quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Em Alagoas, 1.283 famílias camponesas foram despejadas neste ano


CPT, MST, MLST E MTL estão acampados desde a tarde desta quarta-feira em Maceió. Hoje ocuparam o Porto de Maceió e participaram de um ato público com outros segmentos sociais




Texto e fotos: Helciane Angélica - Jornalista/CPT-AL



Trabalhadores rurais interligados à Comissão Pastoral da Terra (CPT), Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) e o Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL) estão mobilizados desde as primeiras horas desta quinta-feira (10.02) reivindicando os direitos por dignidade no campo. Durante sete horas os sem terra ocuparam o Porto de Maceió, provocando um engarrafamento com mais de 50 caminhões que transportavam açúcar, trigo e combustível.

A articulação também reuniu os canavieiros, trabalhadores que atuam no corte da cana na Usina Guaxuma do Grupo João Lyra, no município de Coruripe, que estão parados há três dias em busca dos diretos trabalhistas, ferramentas mais adequadas e condições dignas de tratamento. “Esse ato vai entrar para a história porque pela primeira vez temos conosco os companheiros canavieiros que são explorados, vivem amontoados nos galpões, são enganados na medição da cana e sofre com problemas terríveis de higiene. Muitas vezes, os canavieiros não têm para onde gritar, e quando fazem são perseguidos. Quero parabenizá-los e sejam bem bem-vindos, essa é a primeira ação de muitas em conjunto”, destacou Carlos Lima, coordenador estadual da CPT.

O Governo de Alagoas tem sido cúmplice do descaso sócio-cultural e econômico, inclusive, tem autorizado ao lado da Vara Agrária a utilização da força policial. Além disso, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) não realiza a sua principal missão que é garantir as condições necessárias para as famílias camponesas viverem com dignidade no campo. “A Vara Agrária não tem que ser um escritório de reintegração de posse e estar a serviço da burguesia. O Governo de Alagoas tem que rever seu posicionamento de levar um ostensivo número de policiais, o BOPE e a cavalaria nas áreas, tratando os camponeses como bandidos, enquanto isso, a sociedade alagoana tem medo de sair de casa devido a grande criminalidade nas ruas”, afirmou Josival Oliveira, coordenador estadual do MLST.

À tarde, os trabalhadores rurais se uniram às lideranças sindicais e do movimento estudantil no ato público pelas ruas do Centro de Maceió, passando em frente do Palácio República dos Palmares, do Tribunal de Justiça e da Assembleia Legislativa. A manifestação denunciou a violência no campo e na cidade, os 2.214 homicídios no Estado e às más condições de salários nas mais diversas categorias do serviço público.


Despejos

Os movimentos e a Pastoral da Terra também chamam a atenção da sociedade sobre a reintegração de posse em 26 acampamentos de várias partes do Estado de janeiro até agora. O levantamento das áreas foi atualizado e detectou-se que 1.283 famílias camponesas foram despejadas em várias partes no Estado de Alagoas e mais de 100 hectares de alimentos destruídos por tratores das usinas. Foram despejadas 550 famílias em nove áreas do MST, 407 famílias em 10 áreas do MTL, 192 em três áreas do MLST, e da CPT foram 134 em quatro áreas.

Na manhã de ontem (09.02) teve a reintegração de posse no acampamento Jundiaí Água Branca localizada no município de Branquinha, onde 72 famílias acompanhadas pelo MLST moravam desde 2005. Produziam milho, feijão, melancia, hortaliças e outros alimentos em aproximadamente 450 hectares, além de criar cavalo, burro, cabra, ovelha, galinha, pato, etc. E no próximo dia 20 de fevereiro, estar programada o despejo de 102 famílias no acampamento Bota Velha em Murici, que tem o apoio da CPT desde 2002, já possuem escola, casa de farinha, capela, casas com energia elétrica, açude e boa produção agrícola.


Reunião

Nesta sexta-feira (11.02) às 15h, lideranças dos movimentos rurais e da CPT se reunirão com o Presidente do Tribunal de Justiça, o Desembargador Sebastião Costa. O encontro tem como objetivo discutir as arbitrariedades da atual gestão da Vara Agrária. O Juiz Ayrton Tenório tem determinado a reintegração de posse de várias áreas e ultimamente tem despejado famílias camponesas que vivem há mais de cinco anos em comunidade, além disso, não tem exigido as vistorias do Incra para visualizar in loco a produção agropecuária, ampliar as fiscalizações, e verificar se as terras encontram-se com irregularidades na Justiça.

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