terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Artigo: NÃO É MAIS NATAL!

Por: Cláudia Muniz do Amaral


Há pouco tempo era Natal, a solidariedade e a fraternidade eram as palavras repetidas e a meta de todos os compromissos assumidos. O Natal é, talvez, a festa mais importante para os cristãos, pelo seu significado, o momento em que o verbo se fez carne e Jesus veio ao mundo para nos salvar e anunciar a boa nova.

A construção de um mundo melhor passa necessariamente por uma mudança do ser humano, pela valorização de princípios como fraternidade e solidariedade, que ultrapassam a normatividade de um Estado de Direito, princípios que o Direito não registra porque o antecede.

Os valores como ética, lealdade, honestidade precisam ser resgatados com urgência porque a nossa sociedade está fadada ao fracasso, não porque o sistema capitalista demonstra a sua incapacidade de atender aos anseios de todos, mas porque nenhum sistema se firmará com um ser humano corrompido e egoísta.

Assiste-se com profunda tristeza os acontecimentos no Rio de Janeiro e em São Paulo e, nestes momentos, como aconteceu aqui em Alagoas, não faltam corações abertos, demonstrações inequívocas de solidariedade. Entretanto, lamentavelmente, constatamos estarrecidos a ausência de planejamento do Poder Público e com muita dor vemos os desvios a céu aberto e os oportunistas de plantão que estão sempre prontos a tirar proveito da miséria humana.

No tempo em que o Brasil chora pelo sofrimento dos nossos irmãos do Sudeste, e de mãos dadas demonstra todo tipo de solidariedade, fecha-se os olhos para os irmãos “sem terra”, que são despejados como água das terras que cultivaram por anos a fio, criaram animais e enraizaram vidas, em nome de Justiça. Que Justiça é essa? Aprendi, desde cedo nos bancos da faculdade que a Justiça é cega, mas por muitas vezes, desconfia-se que seja caolha.

Em nome da legalidade, se coloca na marginalidade irmãos, se engrossa a fileira de desabrigados, analfabetos e doentes. Este é um trabalho incansável do Estado para a manutenção dos nossos “altos índices” de IDH, mas poucos preocupam-se com isso, afinal não é mais Natal.

Não se faz mais necessário lembrar o mandamento “Amai ao próximo como a ti mesmo”, não há que se cumprir o primeiro artigo da Lei Maior, o compromisso com cidadania, dignidade da pessoa humana são normas sem eficácia, feitas para não serem cumpridas. Letra morta na Constituição! Legalidade é a interpretação literal de cada dispositivo e nada mais importa, ainda que estejamos construindo um mundo de miseráveis e colocando o nosso tijolinho de cada dia para o aumento da criminalidade, contanto que nos sobre dinheiro para comprarmos as nossas grades.


* É Procuradora de Estado, Vice-Presidente do Conselho de Segurança do Estado de Alagoas e Coordenadora do Curso de Direito da SEUNE.

Um comentário:

Anônimo disse...

concordo plenamente, tantos que estão nas igrejas adorando e aprendendo que se deve amar uns aos outros, mas se fecham e se imitam ao espaço físico dos templos e não são capazes de se revoltar diante da exclusão com que são tratados nossos irmão sem terra que são tratados eu diria como lixo pelo os nossos representantes que em nome da lei tratam os nossos irmãos como coisa. Enquanto que os verdadeiros invasores como eles caracterizam os sem terra, se encontram montado em cima no dinheiro público e produzindo emendas para para legalizar a roubalheira.