segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Educadoras deram aulas em ocupação na capital alagoana

A escola pode ser improvisada, mas o conhecimento será eterno.


Texto e fotos: Helciane Angélica - jornalista/CPT-AL


Educadoras: Edcleide e Lidiane
A Comissão Pastoral da Terra em parceria com os movimentos rurais (MST, MLST e MTL) realizaram de 9 a 11 de fevereiro várias atividades em Maceió para chamar a atenção da sociedade sobre a velocidade das reintegrações de posse em Alagoas e a situação de miséria que 1.283 famílias camponesas foram deixadas após os despejos.

No acampamento montado na Praça Afrânio Jorge conhecida por Praça da Faculdade no Centro da capital alagoana, estiveram presentes cerca de 2000 trabalhadores rurais, inclusive, muitas crianças oriundas de várias partes do Estado.

Mística infantil
Os pequenos brincavam bastante ou tinham que acompanhar seus pais nas mobilizações. E para deixá-los ainda mais ativos, educadoras do campo que atuam em escolas itinerantes da CPT em vários acampamentos, resolveram passar conhecimento e entreter-los ainda mais.

Em cima de um pedaço de lona uma escola foi improvisada, tinha quadro, giz, papel, lápis de cor, giz cera, jogos educativos e muita vontade de aprender. Um local ventilado e com muita sombra era escolhido, e as informações foram repassadas pelas professoras Edcleide Silva e Lidiane Cândido no horário das 9h às 12h, e das 14h às 16h30.

A maioria das crianças desenharam a realidade no campo
As atividades iniciavam logo cedo com uma oração e um cântico de aconchego. Mais de 30 crianças  de quatro a 14 anos, aprenderam um pouco mais sobre ecologia, a importância da luta no campo, literatura contada, cânticos dos movimentos rurais, ainda teve arte e desenho livre. E no encerramento do dia, sempre tinha uma grande ciranda.

As educadoras também faziam perguntas sobre a ocupação e porque era importante ter a reforma agrária no Brasil, mesmo sem compreender a complexidade das ações, eles  sabiam as  reais necessidades de suas famílias e tinham a resposta na ponta da língua: para plantar, colher, cuidar da terra, ter animais e para sobreviver. Eram muitos os pontos de vista!

A princípio participaram crianças das áreas acompanhadas pela CPT, logo, vieram outras dos movimentos

O pequeno Eduardo

O menino Eduardo da Silva Melo do Acampamento Santa Cruz, tem apenas seis anos, gostou de desenhar e declarou que aprendeu a fazer barraco. Quando perguntado sobre o que os seus pais faziam no acampamento, respondeu: “planta macaxeira, banana, couve, milho, melancia, muitas coisas”.


O paraíso fica no seu assentamento


Já Maria Cledja Oliveira dos Santos, de 11 anos, do Assentamento Rio Bonito que participa pela primeira vez de uma ocupação em Maceió fez questão de desenhar o seu paraíso que é composto por sol, árvores, pássaro, cavalo, borboleta e muita terra para plantar.

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