domingo, 27 de fevereiro de 2011

Assentamento Dom Helder Câmara tem 100 hectares de produção agrícola


A área foi o primeiro assentamento da CPT reconhecido pelo INCRA em Alagoas


Texto: Helciane Angélica - Jornalista/CPT
Foto: Valderi Félix - Biólogo/CPT


O assentamento Dom Helder Câmara localizado em Murici, zona da mata de Alagoas, atualmente encontra-se na mídia devido à denúncia de venda de lote promovida pelo jornal Gazeta de Alagoas que foi publicado no dia 20 de fevereiro e as vistorias desencadeadas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A área é acompanhada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) que sempre desenvolve atividades de formação, estimula a produção agropecuária e tem como princípio coibir as irregularidades.

A área particular que estava em estado de abandono e tinha uma pequena produção de cana de açúcar foi ocupada em 1999, após dois anos de luta e resistência morando nas barracas de lona, o Incra reconheceu que a propriedade era improdutiva e a transformou em assentamento da reforma agrária. Atualmente, no local moram e trabalham 48 famílias camponesas que estão distribuídas em duas agrovilas, e cada família possui um lote entre cinco a sete hectares.

De acordo com Heloisa Amaral, Engenheira Agrônoma e coordenadora da equipe técnica da CPT, os técnicos agrícolas estão desde 2005 constantemente em contato com os trabalhadores rurais repassando as orientações necessárias para garantir um maior aproveitamento da área agricultável, inibindo a utilização de fertilizantes químicos e herbicidas, e mostrando ainda os cuidados essenciais para a conservação do solo e da água.

Dos 240 hectares, 100 estão em plena produção com a plantação de macaxeira, inhame, feijão, batata, além de fruteiras variadas como banana, laranja, coco, caju, goiaba, manga e jaca. Também tem mais de 500 cabeças de aves, além de gado bovino, caprino e suíno, além de seis açudes onde 7300 alevinos estão em criação. E contamos também tem uma assentada que trabalha com a apicultura, inclusive, já vem disseminando esse conhecimento para outros”, destacou a agrônoma.

A prática de venda de lote é um criminoso, precisa ter um rigor maior na investigação e é constantemente combatida pela CPT, inclusive, tem denunciado junto às autoridades competentes desde 1999. O lote n° 23 que foi comprado pelo jornalista, já encontra-se ocupado por famílias camponesas, que foram despejadas de acampamentos da CPT na região.

Por causa do erro de alguns, todo mundo paga! Nós somos trabalhadores, estamos nessa luta para produzir na terra, alimentar a nossa família e ganhar o nosso dinheiro com a venda dos alimentos do nosso roçado, e não ter que pedir nada a ninguém. Eu estou aqui desde o início e sempre participo das feiras camponesas em Maceió e também da feira livre em Murici”, exaltou Eraldo Antônio da Silva, assentado de Dom Helder Câmara. Seu Eraldo também conta com o apoio da esposa, Dona Josefa Maria da Conceição, que mostra o seu dote culinário com a produção de pé de moleque, beiju e tapioca.

A CPT é uma pastoral social vinculada à Igreja Católica, que existe há 26 anos no Estado de Alagoas, é uma instituição comprometida com as famílias camponesas e atualmente acompanha 17 acampamentos e 18 assentamentos da reforma agrária. Busca defender seus direitos para se fixarem na terra, produzindo alimentos agroecológicos, ter moradia digna e o acesso à água potável, saúde, educação e cidadania.

Um comentário:

Régis Kleverson disse...

bom dia, meu nome é Régis e minha mãe possui um pedaço de terra de 2 alqueires no entre os municípios de
Itaberaí e a cidade de Goias - GO
La existem 27 famílias, mas somente 10 estão morando no local devido as condições que são precárias.
o pessoal de lá é liderado por um homem que possui 2 lotes, um ao lado do outro retirados em nome de familiares. O problema é que os que estão morando no local ja estão la a mais de 1 ano e moram em barracas de lonas, sem energia eletrica, sem condições necessárias para se ter uma vida normal na fazenda como pude observar hje na reportagem do globo rural. A pergunta é porque o presidente do assentamento consegue tanto benefício como criatórios de Rãs, peixes, aves, suínos e vacas leiteiras enquanto os demais assentados vivem na miséria e estão sofrendo com suas famílias e não conseguem produzir nada e nem criar galinha caipira ?
Será que existe um órgão que fiscaliza este tipo de problema, Eu me espantei quando estive no local pois no começo todos receberam propostas de que iríam ser beneficiados pelo pronaf, e teríam energia eletrica e toda infra estrutura para morar e tirar dali seu ganha pão.
Precisamos urgente de uma ajuda pois se aproxima a data prevista pelo banco para pagar a terra e muitos nem se quer tem casa para morar.

aguardo

Régis Kleverson
GOiânia-GO