quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Pachamama realiza formação na área de saúde com camponeses

A associação italiana existe há um ano e tem desenvolvido várias ações sócio-educativas com as famílias camponesas alagoanas que são acompanhadas pela Comissão Pastoral da Terra


Texto e fotos: Helciane Angélica - jornalista/CPT-AL


Nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro, a Associação Pachamama (Terra Mãe) da Itália em parceria com a Comissão Pastoral da Terra (CPT-AL) realizou no Centro Pastoral Dom Bosco em Messias, a segunda etapa do curso Semeadores da Saúde com camponeses oriundos do litoral norte e zona da mata de Alagoas. A instituição defende a reforma agrária no Brasil e tem contribuído com várias ações sócio-educativas.

O curso de capacitação tem como principal objetivo passar orientações importantes para lideranças campesinas na área da saúde, para que seja possível coletar dados sobre a quantidade e tipos de enfermidades (diarréia, febre, dor de dente, acidentes e outros), detectar as deficiências quanto a infra-estrutura nos acampamentos e assentamentos, além de anotar os dias que os agentes de saúde estiveram presentes. As informações foram repassadas pelas enfermeiras Maria Blangiardo, Elisa Bessone e Elena Guiglia.


De acordo com Maria Blangiardo, Vice-Presidente da Pachamama, todos os semeadores receberam um kit com caneta, caderno, fichário para fazer as anotações e arquivar os questionários a serem aplicados com as famílias camponesas a partir de janeiro de 2011. “Essa iniciativa é necessária para nós sabermos quais os problemas de saúde no campo e termos uma atuação maior, mostrando esses dados nas secretarias de saúde é possível cobrar as melhorias”, destacou.

Na ocasião, os trabalhadores rurais oriundos do acampamento Santa Cruz (Murici) e dos assentamentos Santa Maria Madalena (União dos Palmares), Rio Bonito (Joaquim Gomes), Dom Helder Câmara (Murici), Irmã Dorothy Stang (Porto de Pedras), Jubileu 2000 e Quilombo dos Palmares (os dois últimos em São Miguel dos Milagres) puderam aprofundar as orientações adquiridas no ano passado, tirar as dúvidas e discutir sobre as principais dificuldades enfrentadas. Os participantes também assistiram vídeos educativos e ilustrativos sobre a importância de lavar as mãos e ter uma boa escovação bucal, além de discutir nos grupos de trabalho as principais estratégias de atuação e para repassar as informações adquiridas.

O assentado e artesão José Claudio Dâmaso Cavalcante atua há dez anos na luta campesina e há três conquistou o pedaço de terra. Ele já participou de várias atividades de formação promovidas pela pastoral social a exemplo dos encontros de militantes, assembleias dos trabalhadores rurais e congressos nacionais, e tem se empenhado para se aperfeiçoar como semeador da saúde. “Eu sou um resgate da CPT porque eu consegui sair do alcoolismo após participar das ações. Então, eu me sinto com a obrigação moral de levar o conhecimento para os demais. Aqui eu aprendi que se não houver higiene pessoal, as mãos e a boca são as principais portas de entrada para as doenças no nosso organismo”, relembrou.

A Pachamama também comprou oito balanças eletrônicas que foram entregues às áreas que tem integrantes do projeto, para que seja executado o Dia do Peso – “Pesando e Colhendo Saúde” uma vez ao mês, onde será traçada uma linha de crescimento das crianças de 0 a 12 anos e combater a desnutrição infantil. Também foram repassados frascos com hipoclorídio de sódio para que seja aplicada na água utilizada para o consumo.

 Participantes da segunda etapa com as enfermeiras italianas


Coordenação

Existe o interesse de ampliar a quantidade de atividades de formação ao longo do ano e divididas por áreas, e a cada quatro meses será utilizada a internet para aproximar os trabalhadores rurais dos integrantes da Pachamama que estão do outro lado do Oceano Atlântico.

Outra medida adotada foi a escolha de uma coordenadora para o projeto Semeadores da Saúde. E a estudante e assentada Josiane Silvetre de 24 anos, do Jubileu 2000, foi a selecionada por ter se destacado na primeira fase, e durante um período de três meses que pode ser prorrogado auxiliará os demais integrantes e manterá a Pachamama e CPT-AL informadas com o envio de relatórios mensais.

Logo no início do curso, no ano passado, eu não queria participar porque achava que iria prejudicar os meus estudos. Mas, os coordenadores explicaram a importância do projeto e me incentivam, eu vim, gostei e achei muito interessante. Até porque, o meu pai faleceu com um ataque cardíaco porque não queria ir ao médico e também porque não tinha informação, então, o que eu puder fazer para orientar os meus companheiros, eu vou fazer!”, afirmou Josiane.

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