizações, por problemas de natureza burocrática.

- As comunidades indígenas, de modo especial, queixam-se de não ter havido um debate sério a respeito da obra e de não terem sido considerados os seus direitos e reivindicações.

- Para os moradores que ficaram com suas terras divididas, existem dificuldades reais para atravessamento dos canais, considerando as distâncias dos locais onde serão construídas as pontes.

- Todos os moradores das localidades próximas às obras da Transposição vivem na incerteza de como e quando poderão retomar seu ritmo de vida, depois da conclusão das obras, ou depois de terem sido reassentados.

- Os trabalhos de revitalização são praticamente inexistentes no trecho do Rio São Francisco de onde saem os dois Eixos da Transposição. Embora não tenham chegado a todas, os trabalhos de saneamento básico constituem exceção, porque estão sendo realizados em muitas cidades da bacia. Estes trabalhos, porém, deveriam ser melhor fiscalizados, pois existem fortes dúvidas quanto à qualidade e à utilidade das obras realizadas em várias cidades.

- Reconhecemos o beneficio da água destinada, de fato, a quem tem mais carência e precisa de melhor qualidade de vida – populações e rebanhos dos Estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.

- Persiste, no entanto, um grande questionamento: além das declarações oficiais, a quem a obra irá beneficiar de verdade? Foi-nos explicado que as águas do canal poderão ser usadas com um sistema de outorga: seria a serviço da agricultura familiar ou do agro-negócio?

- Preocupa-nos, especialmente, a situação dos mais pobres e desamparados, para que não sejam esquecidos ou atropelados por este grandioso Projeto.

- Agradecemos ao Ministério da Integração Nacional, pela atenção, ao acolher-nos, e pela cortesia, ao acompanhar-nos na visita às obras da transposição de águas do São Francisco. Agradecemos aos membros das comunidades que participaram do encontro conosco, pela partilha de sua vida e confiança depositada em nossa missão.

Recife, 24 de novembro de 2010!

sábado, 27 de novembro de 2010

Romaria da Terra aborda: “Menos terra concentrada, mais famílias assentadas”



Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL


O município de Porto Calvo sedia hoje (27.11) a partir das 20h, a 23ª Romaria da Terra e das Águas do Estado de Alagoas. É uma promoção da Comissão Pastoral da Terra (CPT-AL) em parceria com as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), e conta com o apoio da Arquidiocese de Maceió, Central Única dos Trabalhadores (CUT-AL) e da Paróquia Nossa Senhora da Apresentação. Ao todo serão 11km de caminhada, da Comunidade Manganzala até o Assentamento Conceição, e tem como tema central: “Menos terra concentrada, mais famílias assentadas”.

Cerca de 5000 pessoas oriundas de várias partes do Estado e paróquias prestigiarão as apresentações culturais e a Santa Missa às 22h, presidida pelo Arcebispo Dom Antônio Muniz, que também exaltará o lema “400 anos de evangelização: clamando por terra, água e pão”. É um momento de integração entre o campo e a cidade, envolvendo trabalhadores(as) rurais, padres, religiosos(as), representantes de movimentos sociais, leigos e população local.

Após a celebração, os romeiros e romeiras seguirão em caminhada e cantarão músicas religiosas, que também ressaltam a luta campesina e por dignidade de filhos e filhas de Deus. Durante as paradas estratégicas terão reflexões críticas sobre a concentração da terra em poucas mãos e as conquistas dos assentamentos, como sinal de partilha e de pão na mesa dos empobrecidos. A Romaria também é o momento de agradecer ao Senhor da vida a alegria de ter conseguido, com muito esforço e resistência, um lote de terra para plantar e ressaltar a importância da reforma agrária no país.


Confira a programação completa:


Dia 27/11/10 (sábado)

20h00 – Concentração no bairro Mangazala
20h30 – Apresentações culturais
22h00 – Celebração da Santa Missa – Liturgia do dia (presidida por Dom Muniz)
23h45 – Leitura da carta da Associação Pachamama e da Carta da Romaria


Dia 28/11/10 (domingo)

00h05 – Dinâmica
1º Momento: A Terra Mal repartida clama por Tua justiça
2º Momento: Terra Livre, Terra Mãe


Paradas:

1ª Mijada da velha: “Bendita água fonte de vida” (Ez 47,6-12) – Pe. Rogério

2ª Usina Santa Maria: “A concentração de terra é uma ofensa ao projeto de Deus” (Is 5,8-10) – MST

3ª Prainha: Oração e bendito de padre Cícero – CEBs

4ª Trevo da Conceição: “Terra partilhada: sinal da libertação prometida por Deus” (Dt 26,1-11) - CPT

5ª Assentamento Conceição: sorteio da bicicleta, benção final e café da manhã – Padre Roniel


Mais informações: (82) 9127-5773 / 9951-2624 / 9127-0366 / 8840-8479

Refletindo o tema da 23ª Romaria: “Menos Terra Concentrada, Mais Famílias Assentadas”

Por: Carlos Lima
Historiador e Coordenador da CPT-AL


Um velho careca (calvo) construiu um porto no rio... Assim, segundo a lenda, nasceu o nome da cidade de Porto Calvo. Terra de Calabar e a do rei Zumbi. Também foi em Porto Calvo que começou o Cristianismo católico em Alagoas, sob as bênçãos da Virgem da Apresentação, senhora da Igreja e mãe dos empobrecidos, serva de Deus e educadora da fé.

Neste município de muita história e pouca memória, já no século XVI existia como freguesia, fundado por Cristóvão Lins, responsável pela introdução da cana de açúcar e dos primeiros engenhos - Escurial, Maranhão e Buenos Aires - que duraram quatro séculos e foram substituídos pelas atuais usinas.

Para instalar a cultura branca e produzir cana de açúcar, os portugueses e seus representantes tiveram que expulsar os índios de suas terras e utilizar a mão de obra escrava nos canaviais, assim surgia o processo de concentração da terra, sinônimo de riqueza para algumas famílias e de miséria para a população. Este modelo de produção que nasceu em Porto Calvo, se expandiu em todo o Estado adotando a pólvora e a chibata como instrumentos para liberar o caminho de transformar Alagoas num imenso canavial (65% da área cultivada é de cana).

O processo de concentração da terra como uma imposição colonial e uma injustiça praticada em nosso país, criou um abismo social e destruiu a natureza (matas, rios e nascentes). Este duro golpe dado pelas elites contou e conta com o apoio de Instituições, transformando a terra e as pessoas em mercadorias, preservando os patrimônios e desprezando o ser humano. Ofendendo o Criador e a criação.

A CPT acredita e vem trabalhando em Alagoas na organização e mobilização dos empobrecidos do campo para modificar as estruturas e restaurar a criação. Apoiar as ocupações de terra e fortalecer os assentamentos é missão nossa e de todos e todas que acreditam que a terra é um bem comum e social e que deve cumprir a sua função: produzir alimentos sadios em sintonia com a natureza e garantir renda para as famílias camponesas.

Sendo fiel ao Deus libertador, apoiados na memória dos Quilombolas de Palmares e com a proteção de Nossa Senhora da Apresentação, vamos continuar clamando e lutando para que a terra seja partilhada e que mais famílias sejam assentadas.

“Malditas sejam todas as cercas! Malditas todas as propriedades privadas que nos privam de viver e de amar!”

 (Dom Pedro Casaldáliga)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Porto Calvo sedia 23ª Romaria da Terra e das Águas

Ao todo serão 11km de caminhada, da comunidade Manganzala até o Assentamento Conceição


Texto: Helciane Angélica - Jornalista / CPT-AL
Foto: Arquivo


A Comissão Pastoral da Terra de Alagoas (CPT-AL) em parceria com as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) realiza neste sábado (27.11) a 23ª Romaria da Terra e das Águas. Pela primeira vez acontecerá no município de Porto Calvo, distante 91km de Maceió, tem como tema central “Menos terra concentrada, mais famílias assentadas”, e ainda celebrará o lema “400 anos de evangelização: clamando por terra, água e pão”.

A manifestação de fé e resistência conta com o apoio da Arquidiocese de Maceió, Central Única dos Trabalhadores (CUT-AL) e da Paróquia Nossa Senhora da Apresentação. A concentração será às 20h, na comunidade Manganzala onde terão várias apresentações culturais e a Celebração da Santa Missa com a Liturgia do dia, que será presidida pelo Arcebispo Dom Antônio Muniz. Também terá a leitura das cartas da Romaria e da associação italiana Pachamama.

A partir da meia noite, iniciam os momentos reflexivos com os temas: “A Terra Mal repartida clama por Tua justiça” e “Terra Livre, Terra Mãe”, e a grande caminhada de 11 km com paradas estratégicas para aprofundar o tema central até ser concluída no Assentamento Conceição. Aproximadamente 5000 pessoas estarão presentes, dentre eles: trabalhadores(as) rurais, padres, religiosos(as), representantes de movimentos sociais, leigos e população local. No percurso, os romeiros e romeiras cantarão músicas já difundidas nas paróquias, que ressaltam a luta pela reforma agrária e por dignidade de filhos e filhas de Deus. No encerramento, terá o sorteio da bicicleta, benção final e o café da manhã de integração entre o campo e a cidade.

De acordo com o historiador e Coordenador da CPT, Carlos Lima, neste ano quando ocorreu o Plebiscito Nacional pelo Limite da Propriedade da Terra busca-se refletir sobre o processo de concentração da terra que surgiu como uma imposição colonial e é uma injustiça praticada em nosso país, criou-se um abismo social e a destruição da natureza (matas, rios e nascentes). Este duro golpe dado pelas elites contou e conta com o apoio de instituições, transformando a terra e as pessoas em mercadorias, preservando os patrimônios e desprezando o ser humano, além de ofender o Criador e a criação. O município de Porto Calvo é um dos antigos núcleos de povoamento, os indígenas foram os primeiros habitantes, que foram expulsos das suas terras e explorados, e a povoação cresceu em paralelo com a exploração da terra e o desenvolvimento do cultivo de cana de açúcar.


História

A fundamentação bíblica e teológica desta Romaria encontra-se no livro do êxodo, inspira-se na luta dos hebreus que movidos por Javé e liderados por Moisés rompem com a escravidão no Egito e saem numa grande romaria rumo a Terra Prometida, aonde corria leite e mel. É um espaço que reúne os escravizados pelo latifúndio e pelas cercas, que são privados do direito sagrado de ter um pedaço de chão para produzirem alimentos, assim como, é também o momento de agradecer ao Senhor da vida a alegria de ter conseguido, com muita luta, um lote de terra para plantar. Por doze anos, ocorreu na Serra da Barriga em União dos Palmares – símbolo de resistência, igualdade racial e luta pelo território. No ano passado, aconteceu na capital alagoana e fez parte da programação celebrativa dos 25 anos da CPT no Estado.



Mais informações: (82) 9127-5773 / 9951-2624 / 9127-0366 / 8840-8479

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Ônibus serão disponibilizados para Romaria da Terra e das Águas


Por: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL
Foto: Arquivo
Trabalhadores rurais de várias partes do Estado de Alagoas, lideranças dos movimentos sociais e fiéis estão se programando para participar da 23ª Romaria da Terra e das Águas, nos dias 27 e 28 de novembro, no município de Porto Calvo.

Alguns ônibus estarão disponíveis em Maceió para levar os romeiros e romeiras, e para custear  as despesas está sendo cobrada uma taxa no valor de R$ 4,00. As paróquias são: Igreja São Francisco de Assis (Santos Drumond); São José Operário (Trapiche); Imaculada Conceição (Jacintinho); Santa Isabel e São João Batista (Chã de Jaqueira); e Nossa Senhora das Dores (Jacintinho).

Adquira sua camisa da romaria que estão sendo vendidas na sede da Comissão Pastoral da Terra (CPT-AL) por R$10. Leve seu chapéu de palha, água, alegria e participe conosco deste ato de fé, resistência e luta! Mais informações: (82) 3221-8600 ou 9127-5773.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

23ª Romaria da Terra e das Águas acontece no fim de semana


A atividade é uma promoção da Comissão Pastoral da Terra e Comunidades Eclesiais de Base (CEBs)


Texto: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL
Fotos: Arquivo


A Romaria da Terra e das Águas é uma manifestação de fé e resistência que acontece todos os anos em Alagoas, é promovida pela Comissão Pastoral da Terra de Alagoas (CPT-AL) em parceria com as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), e tem o apoio da Arquidiocese de Maceió, Central Única dos Trabalhadores (CUT-AL) e da Paróquia Nossa Senhora da Apresentação. Neste ano acontecerá a 23ª edição nos dias 27 e 28 de novembro no município de Porto Calvo, distante 91km de Maceió, e que tem como tema central: “Menos terra concentrada, mais famílias assentadas”.

A atividade também celebra o lema “400 anos de evangelização: clamando por terra, água e pão” e contará com a presença do Arcebispo Dom Antônio Muniz que presidirá a Santa Missa. Segundo ele, “a romaria já é uma tradição e sempre reflete, à luz do evangelho, questões importantes ligadas ao campo e a cidade. Este ano, vai abordar a concentração da terra em poucas mãos e as conquistas dos assentamentos, como sinal de partilha e de pão na mesa dos empobrecidos. A Romaria é uma celebração coletiva das conquistas e alimento que fortalece a caminhada em busca de uma terra sem males”.

A fundamentação bíblica e teológica encontra-se no livro do êxodo. Inspirados na luta dos hebreus que movidos por Javé e liderados por Moisés rompem com a escravidão no Egito e saem numa grande romaria rumo a Terra Prometida, aonde corria leite e mel. É um espaço que reúne os escravizados pelo latifúndio e pelas cercas, que são privados do direito sagrado de ter um pedaço de chão para produzirem alimentos, assim como, é também o momento de agradecer ao Senhor da vida a alegria de ter conseguido, com muita luta, um lote de terra para plantar. É um ambiente que junta o campo e a cidade com objetivo de refletir a partir da palavra de Deus.

Cerca de 5000 pessoas devem participar neste ano, dentre eles: trabalhadores(as) rurais, padres, religiosos(as), representantes de movimentos sociais, leigos e população local. No percurso de 11 km, os romeiros e romeiras cantarão músicas da caminhada, que também ressaltam a luta pela reforma agrária e por dignidade de filhos e filhas de Deus e farão as reflexões durante as paradas estratégicas.


PROGRAMAÇÃO:

Dia 27/11/10 (sábado)

20h00 – Concentração no bairro Mangazala
20h30 – Apresentações culturais
22h00 – Celebração da Santa Missa – Liturgia do dia (presidida por Dom Muniz)
23h45 – Leitura da carta da Associação Pachamama e da Carta da Romaria

 
Dia 28/11/10 (domingo)

00h05 – Dinâmica
1º Momento: A Terra Mal repartida clama por Tua justiça
2º Momento: Terra Livre, Terra Mãe


Paradas:

1ª Mijada da velha: “Bendita água fonte de vida” (Ez 47,6-12) – Pe. Rogério

2ª Usina Santa Maria: “A concentração de terra é uma ofensa ao projeto de Deus” (Is 5,8-10) – MST

3ª Prainha: Oração e bendito de padre Cícero – CEBs

4ª Trevo da Conceição: “Terra partilhada: sinal da libertação prometida por Deus” (Dt 26,1-11) - CPT

5ª Assentamento Conceição: sorteio da bicicleta, benção final e café da manhã – Padre Roniel



Mais informações: (82) 9127-5773 / 9951-2624 / 9127-0366 / 8840-8479

domingo, 21 de novembro de 2010

Jornalista da CPT recebe menção honrosa em Alagoas

Helciane Angélica concorreu com o Case “Feira Camponesa: Ações de comunicação e valorização dos feirantes/agricultores”


No sábado (20.11), Dia Nacional da Consciência Negra, ocorreu no espaço de eventos Armazém Uzina o 21º Prêmio Braskem de Jornalismo 2010, que é considerado o mais importante prêmio da categoria no Estado de Alagoas. A atividade é promovida pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas (Sindjornal) e tem como patrocinador a Braskem.

A jornalista Helciane Angélica presta serviços na área de assessoria de comunicação desde março de 2009 na Comissão Pastoral da Terra (CPT-AL), pastoral social e ecumênica vinculada à Arquidiocese de Maceió. Ela se inscreveu no prêmio, na categoria assessoria de imprensa, que teve ao todo sete profissionais atuantes em instituições públicas e privadas.

O trabalho inscrito foi “Feira Camponesa: Ações de comunicação e valorização dos feirantes/agricultores”, que foi apresentado por meio de um Case (ver fotos). Trata-se de um relato com no máximo 50 linhas sobre o conjunto de ações desenvolvidas com o objetivo de alcançar a resolução de um problema no relacionamento com a imprensa; contendo análise da situação anterior, as providências tomadas, os resultados atingidos e uma conclusão, com a avaliação da eficácia das ações executadas entre os dias 25 de setembro de 2009 e 23 de setembro de 2010.

Helciane Angélica ficou entre as finalistas da categoria, e concorreu com as jornalistas Isa Mendonça e Simoneide Araújo, respectivamente, assessoras de imprensa da Eletrobrás Distribuição de Alagoas e da Procuradoria Regional do Trabalho de Alagoas (PRT) da 19ª Região. A grande campeã foi Simoneide Aráujo com a divulgação da Campanha de combate ao trabalho infantil. Porém, o júri também decidiu entregar uma menção honrosa à jornalista da CPT pelo importante trabalho executado na divulgação do projeto que valoriza a produção agroecológica das famílias camponesas em áreas da reforma agrária; além de parabenizar pela visibilidade que tem adquirido junto aos veículos de comunicação locais.


sábado, 20 de novembro de 2010

Artigo: Negras e negros na Bíblia?

Por: Edmilson Schinelo (*)

Os evangelhos sinóticos são unânimes em afirmar que um certo Simão de Cirene ajudou Jesus a carregar a cruz, a caminho do Calvário (Mt 27.32; Mc 15.21; Lc 23, 26). Ora, Cirene fica no norte da África, mas alguma vez você ouviu em prédica ou sermão, na catequese, na escola dominical ou no ensino confirmatório, que um africano ajudou Jesus a carregar a cruz? Estudiosos dirão que se trata de um judeu da diáspora, visto que no norte da África havia várias colônias judaicas. Mas com que argumentos ou intenções fazem esta escolha na interpretação?

Por contrariar os interesses da corte de Jerusalém, pouco antes da destruição da cidade pelas tropas babilônicas, o profeta Jeremias foi preso e lançado numa cisterna. Um africano, funcionário do rei (seu nome, Ebed-Melec, significa "ministro do rei"), liderou um movimento para libertar Jeremias (Jr 38,1-13). Quantas vezes você se lembra de ter estudado este texto, dando atenção a este "detalhe"?

Moisés, conta-nos Nm 12, casou-se com uma africana, da região de Cush - Etiópia. Na verdade, quase toda a historia do êxodo se passa na África. Uma simples leitura do Canto de Miriã (Ex 15,19-21), com certeza um dos textos mais antigos de toda a Bíblia, nos permite notar a proximidade da cena com a rica cultura dos povos negros: canto e dança ao redor dos tambores. Você já parou para pensar nisso?

O missionário Filipe, ao "aceitar a carona" na carruagem do negro e alto funcionário de Candace, rainha da Etiópia, tem uma grata surpresa: o africano já tem em suas mãos o livro do profeta Isaías (At 8, 26-40). E há quem continue afirmando que os foram os europeus que levaram a Bíblia para a África!

Pois bem, os exemplos acima são suficientes para nos provocar ao desafio: olhar a Bíblia na perspectiva da negritude!

Em primeiro lugar, porque seguimos acreditando que o Deus da Bíblia faz opção pelas pessoas e pelos grupos mais marginalizados. Em nossa sociedade, as mulheres, as pessoas negras e indígenas continuam sendo as maiores vítimas da gritante exclusão social. Com elas aprendemos a resistir. Em segundo lugar, porque queremos e podemos descobrir as raízes negras do povo hebreu e de toda a Bíblia. De fato, antes de ser européia, a Bíblia é afro-asiática. Não negamos a contribuição européia ao nosso continente, queremos seguir trocando saberes com o chamado "Velho Continente". Mas denunciamos o cristianismo branco e opressor, com teologias que chegaram ao absurdo de justificar a escravidão negra (feita pelos brancos) e que continuam, muitas vezes, negando nossas raízes.

Não queremos fazer isso apenas pinçando textos bíblicos nos quais apareçam personagens africanas. Este até pode ser o primeiro passo, um exercício necessário e interessante. Mas é preciso mais do que isso, é preciso olharmos toda a Bíblia na perspectiva da negritude. Porque essa é nossa experiência, ainda que negada: vivemos num país onde metade da população é afro-descendente. "Coincidentemente", é a metade mais pobre.

Que aceitemos o desafio de mergulharmos na Bíblia e na vida com nosso olhar afro-descendente. Afinal, por muitos séculos, fizemos isso apenas com o olhar europeu. Erramos e acertamos, agora vemos que é preciso mais. Ou manteremos a opção, muito mais cômoda e bem menos questionadora para nossa sociedade preconceituosa e racista, de continuar enxergando apenas um Jesus loiro, de olhos azuis e cabelos cacheados?


(*) Extraído de Bíblia e Negritude - Pistas para uma leitura afro-descendente.
São Leopoldo: CEBI/EST, 2005.
Para adquirir, acesse: http://www.cebi.org.br/publicacoes-produto.php?produtoId=229

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Arcebispo convida fiéis para participar da 23ª Romaria


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domingo, 14 de novembro de 2010

Carta aos romeiros e romeiras


Companheiros e companheiras da caminhada,

A Comissão Pastoral da Terra de Alagoas (CPT-AL) e as Comunidades Eclesiais de Base (CEB’s), com o apoio da Arquidiocese de Maceió e da paróquia Nossa Senhora da Apresentação realizarão a 23ª Romaria da Terra e das Águas, no município de Porto Calvo, litoral norte alagoano.

A Romaria é um momento de celebrar as conquistas do povo camponês e animar a luta em defesa da reforma agrária e de vida digna no campo. É o encontro de caminhantes, de homens, mulheres, crianças e idosos que acreditam na mobilização social a partir do evangelho libertador de Jesus Cristo.

A Terra mal repartida ainda é uma realidade dura no campo brasileiro, principalmente em terras alagoanas, e impedem milhares de pessoas de terem acesso ao bem natural, colocado a disposição de todos(as), pelo nosso Criador.

A denúncia da concentração da terra faz parte da história da Romaria da Terra e das Águas, e este ano não será diferente, com o tema: Menos Terra Concentrada, Mais Famílias Assentadas. Vamos refletir, em sintonia com a campanha do limite da propriedade da terra e do Plebiscito Popular realizado em setembro, e a urgência na mudança da estrutura agrária alagoana. Não podemos conviver com tamanha concentração da terra e da renda, resultado de uma política colonial de ocupação do nosso território, no qual a terra é vista como mercadoria e a produção é voltada para abastecer os comércios da Europa e Estados Unidos, enquanto o povo alagoano vive na mais extrema pobreza.

O modelo de produção que queremos é voltado para agricultura camponesa, que respeita a mãe terra, cuida das águas, abastece o mercado local e coloca nas mesas das famílias alagoanas alimentos sadios, por um preço justo. 

Esperamos contar com a participação de todos(as) no dia 27 e 28 de novembro durante a realização da 23ª Romaria da Terra e das Águas, leve sua camisa da romaria, seu chapéu, água, alegria e participe conosco deste ato de fé, resistência e luta! Em Maceió teremos ônibus, procure sua paróquia e adquira a passagem por R$ 4,00; as camisas da romaria estão sendo vendidas na sede da CPT por R$10. Mais informações: (82) 3221-8600 ou 9127-5773.


PROGRAMAÇÃO:

Dia 27/11 (sábado)
20h00 – Concentração na comunidade Manganzala (Porto Calvo)
20h30 – Apresentações culturais
22h00 – Celebração da Santa Missa (presidida por Dom Muniz)
23h45 – Leitura da carta da Romaria

Dia 28/11 (domingo)
00h00 – Início da Romaria (De Manganzala ao assentamento Conceição)
05h00 – Café camponês e envio / Encerramento


“Aonde vai este povo, que marcha em romaria. Vai buscar um tempo novo, o nosso Deus a frente é luz e guia”

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Sirinhaém: GRITO DE UMA GUERREIRA


Senti o peso do Estado sobre mim;
Senti o peso do Judiciário sobre mim;
Senti o peso do agronegócio da cana-de-açúcar, que não tem nada de doce, sobre mim;
Em alguns momentos a Cruz também pesava sobre meus ombros.

Qual o mal que eu fiz?
Será que é porque eu sou uma pescadora artesanal?
Será que é pelo fato de nascer e me criar em terras públicas e não ter o título de propriedade?
Será que é pelo fato de não aguentar ver os peixinhos, os caranguejos e os siris mortos pelo vinhoto fedorento da usina e ter que denunciar incansavelmente?

Porque querem tirar das ilhas eu e minha irmã, igual tiraram as 51 famílias que aqui viviam?
Porque querem cortar nossas raízes?
Porque querem nos des-terrar e nos des-águar?
Vocês sabiam que um peixe não vive foram d'água e nem a gente fora do manguezal?

É por isso que vários já morreram depois que foram expulsos das ilhas!
É por isso que Dona Antônia todo os dias sonha com as ilhas! Ela teve derrame e pede todos os dias para Deus levá-la. Dona Cosma também teve derrame!
É por isso que Seu Ivanildo, Dona Antônia, Seu Cavoeiro, Dona Zeza… tomam comprimido para pressão, hábito que não tinha quando moravam nas ilhas.
Será que querem nos matar?!
“Quem me matou foi a usina quando me tirou das ilhas”, uma vez respondeu pra mim Dona Antônia.

Estou sendo obrigada a sair das ilhas, eu e minha irmã.
Não me imagino fora daqui!
Não quero ir para a rua passar fome como os que foram expulsos!
A única coisa que a usina promete e cumpre é a nossa expulsão e uma vida de miséria.

Senti o peso do Estado sobre mim;
Senti o peso do Judiciário sobre mim;
Senti o peso do agronegócio da cana-de-açúcar, que não tem nada de doce, sobre mim;
Em alguns momentos a Cruz também pesava sobre meus ombros.

VOLTO!
VOLTAREMOS!
VAMOS VOLTAR!
SIM, SOU GUERREIRA DAS ILHAS!


Recife, 09 de novembro de 2010.


Dia em que tudo se preparava para a retirada de Maria de Nazareth e Maria das Dores (Graça) das ilhas de Sirinhaém, lugar em que outras 51 famílias também viviam e foram expulsas pela Usina Trapiche. Nazareth e Graça nasceram e se criaram na Ilha Constantino.


Fonte: Comissão Pastoral da Terra - Regional NE II

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Bastidores: Educadoras realizam Bingo Camponês


Na manhã do último dia 29 de outubro, foi realizado um bingo camponês no Acampamento Santa Cruz localizado no município de Murici.

Cerca de 60 pessoas participaram da atividade e concorreram aos brindes: 1 dvd, uma chapinha de cabelo, um conjunto de copos, um liquidificador e um bode - todos os produtos foram doados por parceiros da Comissão Pastoral da Terra em Alagoas (CPT-AL).

A ação foi promovida pelas educadoras que atuam nas escolas itinerantes situadas em acampamentos da reforma agrária. Teve como objetivo central a captação de recursos para o projeto sócio-cultural "Cultivando música, cultivando arte, cultivando a vida camponesa" que foi aprovado no Programa Açao para criança da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE).


Confira as fotos tiradas por Madalena Oliveira e Jailson Tenório:

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Via Campesina organiza Caravanas Internacionais pela Vida, Resistência e Justiça Climática em direção ao México


A Via Campesina está organizando Caravanas Internacionais pela Vida, Resistência e Justiça Climática, até o México, a partir do dia 22 de novembro próximo. Mais de mil mulheres e homens, camponeses, indígenas, gente urbana e rural, afetada pela destruição social e ambiental, estão planejando marchar em cinco caravanas até Cancún, no México, protestando contra a indolência dos países dominantes e capitalistas do mundo, que se reunirão para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, de 29 de novembro a 10 de dezembro desse ano.

Três caravanas co-organizadas pela Assembleia Nacional de Afetados Ambientais e a Via Campesina Internacional , junto a diversos movimentos sociais dos Estados Unidos, Canadá e México, partirão de São Luís Potosí, Guadalajara e Acapulco, juntando-se a outros movimentos rurais, urbanos e estudantis na Cidade do México, no dia 30 de novembro para um protesto em massa pela justiça ambiental e social. Outras duas caravanas sairão de Oaxaca e Chiapas, todas convergindo em Cancún no dia 3 de dezembro, para a abertura do Acampamento Camponês e Indígena organizado pela Via Campesina.

As caravanas poderão dar visibilidade às lutas locais contra as injustiças sociais e ambientais, enquanto que a comunidade global se reúne para as negociações climáticas em Cancún. Denunciarão, também, a apatia generalizada com relação aos escândalos socioambientais atuais, como a manipulação empreendida pelo governo mexicano para implementar mega-projetos dentro da ideia de “Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL)”, os quais realmente devastam comunidades e o meio ambiente.

Isto é o caso, também, das grandes fazendas industriais de porcos, como a Smithfield, de produção de agrocombustíveis para aviões, das grandes represas e das novas extensões cultivadas com transgênicos. Contra a avareza corporativa causadoras das “mudanças climáticas”, produtores da Via Campesina de todo o mundo e outros ativistas, se juntarão nas caravanas rumo a Cancún. Segundo Henry Saragih, coordenador geral da Via Campesina, “líderes camponeses até da Ásia, também marcharão com os afetados e afetadas do México e da América do Norte. Em meu país, a Indonésia, há centenas e até milhares de lutas do povo, em nível local, contra projetos comerciais que destroem o sustento dos camponeses e camponesas e o meio ambiente.”

Josie Riffaud, uma líder camponesa da Via Campesina da França , também insistiu que “as soluções que se estão discutindo nas negociações climáticas são muito espantosas. Nos estão dizendo que alguns projetos ajudarão a resolver o atual caos climático, mas é uma ilusão. Estamos vendo um aumento das monoculturas, da engenharia genética a serviço do capital, plantações de agrocombustíveis, roubo de terras, tudo isto aumentará a devastação e exclusão.”

Em Cancún, a Via Campesina e seus aliados organizarão um “Fórum Alternativo Global pela Vida e pela Justiça Ambiental e Social”, de 5 a 8 de dezembro, e uma mobilização em massa de camponeses, indígenas e movimentos sociais no dia 7 de dezembro. Ao mesmo tempo, em Cancún e por todo o mundo, milhares de pessoas e organizações se mobilizarão em torno da ideia de “Milhares até Cancún”, para denunciar as falsas soluções para as mudanças climáticas e promover uma mudança verdadeira do atual sistema.

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Thays Puzzi

FNRA - Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo

Assessoria de Comunicação

(61) 8134 9592 / 3323 1770 / www.limitedaterra.org.br

domingo, 7 de novembro de 2010

Bastidores: Palestra na Alemanha sobre a CPT-AL


No último dia 02 de novembro, ocorreu uma palestra especial na Alemanha sobre as ações promovidas pela Comissão Pastoral da Terra em Alagoas. A estudante de Geografia, Anke Nikolaus, abordou o tema “Terra de Deus: Terra de Irmãos!”, um grito de ordem constantemente mencionado por acampados e assentados da reforma agrária, que foi traduzido para o alemão: “Gottes Land: Land der Geschwister!”.

Anke relatou sua vivência no período que estagiou na CPT-AL em 2009, exibiu imagens do arquivo da instituição e o seu registro fotográfico pessoal referentes às condições de infra-estrutura, moradia e a diversidade agropecuária nas áreas.

A atividade aconteceu na loja "Weltladen Altstadt" e contou com a participação de 25 ouvintes, que demonstraram interesse na temática. Segundo a acadêmica, todos ficaram impressionados com a força e a fé das famílias camponesas e a luta pela terra. Também elogiaram a produção demonstrada nas feiras camponesas – alimentos, animais, apicultura e artesanato – e o trabalho desenvolvido pela CPT.

Para mim aquela noite também foi muito especial, além de ficar um pouco nervosa de falar para as pessoas. Mas, eu fiquei bem emocionada de partilhar essas experiências valorosas, que eu ganhei com todas as pessoas do Brasil. Foi muito bom!”, destacou a alemã.

Após às explanações, o grupo ainda permaneceu no local em clima de confraternização e pôde tirar outras dúvidas. Algumas pessoas, também, anotaram o endereço do blog e a página no youtube para visitar em outros momentos.


Confira algumas imagens da atividade:



sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Educadoras da CPT participam da Feira da Solidariedade


Por: Helciane Angélica - Jornalista / CPT-AL


Neste sábado (06.11) das 6h às 9h, terá mais uma edição da Feira da Solidariedade promovida pela Arquidiocese de Maceió, em frente à Igreja São Gonçalo no bairro do Farol em Maceió. A Comissão Pastoral da Terra de Alagoas estará presente mais uma vez, com a comercialização de alimentos livres de agrotóxicos oriundos das áreas de reforma agrária.

No local terá uma barraca coordenada pelas educadoras que atuam nas escolas itinerantes da CPT-AL, que irão vender abóbora, macaxeira, melancia, feijão, hortaliças, verduras, ovos de capoeira e mel do sertão. Os produtos foram doados por agricultores dos assentamentos Flor do Bosque (Messias), Dom Helder Câmara (Murici) e dos acampamentos Bota Velha e Santa Cruz, ambos localizados em Murici. Essa é uma das ações desenvolvidas com o intuito de captar mais recursos financeiros para viabilizar o projeto sócio-cultural "Cultivando música, cultivando arte, cultivando a vida camponesa", aprovado no Programa Ação para Crianças da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) e que iniciará em janeiro de 2011.

Os fiéis e os moradores das adjacências que acordam logo cedo para prestigiar a missa, também, aproveitam para visitar a feira matinal e comprar produtos diversos nas barracas das pastorais sociais. A Feira da Solidariedade sempre acontece no primeiro sábado de cada mês.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Assentados protestam por melhorias nas estradas em São Miguel dos Milagres


Os assentamentos Jubileu 2000 e Quilombo dos Palmares sofrem há vários anos com os problemas nas estradas de acesso e as falsas promessas do Governo

 
Agricultores que recebem o apoio da Comissão Pastoral da Terra apreenderam na última segunda-feira duas máquinas (motoniveladora e retroescavadeira) e uma caçamba que pertencem ao Departamento Estadual de Estradas e Rodagem (DER). Essa foi a medida adotada pelos moradores dos assentamentos Jubileu 2000 e Quilombo dos Palmares em São Miguel dos Milagres, para chamar a atenção das autoridades e da sociedade civil, quanto a morosidade na conclusão das obras nas estradas de acesso.


Há vários anos, os assentados sofrem com as más condições das estradas e tem dificuldades para realizar o escoamento da produção agropecuária. No período chuvoso, os problemas aumentam e as 72 famílias camponesas dos dois assentamentos ficam completamente ilhadas, precisam caminhar por várias horas até chegar à cidade e ter acesso aos postos de saúde e as escolas. Em junho deste ano, foi assinado um convênio entre o DER e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra-AL) para a execução de trabalhos de infra-estrutura em diversos assentamentos do Estado e a construção de pontes.

As obras iniciaram há quatro meses, mas só as estradas dos fazendeiros foram concluídas e o órgão estadual alegou que as máquinas quebram constantemente e precisam fazer a manutenção, mas não confirmou quando as obras na área dos assentamentos ficariam prontas. “Nós não queremos mais paliativos, queremos que consertem logo essas estradas. Eles vieram aqui e só fizeram alguns trechos, mas ainda tem muitos buracos e as pontes estão do mesmo jeito, com as toras de coqueiro que a gente improvisou. Até agora não melhoraram em nada a nossa situação!”, desabafou a assentada Cristiane Santos.


As manifestações por busca de melhorias são constantes, já foram realizados vários bloqueios em rodovias, ocupação do prédio da Prefeitura e participaram de inúmeras reuniões no Palácio do Governo, mas até agora nada foi resolvido. E no início da tarde de hoje, a rodovia AL-101 Norte foi paralisada, o que deu agilidade em relação ao agendamento de uma reunião nesta quinta-feira (04.11) às 9h, com o Prefeito Adalberto Paiva, conhecido por Draga e representantes do Governo Estadual.

Juiz insiste com reintegração de posse em fazenda improdutiva

 

A Fazenda Bom Destino está em estado de abandono há 10 anos, o Incra prometeu repassar a área para os sem-terra, mas o acordo foi descumprido






O Juiz Agrário Aryton Tenório que se encontra em férias neste momento, determinou para hoje (03.11) a reintegração de posse, inclusive, com o uso de força física em caso de resistência no Acampamento Bom Destino localizado município de São Miguel dos Milagres (AL), uma área que seria destinada para a Reforma Agrária. O Gerenciamento de Crises da Polícia Militar junto com um Oficial da Justiça estiveram no local para oficializar o despejo.

No local, vivem 20 famílias camponesas há 1 ano e meio em uma fazenda abandonada, que antes só tinha pasto e agora estão produzido mandioca, manga, coco, banana, feijão de corda e uma pequena horta. Também foi iniciado pela Arquidiocese de Maceió a implantação de um projeto denominado “Casa NINHO” – uma casa de apoio para as crianças e adolescentes em situação de risco ou com problemas familiares.

Esta é uma área que está há cinco anos em conflito agrário, e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra-AL) fez várias vistorias constatando que a fazenda era improdutiva gerando o processo de desapropriação, que posteriormente foi arquivado. Em maio deste ano, foi assumido novamente o compromisso de reabrir o processo, fazer a notificação da área e renegociar com o proprietário do imóvel.

No dia 13 de outubro, ocorreu a última tentativa de reintegração de posse, que foi anulada devido a intermediação do ouvidor agrário nacional, o Desembargador Gercino José da Silva Filho. No dia anterior foi realizada uma reunião na própria Vara Agrária, com a presença do Dr. Gercino; Katiúcia Santos, Chefe da Divisão de Obtenção de Terras do Incra de Alagoas; Gilda Diniz dos Santos, Procuradora-Geral do Incra; José Carlos Cardoso, Ouvidor Agrário Regional do Incra; Paulo Eduardo Aguilar da Silva, Representante da Polícia Federal na Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo; Ailson Silveira Machado, Representante da Secretaria de Direitos Humanos na Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo, e coordenadores da CPT – na ocasião, foi admitido que o INCRA NACIONAL deverá revisar este processo extremamente complicado e rever os dois laudos técnicos contraditórios, um afirma que a área é improdutiva que gerou o processo de desapropriação e o outro declarando que há produtividade.

A Assessoria Jurídica da CPT-AL entrou com um pedido de suspensão na Vara Agrária de Alagoas, visto que existe um processo tramitado e julgado na esfera Federal na 5ª região em Recife (PE), em relação a o acordo entre o Procurador do Incra e o advogado da proprietária, onde as famílias camponesas não tiveram conhecimento. Porém, infelizmente, as famílias camponesas deixarão a área até o processo ser revisado, e se juntarão a outros camponeses acampados que estão na Fazenda Bom Jardim, conhecida por Cabocla, no mesmo município.

Mais informações: (82) 9127-2418  / 9968-4260 / 9177-6594   

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Ações da CPT-AL é tema de palestra na Alemanha


Anke Nikolaus estagiou na instituição em 2009 e irá relatar suas experiências junto aos sem-terra


Texto e foto: Helciane Angélica - Jornalista / CPT-AL


Nesta terça-feira (02.11) às 20h na Alemanha, 16h horário de Brasília, terá uma palestra com o tema “Terra de Deus: Terra de Irmãos!” que em alemão é traduzido para “Gottes Land: Land der Geschwister!”, que será ministrado pela estudante de Geografia, Anke Nikolaus. Ela recebeu o convite para relatar sua experiência e os aprendizados durante o período que estagiou na Comissão Pastoral da Terra de Alagoas em 2009.

A atividade acontecerá na "Weltladen Altstadt" uma loja onde são vendidos produtos oriundos de projetos de desenvolvimento sustentável, que encontra-se interligada a uma Associação chamada "Eine Welt Zentrum" que significa “Centro do mundo”. Na ocasião serão divulgados vários projetos realizados no mundo inteiro, dentre eles, as ações desenvolvidas pela CPT-AL que auxilia as famílias camponesas e busca garantir os seus direitos quanto à terra, água, moradia digna e cidadania.

Anke declarou para a Assessoria de Comunicação da CPT-AL que não gosta muito de falar em público, mas apesar do nervosismo está muito feliz em partilhar as suas impressões. “Primeiro eu vou mostrar o filme Tabuleiro de Cana, para mostrar a problemática da estrutura fundiária injusta e depois vou contar sobre a realidade dos assentamentos e sobre os eventos, como a feira camponesa e a romaria. Quero falar sobre tudo que eu conheci quando estava no Brasil!”, destacou.

Ela irá ressaltar as dificuldades enfrentadas por muitas famílias sem-terra que moram por vários anos em barracos de lona e sonham em trabalhar no seu pedaço de terra. Também mostrará imagens sobre a diversidade agropecuária nos assentamentos da reforma agrária, apicultura no sertão e a produção de objetos e acessórios artesanais com a fibra da taboa, além de mencionar o trabalho de comunicação executado nas mídias sociais (blog, Orkut e twitter) na internet.

A ação é aberta ao público, foram distribuídos vários folhetos e divulgado na internet, acesse: http://eineweltzentrum.millenium.de/web/cms/front_content.php?idcat=104&idart=641.

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Confira abaixo o email enviado por Anke Nikolaus logo depois que terminou o período de estágio na CPT-AL. Alguns termos foram revisados pela Assessoria de Comunicação para facilitar a compreensão do texto.

"A primeira vez que eu encontrei os problemas da estrutura fundiária foi quando eu estava procurando literatura para um estudo. Na Alemanha eu estudo geografia e naquela época eu frequentava um curso sobre os problemas de desenvolvimento nos países do parte sul do mundo.

Um ano mais tarde eu encontrei um anúncio numa página de internet sobre um estágio na Comissão Pastoral da Terra. Assim o meu interesse para a iníqua estrutura fundiária foi acordado de novo e cresceu o interesse de trabalhar na CPT. Como a estrutura fundiária não e natural, mas feito pelos homens é no mesmo tempo uma estrutura, que pode ser mudada pelos homens. Eu tinha a vontade de conhecer como a mudança dessa estrutura, a reforma agrária, chegar a ser realidade. Por isso eu aceitei ir para o Brasil e fazer esse estágio, além de conhecer a CPT.

Nas primeiras semanas do estágio eu arquivei as notícias antigas dos jornais sobre a luta dos sem terras, sobre a história da CPT e sobre assuntos que falam das problemáticas dos sem terras. Esse trabalho me ajudou muito, consegui uma visão geral sobre alguns assuntos importantes da agricultura, da reforma agrária e da história da CPT em Alagoas.

Além disso, no inicio do meu estágio eu tinha a possibilidade de conhecer a vida dos assentados e acampados pelas várias visitas dos assentamentos e acampamentos em todas as regiões de Alagoas.  Eu aproveitei muito a abertura, cordialidade e hospitalidade, com qual as pessoas lá me aceitaram. Para mim, cada visita nos assentamentos e cada conversa com as pessoas lá foi um ponto brilhante mesmo, momentos, que eu nunca vou esquecer. Dentro desses foram uma noite linda com cantada em Boa Esperança, a celebração do Natal em Flor de Bosque e em Santa Cruz e uma missa comovente em Irma Dorothy (assentamento).

No Rio de Janeiro eu tive a oportunidade de ficar duas vezes para uma semana nos assentamentos para fazer uma pesquisa. Viver com os assentados e como os assentados foi iluminado. Mesmo que a vida deles é muito diferente do que a minha vida, mesmo que parece com um outro mundo, tinha muitas coisas, quais pareceram conhecidas e parecidas. Comendo juntos, assistindo novelas ou escutando piadas eu me sinto quase em casa dentro desse “outro mundo”.

Afinal de contas o meu tempo aqui no Brasil e especialmente o estágio na CPT foi muito enriquecedor para mim. Eu aprendi uma língua nova e aprendi um monte das coisas sobre a geografia, a agricultura e a cultura do Brasil. E ainda por cima eu conheci um “outro mundo” e meti esse mundo no meu coração. Como as pessoas dos assentamentos e acampamentos me hospedarem nas casas deles, assim eu acolhi eles no meu coração. Eu não vou nunca esquecer o meu tempo no Brasil, nem as pessoas, quais eu encontrei durante desse tempo. E como os sem terras lutam contra a injustiça da estrutura fundiária com muito sofrimento, assim eu quero nunca esquecer de lutar contra a injustiça. Seja lá onde for!"
(Anke Nikolaus - fevereiro de 2010)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010