segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Movimentos sociais celebram o natal com os acampados da Praça Sinimbu


Praça Sinimbu, ocupada pelos camponeses do MTL. Foto Valdemir Augustinho
Railton Teixeira

Lideranças dos movimentos sociais de Alagoas celebrarão, nesta quarta (21), os festejos natalinos com os acampados do Movimento Terra Trabalho e Liberdade (MTL), que estão na Praça Sinimbu, centro de Maceió, desde fevereiro.

Estão a frente da confraternização natalina, além do MTL, a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Os festejos natalinos estão programados para começar às 10h, na própria Praça Sinimbu, com a celebração ecumênica, presidida pelo padre Alex Cauchi e pelo pastor Wellington Santos. Logo após, um almoço fraterno e distribuição de brinquedos, para as crianças acampadas.

De acordo com Carlos Lima, coordenador da CPT, a iniciativa nasceu diante do espírito que esta época proporciona e da inquietação dos movimentos sociais em confraternizar com aqueles que estão acampados no centro da capital.

“Enquanto todos confraternizam entre si e festejam o natal eles estão lá, por está razão e pelo espírito que nos move, armaremos as nossas tendas e celebraremos o nascimento do menino Jesus na Praça Sinimbu, com os nossos irmãos acampados do MTL”, enfatizou Carlos Lima.

Segundo o coordenador estadual do MLST, Josival Oliveira, as famílias acampadas na Praça Sinimbu aguardam um posicionamento das autoridades competentes, uma vez que elas foram despejadas, pela justiça, em janeiro, deste ano, da Fazenda Cavaleiro, na cidade de Murici (distante 51 km de Maceió).

“Acreditamos que essa celebração de natal vem em solidariedade aos nossos irmãos sofridos, que ao mesmo tempo são vítimas da burocracia. Eles estão no relento desde fevereiro e estão sem perspectiva de terem um local para produzir os seus alimentos e terem uma vida digna”, enfatizou Josival.

A coordenação dos movimentos sociais pede a colaboração da sociedade para que participem também da celebração ecumênica e de acordo com Carlos Lima, a CPT está arrecadando brinquedos para serem distribuídos para as crianças acampadas. Maiores informações, a respeito da arrecadação dos brinquedos, pelo telefone 3221.8600.

Reunião com o Incra 

Após a celebração ecumênica, por volta das 11h30, os movimentos sociais se reunirão com a superintendente estadual do instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Lenilda Lima.

Com o órgão será debatida a situação das famílias que estão acampadas na Praça Sinimbu, há dez meses. De acordo com as lideranças, é de inteira responsabilidade do Incra a resolução da problemática em que se encontram os camponeses.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Água usada por comunidade quilombola é envenenada no Maranhão

A Comissão Pastoral da Terra do Maranhão vem, por meio deste, comunicar mais atos
de violência envolvendo a comunidade quilombola de Salgado, zona rural de
Pirapemas (MA), num conflito que já se arrasta há 30 anos.

No último dia 3 de dezembro, cerca de 18 animais pertencente ao Sr. José da Cruz,
líder da comunidade quilombola de Salgado, foram mortos, por meio de veneno,
causando um grande prejuízo à família do mesmo, já que sobraram poucos animais
para subsistência de seu núcleo familiar. Tal fato se deu em decorrência de violento
conflito possessório envolvendo, de um lado, dezenas de famílias quilombolas e de
outro os senhores Ivanilson Pontes de Araújo e seu pai Moisés, que criam animais
soltos nas áreas de roça das famílias e impedem que as mesmas acessem as fontes
de água e babaçuais.

Em outubro de 2010, o juízo da comarca de Cantanhede (MA) concedeu manutenção
de posse em favor das famílias do quilombo, contudo, o réu Ivanilson insiste em
desrespeitar a ordem judicial. No último domingo afirmou ao quilombola José Patrício,
que se os mesmos continuassem a realizar roças, esses iriam pagar caro.

Na manhã de hoje, 14 de dezembro, por volta de seis horas, o Sr. José da Cruz, líder
quilombola, encontrou, com outros trabalhadores, um vasilhame de veneno dentro do
poço d’água utilizado pela comunidade. A intenção clara era de ou matar por
envenenamento os trabalhadores quilombolas ou causar grandes males à saúde da
comunidade. Este fato ocorreu dois dias após a ida do Delegado Agrário à área do
conflito. Além disso, o sr. Ivanilson Pontes de Araújo contratou dois homens que ficam
rondando a comunidade, de forma ostensiva, intimidando as famílias ameaçadas.

Ao longo do ano de 2011, as famílias quilombolas de Salgado sofreram vários tipos de
humilhações, ameaças, intimidações e violência em seu território. Contudo, o Estado
fez pouco caso da situação.

A cada dia, maiores são as violências contra a Comunidade Salgado/Pontes.
Tememos o pior!

São Luís, 14 de dezembro de 2011.

Padre Inaldo Serejo
Coordenador da CPT/MARANHÃO

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

MLST realiza Feira da Reforma Agrária

Assessoria/MLST



A partir desta segunda feira (12), a Praça Afrânio Jorge, conhecida como praça da faculdade no bairro do prado em Maceió, começa a ficar colorida. É que dará início a mais uma edição das feiras da Reforma Agrária que acontecem durante todo o ano realizada pelos movimentos sociais de luta pela terra em alagoas.

Organizada pelo Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), a Feira da Reforma Agrária acontecerá entre os dias 12 e 16 de dezembro com o tema, “Comercialização solidária com preço justo” trazendo para a capital alagoana os trabalhadores e trabalhadoras do agreste, sertão, zona da mata e litoral todos vindos de assentamentos e acampamentos organizado e coordenado pelo movimento.

Sua abertura oficial se dará no dia 13/12 ás 09hs com a presença de convidados, autoridades e representantes de sindicatos e movimentos, parceiros na luta, seguido de um belo café da manha regional.

Além dos tradicionais feirantes comercializando seus produtos orgânicos, livre de agrotóxicos com qualidade alimentar e preço justo, a feira oferecerá toda uma estrutura além das barracas. Com praça de alimentação onde o cliente/visitante poderá degustar de pratos tipicamente regionais, a feira, terá uma intensa programação cultural, onde não só os feirantes mais a quem interessar, poderá participar de palestras, oficinas e as tradicionais noites culturais com dança regional, apresentações de grupos culturais e muita música com artistas da terra e os próprios trabalhadores ligados ao movimento que aproveitam o espaço para também mostrarem seus talentos.

O MLST espera com a feira garantir não só a venda dos produtos, e sim, interagir com a comunidade maceioense, mostrando a produção de alimentos como fruto da luta pela reforma agrária.

O objetivo da feira é ter a atenção da sociedade e mostrar os mesmos agricultores que em alguns momentos ocupam a capital alagoana para suas manifestações, desta vez, chegam à capital com uma feira e o resultado de sua produção. Mostrando sua capacidade produtiva, levando para a população um alimento saudável com preço justo.

Mega obra impacta agricultores

A Coordenação Nacional da CPT vem a público denunciar a desapropriação das famílias das comunidades Água Preta, Barra do Jacaré, Sabonete, Cazumbá, Campo da Praia, Bajuru, Quixaba, Azeitona, Capela São Pedro e Açu, do 5º Distrito, do município de São João da Barra, RJ. Para darem lugar às obras do Complexo Industrial, ligado ao Superporto do Açu, do bilionário brasileiro, Eike Batista, as famílias destas comunidades são pressionadas a abandonarem suas áreas onde muitas delas nasceram e têm suas raízes mais profundas. Além de sofrerem agressões.

Mais uma vez o poder público apóia os interesses do capital que se sobrepõem aos interesses dos cidadãos.

O Superporto do Açu é um empreendimento logístico da empresa LLX. Trata-se do maior investimento em infraestrutura portuária das Américas. Sua construção teve início em outubro de 2007 e sua operação está prevista para o primeiro semestre de 2012. O empreendimento foi idealizado prevendo a integração com minas de minério de ferro de Minas Gerais, a ser transportado até o porto por um mineroduto de 525 km de extensão. A concepção do Superporto é o de um porto-indústria, desenvolvendo diversos empreendimentos em paralelo ao porto propriamente dito, como estaleiro, usinas termoelétricas, etc. Mais de 66 empresas demonstraram interesse em se instalar neste complexo industrial. Este megaempreendimento está sendo propagandeado como uma obra dentro das mais avançadas do mundo, e que vai ampliar imensamente a capacidade exportadora do Brasil.

Mas o que não é divulgado é que para a instalação de todo este complexo de empresas, vão ter que ser desalojadas familias de pescadores e de pequenos agricultores, que podem chegar a 1.500 famílias. A proposta do megaempreendimento foi abraçada pela prefeitura de São João da Barra e do estado do Rio de Janeiro. Um Decreto Estadual 41.915/2009, desapropria como de interesse público uma área de 7.200 hectares, através da Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio de Janeiro (Codin), para dar espaço ao condomínio industrial previsto no projeto.

Todas as estratégias estão sendo usadas para retirar as famílias da área, entre compra de área, mudança de local, e outras. Algumas venderam suas propriedades para a Codin. Outras negociaram com a companhia sua transferência para a Vila da Terra, um projeto para alojar as famílias retiradas, mas não receberam até hoje a indenização combinada. Porém, um grupo significativo de famílias, em torno a 800, resistem na terra e nela querem permanecer, por isso sofrem todo tipo de pressão e de ameaças para deixarem suas áreas. Placas são fincadas nos sítios, cercas mudam os limites das propriedades, restingas são derrubadas. Como diz um camponês: “Seremos expulsos de nossa terra, querem arrancar nossa história de dentro da gente. Na mesma hora que entram derrubam tudo, cercam, não deixam vida ali, querem que esqueçamos tudo que vivemos aqui.”. A polícia tem sido muitas vezes arbitrária e truculenta. Contra os que ainda teimam em resistir há um mandado de despejo que pode ser executado a qualquer hora.

Diante disso, os agricultores têm realizado diversas manifestações, bloqueado a estrada de acesso às obras do superporto, participado de audiências públicas na tentativa de garantirem o direito a permanecer na terra.

Às famílias atingidas por este megaprojeto, a Coordenação Nacional da CPT quer expressar seu apoio. É uma luta das proporções da de Davi e Golias. Mas acreditem na força dos pequenos, da sua união e persistência.

Às autoridades, a quem interessa o chamado “desenvolvimento econômico” acima da vida, da cultura e da história das comunidades camponesas, queremos lembrar que, como na visão de Daniel, todos os impérios têm os pés de barro e podem ruir num instante e tornar “tudo como se fosse palha ao final da colheita” (Dn 2, 31-35). Quando o mundo todo se debate com as trágicas consequências do aquecimento global, e toma consciência da finitude dos bens naturais e da necessidade de preservá-los, nossos governantes ainda apostam em projetos e propostas alicerçadas em visões já caducas de um desenvolvimento ilimitado.

A agricultura familiar e camponesa que ajuda a manter o equilíbrio da vida deveria merecer todo o apoio e não ser jogada ao lixo da história. É hora de se adequar ao momento presente e repensar o modelo de desenvolvimento!

Goiânia, 9 de dezembro de 2011.

Coordenação Nacional da Comissão Pastoral da Terra

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Prefeitura de Penedo é ocupada pelo MST

Rafael Soriano/MST

Um grupo de 50 agricultores do assentamento Novo Horizonte ocupou às 8h30 da manhã desta quarta-feira (30/11) a Prefeitura Municipal de Penedo (a 173 km de Maceió). Os trabalhadores organizados no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) se deslocaram até a sede do poder municipal para cobrar medidas de estruturação do assentamento, saúde e educação, integrando todas as esferas na execução da política de Reforma Agrária.

Houve tentativa de impedimento da ocupação do prédio, mas os Sem Terra conseguiram entrar. A polícia foi chamada, contudo desistiu de intervir ao ver a pauta dos trabalhadores. O grupo estava exigindo a construção de um anexo da Unidade de Saúde da Família no assentamento, a construção de uma escola de nivel infantil e fundamental, a construção da estrada que leva à área, a estruturação da rede de energia e o abastecimento de água do local.

Recebidos pelo Chefe de Gabinete do Prefeito, Antônio Nelson Filho, e outros assessores (já que o Prefeito estava em cerimônia de entrega de casas no município), os camponeses ouviram tanto promessas de longo prazo quanto planejamento de pronto atendimento de suas reivindicações. No quesito saúde rural, a Prefeitura se comprometeu com a garantia de suporte com um carro conduzindo os usuários até o posto de saúde (distante 18km), além da elaboração do projeto de anexo, em diálogo com o MST.

Na demanda educacional, a Prefeitura também indicou a formulação de um projeto para construir a escola de nível infantil e fundamental. As mudanças estruturantes, entretanto, começam a ser encaminhadas imediatamente: amanhã a prefeitura enviará o patrol até o assentamento para a para estruturação da estrada, que beneficiará estudantes da região e permitirá a passagem dos materiais para construção das casas no assentamento.

A prefeitura contatou a Eletrobrás Distribuição Alagoas e enviará equipe também amanhã para medição e estudo do terreno para implementação da rede de energia, em concomitância com a construção das habitações rurais. Também durante essas obras, a Prefeitura garante construir duas cisternas em cada agrovila e regularizar a distribuição de água. Após a construção das casas, será perfurado um poço artesiano, beneficiando as famílias.

O início das obras das casas do assentamento Novo Horizonte está condicionado à abertura e estruturação da estrada vicinal, o que deve levar um período de até dez dias, segundo a equipe do prefeito. O militante Mauro dos Santos afirma que “se não for resolvido nossas demandas nos próximos dias, já prometemos voltar, mas com um número maior de trabalhadores rurais”. Após as negociações, as famílias desocuparam o órgão e retornaram a Novo Horizonte.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Trabalhadores de Alagoas relembram mortes no campo

Casos de assassinatos de Sem Terra, impunes até hoje, foram o mote do grande ato que percorreu o município de Atalaia

Rafael Soriano/MST

Na manhã desta terça-feira (29/11), na passagem do Dia Estadual de Luta Contra Violência e Impunidade no Campo e na Cidade, aproximadamente 1000 trabalhadores rurais de toda Alagoas marcharam pela cidade de Atalaia (45 km de Maceió) num grande ato em memória daqueles que tombaram na luta pela Reforma Agrária. A data ganhou esta conotação a partir da morte de Jaelson Melquíades, que foi brutalmente executado com cinco tiros em 29 de novembro de 2005 quando se deslocava de moto do então acampamento Ouricuri III (hoje, assentamento Jaelson Melquíades) para a casa de sua mãe no assentamento Timbó.

Os Sem Terra protestaram contra a truculência dos coronéis do latifúndio, acobertados pela impunidade e ineficácia do Poder Judiciário e polícia. Soma-se à violência e à impunidade, a não realização da política constitucional de Reforma Agrária, que possibilitaria vida digna com trabalho, renda e alimentos saudáveis para as famílias beneficiárias, além de outros direitos assegurados em decorrência do assentamento. Além de Jaelson, também foram lembrados Chico do Sindicato (abatido em 1995), José Elenilson (em 2000) e Luciano Alves (em 2003).

Desde cedo, os camponeses organizados no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) se concentraram no povoado Ouricuri, palco da maior parte das tragédias envolvendo fazendeiros e agricultores. Os trabalhadores se deslocaram em carreata até a sede do município de Atalaia, onde fizeram uma caminhada com a imagem estampada do mártir Jaelson Melquíades, realizaram um bloqueio momentâneo na BR-316 e seguiram em ato para o Foro da cidade.

O Movimento expressou sua intransigência para com as constantes falhas do Poder Público na resolução dos assassinatos de lideranças no campo e bloquearam a BR-316 na saída de Atalaia, por cerca de 40 minutos. “Nós somos obrigados a vir cobrar justiça, já que virou moda matar trabalhador e ficarem impunes. A justiça não cumpre seu papel!”, alertou José Pedro (Direção Nacional do MST), sempre se dirigindo aos motoristas, que demonstraram sensibilidade e foram solidários.

Após o desbloqueio da BR-316, os militantes se manifestaram em frente ao Foro de Justiça do município, onde houve resistência por parte de policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) contra a aposição de faixas nas paredes do órgão. Transcorrido o princípio de tumulto, as falas criticaram a atuação da Justiça nos casos de assassinatos ocorridos em Atalaia. Também foi lembrada a postura do Promotor Sóstenes de Araújo Gaia, criticado pelo Procurador-Geral do MP-AL, Eduardo Tavares, por associar “Sem Terra” e “bandidagem” no município.

Durante todo o dia, as manifestações contaram com a animação própria dos agricultores do MST, com entoação de canções populares e gritos de ordem, além da organização também característica dos movimentos agrários, com longas fileiras e auto-coordenação das atividades, culminando num grande ato que impressionou a sociedade atalaiense. Somando-se ao luto nacional vivido pelo MST, também foi muito lembrado o companheiro Egídio Brunetto, fundador do Movimento, que morreu tragicamente num acidente de carro nesta segunda-feira (28/11).

Nas palavras do professor de Ciência Política da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Cícero Albuquerque, apoiador do MST, “Jaelson Melquíades é um exemplo de homem que foi capaz de dar sua própria vida para que nossos filhos tenham uma vida melhor”. Criticando a promiscuidade entre poderes constituídos e famílias oligarcas no Brasil, ele afirmou: “nesse país, quem comete crime e é rico não vai para cadeia (ou contrata bons advogados pra se livrar dela). A polícia já indicou mandantes e executores deste crime. São todos daqui, mas continuam soltos e impunes”.

Noite de diálogos no Povoado Ouricuri

Na noite desta segunda-feira (28/11), as atividades preparatórias para o Dia Estadual de Luta Contra Violência e Impunidade no Campo e na Cidade, ocorreram na quadra de esportes do povoado Ouricuri (programação voltada para a população da localidade). Os trabalhadores puderam ouvir a memória de companheiros que conheciam Jaelson e conviveram com ele na região.

A programação se iniciou às 18h com uma roda de capoeira do Grupo Arte Ligeira Em Movimento, do professor Geno (Beronito), com crianças e adolescentes do povoado, de acampamentos e de assentamentos. Além de animação garantida com cantigas populares, foi exibido o filme “MST 25 anos – Uma luta de todos”, em sessão do Cineclube Cinema Na Terra. Ao final, foi servido arroz doce para todos os presentes.

No filme e nas intervenções, foi reiterada a alternativa da Reforma Agrária como propulsora do desenvolvimento na região de Ouricuri, após a falência das usinas que ali existiam. A organização dos trabalhadores trouxe para as famílias, além do acesso a terra para produzir, uma série de conquistas estruturais e políticas, como a reestruturação da malha viária, a construção da Ciranda Infantil que atende toda região, entre outras.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

CPT acompanha operação do IMA no assentamento Flor do Bosque



No termino do prazo para desapropriação da área de proteção ambiental do assentamento Flor do Bosque, no município de Messias, A Comissão Pastoral da Terra em Alagoas, acompanhou a operação do Instituto do Meio Ambiente (IMA), que com o apoio do Batalhão de Polícia Ambiental (BPA), derrubaram as cercas e conversaram com os populares, na manhã deste domingo (27).

Após completar quatro meses que o IMA esteve no assentamento, para apurar a denúncia formulada pela CPT, de que populares das cidades vizinhas estariam ocupando irregularmente e derrubando as árvores da reserva ambiental, constataram a permanecia dos ocupantes.

“Não tivemos outra escolha a não ser derrubar as cercas e conversar com a população que ainda residem no local para demolirem os barracos e retirarem os frutos das plantações num prazo de 45 dias”, disse Adriano Augusto, diretor-presidente do IMA.

Augusto também destacou que a equipe do IMA é pequena para atender as demandas de todo o estado, mas destacou que o órgão está a disposição para fiscalizar qualquer irregularidade. “Iremos disponibilizar placas para que sejam colocadas em áreas mais vulnerais ao longo da reserva, mas necessitamos do apoio de todos vocês. Percebendo qualquer sinal, liga para gente que iremos vim fiscalizar”.

“Eles foram muito atenciosos e de imediato estiveram presentes para fiscalizar e tentar impedir a ação dos populares. Porque dos 20% destinados para a reserva legal, hoje só existe 5%, isso é devido à ocupação e a derrubada irregular”, enfatizou Heloísa Amaral, coordenadora técnica da CPT, destacando que dos 70 hectares da reserva legal, apenas 11 possuem mata atlântica.

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Trabalhadores rurais organizam protestos por Justiça

Rafael Soriano/MST

Em memória de Jaelson Melquíades, morto em 2005 por um consórcio de fazendeiros da região de Ouricuri, Zona Rural de Atalaia, centenas de trabalhadores rurais realizam a partir de hoje atividades no município. O dia de sua morte, 29 de novembro, ficou marcado como o Dia Estadual de Luta Contra a Violência e Impunidade no Campo e na Cidade, celebrado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e demais movimentos sociais urbanos e rurais em Alagoas.

Os mártires da luta pela terra em Alagoas serão lembrados numa celebração mística que acontece nesta segunda-feira (28/11), na quadra de esportes do povoado Ouricuri, contando com roda de capoeira, exibição de cinema, canções e depoimentos de companheiros das vítimas. Já no dia 29/11, uma grande caminhada irá percorrer as ruas da cidade de Atalaia, numa celebração que pede paz no campo, com a realização da Reforma Agrária.

Além do Jaelson, outros trabalhadores rurais assassinados por incomodar as elites e coronéis também serão lembrados: o Chico do Sindicato, assassinado em 1995, o José Elenilson, assassinado em 2000 (ambos em Atalaia) e o Luciano Alves, o Grilo, abatido em 2003 (em Craíbas). “Exigimos das autoridades a punição a todos os assassinos e mandantes. E ainda, a realização da Reforma Agrária como forma de combater a violência e garantir justiça social ao povo atalaiense, alagoano e brasileiro”, afirma Débora Nunes, dirigente do MST.

Em 29 de novembro de 2005, Jaelson (25 anos) foi brutalmente executado com cinco tiros quando se deslocava entre a área que hoje carrega seu nome e o assentamento onde morava sua mãe. Zé Pedro, indicado pela polícia como executor, continua foragido e o mandante, Pedro Batista (já falecido), nunca foi condenado em vida.

A impunidade é a marca, quando o poder judiciário se porta de forma promíscua acobertando executores e mandantes, assumindo seu papel paternalista já que não raramente são das mesmas famílias latifundiárias.


sábado, 26 de novembro de 2011

IMA e BPA cumprem desapropriação irregular no assentamento Flor do Bosque

Com o termino do prazo de desapropriação irregular da reserva ambiental no assentamento Flor do Bosque, no município de Messias, técnicos do Instituto do Meio Ambiente (IMA), com apoio do Batalhão de Policiamento Ambiental (BPA), realizará uma visita técnica, neste domingo (27), para ver a situação do local e punir os infratores.

As áreas destinadas à reserva legal e a mata nativa, de acordo com a CPT, foram ocupadas irregularmente por pessoas que moram nas cidades próximas ao assentamento. Nas áreas de proteção ambiental, os invasores construíram casas, realizaram plantações e estavam criando animais.

“São pessoas que não fazem parte do movimento, mas que estão lá ocupando áreas de proteção ambiental. Os próprios camponeses, que moram no local há mais de onze anos identificaram plantas nativas como ingá, palmeira, sabacuím, cupiúba, dendê, imbaúba, visqueiro, favinha, louro, murici, banana de papagaio, sapucaia e outros que a população de fora vem para desmatar”, destacou Heloísa Amaral, coordenadora técnica da CPT.

De acordo com ela, o assentamento Flor do Bosque, possui 350 hectares de extensão, sendo que 70 hectares pertencem à reserva de proteção ambiental, destes dez destinados à mata nativa. “Toda essa área é símbolo de luta e resistência para nós que fazemos a CPT em Alagoas, pretendemos instalar um lote modelo e espaços de estudos nesta reserva, mas pretendemos protegê-la primeiro”.

Primeira visita e fiscalização

Técnicos do Instituto do Meio Ambiente (IMA), do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra-Al), policiais do Batalhão de Polícia Ambiental, além Secretaria Estadual de Agricultura (Seagri), Articulação Social e Associação italiana Pachamama, vistoriam em loco a área de proteção ambiental, no mês de julho, deste ano.

Durante a visita, o IMA produziu um relatório técnico detalhando os espaços que foram devastados. Um prazo de quatro meses foi dado para que os invasores desocupassem a área, cujo prazo termina neste domingo, onde os técnicos, juntamente com o apoio policial visualizaram a situação e puniram os infratores.

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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Camponeses retornam alegres para os assentamentos, após mais uma edição da Feira Itinerante

Demonstrando que a reforma agrária é o caminho e comemorando a escoagem dos alimentos produzidos nos assentamentos e acampamentos acompanhados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), camponeses deixaram a Praça Denis Agra, no Conjunto Santo Eduardo, bairro do Poço, em mais uma edição da Feira Camponesa Itinerante, neste sábado (19).

De acordo com a CPT, os agricultores deixaram a praça felizes e esperançosos de que o deslocamento, indo até o povo, é o verdadeiro caminho. “Os camponeses retornaram para os assentamentos com os caminhões praticamente vazios. Muito poucos alimentos retornaram e o acolhimento da população é uma prova de que a reforma agrária é o caminho”, destacou Heloísa Amaral, coordenadora técnica da CPT.

Está foi à primeira Feira Camponesa Itinerante que contou com a participação dos camponeses de São Miguel dos Milagres, representando o litoral, além da zona da mata e sertão. Nesta edição estiveram presentes cercas de 25 agricultores e aproximadamente 25 toneladas de alimentos foram comercializados.

“No segundo dia já era notório ver os comerciantes chegando com mais alimentos, pois no primeiro dia o sucesso foi tão grande que para ficar até o final eles foram até os assentamentos pegar mais produtos, agora só resta agradecer aos parceiros, principalmente a Paróquia Senhor do Bomfim e a Associação Italiana Pachamama, que desde as primeiras edições da itinerante, sempre foram parceiros”, agradeceu Heloísa.

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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

"A Feira Itinerante está sendo um sucesso", diz camponesa

Feira Camponesa Itinerante, na Praça Denis Agra, Conjunto Santo Eduardo. (Fotos: Railton Teixeira)

O primeiro dia da Feira Camponesa Itinerante, organizada pela Comissão Pastoral da Terra, no conjunto Santo Eduardo, no bairro do Poço, está sendo um sucesso, pelo menos é o que dizem os agricultores dos mais variados assentamentos e acampamentos alagoanos, acompanhados pela CPT.

O otimismo e a certeza de fazerem um bom negócio está estampado nos rostos dos camponeses, que a exemplo da agricultora Selma, do assentamento Rio Bonito, município de Flexeiras, espera que antes do fim da feira, seja necessário retornar ao assentamento para buscar mais alimentos.

“Eu trouxe uma variedade de alimentos, mas já está se esgotando. Eu sabia que seria muito boa a Feira Camponesa Itinerante neste bairro, mas não pensei que seria tão boa assim. Pois eu trouxe uma quantidade considerável de tomate cereja e em poucas horas já se esgotaram, sem falar de outros alimentos, agora só tenho banana”, frisou Selma.

Moradores do bairro e adjacências aproveitam as feiras dos movimentos para adquirem alimentos livres de agrotóxicos, a exemplo de Josivaldo Jerônimo, morador do bairro, que faz um controle biológico e sabe distinguir os que são e os que parecem ser alimentos orgânicos. Segundo ele, a feira camponesa é uma boa oportunidade para tal aquisição e recomenda a população.

“A qualidade dos produtos comercializados na Feira Camponesa é outra coisa, agora imaginem oportunidades dessas aqui no bairro a gente só tem de ano em ano, a não ser que a gente vá comprar nas feiras na Praça da Faculdade e/ou nos assentamentos, o que em muitos dos casos é muito complicados por ser longe”, ressaltou Jerônimo.

A Feira Camponesa Itinerante segue até o próximo sábado (19), com alimentos livres de agrotóxicos, galinha e ovos de capoeira, bodes e carneiros. Os produtos podem ser adquiridos até as 20h, apenas no sábado, por ser o último dia, até as 12h.





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